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  • FÉLIX-MARIE-ÉMILE TAUNAY, 2º BARÃO DE TAUNAY (MONTMORENCY, 1 DE MARÇO DE 1795  RIO DE JANEIRO, 10 DE ABRIL DE 1881) MANUSCRITO  FÉLIX FOI UM PINTOR FRANCÊS, PROFESSOR E DIRETOR DA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES DO BRASIL, SENDO UM DOS IDEALIZADORES E O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA EFETIVAÇÃO DO PROJETO DE ENSINO ACADÊMICO PROPOSTO PELOS MEMBROS DA MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA, DA QUAL FEZ PARTE, UM MARCO FUNDAMENTAL NO PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA DE ARTES DO PAÍS. COMO PINTOR DEIXOU UM IMPORTANTE LEGADO NA PINTURA DE PAISAGEM, SENDO UM DOS FUNDADORES DO GÊNERO NO BRASIL. MANUSCRITO DE FÉLIX-MARIE-ÉMILE TAUNAY ESCRITO EM FRANCÊS SOBRE SUA GESTÃO A FRENTE DA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES ENTRE 1834 E 1851. EXCERTOS DO TEXTO: É CONVENIENTE PARA MIM E SOBRETUDO JUSTO Á MEMÓRIA DAQUELES QUE JÁ DESCANSAM NA TUMBA, QUE EU TOME O CUIDADO DE MARCAR, AO MENOS EM TRAÇOS GERAIS , O QUE PODERIA  TER SIDO, SOB O ASPECTO MONUMENTAL, A CIDADE DO RIO DE JANEIRO EM 1854, NO MOMENTO EM QUE, OBRIGADO POR UMA DOENÇA QUE PARECIA INCURÁVEL A NÃO SER POR UM REPOUSO ABSOLUTO, EU DEIXEI A DIREÇÃO DA ACADEMIA DE BELAS ARTES. ALÉM DO IMPULSO IMPRESSO NO SENTIDO DO PROGRESSO, A CAPITAL DO IMPÉRIO POSSUIA OITO OU DEZ VERDADEIROS MONUMENTOS, SE, DURANTE MINHA ADMINISTRAÇÃO, EU TIVESSE SIDO INVESTIDO DA CONFIANÇA ABSOLUTA QUE EU MERECIA, NÃO TANTO, É VERDADE, PELO MEU VALOR PESSOAL MAS PELA REUNIÃO DOS QUE SERVIAM COMIGO NO CONSELHO ACADÇEMICO, TAIS COMO O GRÃO MERSTRE DE MONTIGNY, OS IRMÃOS FERREZ, JOB JUSTINO DE ALCANTARA, AUGUSTO MULLER. NOTA: Félix-Marie-Émile Taunay, 2º barão de Taunay (Montmorency, 1 de março de 1795  Rio de Janeiro, 10 de abril de 1881), foi um pintor francês, professor e diretor da Academia Imperial de Belas Artes do Brasil, sendo um dos idealizadores e o principal responsável pela efetivação do projeto de ensino acadêmico proposto pelos membros da Missão Artística Francesa, da qual fez parte, um marco fundamental no processo de modernização do sistema de artes do país. Como pintor deixou um importante legado na pintura de paisagem, sendo um dos fundadores do gênero no Brasil. Era filho do pintor Nicolas-Antoine Taunay e de sua esposa, Marie Josephine Rondel, de origem bretã. Com a derrocada de Napoleão Bonaparte, Nicolas deixou a França e partiu para o Brasil em 1816, integrando-se à Missão Artística Francesa. Chegou acompanhado dos seus cinco filhos: Charles-Auguste, Félix-Émile, Aimé-Adrien, Hippolyte e Theodore-Marie. Foi nomeado professor de Pintura Histórica da Academia Imperial de Belas Artes. Nunca chegou a ser empossado, mas viveu de uma pensão real e realizou várias encomendas para a Corte. Antes de partir de volta à França em 1821, Nicolas recebeu o título português de Barão de Taunay. Félix-Émile permaneceu no Brasil. Havia se formado farmacêutico na França, mas no Brasil sua carreira tomaria outros rumos, recebendo formação artística de seu pai. Em 1824 assumiu a cátedra de pintura de paisagem na Academia Imperial. Porém, nesta altura a Academia ainda não passava de um projeto. Vinha enfrentando dificuldades práticas e intrigas políticas para sua implantação e funcionamento desde sua fundação em 1820, e só seria efetivamente inaugurada em 5 de novembro de 1826, graças ao empenho de Debret e Lebreton, dois dos principais membros da Missão Francesa, que se preocuparam também com a preparação do primeiro corpo de professores. Os problemas da escola não acabaram com a sua inauguração. O prédio projetado por Grandjean de Montigny, outro membro da Missão, ainda não estava terminado, tampouco sua estrutura administrativa e curricular haviam sido definidas, e os atritos entre os franceses e os brasileiros não cessavam. Apesar de tudo, em 1829 foi realizada a primeira exposição pública dos trabalhos de alunos e professores, contando com 115 obras, sendo 60 de arquitetura, 47 de pintura, 4 de paisagem e 4 de escultura. A mostra foi um sucesso, sendo visitada por mais de duas mil pessoas nos 12 dias em que permaneceu aberta. Taunay foi o autor das quatro obras de pintura de paisagem: Vista de São Cristóvão tomada da praia Formosa, Paisagem histórica representando um desembarque na praia de D. Manuel, Vista do Barro Vermelho vindo de Catumbi, e Vista da cidade tomada do morro de Santa Teresa. No ano seguinte foi realizada outra exposição, com 126 trabalhos. Taunay e seus alunos Frederico Guilherme Briggs, Job Justino de Alcântara e Joaquim Lopes de Barros apresentaram obras. A abdicação de Dom Pedro I em 1831 refletiu-se na administração da Academia Imperial, que ainda funcionava muito precariamente. Debret retornou para a França e Taunay ocupou seu lugar como principal agente da sustentação da Academia, e estreitou a amizade com Grandjean. Deve-se a ambos o projeto de reforma dos estatutos iniciado ainda em 1831, e que foi aprovado oficialmente pela Congregação Acadêmica em 10 de outubro de 1833. A reforma contemplou principalmente o ensino de desenho, a base de todo o ensino. Reduziu o tempo de permanência dos alunos de três para um ano, permitindo que avançassem mais rapidamente, modificou os critérios de admissão e as normas para a avaliação anual dos alunos. Mas não parou aí. Foram introduzidas várias novas disciplinas, incluindo as classes de modelo vivo e anatomia, foi fortalecida a base do ensino com a adoção de tratados teóricos e compêndios didáticos europeus, alguns traduzidos pelo próprio Taunay, foram formalizados os concursos trimestrais e anuais e o sistema de premiações honoríficas, e foi dada ênfase, nas etapas formativas iniciais, à cópia de obras de mestres consagrados. O trabalho administrativo de Taunay foi favorecido com sua nomeação para o cargo de secretário da Academia em 1833. Essas mudanças enfraqueceram a posição de Henrique José da Silva, professor de desenho e então diretor da Academia, que havia sido um ferrenho opositor dos franceses e líder do partido português. Mas ele já era idoso e estava enfermo, acatou a reforma, reconheceu que as mudanças seriam benéficas e não entrou em conflito com Taunay. Ao falecer em 1834, deixou o campo aberto para a atuação de Taunay, que o sucedeu no cargo de diretor, eleito no mesmo ano.7 Segundo Elaine Cristina Dias,"A nomeação de Félix-Émile Taunay como diretor da Academia Imperial de Belas Artes no ano de 1834 constitui um marco para o desenvolvimento do ensino artístico no Brasil. A partir de então, inicia-se um longo processo de luta pela implantação de medidas fundamentais à consolidação da Academia como instituição pública e produtiva, o qual se prolongará até a segunda metade do século XIX".A 1º de janeiro de 1835 foi nomeado professor de desenho e de francês do jovem D. Pedro II e suas irmãs. A partir daí torna-se não apenas mestre, mas amigo pessoal do monarca. Em meados de 1839 foi nomeado sub-preceptor de D. Pedro. No ano anterior havia participado da fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Permaneceu como titular da cátedra de pintura de paisagem até 1851, e como diretor da Academia até 1854, quando foi substituído por Manuel de Araújo Porto-Alegre. Colaborou com Grandjean de Montigny em projetos de saneamento, embelezamento e urbanização do Rio de Janeiro. Pintou quadros notáveis, entre os quais Morte de Turenne, Derrubada das matas, Mãe d'água, Descobrimento das Caldas, O caçador e a onça, tendo pintado também o famoso retrato de Dom Pedro II na infância. Diz Elisa dos Santos Prado que Taunay era "um homem superiormente instruído, humanista de elevada cultura" Escreveu L'Astronomie du jeune âge, Ajax de Télamon e La Bataille de Poitiers. Traduziu para o francês os Idylles brésiliennes, poema escrito originalmente em latim por seu irmão Theodore, Inocência, romance escrito por seu filho Alfredo, mais obras de Píndaro e sátiras de Pérsio. Casou-se com Gabriela Hermínia de Robert dEscragnolle, filha do conde d'Escragnolle e irmã do barão d'Escragnolle, sendo pais do escritor Alfredo d'Escragnolle Taunay, visconde de Taunay, e de mais dois filhos. Viveram na casa erguida por seu pai Nicolas ao lado de uma cascata localizada no atual Parque Nacional da Tijuca, depois batizada como "Cascatinha Taunay" em lembrança de Nicolas. Um monumento com o retrato de Félix foi erigido no local onde existiu a casa da família, demolida no início do século XX. No mesmo parque foi construída a Fonte dos Taunay homenageando a família. Recebeu várias distinções: Hábito da Ordem de Cristo (1841), cavaleiro da Legião de Honra (1843), membro honorário da Academia Imperial (1852) e comendador da Imperial Ordem da Rosa (1867). Em 1871 foi confirmado como 2º barão de Taunay.
  • TÍTULO DE ELEITOR DO IMPÉRIO DO BRASIL DATADO DE 1881. PERTENCEU A JOSÉ GOMES DE SOUSA, SACRISTÃO MÓR DA IGREJA DA CANDELÁRIA DO RIO DE JANEIRO. TRAZ AS SEGUINTES INFORMAÇÕES: MUNICIPIO DA CORTE, PAROCHIA DA CANEDELARIA, 3. QUARTEIRAO,  NOME DO ELEITOR: JOSÉ GOMES DE SOUZA, IDADE 33 ANOS, SOLTEIRO, SACRISTÃO MÓR, RENDA 1.6000.000, INTRUÇÃO: SABE LER E ESCREVER, FILIAAÇÃO REYNALDO GOMES SOUZA E DONA LÚCIA MARIA DE SOUZA, DATA DE ALISTAMENTO 1881, DOMICILIO RUA DE SÃO PEDRO 73ª, ASSINATURA DO ELEITOR E ASSINATURA DO JUIZ BENTO LUIS DE OLIVEIRA LISBOA (GENRO DO VISCONTE DE ITABORAÍ  E FUTURO PERSIDENTE DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO, FORMADO PELA FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO) . A rua de São Pedro da Cidade Nova , DOMICILIO DO ELEITOR JOSÉ GOMES DE SOUZA COMEÇAVA NO CAMPO DA ACLAMAÇÃO (ATUAL PRAÇA DA REPÚBLICA) E TERMINAVA NO CANTO DA PRAIA FORMOSA (ATUAL RUA PEDRO ALVES), NA REGIÃO PORTUÁRIA. APENAS O TRECHO DA RUA QUE IA ATÉ A PRAÇA ONZE DE JUNHO SE CHAMAVA DE SÃO PEDRO. A CONTINUAÇÃO ATÉ A PRAIA FORMOSA DENOMINAVA-SE RUA DO ATERRADO. EM 1869, A PARTE DO ATERRADO PASSOU A CHAMAR-SE RUA DO SENADOR EUSÉBIO. CINCO ANOS DEPOIS, ESSA DENOMINAÇÃO PASSOU A DESIGNAR AS DUAS PORÇÕES, POIS UMA ERA O SEGUIMENTO DA OUTRA. AMBAS DESAPARECERAM QUANDO DA ABERTURA DA AVENIDA PRESIDENTE VARGAS.NOTA: Após a declaração de Independência, em 1822, D. Pedro I convocou eleições para Assembleia Geral Constituinte e Legislativa. O sistema utilizado foi o de dois graus: não votavam em primeiro grau os que recebessem salários e soldos; para a eleição de segundo grau, exigia-se, conforme letra da lei, decente subsistência por emprego, indústria ou bens. O cálculo do número de eleitores era feito a partir do número de famílias da freguesia. Em qualquer dos casos, o eleitor deveria comprovar possuir determinada renda anual.Durante quase todo o período imperial, as eleições foram indiretas, ou seja, os cidadãos escolhiam os eleitores dos deputados e senadores. Nessas eleições, podiam votar, de forma geral, homens com mais de 25 anos que atendessem aos critérios censitários legalmente definidos, não podendo votar escravos e mulheres.O analfabeto pode votar quase que livremente nesse período. Ocorreu apenas alguma limitação quando foi instituída a obrigatoriedade de assinatura da cédula eleitoral que, aliás, podia ser qualquer papel trazido pelos eleitores com os nomes dos seus candidatos. Só com a Lei Saraiva, em 1881, é que foi proibido o voto dos iletrados, inaugurando o chamado senso literário, responsável pelo decréscimo do eleitorado à época.
  • MONSENHOR PINTO DE CAMPOS (1819-1887)  O SACERDOTE PERNAMBUCANO FOI UM CÉLEBRE POLÍTICO (DEPUTADO) FUNDAMENTAL PARA ARTICULAÇÃO DA APROVAÇÃO DA LEI DO VENTRE LIVRE QUE TORNAVA LIVRE TODO FILHO DE ESCRAVA NASCIDO A PARTIR DE 28 DE SETEMBRO DE 1871.  MISSIVA DO MONSENHOR PINTO DE CAMPOS AO SENADOR EVARISTO DA VEIGA ELOGIANDO SUA RECONHECIDA ELOQUENCIA NA TRIBUNA. EXCERTOS DO TEXTO: MEU CARO AMIGO VEIGA MUITO ÁS CARREIRAS DIR-LHE-EI QUE NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO DE ONTEM, QUE LHE REMETO, FIZ TRANSCREVER O SEU BELISSIMO ARTIGO, QUE VERDADEIRAMENTE TEM SIDO AQUI MUITO APRECIADO. FIZ POR-LHE UMA NOTA NA PARTE EM QUE SE MOSTRA ESCRUPULOSO DE ADMITIR EM NOSSO MEIO OS JESUITAS. SEI QUE ISTO EM CERTO MODO É ALIMENTADO A PREVENÇÃO CONTRA ESTA ORDEM QUE TANTOS SERVIÇOS PRESTOU E QUE AINDA NOS PODE DEIXEMOS OS PRECONCEITOS PARA OS NEO-PROTESTANTES. BREVEMENTE AÍ VERÁ SUA RESPOSTA AO PHILOSOPHICO PEDRO LUIZ. COMO FARÁ O NOSSO EVARISTO? O CASO É QUE MAGNANIMO SE IMORTALIZANDO NA TRIBUNA. ELLE E O COSTA PINTO SÃO HOJE AQUI DUAS GRANDES POPULARIDADES, DUGA-LHE QUE O CAMARAJPE (VISCONDE) LHE ESCREVEO HÁ TEMPOS E QUE AINDA NÃO MERECEO AS HONRAS DE I,A RES´PSTA; DE-LHE UM ABRAÇO. ESCREVA-ME. SEOO DE CORAÇÃO. PINTO DE CAMPOS. RECIFE, 19 DE MAIO 1864. TAMBÉM ORADOR CELEBRADO  O MONSENHOR PINTO DE CAMPOS TEM UMA INTERESSANTE PAPEL NA QUESTÃO RELIGIOSA QUE ABALOU A RELAÇÃO DA IGREJA COM O IMPERADOR DOM PEDRO II  QUANDO INTERCEDEU JUNTO AO PAPA PIO IX PARA QUE APONTASSE O ERRO DOS BISPOS DE OLINDA E DO PARÁ EM UM CONFLITO ABERTO CONTRA A MAÇONARIA. ELE MESMO, O MONSENHOR PINTO DE CAMPOS FOI IMPEDIDO PELO BISPO DOM FREI VITAL DE CELEBRAR O CASAMENTO DE UM MAÇOM E ALÉM DISSO FOI AFATADO PELO MESMO BISPO DE SUAS FUNÇÕES CLERICAIS (VIDE CHARGE PUBLICAA EM 1876 PELA REVISTA ILUSTRADA MONSTRANDO O BISPO VITAL IMPEDINDO A CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO DO MAÇOM PELO MONSENHOR PINTO DE CAMPOS .NOTA: Destacado político, escritor e clérigo pernambucano do Segundo Reinado do Império Brasileiro, o Monsenhor Pinto de Campos era conhecido de muitos na política nacional por ser um católico militante, foi veementemente contra o casamento civil, a separação da Igreja do Estado e a proliferação do Protestantismo. Na questão religiosa porém, Monsenhor Pinto de Campos teve uma posição ambígua. O Bispo Dom Vital impediu que o monsenhor celebrasse o casamento de um cidadão pertencente à maçonaria, o suspendendo de suas funções. Ajudou o Barão de Penedo , em Roma , a tentar convencer Pio IX que os Bispos de Olinda e do Pará estavam errados no conflito com o Imperador Dom Pedro II. Parecia ao monsenhor Pinto de Campos que houve da parte de Dom Vital certa precipitação em seu conflito com a maçonaria. Porem acabou sendo contra a prisão dos Bispos. Perdendo os favores que tinha com o poder Imperial. Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, (Bispo de Olinda de 1871 a 1878) foi condenado após seu confronto com a Maçonaria anos antes, pois proibiu a participação de sacerdotes em qualquer cerimônia maçônica, cancelando as missas encomendadas por maçons. Lançava também um interdito sobre as irmandades que mantivessem em seu seio elementos maçons, que eram a elite política, econômica e militar do Brasil Império. Sua ação contra os maçons e o fechamento das irmandades estavam de acordo com a Bula do Papa Pio IX. Porém a bula Papal não foi aprovada pelo Beneplácito de Dom Pedro II, tornando as ações do Bispo ilegais aos olhos do Supremo Tribunal, que ironicamente era presidido pelo Maçom Joaquim Marcelino de Brito. O Imperador porém dispensou-o do trabalho forçado por temer que o governo caísse diante da indignação do povo. Dom Vital foi pedra angular da Igreja no seu rerguimento diante da tutela do Estado; e fogo na sua maneira de agir, de deliberar, de enfrentar o poder majestático. Durante a prisão de Dom Vital, sua popularidade cresceu como uma grande onda por todo o Brasil e a fortaleza tornou-se um local de peregrinação. Pressionado pelo Governo e pela população, o Barão de Angra autorizou um serviço especial para conduzir as pessoas que quisessem visitá-lo na Ilha das Cobras. Famílias inteiras, inclusive mulheres e crianças, vinham a cavalo visitar Dom Vital e pedir sua bênção, que se tornara um herói Católico nacional. Durante o Império, vemos surgir duas tendências reformistas da Igreja em franca oposição ideológica. De um lado, o movimento que pode ser chamado de regalista, nacionalista e liberal, dirigido por um grupo muito ativo e expressivo do clero paulista entre os anos de 1826 e 1842 em direção a formação de uma Igreja nacional. Do outro lado, os clérigos ligados a Roma, como Dom Vital, respeitando as diretrizes do Concílio de Trento. Seus integrantes, que iriam prevalecer no final do Império propunham uma Igreja mais centralizada com nítidas compreensões doutrinárias e disciplinárias. Passado um ano e sete meses da Prisão do Bispo de Olinda, o Imperador Pedro II achou mais prudente para seu governo libertar Dom Vital após ouvir o conselho do Duque de Caxias. Dom Vital faleceu em Paris, a 4 de julho de 1878. Ao receber o Viático, disse: Perdôo de coração aos meus inimigos e ofereço a Deus o sacrifício da minha vida. Monsenhor de Ségur, na oração fúnebre, por ocasião das exéquias, afirmou que Dom Vital morreu envenenado. Seus restos mortais se encontram sepultados na Basílica da Penha desde 1882, na cidade do Recife, no estado de Pernambuco, aos cuidados dos frades capuchinhos. SENADOR EVARISTO DA VEIGA: Por Equipe de Pesquisas do IHGMGEvaristo da Veiga e Barros nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de outubro de 1799 e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1837. Foi poeta, jornalista, político e livreiro brasileiro.Seu pai, Francisco Luís Saturnino Veiga, deve ter conhecido alguns dos inconfidentes, pois recopiou as Cartas Chilenas de Tomás Antônio Gonzaga, publicadas meio século mais tarde, por seu neto Luís Francisco da Veiga. O pai teve grande influência sobre seus filhos, sobretudo Evaristo, ótimo estudante que, no Rio de Janeiro de D. João VI, aprendeu francês, latim, inglês, cursou aulas de retórica e poética e estudou filosofia. Quando concluiu os estudos, o pai já abrira uma livraria na rua da Alfândega e os livros que trazia da Europa tinham em Evaristo o primeiro leitor, o mais curioso. Seu projeto frustrado de partir para a Universidade de Coimbra encontrou compensação na livraria do pai.Autor da letra do Hino à Independência, cuja música se deve a D. Pedro I. Em suas Poesias mais antigas, sente-se a influência da escola arcádica e, sobretudo, de Bocage. Datam de 1811, tinha 12 anos. Um ano depois em 1812, celebra os desastres militares dos franceses em Portugal. Em 1817, era súdito fiel de D. João VI. O malogro da revolução de Pernambuco o encheu de alegria. Seus versos cantaram o casamento de D. Pedro com D. Leopoldina, os anos de S. Majestade, em 13 de maio de 1819, o aniversário da aclamação do rei.Em 1821, porém, vivia-se no Rio de Janeiro o ano do constitucionalismo português. Ninguém podia ficar indiferente. O elemento conservador, receoso de desordens, alimentava esperança de que a chegada das novas instituições não importaria em ruptura com Portugal, pois haveria uma monarquia dual, servindo a coroa como união. Era o pensamento de Evaristo da Veiga, ilusão de que participaram muitos brasileiros. Não tardaram os constitucionalistas de Portugal a demonstrar sua incompreensão com as coisas do Brasil. Foi nesse instante, que nele despertou o patriota  um soneto de 17 de outubro de 1821 é intitulado O Brasil. Outro, de fevereiro de 1822, já estigmatizava a perfídia de Portugal.Daí em diante, vibrou com o movimento que se espalhava pelo país. Em 16 de agosto de 1822, sem ser figura saliente em nenhum acontecimento, escreveu o Hino constitucional Brasiliense, o célebre Brava Gente Brasileira/longe vá temor servil, etc. Compôs sete hinos, no total, entoados por milhares de bocas. O Brava Gente recebeu duas músicas, uma do maestro Marcos Portugal, outra do próprio Príncipe Regente, D. Pedro I. E como Evaristo era tímido e o príncipe notoriamente melômano, logo se lhe atribuiu a letra... Só mais tarde, em 1833, Evaristo reivindicaria a letra (os originais estão na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional).Cedo deixou de ser um espectador desenganado da ação do imperador. 1823 era o ano da instalação da Constituinte e o de sua dissolução por um golpe de força. Em 30 de maio, ele já fala no despotismo mascarado... Deixou de fazer sonetos, fez hinos. Ainda publicaria, em 1823, Despedida de Alcino a sua Amada, pois Alcino foi seu nome poético. Mas era poeta bastante medíocre e disso teve convicção, antes de que outros lhe dissessem. Sua vocação, logo descobriria, estar na política no serviço público, na imprensa, no parlamento.Morreu sua mãe, em 1823, e o pai, que desejava casar-se de novo, escrupuloso e exato como era, entregou aos filhos a parte que lhes tocava na herança materna. Evaristo e João Pedro, seu irmão, abriram uma livraria. Leu tudo que vendia, formou seu pensamento, fixou-se na posição da monarquia constitucional, pois a república lhe parecia um exagero e era moderado por temperamento. Em 1827, se separou do irmão, estabeleceu livraria própria e casou-se com D. Ideltrudes Maria dAscensão, começando nova vida.Em 21 de dezembro de 1827, surgiu o primeiro número de seu próprio jornal, logo famoso, o A Aurora Fluminense. Os fundadores foram José Apolinário de Morais, José Francisco Sigaud e Francisco Crispiano Valdetaro. Evaristo resolveu associar-se e passou, em pouco tempo, de colaborador a redator principal. A imprensa do Rio de Janeiro era, então, detestável, pasquineira. Os fundadores de A Aurora Fluminense queriam linguagem imparcial, guiada pela razão e virtude, e havia para servir à liberdade constitucional um Evaristo da Veiga. Os seus temas, no jornal, foram a liberdade constitucional, o sistema representativo, a liberdade de imprensa. Mas havia assuntos de momento em que tocou, como o descalabro da instrução, a questão do crédito público. Combatia a indiferença em matéria política, sobretudo, a mais funesta de todas as enfermidades morais. A oposição dos ministérios excluía escrupulosamente a pessoa do monarca, a quem tratava com deferência e até louvava.POLÍTICOEm 1830, foi eleito deputado por Minas Gerais, tendo sido reeleito até morrer. Era nome conhecido no Brasil inteiro. Deputado, continuou jornalista e foi sempre livreiro. Sem nunca ter saído do Rio de Janeiro, recebeu seu mandato de deputado por Minas Gerais, substituindo Raimundo José da Cunha Matos, que optara pela cadeira de Goiás. Em seu mandato, tentou pôr as instituições monárquicas a serviço do grande problema brasileiro a  unidade do vasto país. Cumpria cuidar dos interesses mais vitais do povo, fomentar a indústria, sanear zonas quase inabitáveis, difundir a instrução. Batia-se pelo estreitamento das relações com as demais nações americanas. Sempre assíduo, queria que os assuntos fossem discutidos com calma, nas Comissões, longe do tumulto do plenário.A agitação popular se alastrava e D. Pedro, mal aconselhado, resolveu ir a Minas Gerais. Seguiu-se o 7 de abril, com a renúncia do Imperador. Coube a Evaristo da Veiga redigir a proclamação, onde terminava: Do dia 7de abril de 1831 começou a nossa existência nacional: o Brasil será dos brasileiros, e livre! Elegeu-se a 17 de junho de 1831, a primeira Regência permanente, sendo escolhidos Francisco de Lima e Silva, Costa Carvalho e João Bráulio Muniz.Evaristo vinculou-se, também, a diversas sociedades e agremiações, procurando colocá-las sob sua orientação política. Sua luta foi incansável, em época propícia aos excessos, pois não era o simplista que acredita no milagre das leis. Evaristo se tornou alvo de ataques e calúnias. Em julho de 1831, era profunda a divisão dos liberais. Nomeado Feijó para a Justiça, recebeu todo o apoio de Evaristo, na Câmara e pela Aurora Fluminense. Mas havia grandes embaraços ao governo com a indisciplina militar, a separação entre exaltados e moderados. Evaristo era já, por consenso, o chefe do partido moderado. Todo o ano 1833 se consumiu na expectativa do retomo de Pedro I. Evaristo, convencido de que a trama restauradora era sério perigo, chefiou a campanha que impediu a volta de D. Pedro, sob qualquer título. Quando o ex-imperador morreu, em 24 de setembro (a notícia chegou ao Rio em dezembro de 1834), a desagregação dos moderados se processou com rapidez. A grande questão era a escolha do Regente único, de acordo com o Ato Adicional. A eleição de Feijó foi a última demonstração do prestígio de Evaristo da Veiga. Em 30 de dezembro de 1835, saiu o último número de seu jornal, com oito anos de existência. Recolhia-se a uma vida que desejava tranquila, com as três filhas e a mulher. Mas não se retirou da vida pública pois, em 1836, compareceu normalmente à Câmara. Depois decidiu fechar por uns tempos sua casa na rua dos Barbonos, hoje rua Evaristo da Veiga, e em novembro partiu para Campanha, onde vivia um irmão. Voltou ao Rio a 2 de maio de 1837. Visitou Feijó, foi para cama preso de violenta febre perniciosa, como diagnosticaram os médicos. Morreu a 12 de maio, repentinamente, aos 37 anos.Além de Patrono da Cadeira 45 do IHGMG, é Patrono da cadeira n 10 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de seu fundador, Rui Barbosa.
  • PRINCESA ISABEL CARTA DE CONSESSÃO PENNA DAGUA PARA O  DR. JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIRO, FILHO DO CONSELHEIRO E DESEMBARGADOR DO PAÇO DE MESMO NOME. O DESEMBARGADOR JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIREDO VEIO PARA O BRASIL COM A TRANSFERENCIA DA RAINHA DONA MARIA I, O PRINCIPE DOM JOÃO E A CORTE PORTUGUESA EM 1808 E TEVE AQUI EXITOSA CARREIRA TANTO NA ADMINISTRAÇÃO COLONIAL SOB DOM JOÃO VI COMO NO IMPÉRIO BRASILEIRO SOB DOM PEDRO I. CARTA DE CONSESSÃO DA PRINCESA ISABEL DE UMA PENNA DAGUA DO RIO MACACOS EM BOTAFOGO PARA O DR. JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIRO ASSINADA PELO MINISTRO DA AGRICULTURA THOMAZ JOSÉ COELHO DE ALMEIDA. O MINISTRO THOMAZ JOSÉ COELHO DE ALMEIDA FOI TAMBÉM MINISTRO DA GUERRA DO BRASIL( GABINETE JOÃO ALFREDO), FOI A SEUS PÉS QUE QUANDO EM VISITA À ESCOLA MILITAR DA PRAIA VERMELHA, QUE O ENTÃO JOVEM CADETE EUCLIDES DA CUNHA, CONTAGIADO PELO IDEAL REPUBLICANO, ATIROU O ESPADIM, QUE NÃO CONSEGUIRA QUEBRAR, EPISÓDIO QUE CULMINOU COM A EXPULSÃO DO CADETE DAQUELA INSTITUIÇÃO EM DEZEMBRO DE 1888. EXCERTOS DO TEXTO: SUA ALTEZ IMPERIAL, A PRINCEZA REGENTE, ATTENDENDO AO QUE REQUEREU O DR. JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIREDO EM 18 DE SETEMBRO DO CORRENTE ANO. HÁ POR BEM NA CONFORMIDADE DO REGULAMENTYO APPROVAD PELO DECRETO N. 3645. DE 4 DE MAIO DE 1866, CONCEDER-LHE UMA PENNA DAGUA DERIVADA DO ENCANAMENTO GERAL DO MACACOS PARA USO DO PRÉDIO N. 122 A PRAIA DE BOTAFOGO. PALÁCIO DO RIO DE JANEIRO, 23 DE SETREMBRO DE 1877. ASSINA THOMAZ JOSÉ COELHO DE ALMEIDA COM SELO ESTAMPILHADO OSTENTANDO A FACE DO IMPERADOR. AO LONGO DE MAIS DE 40 ANOS EXERCENDO FUNÇÕES NOS MAIS ALTOS POSTOS DA BUROCRACIA DO IMPÉRIO, JOSÉ BERNARDO FIGUEIREDO, PAI DO SUPLICANTE DA PENNA DAGUA,  AMEALHOU CONSIDERÁVEL FORTUNA EM TERRAS. SOMENTE O TERRENO DA CHÁCARA EM QUE VIVIA COM A FAMÍLIA EM BOTAFOGO OCUPAVA BOA PARTE DO BAIRRO. IA DA RUA SÃO CLEMENTE ATÉ O RIO BANANA PODRE, NAS ENCOSTAS DOS MORROS DONA MARTA E MUNDO NOVO, E TERMINAVA NA PRAIA DE BOTAFOGO. A RUA BAMBINA, UMA DAS MAIS ANTIGAS DO BAIRRO, TEM ESSE NOME EM HOMENAGEM À LUÍSA BAMBINA DE ARAÚJO LIMA, NETA DO CONSELHEIRO JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIREDO (1772-1854), RICO PROPRIETÁRIO DE TERRAS DE BOTAFOGO NO SÉCULO 19. NA CHÁCARA QUE PERTENCIA A JOSÉ BERNARDO, FORAM ABERTAS, ALÉM DA BAMBINA, TRÊS OUTRAS RUAS, QUE TAMBÉM GANHARAM NOMES DE FAMILIARES.NOTA: Assim que a corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro em 1808, o advogado José Bernardo de Figueiredo foi nomeado para o cargo de intendente do ouro do Rio das Mortes, em Minas Gerais, pelo príncipe-regente D. João VI. Com formação em Direito na faculdade de Coimbra e a confiança de D. João, José Bernardo teve uma carreira próspera: foi juiz de fora na Vila de S. João dEl-Rei, ouvidor da comarca de Sabará, provedor da Fazenda dos Defuntos e Ausentes, desembargador ordinário da relação da Bahia, juiz de fora da cidade de São Paulo, desembargador da relação da Bahia, ministro do Superior Tribunal de Justiça e presidente do STJ por duas ocasiões.   Foi um dos escolhidos por D. Pedro I para a constituição do Supremo Tribunal de Justiça e, sendo nomeado Ministro em 19 de outubro de 1828, tomou posse a 9 de janeiro do ano seguinte.  Em decreto de 8 de novembro de 1828, obteve o título do Conselho, e o foro de Fidalgo Cavaleiro, por decreto de 20 de outubro de 1830.  Em carta imperial de 28 de abril de 1842, foi nomeado Presidente do mesmo tribunal, sendo reconduzido a esse cargo por duas vezes, em 1845 e 1848, em decreto de 17 de agosto. Devido à alta posição que ocupava no mais elevado tribunal do Brasil, coube ao Dr. José Bernardo de Figueiredo uma das varas do pálio, por ocasião do batizado do Príncipe D. Afonso, no dia 25 de março de 1845.     Em decreto de 8 de novembro de 1828, obteve o título da Imperial Ordem da Rosa. Foi aposentado por decreto de 13 de outubro de 1849.  Teve dois filhos DONA LUÍZA BERNARDA DE FIGUEIREDO  casada com o MARQUES DE OLINDA (PEDRO DE ARAÚJO LIMA) . SUA FILHA  LUÍZA BAMBINA DE ARAÚJO LIMA FOI A VISCONDESSA DE PIRASSUNUNGA. OUTRO FILHO DO DESEMBARGADOR FOI O DR. JOSÉ BERNANRDO DE FIGUEIREDO autor do requerimento dirigido a PRINCESA ISABEL.
  • DR LUIZ FRANCISCO DA VEIGA (1834-1899)  - ADVOGADO, PROMOTOR, SERVIDOR PÚBLICO, SÓCIO DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO E DO INSTITUTO CIENTÍFICO DE SÃO PAULO, TEATRÓLOGO E ARTICULISTA. MISSIVA DIRIGIDA A DR LUIZ FRANCISCO DA VEIGA PELO DR. LUIZ DE CASTRO ELOGIANDO O DRAMA  UMA FAMÍLIA CRISTÃ DE AUTORIA DO MESMO DR LUIZ FRANCISCO DA VEIGA. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. DR. LUIZ FRNACISCO DA VEIGA DEVOREI O SEU DRAMA UMA FAMILIA CRISTA QUE TEVE A BONDADE DE CONFIAR-ME. A IDÉIA QUE PRESIDIU O SEU TRABALHO É ALTAMENTE MORAL. NEM ME PARECE QUE POSSA FAZER ELOGIOS BASTANTES. LI COM IMENSO PRAZER O SEU DRAMA E ESTIMO QUE NINGUEM O PODERÁ LER DE OUTRA FORMA...NOVEMBRO, 27, 1895
  • JOÃO MANUEL PEREIRA DA SILVA  (1817-1898). MEMBRO FUNDADOR DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS OCUPOU A CADEIRA 34. FOI DEPUTADO, SENADOR E CONSELHEIRO DO IMPERIO. CARTA DO IMORTAL AGRADECENDO A HONRA DE TER SIDO ACOLHIDO COMO MEMBRO HONORÁRIO DA TRINITY HISTORICAL SOCIETY DE OAK CLIFF E DALLAS, EXCERTOS DO TEXTO TRADUZIDO DO INGLES: EU AGRADEÇO VOCÊ E A ILUSTRE TRINITY HISTORICAL SOCIETY. SINTO-ME HONRADO COM A MENÇÃO DE MEMBRO HONORÁRIO QUE ACEITO COM PRAZER. PODE ENCONTRAR ANEXA E A ESTA CARTA A MINHA FOTOGRAFIA CONFORME SOLICITADO. MEUS TRABALHOS SÃO:  HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DO IMPÉRIO DO BRASIL DE 1908 A 1840  5 VOLS  SEGUNDA EDIÇÃO, A NOBILIARQUIA DO BRASIL DURANTE OS 3 PRIMEIROS GOVERNOS  3. EDIÇÃO 2 VOLS. HISTÓRIA DOS ESTADOS AMERICANOS, INGLATERRA E SUAS PRIMEIRAS COLÔNIAS  1 VOL, NACIONALIDADE, LÍNGUA E LITERATURA DE PORTUGAL E BRASIL 1 VOL,  LITERATURA PORTUGUESA 1 VOL, IMIGRAÇÃO DO BRASIL EM 1856  1 VOL, DISCURSOS PARLAMENTARES 2 VOLS, ESBOÇOS E ENSAIOS 2 VOLS, VÁRIAS COMPOSIÇÕES LITERÁRIAS. COM A EXPRESSÃO DE MEU RESPEITO E CONSIDERAÇÃO ASSINA JOÃO MANUEL PEREIRA DA SILVA. PEREIRA DA SILVA FOI TALVEZ O MAIOR HISTORIADOS DO SEGUNDO IMPÉRIO BRASILEIRO. DOM PEDRO II PRESTIGIAVA FREQUENTEMENTE SUAS PALESTRAS, ASSIM COMO A IMPERATRIZ TEREZA CHRISTINA. DURANTE AS CÉLEBRES CONFERÊNCIAS DA GLÓRIA QUE FORAM UM MARCO NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO BRASIL OITOCENTISTA. ENTRE 1873 E 1898, NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, CAPITAL DO IMPÉRIO, FORAM REALIZADAS CENTENAS DE CONFERÊNCIAS SOBRE OS MAIS VARIADOS E ATUAIS TÓPICOS CIENTÍFICOS, EDUCACIONAIS E CULTURAIS DO MOMENTO. AS CHAMADAS CONFERÊNCIAS POPULARES DA GLÓRIA ACONTECERAM, INICIALMENTE, EM ESCOLAS DA FREGUESIA DA GLÓRIA, E CONTARAM COM O ENTUSIASMO DA COROA E A COBERTURA DA IMPRENSA LOCAL. OS CONFERENCISTAS (QUASE TODOS HOMENS) ERAM MAJORITARIAMENTE BRASILEIROS, EM GERAL PROFESSORES, ACADÊMICOS OU INTELECTUAIS. OS JORNAIS NÃO POUPARAM ELOGIOS À PEREIRA DA SILVA APÓS SUA PRIMEIRA APRESENTAÇÃO NAS CONFERÊNCIAS POPULARES DA GLÓRI, EM 7 DE DEZEMBRO DE 1873, INTITULADA CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA E A LITERATURA PÁTRIA. AO FAZER O REGISTRO DA CONFERÊNCIA, O DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO SUBLINHOU QUE, APESAR DA MANHÃ DE DOMINGO CHUVOSA E DA AMEAÇADORA TEMPESTADE QUE PAIRAVA NA CIDADE, O AUDITÓRIO ESTEVE CHEIO. ASSISTIRAM SUAS MAJESTADES IMPERIAIS, ACOMPANHADOS DE SEUS CAMARISTAS, O PRESIDENTE DO CONSELHO, DAMAS E CAVALHEIROS DA PRIMEIRA SOCIEDADE, PROFESSORES, HOMENS DE LETRAS, ESTUDANTES DAS ESCOLAS SUPERIORES, REPRESENTANTES DA IMPRENSA PERIÓDICA, ENFIM, UM CONCURSO ESCOLHIDO E AINDA MAIS NUMEROSO QUE OS DAS PRECEDENTES (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2). SEGUNDO AINDA O JORNAL, TODOS DESEJAVAM OUVIR A PALAVRA AUTORIZADA DO ANTIGO PARLAMENTAR, ESCRITOR NOTÁVEL E ORADOR DISTINTO, CUJA AUTORIDADE EM ASSUNTOS DE HISTÓRIA NACIONAL É RECONHECIDA E INCONTESTÁVEL (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2). E O PÚBLICO NÃO TERIA SE DECEPCIONADO. O HÁBIL HISTORIADOR FOI NA TRIBUNA O QUE É NO GABINETE (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2). A SUA PALAVRA FOI CORRETA E FLUENTE E O SEU PENSAMENTO ELEVADO E GRANDIOSO! FAZENDO EXPOSIÇÃO DA DOUTRINA DE QUE IA TRATAR, NÃO FOI ALÉM DO PROGRAMA QUE SE PROPÔS SEGUIR NA DEFESA DA SUA TESE. COMO, PORÉM, ESSE PROGRAMA É VASTO! ELE ABRANGE AS RAÇAS INDÍGENAS ANTES E DEPOIS DA DESCOBERTA. ELE ESTUDA A OCUPAÇÃO EUROPEIA NESSE BELO PAÍS DA AMÉRICA, E NESSE ESTUDO TERÁ QUE APRECIAR PORTUGUESES, FRANCESES, ESPANHÓIS E HOLANDESES. ELE ENFIM ABARCA TODA A ÉPOCA DAS INDEPENDÊNCIAS ATÉ AOS NOSSOS DIAS, COMPARANDO INSTITUIÇÕES, COSTUMES, LEIS, PROGRESSOS E ASPIRAÇÕES! A TESE ENFIM CONSUBSTANCIA-SE NESTA FRASE DO ORADOR: ESTUDAR O QUE FOMOS, O QUE SOMOS E O QUE SEREMOS; EM UMA PALAVRA: O PRESENTE, O PASSADO E O FUTURO DO BRASIL (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2).NOTA: Pereira da Silva (João Manuel Pereira da Silva), político, romancista, historiador, crítico literário, biógrafo, poeta e tradutor, nasceu em Iguaçu, atual Nova Iguaçu, RJ, em 30 de agosto de 1817, e faleceu em Paris, França, em 14 de junho de 1898. É o fundador da cadeira n. 34, que tem como patrono Sousa Caldas. Filho do negociante português Miguel Joaquim Pereira da Silva e de Joaquina Rosa de Jesus, João Manuel Pereira da Silva nasceu em Iguaçu, atual Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, no dia 30 de agosto de 1817. Ainda jovem, aos 17 anos, transferiu-se para Paris, a fim de estudar direito, formando-se em 1838. Na capital francesa, sua relação com a literatura, a história brasileira e o pensamento nacionalista se sobressaiu frente aos estudos jurídicos. Contribuiu com títulos literários e históricos importantes da época, como a Nitheroy - Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, espaço onde floresceu a crítica romântica do período, fundada e redigida por grandes nomes associados ao romantismo, como Gonçalves de Magalhães, Araújo Porto Alegre e Torres Homem. De volta ao Brasil, Pereira da Silva exerceu, pelo Partido Conservador, mandatos de deputado provincial, deputado geral e de senador. Foi titular do Conselho do Império, membro honorário do IHGB e da Academia Real de Ciências de Lisboa. No romance, ele estreou em 1838 com o livro Uma paixão de artista. Mas, a despeito da paixão pela ficção, Pereira da Silva ocupou-se bastante com os estudos históricos, tendo esse interesse se materializado nas diversas frentes em que atuou. Uma de suas principais ocupações no campo histórico foi a escrita biográfica. Pereira da Silva narrou a vida de mais de uma dezena de personagens da história política e literária brasileira, como Padre José de Anchieta, Alexandre de Gusmão, José Bonifácio de Andrada e Silva e Gregório de Matos. Pereira da Silva também escreveu obras de ficção ambientadas em cenários históricos. São de sua autoria folhetins ou novelas como Religião, Amor e Pátria (1828) e O Aniversário de D. Miguel em 1828 (1839), ambos publicados pelo Jornal do Commercio, além de Jerônimo Corte Real(1840). Em 1843, por encomenda da casa editorial Laemmert, passou a organizar uma coletânea de poemas do período colonial e romântico, publicada naquele ano e que traz um ensaio de sua autoria, intitulado Uma introdução histórica e biográfica da Literatura Brasileira. Escreveu, ainda, a monumental História da Fundação do Império Brasileiro, dividida em sete volumes publicados entre 1864 e 1868. A obra foi seguida por Segundo período do Reinado de D. Pedro I no Brasil, de 1871, e História do Brasil de 1831 a 1840, publicada em 1879 (. Mesmo no palanque da Assembleia Geral Legislativa do Império, quando exerceu mandatos de deputado, Pereira da Silva encontrou meios e formas de falar sobre história. Em 1870, a livraria Garnier publicou um livro que reunia vários de seus discursos parlamentares. Ao abrir o livro, o editor avisa quanto ao propósito da obra: Quando para mais não sirvam, os discursos parlamentares do Sr. Conselheiro João Manuel Pereira da Silva, deputado pela província do Rio de Janeiro, durante muitas legislaturas, prestam esclarecimentos importantes à história do governo representativo no Brasil. Tratou o Sr. Conselheiro das questões mais árduas, que se suscitaram, sociais, políticas, financeiras e administrativas. Aí encontrará de certo o futuro historiador do Brasil materiais excelentes, que lhe facilitem a empresa de sumariar os acontecimentos do país. Aos 80 anos, Pereira da Silva ainda se tornou um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 34. Faleceu um ano depois, aos 81 anos, em Paris, em 14 de junho de 1898, tendo o Barão do Rio Branco lhe sucedido na ABL.
  • ALFREDO VARELA  BILHETE POSTAL DIRIGIDO AO JORNALISTA ANARQUISTA BENJAMIM MOTTA QUANDO ESTE FOI CONTRATADO PELO JORNAL COMMERCIO DE S. PAULO. DIZ O TEXTO: AO ILUSTRE DR BENJAMIM MOTTA M.D. SECRETÁRIO DO COMMERCIO DE SÃO PAULO. NUNCA O ESQUECI NEM PODIA TER ESQUECIDO TÃO BRAVO E GALHARDO JORNALISTA INDEPENDENTE, POR ISSO É QUE TIVE HOJE GRANDE ALEGRIA AO LER A NOTICIA DE SUA ENTRADA PARA O COMMERCIO DO QUE LHE DOU TESTEMUNHO COM O ENVIO DE MUITOS PARABENSE UM FORTE ABARAÇO. A. VARELA. RIO, COPACABANA, 52B AOS 21-05-906. O JORNALISTA BENJAMIM MOTTA FOI UM ANARQUISTA E POR MUITOS ANOS JORNALISTA INDEPENDENTE, NASCIDO NO BRASIL, NA CIDADE DE RIO CLARO, EM SÃO PAULO EM 2 DE JANEIRO DE 1870, FUNDADOR DO JORNAL ANTICLERICAL A LANTERNA NO ANO DE 1901.1 TORNOU-SE ADVOGADO PRATICANTE (SOLICITADOR) E FOI MUITO ATIVO NA DEFESA DOS TRABALHADORES E MILITANTES DA ÉPOCA. TEVE COMO AMIGOS E COLABORADORES NENO VASCO E EDGARD LEUENROTH, ENTRE OUTROS LIBERTÁRIOS DO INÍCIO DO SÉCULO XX. FALECEU EM 10 DE DEZEMBRO DE 1940. NOTA: Alfredo Augusto Varela de Vilares (Jaguarão, 16 de setembro de 1864  Rio de Janeiro, 1943) foi um historiador e diplomata brasileiro. Filho de Manuel Rodrigues Vilares e Rosita Emília Dutra Varela. Em sua juventude dedicou-se à carreira comercial, que logo abandonou para tornar-se professor. Pouco tempo depois entra na Escola Militar, não permanecendo muito tempo por não ter sentido vocação no assunto. Estudou na Faculdade de Direito de São Paulo e depois na Faculdade de Direito do Recife, formado bacharel em 1889 retornou a Rio Grande. Depois da Proclamação da República torna-se destacado auxiliar de Júlio de Castilhos, tendo auxiliado na concepção da constituição do estado. Doutor em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1904. Foi advogado no Rio de Janeiro, procurador-geral da República no Rio Grande do Sul de 1890 a 1893.Como jornalista dirigiu o jornal A Federação, de 1890 a 1891, em Porto Alegre, depois fundou o jornal Folha Nova, também em Porto Alegre. Membro do Partido Republicano Rio-Grandense, foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul em 1900. Ainda como jornalista dirigiu o Diário da Tarde, em Curitiba, em 1903, e o Comércio do Brasil, no Rio de Janeiro, de 1904 a 1905. Teve atuação importante na Revolta da Vacina, onde chegou a ser acusado de ser um dos líderes do movimento. Diplomata foi sucessivamente cônsul do Brasil na Espanha, 1908, no Japão, 1910, em Portugal, 1914 e na Itália, 1914, quando aposentou-se. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. É patrono de uma das cadeiras da Academia Rio-Grandense de Letras. Representa a vertente platina da historiografia rio-grandense (com Manuelito de Ornelas).
  • MANUEL DE OLIVEIRA LIMA (1867-1928)   MEMBRO FUNDADOR DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ELEITO PARA A CADEIRA 39 EM 1897. CARTA DIRIGIDA DE BRUXELAS A SEU  CUMPADRE EM 15 DE MARÇO DE 1912 OCASIÃO EM QUE OCUPAVA AS LEGAÇÕES DE BRUXELAS E SUÉCIA.  EXCERTOS DO TEXTO: MEU CARO CUMPADRE RECEBI SUA CARTA DE 21 DE FEVEREIRO NÃO TEM QUE ME PEDIR DESCULPA PELA DEMORA EM ESCREVER-ME SEU BEM QUANTO É OCUPADO E QUANTAS PREOCUPAÇÕES TOMAM O SEU ESPÍRITO. CREIO QUE O DESCANÇO ME FAZ MUITO BEM.... MANUEL DE OLIVEIRA LIMA PASSAVA A ÉPOCA DESTA CARTA POR MOMENTOS DIFÍCEIS EM SUA CARREIRA, DESTACADO PARA ASSUMIR UMA DAS MAIS IMPORTANTES LEGAÇÕES BRASILEIRAS, A DE LONDRES, FOI POR INFLUÊNCIA DE PINHEIRO NETO IMPEDIDO PELO SENADO DE ASSUMIR SOB ACUSÃO DE SER MONARQUISTA FIEL AOS HERDEIROS DE DOM PEDRO II.  COMO RESULTADO FOI AFASTADO DO SERVIÇO DIPLOMÁTICO. NÃO SE SABE QAUEM É O CUMPADRE PARA QUEM ESCREVE, A CARTA É LONGA MAS A GRAFIA MUIITO DIFÍCIL DE DESVENDAR. SEJA COMO FOR  ESTE É O MAIS IMPORTANTE HISTORIADOR BRASILEIRO DA VIRADA DO SÉCULO XIX E PRIMEIRAS DECADAS DO SEC. XX. NOTA: Oliveira Lima (Manuel de Oliveira Lima), um dos mais notáveis historiadores brasileiros nasceu na capital de Pernambuco em 25 de dezembro de 1867, filho de Luís de Oliveira Lima e Maria Benedita de Oliveira Lima. Faleceu em Washington (Estados Unidos da América), em 24 de março de 1928. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, foi educado em Lisboa desde a mocidade. Familiarizou-se com os diplomatas brasileiros que serviam em Portugal, especialmente com Lopes Gama, o Barão de Carvalho Borges e o Barão de Aguiar de Andrada para os quais prestou serviços de cópias de ofícios e notas. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa e estudou no Colégio Lazarista o curso de Humanidades. Oliveira Lima aproveitou sua permanência na antiga metrópole para dedicar-se a profundas pesquisas de caráter histórico. Entrou no serviço diplomático brasileiro em 1890 como Adido à legação em Lisboa e, no ano seguinte, era promovido a Secretário. Mais tarde, sob a chefia do Barão de Itajubá, desenvolveu sua atividade em Berlim. Em 1896 foi transferido para Washington, na qualidade de Primeiro-Secretário, às ordens de Salvador de Mendonça. Já publicara até esse ano três livros: Pernambuco, seu desenvolvimento histórico, Sete anos de República e Aspectos da literatura colonial. De Washington passou mais tarde para Londres onde conviveu durante algum tempo com Joaquim Nabuco, Eduardo Prado, Graça Aranha e José Carlos Rodrigues. Nova designação levou Oliveira Lima ao Japão e, em 1904, à Venezuela, nomeação esta que desgostou profundamente o historiador. Acrescentara à sua bibliografia novas obras: Memória sobre o descobrimento do Brasil, História do reconhecimento do Império, Elogio de F. A. Varnhagen, No Japão e Secretário Del-Rei (peça histórica). A atividade literária de Oliveira Lima se estendia à colaboração em jornais de Pernambuco e de São Paulo, dando margem à publicação de Pan-Americanismo e Coisas Diplomáticas. Em 1907 foi nomeado para chefiar a legação do Brasil em Bruxelas, cumulativamente com a da Suécia. Nessa época  o Senado brasileiro vetou a indicação do nome de Oliveira Lima para a chefia de nossa legação em Londres, sob a acusação de monarquista. O veto se deveu à interferência, naquela Casa, do Senador Pinheiro Machado. Ficando jubilado, prosseguiu Oliveira Lima no acabamento de seus escritos de natureza histórica, fixando residência em Washington onde teve oportunidade de prestar relevantes serviços na Universidade Católica, à qual legaria sua magnífica biblioteca. Dom João VI no Brasil, sua obra mais importante já fora publicada em 1909, tendo sido seguida pelo O movimento da Independência (1922). Segundo opinião de Américo Jacobina Lacombe, toda a intriga contra Oliveira Lima se fez em torno de dois pontos: o seu monarquismo e os seus ataques à carreira em seus livros. A publicação póstuma das Memórias de Oliveira Lima teve enorme repercussão, sobretudo pelas revelações íntimas e apreciações críticas feitas pelo grande historiador pernambucano.
  • THEODORO SAMPAIO (SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO, BA, 1855  RIO DE JANEIRO, RJ, 1937). CARTA ESCRITA POR THEODORO SAMPAIO DIRIGIDA AO PADRE JOSÉ ZEPPA DIRETOR DO LYCEU DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS DE SÃO PAULO  EM 10 DSE ABRIL DE 1906. EXCERTOS DO TEXTO: REVERENDISSIMO ILUSTRISSIMO PADRE J. ZEPPA. SAÚDO O REVERENDÍSSIMO MUITO RESPEITOSAMENTE E RESPONDO SUA CARTA DE 18 DO MES PASSADO, QUE SÓ HÁ POUCOS DIAS, ISTO É, ANTE HONTEM ME CHEGOU AS MÃOS. AGRADEÇO DE TODO O CORAÇÃO A VOSSA REVERENDÍSSIMO A ESCOLHA QUE FEZ DE MEUS ESCRITOS O SÃO FRANCISCO E SOBRE A CHAPADA DO SERTÃO BAHIANO PARA FORMAR UM LIVRO A PARTE, DESENTRANHADO DA REVISTA SANTA CRUZ E PARA SERVIR DE PRÊMIO ESCOLAR. DEUS LHE PAGUE O FAVOR QAUE ASSIM ME PRESTA E DE QUE SEREI SEMPRE RECONHECIDO. ESCREVO UM PREFÁCIO PARA ESSE LIVRO COMO VOSSA REVERENDÍSSIMA ME PEDE É COUSA QUE EU SOLICITARIA ME DISPENSEAR E ATÉ ME ANIMARIA A PEDIR A VOSSA REVERENDÍSSIMO QUE ME DESSE SUBSTITUTO PARA ISSO NA PESSOA DE UM AMIGO, COMO POR EXEMPLO DO COMENDADOR MONDIM  PESTANA, MONSENHOR MANOEL VICENTE, CONSELHEIRO DUARTE DE AZEVEDO OU OUTRO AMIGO E COLABORADOR DA REVISTA SANTA CRUZ QUE NOS QUISESSE HONRAR COM A SUA APRESENTAÇÃO. EU FICARIA IMENSAMENTE PENHORADO SE VOSSA REVERENDISSIMA ISSO ME CONCEDESSE. QUANTO AOS DIREITOS DA 1. EDIÇÃO CEDO-OS IN TOTUM AO LYCEU SALESIANO DO CORAÇÃO DE JESUS DE SÃO PAULO. PEÇO SOMENTE QUE ME CONCEDA ALGUNS EXEMPLARES PARA OFERECER A ALGUNS AMIGOS. QUANDO VOSSA REVERENDÍSSIMA ESCREVER PARA ROMA QUEIRA RECOMENDAR-ME AO MEU BOM AMIGO PADRE DOMINGOS MOLFINO A QUEM DESEJO PRÓSPERA CONCLUSÃO DE SEUS ESTUDOS SUPERIORES E SEU REGRESSO AO BRASIL ONDE DEIXOU TANTAS SAUDADES. O LYCEU SALESIANO DE SALVADOR DEPOIS DE UMA HIPERNAÇÃO MAIS OU MENOS LONGA VAI AGORA DISPERTANDO E ADQUIRINDO MAIS ALENTO AO INFLUXO DOS DIGNOS PADRES QUE NÃO POUPAM SACRIFÍCIOS PARA LEVANTAREM A UTLISSIMA INSTITUIÇÃO. PARECE-ME QUE DESTA VEZ COM O FAVOR DE DEUS A OBRA SALESIANA NA BAHIA ENSTRARÁ EM FRANCA PROSPERIDADE. DISPONHA V. REVERENDISSIMO DE QUEM COM TODA A CONSIDERERAÇÃO E ESTIMA É VE VOSSA REVERENDISSIMA AMIGO E VENERADOR THEODORO SAMPAIO. NOTA: THEODORO SAMPAIO a despeito de sua enorme capacidade intelectual, seu aprofundado estudo sobre a história brasileira e baiana é um expoente cultural brasileiro na virada do século XIX para o XX. Filho de mãe escrava com um sacerdote, irmão de escravos, sobrepujou com sua capacidade extraordinária a condição social para tornar-se um respeitável intelectual e profissional da engenharia de seu tempo.
  • LEOPOLDO ANTUNES MACIEL  (2. BARÃO DE SÃO LUIS (1849-1904)  - CARTA EM ELEGANTE PAPEL TIMBRADO EM RELEVO FILETADO EM OURO CONTENDO MISSIVA DO SEGUNDO BARÃO DE SÃO LUIZ, LEOPOLDO ANTUNES MACIEL   A SEU AMIGO JOSÉ GOMES DE SOUZA AGRACENDO A ATENÇÃO DISPENSADA A SUA FILHAS DURANTE ESTADA EM PORTO ALEGRE. EXCERTOS DO TEXTO:  PELOTAS, 9 DE NOVEMBRO  1898, ILMO AMIGO SR JOSÉ GOMES DE SOUZA. DEU-ME MUITA SATISFAÇÃO A LEITURA DA CARTA QUE ME ESCREVEU E QUE ME APRESSO EM CONTESTAR. AGRADEÇO RECONHECIDO O FAVOR QUE ME FEZ DE PROCURAR O CAPITÃO PEDRO CÂMARA E A REMESSA DAS FITAS QUE MINHAS FILHAS ESQUECERAM NO QUARTO QUE OCUPAVAM NA PENSÃO QUE TÃO EFICIENTE, ZELOSA E HONRADAMENTE V. S. DIRIGE. LEMBRO-ME COM SAUDADES DAS HORAS AÍ PASSADAS EM BOA E E ALEGRE PALESTRA COM OS DISTINTISSIMOS CAVALEIROS  QUE V. S. HOSPEDA E IGUALMENTE NÃO POSSO ESQUERCER-ME DA ATENÇÃO QUE TAO GENTILMENTE V.S.DISPENSOU-ME. FORAM DE TAL MANEIRA QUE COMO VERDADEIRAMENTE MANIFESTEI-LHE TODAS AS VEZES QUE FOR A ESTA CAPITAL TEREI A HONRA DE SER SEU HÓSPEDE. RETRIBUO PENHORADO OS CUMPRIMENTOD DOS DIGNOS E ILUSTRES SENHORES CORONEL GURGEL, CABRAL, ARLINDO, SENADORES CHAVES E JERÔNIMO. A TODOS ENVIO AFETUOSAS SAUDAÇÕES, QUEIRA RECOMENDAR-ME A EXMA FAMÍLIA E PISPE DE QUEM É COM ESTIMA E CONSIDERAÇÃO DE V. S. AMIGO ATENCIOSAMENTE BARÃO DE SÃO LUIZ. NOTA: Leopoldo Antunes Maciel, 2.ºbarão de São Luís, (Pelotas, 24 de novembro de 1849 Pelotas, 5 de maio de 1904), foi um político brasileiro. Filho de Eliseu Antunes Maciel e de Leopoldina Amália de Freitas da Rosa, era o terceiro de seis irmãos (era irmão de Francisco Antunes Maciel). Casou-se em 7 de março de 1874, em sua cidade natal, com Cândida Gonçalves Moreira, filha de José Antônio Moreira, o barão de Butuí, e Leonídia Angélica Braga Gonçalves (sobrinha do conde de Piratini), recebendo o título de 2.º baronesa de São Luís. Tiveram numerosa prole de 12 filhos. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1870. Foi vereador em Pelotas em duas legislaturas (1879-1882), sendo em uma delas o de presidente da Câmara Municipal (1879-1880) e comandante superior da Guarda Nacional em Pelotas. Foi presidente do Centro Abolicionista de São Paulo. Foi também incentivador da criação da Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Prática.Foi vice-presidente da província do Rio Grande do Sul, assumindo a presidência interinamente, de 9 de setembro a 28 de outubro de 1882. Título conferido pelo Imperador D.Pedro II, em 5 de julho de 1884, por conceder alforria a todos os seus escravos
  • JOÃO ANTONIO DE SOUZA RIBEIRO JUNIOR (1842 NA VILA DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE DE INHOMIRIM, E FALECIDO EM  19.03.1903 NO RIO DE JANEIRO). ADVOGADO FORMADO NO RECIFE EM 1861; FAMOSO JURISCONSULTO NO RIO DE JANEIRO; CONSELHEIRO DO IMPÉRIO. MANUSACRITO COM PARECER DO BRILHANTE JURISTA EMITIDO DE MUNHO NO RIO DE JANEIRO EM 20 DE JUNHO NDE 1901.  EXCERTOS DO TEXTO: POR ESCRITURA DE 23 DE ABRIL E 12 DE DEZEMBRO DE 1896 A VISCONDESSA DE UBÁ ARRENDOU POR NOVE ANOS A JOSÉ GOMES DE SOUZA O PRÉDIO N. 150 DA RUA DO CATETTE, PELO ALUGUEL MENSAL DE 850.000 REIS E O DE N. 152 CONTIGUO PELO DE 150.000 REIS. AS DUAS ESCRITURAS ESTIPULAO QUE O ARRENDATÁRIO PODE SUBLOCAR COM ANNUENCIA DA PROPRIETARIA E NADA DIZEM QUANTO AO TRASPASSO DE ARRENDAMENTO. FALLECENDO A VISCONDESSA, FEITA E JULGADA A PARTILHA DE SEUS BENS MAS APPELANDO UM DOS COHERDEIROS E RECEBIA A APPELAÇÃO EM AMBOS OS EFFEITOS SOU CONSULTADO SE O COHERDEIRO INVENTARIANTE PODE CONSENTIR NA SUBLOCAÇÃO OU TRASPASSO. RESPONDO AFFIRMATIVAMENTE PORQUANDO, SUSPENSOS OS EFFEITOS DA SENTENÇA PELO RECEBIMENTO DA APPELAÇÃO, A HERANÇA CONTINUA INDIVISA E O INVENTARIANTE NO PLENO EXERCÍCIO DO CARGO QUE LHE CONFERE ATRIBUIÇÃO DE ADMINISTRAR OS BENS EQUIPARADO A MANDATÁRIO GERAL E NA QUALIADE DE ADMINISTRADOR ASSIM COMO PODIA ALUGAR PODE OCNSENTIR NA SUBLOCAÇÃO.  NÃO OBSTANTE O SILÊNCIO DAS ESCRITURAS PODE IGUALMENTE CONSENTIR NO TRASPASSO PORQUE O ARRENDAMENTO OBRIGA OS HERDEIROS O TRASNPASSO NÃO É MAIS DO QUE A SUBSTITUIÇÃO DO ARRENDATÁRIO POR OUTRO DURANTE O PRAZO AJUSTADO E EM NADA OFFENDE OS INTERESSES DA HERANÇA DESDE QIE P CESSIONARIO SUJEITE-SE ÁS OBRIGAÇÕES DO CONTRATO E OFFEREÇA SEGURA GARANTIA. RIO 20 DE JUNHO DE 1901. DR. JOÃO ANTONIO DE SOUZA RIBEIRO. BELO PARECE, BRILHANTE, CLARO E MUITO BEM REDIGIDO. NOTA: Quando do falecimento de João Antonio de Souza Ribeiro Junior, encontramos piblicado na primeira pagina do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, com a data de 21 de março de 1903, o seguinte elogio "O Dr. João Antonio de Souza Ribeiro era uma das notabilidades desta Capital. Como jurisconsulto, sobretudo em questÕes de foro comercial, poderia ter tido um ou dois colegas que merecessem o mesmo grau de consideração que ele pelo seu saber. Nenhum, porem, se lhe avantajava. Pode-se dizer que nestes últimos trinta anos não se ventilhou questão forense de tal ou qual importância em que não fosse solicitada a interposição do parecer do grande advogado que ontem baixou a sepultura. Exceto um curto periodo em que, à solicitação de Francisco Otaviano, serviu de Segretario a então Província do Rio de Janeiro, o Sr. Dr. João Antonio de Souza Ribeiro, nunca exerceu nenhum emprego, cargo ou comissão. Formado na Faculdade de Direito do Recife em 1861, onde se distinguiu sempre como o primeiro estudante da sua classe, foi assíduo e constante cultor do Direito, e, salva aquela interrupção, nunca foi senão advogado. Os seus doutissimos pareceres, sempre notaveis tanto pela sua suculenta doutrina como pela forma correta, elegante e simples, constituirião, se pudessem ser colligidos, inexaurivel manancial para o estudo do nosso Direito. O enterro do Sr. Dr. Souza Ribeiro foi muito concorrido, notando-se representantes de todas as classes sociaes. O Jornal do Comércio foi representado pelo seu Diretor. Não era só o grande mestre que agora contuzido à sua última mansão terrena; era também o amigo dedicado, o exemplar pai de família. Ao baixar o corpo à sepultura o Dr. Alfredo de Barros fez uma sentida alocução, lembrando os grande méritos e a vida puríssima do finado". Casou-se em 20.07.1867 na Igreja de São José, no Rio de Janeiro com AUGUSTA UMBELLINA DE CARVALHO, n. 09.05.1849 em Petrópolis, e + 06.09.1931 no Rio de Janeiro. Filha do Visconde do Castello da Louzã, José Antonio de Carvalho e de Maria Jesuina da Rocha Fragoso
  • ALMIRANTE SALDANHA DA GAMA  CONTRA ALMIRANTE LUIZ PHILIPPE DE SALDANHA DA GAMA (CAMPOS DOS GOYTACAZES, 7 DE ABRIL DE 1846  CAMPO OSÓRIO, RS, 24 DE JUNHO DE 1895). CARTÃO COM MISSIVA DIRIGIDA A DONA MARIANNA DA FONSECA VIÚVA DO PRESIDENTE DEODORO DA FONSECA, PRIMEIRO PRESIDENTE DA REPÚBLICA BRASILEIRA E PORTANTO  A PRIMEIRA MULHER A TORNAR-SE PRIMEIRA DAMA DO BRASIL. CARTÃO DE VISITAS DO  ALMIRANTE COM MENSAGEM DE SEGUINTE TEOR: OFFERECEA RESPEITAVEL SRA D. MARINANNA DA FONSECA BOAS FESTAS E BONS ANNOS DATADO DE 1 DE JANEIRO DE 1893. O CONTRA ALMIRANTE LUIZ PHILIPPE DE SALDANHA DA GAMA.  O ALMIRANTE SALDANHA DA GAMA ERA NETO DO SEXTO CONDE DA PONTE E TRINETO DE JOÃO DE SALDANHA DA GAMA, 41º VICE-REI DA ÍNDIA.INGRESSOU NA ACADEMIA DE MARINHA AOS 17 ANOS ONDE SEGUIU CARREIRA ATÉ ALCANÇAR O POSTO DE ALMIRANTE. FOI O REPRESENTANTE DO BRASIL NAS EXPOSIÇÕES DE DE VIENA (1873), DA FILADÉLFIA (1876) E NA DE BUENOS AIRES (1882). FOI CONDECORADO VÁRIAS VEZES, ENTRE ELAS: NA CAMPANHA ORIENTAL, NA GUERRA DO PARAGUAI, NA RENDIÇÃO DE URUGUAIANA E TAMBÉM RECEBEU A COMENDA DO MÉRITO MILITAR. NOTA: Luís Filipe de Saldanha da Gama nasceu em Campos, no dia 7 de abril de 1846, na chácara de propriedade de seu pai, na Beira-Rio, hoje avenida 15 de Novembro, casa que já não existe mais e que tinha o nº 259. Filho do fazendeiro dom José de Saldanha da Gama, homem inteligente e de prestígio na Corte, e de dona Maria Carolina Gomes Barroso, filha do coronel Sebastião Gomes Barroso, respeitável proprietário rural da época. A vida de Luís Filipe em Campos foi de sete anos; livre, sem acontecimentos importantes, entre a chácara da avenida 15 de Novembro e as fazendas Colégio e Tocaia, ambas de propriedade de seu pai. A infância nas terras campistas durou pouco tempo. O menino nascido em Campos, batizado na velha matriz de São Salvador pelo cônego João Carlos Monteiro, pai do abolicionista José Carlos do Patrocínio, cujo termo de batismo poderá ser comprovado nos arquivos da hoje Basílica Menor do Santíssimo Salvador, deixou de residir nessas plagas em 1853, partindo com destino ao Rio de Janeiro, onde, mais tarde, despontaria para a grandeza do Brasil. Bacharel em Letras, fez o curso da Academia da Marinha onde ingressou aos dezessete anos, sempre galgando postos até alcançar o de Almirante.  No início do ano de 1893 iniciou-se no Rio Grande do Sul a chamada "Revolução Federalista" que se extenderia por todo o ano até que em setembro no Rio de Janeiro inicia-se a "Revolta da Esquadra", chefiada pelo Almirante Custódio de Melo, ambas causadas pela oposição ao governo do Marechal Floriano Peixoto, representado no sul pelo Dr. Julio de Castilhos. Saldanha da Gama, nesta época, era o diretor da Escola Naval e não quis se envolver no conflito, no interesse e pelo dever de salvaguardar a Escola e seus alunos, que são o futuro e a esperança da Marinha. Inicialmente desempenhou o papel de socorrer aos feridos evitando contatos com os revoltosos, já que queira evitar que seus alunos se envolvessem no movimento e ficaria neutro não fosse o decreto do Presidente Peixoto que estabelecia o licenciamento dos alunos da Escola Naval. Ele permite a saida dos alunos interessados em servir ao Governo mas ele se sente liberado dos seus deveres e adere ao movimento rebelde e à revolução, conforme diz em seu manifesto: impelido pela força dos acontecimentos para salvar o punhado de companheiros que nela se meteram ou para perecer com eles.  Saldanha da Gama Ao entrar na guerra, que já durava um ano, diz "Ofereço minha vida em holocausto no altar da Pátria.A guerra no mar termina no dia 12/03/1894 com a derrota dos rebeldes devido, em grande parte, a Custódio de Melo.Saldanha parte rumo ao sul com destino a Buenos Aires, unindo-se aos federais em setembro de 1894.Ali começa a organizar sua tropa contando com brasileiros emigrados da Argentina e do Uruguais, fazendo sua base em Artigas, de onde tenta conter o avanço das tropas do General Hipólito Ribeiro, Paula Castro e João Francisco.E foi na manhã do dia 24 de junho de 1895 às 9:00 que aconteceu a batalha de Campo Osório quando as tropas de João Francisco se encontra com as tropas de Saldanha O batalhão da marinha que guarnecia as trincheiras recebeu os atacantes com cerrada fuzilaria, porém um incidente veio apressar o desenlace da ação. A pequena força de cavalharia que o Almirante havia colocado nos flancos da trincheira, carregando sem sua ordem sobre a linha cerrada dos castilhistas, foi vigorosamente repelida, saindo em perseguição a cavalharia de João Francisco; retrocedendo em debandada diante do número muitas vezes superior, veio colocar-se na frente e nos intervalos das trincheiras, obrigando os marinheiros a cessarem o fogo. Foi então que penetrando o inimigo no pequeno acampamento, estabeleceu a maior desordem e confusão, esmagando os seus adversáriosÀs 11.00 a batalha já tinha terminado.Saldanha foge à cavalo e é perseguido pela tropa do militar uruguaio Major Salvador Sena (Tambeiro) que termina o alcançando.Acontece o diálogo final:- Respeite-me! Sou o Almirante Saldanha! - Esses são os que eu gosto!. Furando Saldanha com a lança, degolando e arrancando-lhe os dentes e cortando as orelhas!Quando a batalha terminou, pouco antes das 2 horas da tarde, nem as mulheres que estavam no acampamento se salvaram. Foram todas lanceadas, começando logo a degola dos mortos e feridosEstava terminada a revolução.Saldanha da Gama faleceu em Campo Osório, Rio Grande do Sul em 24 de junho de 1895.Campo Osório fora o último sangue da revolução.obre Saldanha da Gama disse Rui Barbosa no livro "Cartas da Inglaterra": a desagradável fortuna das armas se arrebatou no Saldanha da Gama o herói dos heróis, a sua possível reorganização, o homem mais completo e o personagem mais extraordinário que eu conheci neste mundo. Rui Barbosa
  • THEODORO SAMPAIO (SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO, BA, 1855  RIO DE JANEIRO, RJ, 1937). PRECIOSO MANUSCRITO ASSINADO PELO ESCRITOR COM O TÓTULO: CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DO GENTIO DO BRASIL E DE SUA CATECHESE CAPITULO III DO PENSAMENTO CRISTÃO QUE PRESIDIU A FUNDAÇÃO DO BRASIL EM 12 PÁGINAS ESCRITAS A MÃO POR THIEODORO SAMPAIO COM CAPRICHADA CALIGRAFIA FAZ UM RETROSPECTO DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL COM A ESTRATÉGIA DA CRISTIANIZAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS. ESTA OBRA É CONSIDERADA UMA DAS GRANDES PRODUÇÕES HISTÓRICO LITERÁRIAS DE THEODORO SAMPAIO E FOI PUBLICADA PELA PRIMEIRA VEZ NA REVISTA SANTA CRUZ EM SÃO PAULO EM 1913. EXCERTOS DO TEXTO: ERA ESTE O ESTADO DAS COUSAS QUANDO CHEGOU O SOCORRO REGIO TRAZIDO POR THOMÉ DE SOUZA, A FUNDAR A CUDADE DE SAKVADIR BA BAHIA E TODOS OS SANTOS E A DILATAR A FÉ CHRISTÃ ENTRE OS BRASIS  PELA PALAVRA DOS DISCÍPULOS DE SANTO IGNACIO, PELOS ESFORÇOS E SACRIFICIOS INESQUECIVEIS DO PADRE MANUEL DA NÓBREGA E DOS SEUS COMPÁNHEIROS HERÓICOS, OBREIROS NA FUNDAÇÃO DO BRASIL. ..THEODORO SAMPAIO FOI UM GRANDE INTELECTUAL FOI INCUMBIDO POR DOM PEDRO II DE DIVERSAS COMISSÕES NA ÁREA DE ENGENHARIA. FOI PROFESSSOR DA ESCOLA POLITÉCNICA DE SÃO PAULO. EXCELENTE ESTADO!NOTA: THEODORO SAMPAIO . Nasceu em 1855, no Engenho Canabrava, município de Santo Amaro da Purificação, filho do padre católico Manoel Fernandes Sampaio e da escrava Domingas da Paixão. Formou-se engenheiro em 1877. Trabalhando como professor de Matemática e desenhista do Museu Nacional, conseguiu poupar dinheiro suficiente para comprar a alforria de sua mãe e de três irmãos. Foi casado com Dona Capitulina Moreira Maia e com ela teve oito filhos, seis homens e duas mulheres. Após a sua primeira esposa adoecer mentalmente, Theodoro viveu maritalmente com Glória Maria da Fonseca, senhora da sociedade paulistana, com quem teve mais três filhos. Após o falecimento da primeira esposa, o engenheiro veio a se casar no Rio de Janeiro com Amália Barreto Sampaio, com quem viveu até falecer.Aos nove anos de idade, Theodoro Sampaio foi levado ao Rio de Janeiro pelo seu pai, padre Manuel Sampaio, capelão do Engenho Canabrava. Na então capital federal, foi matriculado no Colégio São Salvador em regime de internato, onde aos 15 anos de idade tornou-se auxiliar de ensino. Concluído os estudos preparatórios, ingressou na Escola Central, de onde saiu 5 anos depois, formado em engenharia civil. Após se formar, em 1877, ele voltou à Bahia e comprou a alforria da mãe e de dois irmãos, que ainda eram escravos. Somente em 1888, a Lei Áurea que deu fim ao regime escravocrata no Brasil chegou ao fim. Quando ainda era estudante universitário, atuou como desenhista no Museu Nacional e ali expandiu seu círculo de relações, tendo conhecido o naturalista norte-americano Orville A. Derby, com quem participou, em 1879, da expedição científica ao Vale do São Francisco, que se destinava a estudar os portos do Brasil e a navegação interior.  Ao término da expedição, Theodoro foi convidado a integrar a Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, sendo, mais tarde, designado diretor da Comissão de Saneamento e posteriormente consultor técnico da antiga Secretaria do Interior desse estado. Durante sua gestão, o engenheiro reformou grande parte da rede de esgotos da cidade, além de aumentar e desenvolver o seu sistema. Durante a sua permanência no litoral paulista, desenvolveu estudos para o porto de Santos, publicando uma monografia na Revista de Engenharia, em 1879.Após ter sido um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo em 1894, Theodoro Sampaio foi admitido como sócio do IGHB (Instituto Geográfico e Histórico da Bahia) em 21 de outubro de 1898, passando a fazer parte da sua diretoria como orador oficial e membro da comissão da Revista Estatutos a partir de 11 de maio de 1913. Mais tarde, em 1922, o engenheiro viria a ser o presidente desta instituição. Em função das atividades profissionais que desenvolvia, escreveu livros sobre aspectos geográficos do Brasil, com destaque para O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, durante os seus estudos para o rio São Francisco. A língua nativa e os povos indígenas também despertaram a curiosidade desse intelectual negro baiano e sobre o tema ele escreveu O tupi na geografia nacional, sua obra-prima. Dentre as muitas publicações de Theodoro Sampaio destacam-se: Tremores de terra na Bahia; Tremores de terra no recôncavo da Bahia de Todos os Santos e O Tupi na geografia nacional. Theodoro veio a falecer no Rio de Janeiro em 1937, para onde se transferira aos 83 anos de idade, residindo em uma modesta casinha situada no bairro de Laranjeiras. Seu corpo foi sepultado no cemitério São João Batista.
  • MEDEIROS E ALBUQUERQUE   JOSÉ JOAQUIM DE CAMPOS DA COSTA DE MEDEIROS E ALBUQUERQUE(1867-1934). IMORTAL FOI FUNDADOR DA CADEIRA 22 DA ACADEMIA BRASILIERA DE LETRAS. AUTOR DA LETRA DO HINO DA REPÚBLICA, POETA SIMBOLISTA.  PARTRICIPOU DAS SESSÕES PRELIMINARES DE INSTALAÇÃO A ACADEMIA ENTRE 1896 E 1897. CARTE DE VISITE DE MEDEIROS DE ALBURQUERQUE DIRIGIDO A VICENTE DE CARVALHO . O CARTÃO DATA DE 18/01/1909 ANO DA ELEIÇÃO DE VICENTE DE CARVALHO PARA ACADEMIA. NO VERSO MISSIVA DE MEDEIROS E ALBUQUERQUE DIRIGIDA A VICENTE DE CARVALHO:  EXMO SR. DR. VICENTE DE CARVALHO M.D. JUIZ CRIMINAL SÃO PAULO. DE PASSAGEM OIR AQUI, NÃO ME QUERO IR SEM DEIXAR-LHE UM ABRAÇO...TEÓRICO DO AMIGO E ADMIRADOR. MEDEIROS E ALBUQUERQUES. PAULO 18-01-909. O LOTE É ACOMPANHADO POR RECORTES ALUSVOS AO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE VICENTE DE CARVALHO EM 1966. NOTA: Medeiros e Albuquerque (José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque), jornalista, professor, político, contista, poeta, orador, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista, nasceu no Recife, PE, em 4 de setembro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 9 de junho de 1934. Em 1896 e 1897, compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras. É o fundador da cadeira n. 22, que tem como patrono José Bonifácio, o Moço. Era filho do dr. José Joaquim de Campos de Medeiros e Albuquerque. Depois de aprender as primeiras letras com sua mãe, cursou o Colégio Pedro II. Em 1880, acompanhou o pai em viagem para a Europa. Em Lisboa, foi matriculado na Escola Acadêmica, e ali permaneceu até 1884. De volta ao Rio de Janeiro, fez um curso de História Natural com Emílio Goeldi e foi aluno particular de Sílvio Romero. Trabalhou inicialmente como professor primário adjunto, entrando em contato com os escritores e poetas da época, como Paula Ney e Pardal Mallet. Estreou na literatura em 1889 com os livros de poesia Pecados e Canções da decadência, em que revelou conhecimento da estética simbolista, como testemunha a sua Proclamação decadente.Em 1888 colaborou no jornal Novidades, ao lado de Alcindo Guanabara. Embora tivesse entusiasmo pela ideia abolicionista, não tomou parte na propaganda. Fazia parte do grupo republicano, e, nas vésperas da proclamação da República, foi a São Paulo em missão junto a Glicério e Campos Sales. Com a vitória da República, foi nomeado, pelo ministro Aristides Lobo, secretário do Ministério do Interior e, em 1892, por Benjamin Constant, vice-diretor do Ginásio Nacional. Foi professor da Escola de Belas Artes (desde 1890), vogal e presidente do Conservatório Dramático (1890-1892) e professor das escolas de 2. grau (1890-1897). É o autor da letra do Hino da República. Simultaneamente às atividades de funcionário público, exercia as de jornalista. Durante o período florianista, dirigiu O Fígaro. Foi nesse jornal que teve ocasião de denunciar a deposição que se tramava em Pernambuco do governador Barbosa Lima. Em 1894, foi eleito deputado federal por Pernambuco. Medeiros estreou na Câmara conseguindo a votação para lei dos direitos autorais. Em 1897, foi nomeado diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal. Estando na oposição a Prudente de Morais, foi forçado a pedir asilo à Embaixada do Chile. Demitido do cargo, foi aos tribunais defender seus direitos e obteve a reintegração. Voltou também à Câmara dos deputados, formando nas fileiras de oposição a Hermes da Fonseca. Durante o quatriênio militar (1912-1916), foi viver em Paris. De volta ao Brasil, defendeu a entrada do Brasil na 1ª Guerra Mundial na Europa, em campanha que contribuiu para o rompimento de relações do Brasil com a Alemanha.Ocupou a Secretaria Geral da ABL de 1899 a 1917. Foi autor da primeira reforma ortográfica ali promovida em 1902. Por ocasião da campanha da Aliança Liberal, esteve ao lado do governo Washington Luís. Vitoriosa a revolução de 30, refugiou-se na Embaixada do Peru. De 1930 a 1934, dedicou-se às atividades de colaborador do diário da Gazeta de São Paulo e de outros jornais do Rio de Janeiro e às suas atividades na Academia, onde fazia parte da Comissão do Dicionário e era redator da Revista. Empenhou-se nos debates então travados em torno da simplificação da ortografia. Era um grande defensor da idéia da simplificação, e seu último artigo na Gazeta de São Paulo, publicado no dia de sua morte, versou sobre esse assunto. Na imprensa, escreveu também sob os pseudônimos Armando Quevedo, Atásius Noll, J. dos Santos, Max, Rifiúfio Singapura. Recebeu os acadêmicos Augusto de Lima, Ataulfo de Paiva e Fernando Magalhães.
  • VICENTE DE CARVALHO (1866  1924)  O POETA DO MAR  SEGUNDO OCUPANTE DA CADEIRA 29 DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS NA SUCESSÃO DE ARTUR DE AZEVEDO. ADVOGADO, JORNALISTA, POLÍTICO, MAGISTRADO, POETA, CONTISTA, REPUBLICANO E ABOLICONISTA.  FEZ PARTE DO GRUPO BOÊMIA ABOLICIONISTA, NO QUAL AUXILIAVA ESCRAVOS FORAGIDOS A SE ESCONDEREM EM QUILOMBOS TOMOU PARTE NO GRUPO DOS CAIFASES DE ANTONIO BENTO, AJUDANDO ESCRAVOS FUGIDOS AO QUILOMBO DO JABAQUARA.  COMO POETA LÍRICO, VICENTE DE CARVALHO ESTEVE LIGADO DESDE O INÍCIO AO GRUPO DE JOVENS POETAS DE TENDÊNCIA PARNASIANA. ELE FOI UM DOS CRIADORES DO PARNASIANISMO COMO ESTILO LITERÁRIO NO PAÍS. DENTRE SUAS PRODUÇÕES POÉTICAS, ROSA, ROSA DE AMOR É UM DOS LIVROS MAIS CONHECIDOS. ESSA OBRA, ALIÁS, SELOU SEU DESTINO COMO POETA DO MAR.  ATUOU COMO DEPUTADO E OCUPOU O CARGO DE MINISTRO DO TRIBUNAL DA JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. CARTA DO ESCRITOR JOÃO RIBEIRO (1860-1934) IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS DIRIGIDA AO TAMBÉM IMORTAL VICENTE DE CARVALHO. A CARTA ESCRITA NO RIO DE JANEIRO EM 9 DE JULHO DE 1912. A MISSIVA TRATA SOBRE O INTERESSE DE VICENTE DE CARVALHO NA AQUISIÇÃO DE UM FARDÃO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS PARA A QUAL FORA ELEIITO DOIS ANOS ANTES. EIS O CONTEÚDO DA CARTA:  RIO, 9  DE JULHO DE 1912 CARO VICENTE DE CARVALHO. SÓ AGORA POSSO RESPONDER-LHE COM UTILIDADE AO SEU PRINCIPAL PEDIDO QUE DE LÁ TGROUXE  O DA INFORMAÇÃO SOBRE A FARDA. CONVÉM FAZE-LO EM PARIS, CUSTA LÁ 1000 FRANCOS  (600.000 RÉIS) E AQUI NO RIO ORÇA POR 2 CONTOS DE RÉIS OU QUASE. A VANTAGEM EM LÁ FAZÊ-LO É ENORME. HÁ SÓ UMA DIFILCULDADE PRÁTICA. O AFRÂNIO (AFRÂNIO PEIXOTO) QUE ME DEU OS CARTÕES JUNTO SNÃO SABE SE O ALFAIATE ROSA CONSERVOU O MODELO OU DESENHO. A ACADEMIA DEPLORAVELMENTE NÃO O TEM, A FARDA SEGUE AQUI A TRADIÇÃO . UMAS SE FIZERAM PELAS OUTRAS E ASSIM SE FIZERAM AS 6 OU 8 QUE AQUI EXISTEM. EM PARIS, PORÉM VOCÊ ENCONTRARÁ O MEDEIROS QUE FOI QUEM FORNECEU O TYPO DE FARDA DO AFRANIO. O MEDEIROS CONSERVA EM PARIS A FARDA DE QUE ATÉ SE TEM UTILIZADO.  ASSIM A COISA ESTÁ RESOLVIDA. VOCÊ PROCURARÁ O MEDEIROS QUE EMPRESTARÁ A FARDA AO ALFAIATE. FOI ESTE O EXPEDIENTE QUE USOU O AFRÂNIO. ESTA RESPOSTA DEMOROU UM POUCO PORQUE DEPENDIA DOS DOIS CARTÕES DO AFRÂNIO INCLUSOS QUE RECEBI HONTEM NA ACADEMIA. MUITAS SAUDAÇÕES RESPEITOSAS A SUA EXMA SNRA E FILHA E AS QUAIS SE RECOMENDA MUITO ESPECIALMENTE A XAVIERIA. DESCULPE-ME ESCREVER-LHE NESTAS TIRAS NÃO QUIS AVOLUMAR O ENVELOPE. AGORA ESPERO-0 A 4 DE AGOSTO E MELHOR FORA ANTES SE CÁ VIER. PORQUE NÃO VIRA V. UM SABBADO PARA TOMAR PARTE NUMA DE NOSSAS SESSÕES DE ACADEMIA? ADEUS, UM ABRAÇO DE JOÃO RIBEIRO. O LOTE ACOMPANHA RECORTES DO JORNAL ESTADO DE SÃO PAULO ALUSIVOS AO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO POETA EM 1966. TAMBÉM RECORTE DA GAZETA ENAUTECENDO O POETA EM SEU CENTENÁRIO DE NASCIMENTO. HÁ TAMBÉM UM RECORTE COM UMA COLUNA DE TEMISTOCLES LINHARES PUBLICADA EM 1964 CELEBRANDO A OBRA DE JOÃO RIBEIERO. NOTA: VICENTE DE CARVALHO (1866  1924) Nasceu em Santos, SP, em 5 de abril de 1866, e faleceu na mesma cidade em 22 de abril de 1924.Era filho do Major Higino José Botelho de Carvalho e de D. Augusta Bueno Botelho de Carvalho. Fez o primário na sua cidade natal e, aos 12 anos, seguiu para São Paulo, matriculando-se no Colégio Mamede e, depois, no Seminário Episcopal e no Colégio Norton, onde fez os preparatórios. Aos 16 anos matriculou-se na Faculdade de Direito. Em 1886, com vinte anos, era bacharel em Direito. Casou-se em 1888 com Ermelinda Ferreira de Mesquita, irmã do jornalista Júlio de Mesquita, do jornal Província de São Paulo (hoje Estado de São Paulo). Tiveram dezesseis filhos. Entre eles, Vicentina de Carvalho, a poetisa, e Arnaldo Vicente de Carvalho, jornalista. Republicano combativo, cursava ainda o 4º ano quando foi eleito membro do Diretório Republicano de Santos. Em 1887, era delegado a Congresso Republicano, reunido em São Paulo. Em 1891, era deputado ao Congresso Constituinte do Estado. Em 26 de fevereiro de 1892 foi nomeado Secretário de Interior do Estado de São Paulo na administração de Cerqueira César. Autorizou a criação da Escola Superior de Agricultura, futura ESALQ, e a Escola Superior de Engenharia, futura Poli. Na área do saneamento, tentou trazer Pasteur ao Brasil. Esse mandou seu aluno Felix Le Dantec. Criou o Hospital de Isolamento do Instituto Bacteriológico e o Instituto Vacinogênico além do Laboratório de Análise e de Bromatologia. Criou o serviço sanitário do estado. Em 30 de setembro de 1892, se afastou da política definitivamente. Antes de sair, durante uma solenidade na câmara municipal, Vicente esbofeteou Alfredo Maia que insinuou haver falcatrua em uma operação imobiliária do seu ministério. Disse: "O senhor insultou-me em ofício: eis a resposta!"  Mudou-se, então, para Franca, município do interior paulista, e tornou-se fazendeiro. Em Franca, comprou a fazenda Frutal para plantar café. O negócio fracassou com a queda dos preços. Em 1901 voltou a Santos e publica Solução para a Crise do Café, um livro feito de artigos publicados no Estado de S. Paulo, arguindo que havia excesso de produção em frente à demanda. Propunha a destruição de um quinto da produção para equilibrar o mercado  Em 1902, Vicente de Carvalho publicou Rosa, Rosa de Amor, livro que o consagrou como poeta do Parnasianismo, mas foi sobretudo, o poeta do mar. Em sua obra, o oceano tem vida própria, caracteres animados e paixões humanas. O mar é pintado com diferentes matizes, em razão da forte atração que as águas exercem sobre sua sensibilidade. Esse amor é exaltado em várias poesias, como Palavras ao Mar, Sugestões do Crepúsculo, Cantigas Praianas, No Mar Largo e A Ternura do Mar. Em 1907, mudou-se para São Paulo, onde foi nomeado Juiz de Direito. Em 1914, passou a ministro do Tribunal da Justiça do Estado. Vicente de Carvalho foi, durante toda a sua vida, um jornalista combativo. Até 1915, sua atuação na imprensa foi quase ininterrupta. Em 1889, era redator do Diário de Santos, fundando, no mesmo ano, o Diário da Manhã, da mesma cidade. Ali manteve ainda colaboração em A Tribuna e fundou, em 1905, O Jornal. Até 1913 colaborou nO Estado de S. Paulo. No fim da vida, cansou-se do jornalismo, mas continuou em contato com seus leitores através dos versos que publicava nas páginas de A Cigarra. Poeta lírico, ligou-se desde o início ao grupo de jovens poetas de tendência parnasiana. Foi grande artista do verso, da fase criadora do Parnasianismo. Da sua produção poética ele próprio destacou poemas que são de extrema beleza, como: Palavras ao mar, Cantigas praianas, A ternura do mar, Fugindo ao cativeiro, Rosa, rosa de amor, Velho tema e Pequenino morto". Segundo ocupante da cadeira 29, foi eleito em 1º de maio de 1909, na sucessão de Artur Azevedo, e recebido por carta na sessão de 7 de maio de 1910. Em 1921 escreveu uma carta pública ao presidente Epitácio Pessoa que visitava Santos. Arguiu contra a privatização da orla em favor de sua preservação: Sob pretexto de que esta praia é terreno de marinha, estão particulares tentando apropriar-se dela a título de aforamento. Entrando assim no domínio do privado, o tradicional logradouro público desapareceria fracionado, mutilado, despedaçado como por mãos de bárbaros ... Deus do Céu! Que ideia essa de alguém que é o Governo Brasileiro, e o Governo de um brasileiro que se chama Epitácio Pessoa, vender pelo prato de lentilhas que a Bíblia consagrou na execração dos homens, uma linda e preciosa joia de família, da nossa família santista, da nossa família paulista, da nossa família brasileira. Uma das principais avenidas que seguem a orla de Santos tem seu nome. Um distrito de Guarujá tem seu nome assim como um bairro no Rio de Janeiro. No bairro do Boqueirão, em Santos, há uma estátua em bronze de autoria de Caetano Fracarolli. Na sua inauguração Guilherme de Almeida discursou: "poeta épico, e clássico, e lírico, e satírico, e popular, e parnasiano, e simbolista, e naturalista." Os temas sociais também foram explorados por Vicente de Carvalho, como a "escravidão", que surgiu em Fugindo ao Cativeiro, e a miséria, que apareceu como preocupação em A Voz do Sino, temas que também o situam como poeta do Parnasianismo.Em 1902, Vicente de Carvalho publicou Rosa, Rosa de Amor, livro que o consagrou como poeta do Parnasianismo, mas foi sobretudo, o poeta do mar. Em sua obra, o oceano tem vida própria, caracteres animados e paixões humanas.O mar é pintado com diferentes matizes, em razão da forte atração que as águas exercem sobre sua sensibilidade. Esse amor é exaltado em várias poesias, como Palavras ao Mar, Sugestões do Crepúsculo, Cantigas Praianas, No Mar Largo e A Ternura do Mar.Vicente de Carvalho faleceu em Santos, São Paulo, no dia 22 de abril de 1924.
  • EUCLYDES DA CUNHA  CARTA DE EUCLYDES DA CUNHA (1866-1909) ESCRITA AO SEU AMIGO O POETA E TAMBÉM IMORTAL VICENTE DE CARVALHO (1866-1924) EXATAMENTE QUATRO MESES ANTES DE SER ASSASSINADO  AO TENTAR ALVEJAR O AMANTE DE SUA ESPOSA,  DILERMANDO DE ASSIS. NA CARTA  EUCLYDES DA CUNHA MANIFESTA PREOCUPAÇÃO COM O ÊXITO DA CANDIDATURA DE VICENTE DE CAVALHO A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (QUE ACABOU ACONTECENDO LOGO APÓS A MORTE DE EUCLYDES DA CUNHA) E TAMBÉM REFERE-SE A SUA PRÓPRIA CANDIDATURA A VAGA DE PROFESSOR DE LÓGICA DA ESCOLA DOM PEDRO II QUE TAMBÉM FOI EXITOSA EMBORA TENHA SIDO PROFESSOIR APENAS POR UM MÊS ANTES DE SEU ASSASSINATO.  DIZ A CARTA:  RIO, 15-04-909 VICENTE, Felicidades. RECEBI O TEU CARTÃO. A ELEIÇÃO DEVE EFETUAR-SE BREVE. CUMPRE QUE ESCREVAS AOS VOTANTES AMIGOS. PARA QUE ESTEJAM ALERTA. ESTOU ÀS VOLTAS COM A LÓGICA  MAS SEM ESPERANÇA. DEMITTIRAM-SE TODOS OS EXAMINADORES NOMEADOS E REFERVE ENTRE OS CANDIDATOS GANANCIOSOS UMA INTRIGA DEPRORÁVEL, QUE ARREPENDIMENTO... AGORA É SEGUIR DE PERTO A SEGUNDA MÁXIMA DE DESCARTES- E AVANÇAR FIRME, PARA A FRENTE. DÊ NO QUE DER ENTRAREI, AINDA QUE SEJA PARA APANHAR . MUITA  SAUDAÇÕES A TODOS E UM ABRAÇO DO EUCLYDES. PS  VOU SER SE ENCONTRO O MÁRIO (MÁRIO DE ALENCAR IMORTAL QUE OCUPOU A CADEIRA 21 DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ERA FILHO DE JOSÉ DE ALENCAR) PARA SABER QUAL É O DIA DA ELEIÇÃO E SE NA MESMA SESSÃO SE PREENCHERÃO AS DUAS VAGAS. UM FAVOR PEÇO=TE QUE PROCURES O PUJOL (ALFREDO PUJOL (IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS QUE OCUPOU A CADEIRA DE NUMERO 23) A QUEM ESCREVI HÁ TRES DIAS PARA DIZER-LHE QUE NÃO SE ESQUEÇA DO NEGÓCIO DO VELHO (EMPRÉSTIMO DO BANCO) COM O QUAL ESTOU PROFUNDAMENTE PREOCUPADO. EUCLYDES DA CUNHA E VICENTE DE CARVALHO FORAM GRANDES AMIGOS. BOA PARTE DA CORRESPONDÊNCIA TROCADA ENTRE OS DOIS IMORTAIS ATUALMENTE PERTENCE AO INSTITUTO MOREIRA SALLES. ESTA CARTA EM QUESTÃO TALVEZ SEJA O ELO PERDIDO NOS FRAGMENTOS DAS 24 CARTAS QUE COMPÕE A COLEÇÃO MOREIRA SALLES. CURIOSO QUE AMBOS TINHAM ERAM AMBOS MUITO SUPERTICIOSOS PRINCIPALMENTE COM RELAÇÃO AO NÚMERO 13.  NO LIVRO OS SERTÕES, O ESCRITOR E JORNALISTA EUCLIDES DA CUNHA REGISTROU A COVARDIA DOS MILITARES QUE IRIAM LUTAR CONTRA ANTÔNIO CONSELHEIRO, EM CANUDOS. A TROPA SAIU NA NOITE DE 12 DE NOVEMBRO DE JUAZEIRO, SÓ PARA EVITAR O MALDITO 13 E IA COMBATER O FANATISMO", FOI O COMENTÁRIO DO ESCRITOR. VICENT4E DE CARVALHO POR SUA VEZ TINHA GRANDE RECEIO DE ASSUMIR A CADEIRA DE NÚMERO 13 DA ACADEMIA CHEGANDO A DESISTIR DA CANDIDATURA À ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS EM 1905 PORQUE SUA MULHER SUSPEITAVA QUE ELE MORRERIA SE TOMASSE POSSE NA CADEIRA A QUE CONCORRIA, DE NÚMERO 13. NA DÚVIDA, DEIXOU PARA 1909, QUANDO FOI ELEITO. TAMANHO CUIDADO NÃO IMPEDIU QUE TERMINASSE COM O BRAÇO ESQUERDO AMPUTADO, DEPOIS QUE SUA MÃO INFLAMOU, FERIDA DURANTE UMA PESCARIA EM ALTO-MAR. MESMO ASSIM, NÃO PERDEU O HUMOR, REPETINDO SEMPRE: "CAMÕES NÃO FOI MANCO DE UM OLHO? EU SOU CAOLHO DE UM BRAÇO". ACOMPANHA JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO COM SUPLEMENTO CONTENDO EXTENSA MATÉRIA SOBRE EUCLYDES DA CUNHA PUBLCADO EM 22 DE JANEIRO DE 1966. NOTA:. A  morte de Euclides da Cunha, um crime passional , era proeminente escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, viajante experimentado, narrador da campanha de Canudos, estilista primoroso, recém empossado professor de lógica no Colégio D. Pedro II, amostra de homem com a honra despedaçada, no contexto e nos padrões morais do início do século XX. Ana (Dona Saninha), sua esposa, filha do General Sólon Ribeiro (ativo participante da proclamação da república), mãe dedicada (é o relato dos filhos), hostilizada por uma sociedade que (insisto, pelos padrões do tempo) não admitia o papel de adúltera que lhe imputavam. A exemplo de Capitu (personagem literária) Ana (personagem real) não teve um lugar de fala; não quiserem lhe ouvir. Ana levou uma culpa que provavelmente não teve, ou foi instrumento de um destino em relação ao qual não tinha controle.Dilermando de Assis, o vilão (de acordo com os relatos tendenciosos), militar dedicado, passou a vida a justificar-se da acusação de ter assassinado um Deus, ainda que absolvido pelo Tribunal do Júri, o que se deve também a impecável defesa de Evaristo de Moraes, o vedete dos tribunais da época. Evaristo formou-se em direito depois de 20 anos de prática forense. É o exemplo do rábula, no que essa expressão não tem de pejorativo. Evaristo também advogou para Gilberto Amado (que era professor de Direito Penal) acusado de homicídio, disputando no júri (nesse caso) com o promotor Galdino Siqueira (exímio penalista). Há outros personagens, também trágicos, como o filho de Euclides (mais tarde também morto por Dilermando) e o irmão de Dilermando (Dinorah, ferido por Euclides, que ficou paraplégico, e que se suicidou mais tarde).Ana teria conhecido Dilermando em São Paulo, quando levava seus filhos para os cuidados de um tutor. Há versões que, depois da morte do pai, Dilermando e seu irmão foram recebidos na casa de Euclides. Judith Ribeiro de Assis, em livro que foi levado à televisão, em forma de minissérie, dá conta da história de um trágico amor. Trata-se da série Desejo, de 1990, protagonizada por Tarcísio Meira (Euclides), Vera Fischer (Ana) e Guilherme Fontes (Dilermando). Judith afirmou que Ana e Dilermando se apaixonaram perdidamente. Ana, no contexto desse relato, vivia com dificuldade com Euclides, que seria uma pessoa difícil, irascível e de ímpetos incontroláveis. Por trás do escritor genial havia um homem genioso.Em 1906, voltando da Amazônia, onde esteve em missão por 10 meses, Euclides encontrou Ana com gravidez bem avançada. Nasceu uma criança, que faleceu de inanição, com cerca de uma semana de vida. Foi registrado por Euclides como Mauro, mas Ana sempre se referiu à criança como Mário. Ao que consta, Ana teria acusado Euclides de provocar esse desfecho. Os relatos são muito contraditórios. Ana e Dilermando continuaram trocando cartas, voltaram a se encontrar, e uma segunda criança foi gerada. Foi batizada como filho de Euclides e Ana, com o nome de Luiz. Euclides reconhecia que o menino não era seu filho biológico, e a ele se referia como um milharal no cafezal.Em agosto de 1909, depois de não encontrar Ana (que teria ido para a casa de sua mãe, viúva de Sólon Ribeiro) Euclides vestiu uma roupa velha, há muito tempo abandonada, conseguiu um revólver e foi até a casa de Dilermando, na Estrada Real de Santa Cruz, número 214, onde o tiroteio ocorreu. Euclides atingiu Dilermando e seu irmão. Dilermando revidou e Euclides caiu morto. Dilermando foi preso preventivamente e depois julgado pelo tribunal do júri, que o absolveu com fundamento na tese da legitima defesa. A sentença foi confirmada.Alguns anos depois, em 1916, Dilermando também duelou com Euclides da Cunha Filho, que caiu morto em um cartório. Mais uma vez defendido por Evaristo de Moraes, Dilermando foi absolvido. O Superior Tribunal Militar confirmou a sentença da Auditoria de Guerra. Mesmo absolvido, Dilermando conviveu com insinuações e acusações. Em 1922, quando da exposição do centenário da independência, foi surpreendido com exposição de sua arma (tida como a arma do assassino de Euclides) ao lado do punhal que Manso de Paiva usou para assassinar o político gaúcho Pinheiro Machado. Requereu a devolução do revólver e protestou pelo fato de ser lembrado como assassino, o que é situação distinta de quem mata em legítima defesa.Os autos do processo do caso de Euclides foram editados por Walnice Nogueira Galvão, maior autoridade em Euclides da Cunha que há no Brasil. Nas peças conhece-se, por exemplo, a tese da promotoria. José Saboia Viriato de Medeiros atuou como promotor no caso. Lê-se na conclusão da denúncia que se colhia com segurança das peças do inquérito que o denunciado mantinha relações adulterinas com a esposa do conhecido escritor Dr. Euclides da Cunha. Dilermando teria atingido Euclides quando o escritor já estava ferido, fora de perigo. Dilermando teria agido num movimento de cólera e vingança, que bem denotam as palavras espera cachorro ouvidas por uma das informantes. Teria havido, por parte de Dilermando, excesso na reação, o que evidenciaria, na tese da promotoria, ação vingativa e reprovável. Segundo o promotor, o perigo estava passado, o mal já consumado, os ferimentos, que impossibilitavam a continuação da agressão, visíveis e notórios, o agressor em retirada: o ato praticado em tais condições contra esse homem não foi de defesa, foi de exasperação e vingança.Foram exibidas cartas que Ana encaminhou ao marido. Afirmava que se julgava indigna, por havê-lo traído espiritualmente na ausência dele, não sabendo se pelo bem-estar que tinha livre dos maus-tratos e pela falta de carinho com que ele a tratava, achando que uma separação deveria ser prolongada, já que ele era um homem de grande talento e estudos científicos. Reconhecia a incompatibilidade de gênios. Ana sofreu muito; procurou abortar ou mesmo morrer, tomando remédios para esse fim.Evaristo de Moraes insistia na tese da legítima defesa, a par de invocar que Dilermando agiu em estado de necessidade. No primeiro júri os 12 jurados eram homens (circunstância que a prática nos confirme como importante e até preponderante nesses casos). Houve empate: 6 votaram pela absolvição, e os outros 6 votaram pela condenação. Aplicou-se a velha máxima de direito, que decide pelo réu, em caso de dúvida (in dubio pro réu). Um dos jurados votou contraditoriamente, o que levou à composição de um novo júri. O novo júri contava com7 membros, para que não houvesse empate. Por 5 a 2 Dilermando foi absolvido. Foi posto em liberdade e retomou sua carreira no Exército.Os jornais incensavam Euclides da Cunha, em campanha aberta contra Dilermando. Não se ouviu Ana de Assis. Em agosto de 1909, o Jornal do Comércio registrava que se vivia o espanto horrível causado pela notícia do absurdo e trágico assassinato do prezado e eminente colaborador Euclides da Cunha. Referia-se a um telegrama expedido de Cascadura as 12 horas e 30 da tarde do dia anterior que dizia laconicamente: Euclides da Cunha, assassinado, Estrada Real, 214 (Assinado) Sólon da Cunha). E prosseguia o jornal: Assassinado por quê? Como? Por quem? Parecia inverossímil a notícia. Ainda nos últimos dias da semana o ilustre escritor aqui estivera, em companhia de seu jovem filho, Euclides, irmão de Sólon da Cunha, signatário daquele despacho, uma inteligência e viva criança ().Segundo o Jornal do Comércio, Euclides era um homem de uma integridade moral a toda prova, experimentado em provações de todo gênero, com uma alta compreensão de seus deveres cívicos, pelejador como poucos, intrépido até a temeridade Afirmava-se que Euclides da Cunha conservara da matemática a disciplina mental formidável, da poesia a ideia de beleza e o gosto da perfeição, da filosofia o sentimento de justiça, a vibração contínua e generosa, alguma coisa acima das misérias da terra. Lamentava-se que tudo isto fora cortado por uma morte brutal, por um golpe da tragédia inenarrável.O Jornal do Comércio informava que Dilermando e seu irmão, depois da perda do pai, encontraram sempre da parte do Dr. Euclides da Cunha e da sua esposa, D. Ana Sólon da Cunha a proteção e carinho que a mortes de seus pais lhes tinha roubado. E ainda, foi justamente este sentimento de amizade maternal que animava a Sra. D. Ana tão paralelamente ao que nutria o seu esposo, que, em um dado momento, malevolamente desvirtuado, cruelmente envenenado, deu causa ao tremendo drama e que caiu sem vida atravessado por uma bala, o laureado homem de letras que, pode-se dizer, sem rebuços, era o maior estilista de sua geração. A imprensa seguia esse diapasão e condenava Ana.No mesmo Jornal do Comércio lê-se que Euclides passou a suspeitar da esposa, a fidelíssima companheira de 17 anos de uma existência cheia de lutas que  já não era mais a mesma; a amizade que dedicava ao aspirante Dilermando não podia ter este nome, porque era cousa muito diversa, era amor; cheio de culpa, cheio de crimes. Segundo o jornal, os espíritos malignos continuavam a sua obra, advinha num turbilhão de circunstâncias evidentemente desnorteadoras.Em 10 de agosto de 1909 lia-se no Jornal do Comércio que aquele crime não poderia ficar sem solução; o jornal clamava que tudo deveria ser esclarecido, especialmente porque Euclides da Cunha era um homem que por assim dizer vivia permanentemente raciocinando. Nos seus trabalhos de história e geografia distinguia-se sobretudo pelo seu espírito de minúcia. Parece absurdo que um professor de lógica, como ele o era, decidisse de seu destino sem maior exame e sem mais atenta reflexão. Nós não queremos acusar ninguém, mas queremos a verdade. Parece-me, a imprensa mostrava-se parcial, na defesa de Euclides e no ataque direto a Ana e indireto a Dilermando.São várias as formas de pensarmos nessa tragédia. Preocupo-me com Ana. Euclides é o grande escritor, Dilermando foi amado por Ana. Ana casou-se com Dilermando, com quem teve mais filhos e seguiu a vida. Traída mais tarde por Dilermando, largou-o e seguiu com as crianças. Em que pese sempre perseguida pela infâmia e pela tragédia, educou as crianças, com carinho e zelo. Ana foi enterrada no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. Em seu túmulo uma sentença que nos faz pensar: Feliz do homem que tem por bússola as lágrimas de uma mãe. Traduziu-se em forma de aviso uma voz feminina que não se escutou.
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  • LEILÃO COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO, BIBILIOTECA DR ANTÃO DE  MORAES E BIBLIOTECA GERALDO SERRA/PIETRO MARIA BARDI - SEGUNDA ETAPA - Em 8/8/1964 o Jornal ÚLTIMA HORA um dos mais respeitados diários de notícias brasileiro trazia pela primeira vez, à luz da imprensa, a notícia sobre a mais espetacular coleção particular de documentos históricos existente no Brasil, a COLEÇÃO EDUARDO STOPPEL. A matéria por si só atraia o interesse pelo inusitado de seu conteúdo com ares de enredo novelesco. O jornal relatou a curiosa história de um judeu alemão que ainda antes da Segunda Guerra Mundial abandonou a Alemanha, seu país de origem, já impregnado dos ideais nazistas encarnados por Adolf Hitler, para viver no Brasil. Em 1935 uma edição do ALMANAQUE LAEMMERT listava EDUARDO STOPPEL como um BELCHIOR, termo empregado para designar um comerciante de livros usados e documentos, um alfarrabista estabelecido então na Rua Barão de Itapetininga n. 42, República na cidade de São Paulo (vide em: http://memoria.bn.br/docreader/cache/1834704700543/I0115406-2-0-003094-001876-006278-003807.JPG). De forma emblemática o escritório de EDUARDO STOPPEL ficava bem em frente ao local do martírio dos jovens MARTINS, MIRAGAIA, DRAUSIO E CAMARGO (MMDC) para sempre símbolos da luta contra a ditadura e a favor das liberdades constitucionais no estopim da Revolução Constitucionalista de 1932. EDUARDO STOPPEL dedicou-se no Brasil a mesma profissão que exercera na Alemanha por toda vida, foi sempre um BELCHIOR. Sem parentes em nosso país ou sucessores conhecidos em seu país de origem, EDUARDO STOPPEL foi recolhido no final dos anos 50 em um hospital para loucos na Capital Paulista onde passou seus últimos dias até falecer em 18 de outubro de 1961 (conforme registro no cemitério Israelita de São Paulo). Pouco antes de falecer, EDUARDO STOPPEL revelou aos médicos da instituição Psiquiátrica, a existência dessa preciosa coleção guardada em um cofre forte de agência bancária em São Paulo. Em um primeiro momento sua revelação não teve impacto, foi tratada como mais um devaneio de loucura. Mas diante da insistência do paciente, por ocasião do óbito, alguêm lembrou de averiguar a informação e constatou-se que eram verídicas e precisas, havia na agência indicada um cofre em nome de EDUARDO STOPPEL. A instituição que albergou o judeu alemão em seus últimos anos RECEBEU AUTORIZAÇÃO, POR MEIO DE ORDEM JUDICIAL DO JUIZ TITULAR DA 3. VARA DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES DA COMARCA DA CIDADE DE SÃO PAULO (com base no inventário processado pelo CARTÓRIO DO 8. OFÍCIO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES de São Paulo), PARA PROCEDER O LEILÃO EM HASTA PÚBLICA DA COLEÇÃO EM ÚNICO LOTE, A TÍTULO DO PAGAMENTO DAS VULTOSAS SOMAS DECORRENTES DA INTERNAÇÃO DO FALECIDO EDUARDO STOPPEL. O JORNAL O GLOBO informava que o cerne da coleção de EDUARDO STOPPEL trazida por ele da Alemanha, foi fundido a documentos por ele adquiridos no Brasil, que tinham pertencido à coleção de JOSÉ JACQUES DA COSTA OURIQUE, TENENTE DO CORPO DE ENGENHEIROS DO EXÉRCITO IMPERIAL. José Jacques da Costa Ourique, originário do Rio de Janeiro foi designado diretor do Gabinete Topográfico do serviço de estradas provinciais paulistas em 1842. Formado pela Academia Militar do Rio de Janeiro, que, desde sua origem, em 1810, foi destinada ao ensino de oficiais artilheiros e engenheiros geógrafos e topógrafos a serem aproveitados na direção dos trabalhos de minas e obras públicas. Ourique nasceu em 1815, ao ser transferido para São Paulo, contava 27 anos. Ali dirigiu o curso proposto para os alunos do Gabinete Topográfico para formação de engenheiros práticos. Em 1844 foi criada a Diretoria de Obras Públicas, a qual foi subordinada a escola dirigida por Ourique. Sucedeu que a diretoria entendeu não mais remunerar seus alunos que eram assalariados para dedicar-se aos estudos e essa política acabou por promover o esvaziamento e consequente extinção da Escola. Quanto ao Gabinete Topográfico, o mesmo foi extinto pela lei nº 27, de 23 de abril de 1849. Ourique optou por permanecer como engenheiro de obras na Diretoria de Obras Públicas. No Relatório Geral do Conselho dos Engenheiros, de 1852, localizamos Ourique como chefe da 2ª Seção do Sul da Diretoria de Obras Públicas, compreendendo a 5ª Comarca com exceção dos municípios de Guaratuba, Paranaguá; e Antonina. Tratou aí de obras nas estradas de Santo Amaro e São Bernardo. Mais tarde tornou-se o primeiro comandante da Escola Militar (curso de Infantaria e Cavalaria) da Província do Rio Grande, entre 1851 e 1853, faleceu durante uma experiência com hidrogênio no laboratório da escola conforme Relatório sobre os ex-integrantes ilustres da escola militar, do Comando Militar de Porto Alegre. Para além de militar e lente de escola de engenharia Ourique era um estudioso interessado em História Brasileira e por meio de Documentos históricos escritos pelas personalidades que protagonizaram os fatos, reuniu uma coleção voltada à gênese da NAÇÃO BRASILEIRA. Seguindo a trajetória da coleção em 1963, o pregão judicial da COLEÇÃO EDUARDO STOPPEl (já então congregando a coleção JOSÉ JACQUES OURIQUE), foi realizado pelo LEILOEIRO OFICIAL MOACIR CATALDI e o arrematante foi o célebre COMERCIANTE DE ANTIGUIDADES JOSÉ CLAUDINO DA NÓBRECA (AUTOR DO LIVRO MEMÓRIAS DE UM VIAJANTE ANTIQUÁRIO). O JORNAL ÚLTIMA HORA relata que JOSÉ CLAUDINO DA NÓBREGA após o arremate que atingiu o valor de aproximadamente UM MILHÃO DE CRUZEIROS, entrou em negociação com o MUSEU NACIONAL para vender a preciosa coleção. Entretanto a negociação não chegou a bom termo porque o Museu não conseguiu levantar o recurso de 2,5 milhões de cruzeiros necessários para aquisição e o antiquário JOSÉ CLAUDINO DA NÓBREGA procedeu a venda por 4 milhões de cruzeiros ao DR ANTONIO MELILLO, entusiasta colecionador de documentos históricos e objetos arqueológicos. Por décadas o DR ANTONIO MELILLO não só preservou a coleção como a ampliou e permitiu sua divulgação e apresentação em importantes exposições promovidas em INSTITUIÇÕES MUSEOLÓGICAS BRASILEIRAS (como o Museu Histórico Nacional e Museu Imperial, Biblioteca Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Nacional, Biblioteca Pública de São Paulo, também foram amplamente divulgadas em matérias de tv e muitos jornais ao longo dos ultimos 50 anos). A coleção DR ANTONIO MELILLO foi adquirida após sua morte por um conceituado professor da POLI USP, quis o destino que quase duzentos anos após ser iniciada por um Professor de Engenharia (JACQUES OURIQUE), tenha sido colocada sob a guarde de um outro Professor também de Engenharia. Segue há alguns anos, com seu último proprietário e nesse momento, quase dois séculos após o início de sua formação, a COLEÇÃO DR ANTONIO MELILLO (EX EDUARDO STOPPER E EX JOSÉ JACQUES DA COSTA OURIQUE) será apregoada como uma das mais significativas coleções particulares brasileiras de DOCUMENTOS HISTÓRICOS a serem apresentados item por item. Toda a documentação jurídica do primeiro leilão de 1963 ordenado pela justiça do Estado de São Paulo, no já longínquo ano de 1963 (PERÍODO EDUARDO STOPPER) até as publicações dos jornais que anunciaram a existência da COLEÇÃO E SUA HISTÓRIA FORMATIVA no período em que esteve sobre a propriedade de JOSÉ CLAUDINO DA NÓBREGA e a documentação relativa as publicações e exposições realizadas durante as décadas em que esteve de posse do DR ANTONIO MELILLO, estão disponíveis para analise dos licitantes e acompanharão de acordo com o julgamento do LEILOEIRO os lotes que lhes forem pertinentes (seguindo como critérios os documentos específicos reproduzidos em jornais da época que dizem respeito aos lotes. Quanto a documentação do leilão judicial do ACERVO EDUARDO STOPPER realizado em 14 de maio de 1963 será juntada aos lotes do arrematante cujas compras atingirem em sua soma o maior valor de arremate no pregão). DESSA FORMA A DARGENT LEILÕES TEM A HONRA DE APRESENTAR A SEGUNDA ETAPA DO LEILÃO DE DOCUMENTOS HISTÓRICOS, GRAVURAS E TESOUROS ARQUEOLÓGICOS EGIPCIOS DA COLEÇÃO DR. ANTONIO MELILLO. Uma oportunidade única para aquisição de documentos que apresentam pontos de vista e exercício do ofício de personagens envolvidos na história brasileira  e mundial UM PREGÃO DE DOCUMENTOS IMPORTANTES MAS TAMBÉM COM O ACRESCIMO DE DUAS GRANDES E IMPORTANTES BIBLIOTECAS PARTICULARES, A DO DESEMBARGADOR  DR ANTÃO DE MORAES (1887-1974) E BIBLIOTECA GERALDO SERRA/PIETRO MARIA BARDI. BONS ARREMATES A TODOS!!!!

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