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  • JOSÉ DE AGUIAR TOLEDO, PRIMEIRO E ÚNICO BARÃO DE BELA VISTA E VISCONDE COM GRANDEZA DE AGUIAR TOLEDO (BANANAL, 13 DE JUNHO DE 1823  RIO DE JANEIRO, 14 DE AGOSTO DE 1898) -  CARTA EM PAPEL TIMBRADO COM ENVELOPE ORIGINAL SUBSCRITADO DO ENTÃO BARÃO DE BELA VISTA AO INVENTOR DR. JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA . ESCRITA NA FAZENDA BELA VISTA EM BANANAL. EXCERTOS DO TEXTO: BELA VISTA, 13 DE MARÇO DE 1876, AMIGO DR .  JESUINO. RECEBI SUA CORRESPONDECIA DE 8 PASSADO ONTEM. ESTIMO DIZER-LHE QUE NÃO POSSO COMPARAR A BELA SITUAÇÃO DO DR.  A. BARBOSA POR MOTIVOS QUE SÓ PESSOALMENTE PODERIA EXTERNAR. GARANTO A PRÓXIMA FATURA DO CARREGAMENTO DE FERRO. PERMITA-ME DIZER-LHE QUE ALGUNS DIAS TEM CEM ANOS...NON CREDO. ESTIMO A CONTINUAÇÃO DE SUA SAÚDE. FELICIDADES. SEU AMIGO BARÃO DE BELA VISTA. NOTA: Barão de Bella Vista e 1º Visconde de Aguiar Toledo, José de Aguiar Toledo nasceu em Bananal SP em 13 de Junho de 1823 e faleceu nessa cidade em 14 de Agosto de 1898. Era filho do Tenente-Coronel Francisco de Aguiar Vallim e de D. Maria Ribeiro Barbosa. Casou em primeiras núpcias com Maria Guilhermina Pacheco, filha do desembargador Joaquim José Pacheco e em segundas núpcias com Maria Madalena Hus, Era sogro do Barão de Almeida Vallim. Tenente-Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Bananal, era proprietário, fazendeiro em Bananal, chefe do partido conservador, e foi deputado geral nas legislaturas de 1861 á 1864. Era comendador da Imperial Ordem da Rosa e da de Cristo. Seu título de Barão é um título de origem toponímica, tomado da fazenda da família - Bela Vista , em Bananal-SP, constando , em 1865, com 215 escravos, 81.000 pés de café, avaliados em 12:000$000 (12 contos) de réis. Parte das terras desta fazenda pertenciam ao município de Barra Mansa-RJ, com 52.000 pés de café . Seu título de Visconde é um título de origem antroponímica, tirada do sobrenome de família. Tenente-Coronel Comandante Superior do Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da cidade do Bananal. Teve mercê, enquanto barão da Bela Vista, de sua Carta de Brasão de Armas. Foi casado, primeiro, a 30.08.1851, com Maria Guilhermina Pacheco, nascida em 1835 em São Paulo e falecida a 03.07.1865 no Rio de Janeiro-RJ, filha do desembargador Joaquim José Pacheco, baiano, e de Margarida Domenech, uruguaia; neta paterna de Joaquim José Pacheco e de Ana Joaquina Chaves; neta materna de Nicolau Domenech Otero e Joana Maria Garcia. Casou-se pela segunda vez com Maria Madalena Hesse, de família de origem dinamarquesa radicada no Rio de Janeiro, filha de Frederico Rodolfo Hesse e Maria Madalena Huber, nascida no Rio de Janeiro-RJ a 02.01.1860 e falecida também no Rio a 04.06.1912, Viscondessa de Aguiar Toledo. Do seu segundo casamento, nasceu América Brazilina de Toledo, nascida cerca de 1856 e falecida a 06.08.1947 em São Paulo, que, por seu casamento, a 24.06.1878, na família Almeida Valim , de São Paulo, tornou-se, em 1888, a Baronesa de Almeida Valim.José de Aguiar Toledo, primeiro e único barão de Bela Vista e visconde de Aguiar Toledo, (Bananal, 13 de junho de 1823  Rio de Janeiro, 14 de agosto de 1898) foi um fazendeiro, pecuarista e político brasileiro. Possuía diversas fazendas na região de Bananal e Resende, onde cultivava café, gado leiteiro, carneiros e cavalos da raça Voltigeur.
  • ANTONIO LUIZ DE ALMEIDA COMENDADOR DA ORDEM DA ROSA  OUTOGANDO PROCURAÇÃO AO DR. JESUÍNO FERREIRA DE ALMEIDA ADVOGADO E  INVENTOR DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER. ANTONIO LUIZ DE ALMEIDA  ERA FILHO DO COMENDADOR LUCIANO JOSÉ DE ALMEIDA DONO DA FAZENDA BOA VISTA EM BANANAL QUE NA DECADA DE 1850 ERA O MAIOR ESCRAVISTA DA REGIÃO COM 833 ESCRAVOS. ANTONIO LUIZ DE ALMEIDA ERA TAMBEM IRMÃO DA BARONESA DE JOATINGA E DO VISCONDE DE SÃO LAURINDO. ANTONIO LUIZ DE ALMEIDA   ERA GENRO E CUNHADO DE MANUEL DE AGUIAR VALLIM (BARÃO DE AGUIAR VALLIM) CUJO ENTRELAÇAMENTO FAMILIAR FORMOU O PODEROSO CLÃ ALMEIDA VALLIM. TAL O REQUINTE DE ANTONIO LUIZ E ALMEIDA QUE POSSUIA EM SUA FAZENDA UMA BANDA DE MÚSICA FORMADA POR ESCRAVOS REGIDA PELO MAESTRO WILTEM SHOLTZ. EXCERTOS DO TEXTO: ANTONIO LUIZ DE ALMEIDA, COMENDADOR DA ORDEM DA ROSA. DOU PODERES DE PRODURADOR AO DR. JESUÍNO ANTONIO FEREIRA DE ALMEIDA PARA GARANTIR A ESPECIALIÇÃO DE BENS EM GARANTIA DA TUTELA QUE ACEITEI DO ORFÃO JOAQUIM COUTO NÃO PODENSO ASSINAR OS TERMOSEXIGIDOS EM DIREITO COMO SE EU MESMO FOSSE COM PODERES DE SUBESTABELECER. BANANAL 20 DE MAIO DE 1870. ASSINA O COMENDADOR COM RECONHECIMENTO DE FIRMA E SELOS ESTAMPILHADOS DO IMPERIO. .NOTA: TRANCREVEMOS A SEGUIR NOTICIAS RELACIONDAS AO COMENDADOR LUCIANO JOSÉ DE ALMEIDA:  Assim está escrito em seu registro de nascimento: "Novembro-25-1797 - Na fazenda Boa Vista do districto de Areas nos limites da Província do Estado do Rio, e de legitimo matrimonio de Luiz José d'Almeida e D. Anna Maria Nogueira, de Baependy, neto paterno de Pedro Rodrigues d'Almeida de São João d'Rey, nasce Luciano José de Almeida." Foi batizado no oratório da mesma Boa Vista em que nasceu, pelo Pe. Urbano Antonio Cordeiro; foram seus padrinhos o Alferes José Antonio de Oliveira Arruda e D. Maria Leme, irmã de seu pai, que trazia somente o sobrenome materno, Leme. Maço n. 46  Ano  1854  Inventário do Comendador Luciano José de Almeida  Falecido D. Maria Joaquina de Almeida-InventarianteTestamentoTraslado, Folhas hum. Em nome de Deos Amem. Eu, Luciano José de Almeida, estando doente de cama, porem em meu perfeito juiso, e gozo de todas as minhas faculdades intelectuais, rezolvi fazer meu testamento pela forma e maneira seguinte: Sou Católico Apostólico Romano em cuja religião nasci, tenho vivido e desejo morrer, tendo sido batizado nesta Freguezia do Senhor Bom Jesus do Livramento do Bananal. Sou filho legítimo dos finados Luiz José de Almeida e sua mulher D. Maria Joaquina da Conceição. Sou casado em face da Igreja com D Maria Joaquina de Almeida com a qual tenho vivos nove filhos, a saber: Domiciana, casada com Manoel de Aguiar Valim; Placídia, casada com Pedro Ramos Nogueira; Francisca, casada com Manoel de Freitas e Silva; Laurindo, Antonia, Luiz, Alexandrina, Antonio e Maria além de outros que morreram em pequenos. Enquanto solteiro tive um filho natural que foi por mim creado e como tal tratado por mim  Claudino José de Almeida, que já reconheci por escritura pública, o qual tem direito à herança de meus bens igualmente com os outros nove filhos legítimos. Nenhum mais filho tenho legítimo ou natural com direito a herança de meus bens, além dos dez acima mencionados. Nomeio para tutores de meus filhos em primeiro lugar a minha mulher dona Maria Joaquina de Almeida, na falta desta ou não querendo ela aceitar, a meu genro Manoel de Aguiar Valim, em falta deste, ou não querendo aceitar, a meu genro Manoel de Freitas e Silva, a todos os quais e a cada hum deles, hei por habilitado independente de outra ou qualquer habilitação ou fiança. Nomeio para meus Testamenteiros em primeiro lugar meu genro Manoel de Aguiar Valim, digo em primeiro lugar minha mulher Dona Maria Joaquina de Almeida, em segundo lugar meu genro Manoel de Aguiar Valim, em terceiro lugar meu genro Manoel de Freitas e Silva, a qualquer dos quais que aceitar deixo o prazo de hum ano para o cumprir. Deixo a minha mulher Dona Maria Joaquina de Almeida, metade da casa de sobrado da cidade no valor de quinze contos de réis e a outra metade, no valor de outros quinze contos de réis deixo, deixo repartidamente para os meus filhos solteiros e menores. Deixo a minha afilhada Emerenciana filha do defunto Dr. Ovidio duas Escravas Joaquina e sua filha que vieram da Caxoeira. Deixo a Luiz Antonio de Sousa Pinto dois escravos que foram da sociedade que tive com Antonio de Sousa Pinto cujos escravos lhe vendi e ele passou-me dois créditos que por esta doação ficam sem efeito, meu testamenteiro entregará ao mesmo os diversos créditos. Meu escravo Bento, mulato, depois da minha morte servirá seis anos a meus filhos e filhas menores, e no fim dos ditos seis anos ficará livre, passando-lhe meu testamenteiro carta de Liberdade independente de outra circunstância que não seja o teor expirado o dito prazo. Deixo a minha casa térrea na cidade no valor de seis contos de réis a meu filho Claudino, e Genros Pedro Ramos Nogueira e Manoel de Freitas e Silva, vindo por isso ter cada um deles nela a terça parte, no valor de dois contos de réis. Deixo a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia desta cidade a quantia de três contos de réis e além do que a mesma me dever, cuja quantia lhe será entregue por meu testamenteiro logo depois de minha morte. Meu testamenteiro mandará dizer seis capelas de missas, por a Esmola do costume, sendo duas por minha alma, duas por alma dos meus pais e parentes, e duas por alma dos meus escravos falecidos até a data de minha morte. Deixo duzentos mil réis aos filhos e filhas de meu compradre Dionízio agregado da fazenda da Caxoeira, cuja quantia meu testamenteiro entregará a eles em fazendas e gêneros de que mais necessidade tiverem e não em dinheiro, e isto logo depois de minha morte. Deixo a Dona Jezuina, filha da Comadre Dona Rita da Serra a quantia de duzentos réis. Por minha morte ficarão livres as mulatas, Honoria, Maria e Inez, que foram do meu finado sogro Antonio José Sampaio, no gozo de cuja liberdade entrarão logo depois de minha morte. Deixo a cada hum de meus filhos e filhas as amas que os crearam e amamentaram. Minha fazenda da Caxoeira com todas as propriedade, e benfeitorias ficará pertencendo aos meus seis filhos menores em parte iguais vindo cada um a ter a sexta parte do seu valor. Todas as disposições supra serão tiradas da minha terça, a exceção unicamente da última, isto é, da fazenda da Caxoeira com cujo valor os ditos meus seis filhos menores entrarão à colação para lhes ser descontado em suas legitimas. E desta forma hei por findo meu testamento que pelo a Justiça do Império o cumprir, façam cumprir tão inteiramente como nele se contem, por ser esta a minha vontade. Este vai escrito por Manoel Venancio Campos da Paz, ao qual pedi por mim assinasse por me achar impossibilitado de o fazer. Bananal, Fazenda da Boa Vista, aos vinte e oito de abril de mil oitocentos e cincoenta e quatro. Assino a pedido do Comendador Luciano José de Almeida. Manoel Venancio Campos da Paz.Indiciado como traficante de escravos no caso BracuhyEm 11 de dezembro de 1852 houve um desembarque de africanos no porto do Bracuhy, freguesia da Ribeira, próximo à cidade de Angra dos Reis. Narra o delegado que, ao aportar o barco americano "Camargo", comandado por um capitão norte-americano, muitas canoas haviam se aproximado e os africanos desembarcaram em terras da Fazenda Santa Rita do Bracuí, de propriedade do Comendador José de Souza Breves, irmão do "Rei do Café". A polícia prendeu vários traficantes nacionais e estrangeiros, apreendeu parte da carga de 500 africanos vindos de Quelimane e Moçambique, bem como documentação que incriminava muita gente importante, inclusive o COMENDADOR LUCIANO JOSÉ DE ALMEIDA
  • BARÃO DE PARAHITINGA CARTA EM PAPEL TIMBRADO COM COROA DE BARÃO E INSCRIÇÃO BARAO DE PARAHITINGA. MISSIVA É DIRIGIDA A JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA   O INJUSTIÇADO INVENTOR BRASILEIRO DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. DR. JESUINO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA.  SAUDO E COMPRIMENTO A VOSSA SENHORIA DESEJANDO QUE REGREÇASSE COM SAÚDE E FELIZ VIAGEM ACHANDO SUA CASA EM PAZ. NOS FOI MUITO AGRADÁVEL A SUA COMPANHIA E A DE TODOS OS SENHORES QUE ME HONRARAM AO CÁ VIREM APENAS PARA ASSISTIR O CASAMENTO DE MINHA FILHA. POR MIM ESSE PRAZER DUROU POUCO. E QUE EM RECOMPENSA TIVEMOS DE SENTIR A AUSENCIA DE TÃO DIGNOS E AMÁVEIS SENHORES. ACEITE AS MINHAS SAUDADES DE MINHA MULHER E DE MEUS FILHOS E CREIA QUE SOU COM VERDADEIRA AMIZADE AMIGO AFETUOSO. BARÃO DE ITAPETININGA. SÃO LUIZ, 23 DE JUNHO DE 1876.  AS BODAS ERAM DE MARIA AMALIA DE CASTRO NOGUEIRA. QUE CASOU COM JOSÉ LUIZ DE ALMEIDA NOGUEIRA FILHO DO BARÃO DE JOATINGA , PEDRO RAMOS NOGUEIRA.  POR SUJA VEZ DE ILUSTRE TRONCO DE BANANAL, PARENTE DE JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA E SOBRINHO DO VISCONDE DE SÃO LAURINDO,  LAURINDO JOSÉ DE ALMEIDA (1836-1917). NOTA:  Manuel Jacinto Domingues de Castro, Barão de Paraitinga, (São Luís do Paraitinga, 3 de julho de 1810  São Luís do Paraitinga, 30 de setembro de 1887) foi um nobre, militar e político brasileiro. Filho de Manuel Domingues de Castro e Eufrásia Maria Pereira de Campos, casou-se com Maria Justina Gouveia de Castro. Recebeu o título de Barão de Paraitinga, em 1873, durante a viagem do imperador D. Pedro II pela região.  Foi chefe municipal do Partido Conservador, deputado provincial em São Paulo, nos biênios de 1870-1871 e 1876-1877, e vice-presidente da Assembléia Legislativa. Seu nome figurou em várias listas para o cargo de senador do Império do Brasil. Em sua cidade, fundou o Instituto Literário Luizense, em 1878. Em Bragança Paulista há uma praça em sua homenagem. Coronel da Guarda Nacional, foi presidente da Câmara Municipal de seu município em 1884, bem como da Santa Casa de Misericórdia
  • JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA   O INJUSTIÇADO INVENTOR BRASILEIRO DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER. RECIBO DE DEPOSITO LAVRADO EM 26 DE JANEIRO DE 1878 PELA CASA BANCÁRIA DE JOSE LEITE DE FIGUEIREDO DA QUANTIA DE 10 CONTOS DE REIS. ESSA QUANTIA EQUIVALIA A UM DEPÓSITO VULTOSO, EM 1860 1 CONTO DE RÉIS VALIA 1 KG DE OURO PORTANTO O DEPOSITO EQUIVALIA A APROXIMADAMENTE 10 KG E OURO. PROVAVELMENTE TRATA-SE DE RECURSO DESTINADO AO DESENVOLVIMENTO DA FABRICAÇÃO DAS MÁQUINAS DE ESCREVER DESENVOLVIDAS POR JESUÍNO. ENTRETANTO, NÃO SE TEM NOTICIAS DE QUE A FÁBRICA ESTEVE EM FUNCIONAMENTO.  EM 24 DE JULHO DE 1867 UM ADVOGADO PAULISTA DEMONSTROU COM SUCESSO O FUNCIONAMENTO DE UM PROTÓTIPO DE MÁQUINA DE ESCREVER AO ENTÃO PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO , JOSÉ TAVARES BASTOS. EM VÃO FORAM OS ESFORÇOS DO PRESIDENTE DA PROVÍNCIA PARA ALAVANCAR A INVENÇÃO DO PAULISTA JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA, CHEGANDO A RECOMENDÁ-LO ATÉ JUNTO AO IMPERADOR DOM PEDRO II. ASSIM O  INVENTOR PARECIA TER CONSEGUIDO O QUE ALMEJAVA POIS UM DECRETO DE 2 DE OUTUBRO DE 1867  O GOVERNO IMPERIAL CONCEDE AO BACHAREL JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA PRIVILÉGIO POR DEZ ANOS PARA USAR NO IMPÉRIO DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER, DE SUA INVENÇÃO. A INFORMAÇÃO NÃO É DE POUCA IMPORTÂNCIA: JESUÍNO DE ALMEIDA INVENTOU UMA MÁQUINA DE ESCREVER NO BRASIL E TEVE SUA PATENTE REGISTRADA. EM 1868 A PEDIDO DO INVENTOR A  ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO DE JANEIRO VOTOU E APROVOU UM PROJETO DE DOTAÇÃO DE 12 CONTOS DE RÉIS PARA ESTABELECER UMA OFICINA DE MÁQUINAS DE ESCREVER. MISTERIOSAMENTE APÓS TANTO EMPENHAR-SE EM CORRESPONDÊNCIA SELADA E COM RECONHECIMENTO DE FIRMA PEDE SEJA DESCONSIDERADO O EMPRÉSTIMO.
  • JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA   O INJUSTIÇADO INVENTOR BRASILEIRO DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER. EM 24 DE JULHO DE 1867 UM ADVOGADO PAULISTA DEMONSTROU COM SUCESSO O FUNCIONAMENTO DE UM PROTÓTIPO DE MÁQUINA DE ESCREVER AO ENTÃO PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO , JOSÉ TAVARES BASTOS. EM VÃO FORAM OS ESFORÇOS DO PRESIDENTE DA PROVÍNCIA PARA ALAVANCAR A INVENÇÃO DO PAULISTA JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA, CHEGANDO A RECOMENDÁ-LO ATÉ JUNTO AO IMPERADOR DOM PEDRO II. ASSIM O  INVENTOR PARECIA TER CONSEGUIDO O QUE ALMEJAVA POIS UM DECRETO DE 2 DE OUTUBRO DE 1867  O GOVERNO IMPERIAL CONCEDE AO BACHAREL JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA PRIVILÉGIO POR DEZ ANOS PARA USAR NO IMPÉRIO DE UMA MÁQUINA DE ESCREVER, DE SUA INVENÇÃO. A INFORMAÇÃO NÃO É DE POUCA IMPORTÂNCIA: JESUÍNO DE ALMEIDA INVENTOU UMA MÁQUINA DE ESCREVER NO BRASIL E TEVE SUA PATENTE REGISTRADA. EM 1868 A PEDIDO DO INVENTOR A  ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO DE JANEIRO VOTOU E APROVOU UM PROJETO DE DOTAÇÃO DE 12 CONTOS DE RÉIS PARA ESTABELECER UMA OFICINA DE MÁQUINAS DE ESCREVER. MISTERIOSAMENTE APÓS TANTO EMPENHAR-SE EM CORRESPONDÊNCIA SELADA E COM RECONHECIMENTO DE FIRMA PEDE SEJA DESCONSIDERADO O EMPRÉSTIMO. ESTE IMPORTANTE DOCUMENTO É ENTÃO APREGOADO NO LOTE E SEGUEM OS EXCERTOS DE SEU CONTEÚDO: AUGUSTOS E DIGNISSIMOS REPRESENTANTES DA MUITO HEROICA E LEAL CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO. TENDO SIDO VOTADA NESTA ASSEMBLEIA A LEI N. QUE CONCEDEU UMA SUBVENÇÃO DE DOZE CONTOS AO ABAIXO ASSINADO PARA CONSTRUIR MÁQUINAS DE ESCREVER DE SUA INVENÇÃO. O SUPLICANTE  VEM HOJE DECLARAR QUE DESSTE DESSE AUXÍLIO E ATÉ O RECUSA. EM OCASIÃO OPORTUNA FARÁ A DECLARAÇÃO DOS MOTIVOS QUE O LEVARAM A FAZER ESSA DESISTENCIA. PARA VOSSAS EXCELENCIA QUEIRAM DEFERIR ESTA E ARQUIVA-LA PARA SURTIR SEUS DEVIDOS EFEITOS. ASSINA JESUINO ANTÔNIO FERREIRA DE ALMEIDA. BANANAL 8 DE ABRIL DE 1870. COM SELO ESTAMBPILHADO DO IMPÉRIO DO BRASIL.  PELO QUE SE SABE CIRCULOU UMA NOTICIA DANDO CONTA QUE QUE O PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO, BENEVENUTO AUGUSTO MAGALHÃES TAQUES, ALEGOU NÃO SER CONVENIENTE APLICAR À INDÚSTRIA PARTICULAR O PRODUTO DOS IMPOSTOS. TALVEZ ESSA POSIÇÃO TENHA EXALTADO O ÂNIMO DO INVENTOR JESUÍNO QUE RENUNCIOU AO FINANCIAMENTO JÁ APROVADO. UMA DÉCADA DEPOIS, EM 1880 A PRIMEIRA MÁQUINA DE ESCREVER FOI PATENTEADA NOS EUA  PELA REMINGNTON E A INVENÇÃO DO BRASILEIRO JESUÍNO ANTONIO FERREIRA DE ALMEIDA FOI ESQUECIDA. NOTA: Em 1867 o  Jornal do Commercio noticiou as tentativas do inventor Jesuíno Antonio Ferreira de Almeida, que fez diferentes reivindicações junto ao Império para que se adotasse a máquina de escrever criada por ele. Em 20 de setembro 1867, , Jesuíno defendeu a adoção de seu invento: Um empregado munido de uma máquina de escrever fará o serviço de cinco amanuenses num mesmo tempo dado (...). Poderá ser feita no Império uma economia de centenas de contos anualmente neste ramo do serviço público. O inventor parecia ter conseguido o que almejava pois um decreto de 2 de outubro de 1867 concede ao bacharel Jesuíno Antonio Ferreira de Almeida privilégio por dez anos para usar no Império de uma máquina de escrever, de sua invenção. A informação não é de pouca importância: Jesuíno de Almeida inventou uma máquina de escrever no Brasil e teve sua patente registrada. Em 12 de julho de 1884, em tons quase épicos, recupera a história dos seus esforços para que sua máquina fosse adotada ao palestrar para professores e estudantes da Faculdade de Direito de São Paulo, onde se formara: Há mais de 20 anos que trabalho no sentido de vulgarizar entre homens de letras um sistema de escrever, de minha invenção, que julgo será instrumento poderoso para auxiliar o trabalho intelectual. Julgo o meu sistema de escrever tão superior em rapidez à escrita usual, alfabética, ou caligráfica, que tendo de comparar com outra, creio poder formar o seguinte paralelo:  a nova escrita, em rapidez é semelhante à bala arremessada do canhão aos espaços pela força irresistível dos explosivos;  a escrita alfabética é semelhante à tartaruga que quisesse seguir a bala em seu percurso. Nenhuma ideia pode vingar sem ser estudada, discutida, combatida .   O  inventor brasileiro defende a máquina de escrever a partir de seu impacto explosivo, reivindicando ainda sua discussão como combate. Sua voz, porém, parece ecoar no vazio tropical. Não existem informações sobre detalhes técnicos da máquina de Jesuíno. No texto de 1884, ele afirma que, no tempo que passou no convento de São Francisco, em São Paulo, trabalhou com afinco em sua oficina: Ali depois de trabalho insano, quase impossível, para construir uma oficina rudimentária, pobríssima, trabalhando com instrumentos escassos, imperfeitos, e impróprios ao fim que tinha em vista, consegui organizar uma máquina de escrever, para fazê-la funcionar antes mesmo de me ser concedido o privilégio pedido, urgido da necessidade de dar desmentido formal àqueles que investidos de autoridade pública para me fazer conceder ou negar o privilégio, me declararam utopista. O inventor posicionava a máquina de escrever no conjunto de grandes invenções da humanidade, como podemos ler em seu pedido à administração imperial para que adotasse seu invento. Disse ele: O inventor Não analisará os diversos sistemas empregados com mais ou menos proficiência, pelos diferentes povos e em diferentes épocas da humanidade para representar por meio de sinais permanentes os sons fugitivos da linguagem falada. Não descerá à história das tentativas mais ou menos improfícuas, feitas pelos filólogos em diferentes épocas a fim de estabelecer regras invariáveis em relação à linguagem falada e escrita. A escrita à máquina, segundo sua visão, poderia reposicionar as formas de linguagem; seria um avanço em relação à caligrafia e à taquigrafia, os dois sistemas de escrita empregados para representar o pensamento, escreveu. Nenhum deles, entretanto, cumpria seu objetivo por modo inteiramente satisfatório. A caligrafia propiciava a escrita de tudo quanto se quer, e ler com facilidade aquilo que se escreve. Entretanto, teria o defeito de ser morosa, enfadonha e impotente para acompanhar os voos do pensamento. Já a taquigrafia, sendo rápida, era capaz de acompanhar esses voos, mas sua maneira de escrever era equívoca, obscura e muitas vezes indecifrável. A razão deste fenômeno é a seguinte:  para se dar à taquigrafia toda a sua rapidez foi necessário que se escrevessem somente as consoantes das palavras, e se tirassem as vogais; assim por exemplo se quisermos escrever por taquigrafia o verbo pedir, traçaremos somente  p  d  r ; mas a união destas consoantes sem intermédio de vogais determinadas pode também significar poder, pudor, poderio, podéra, poderá, pedira, pedirá, pedra, padre, e muitas outras. Daqui um campo vastíssimo para equívocos de toda a espécie, porque cada palavra se pode confundir com 30, 40, 50, 100, e às vezes mais, de diferentes, e até de opostas significações. Neste caos o que rege a decifração é a memória do taquígrafo, o qual, pela combinação de antecedentes e consequentes define o significado dos sinais:  mas a memória às vezes falha e então a decifração é impossível; por isso: Um taquígrafo não pode decifrar o que outro escreveu, e o mesmo que escreveu somente pode decifrar enquanto tem de fresco em sua memória o que ouviu. Com a escrita à máquina, a leitura se fará pelo valor absoluto dos sinais e não por combinações mal seguras de antecedentes e consequentes. Além disso, a bússola vacilante da memória não será mais numa condição sine qua non da decifração. Jesuíno reiterava ao Imperador: Os sinais que compõem o novo sistema são traçados pela máquina de escrever inventada pelo suplicante. No entanto, a adoção da sua máquina na administração do Império não vingou. Apesar de parecer favorável em 1867 depois de muitos esforços pessoais que realizou, pois Jesuíno convenceu Tavares Bastos, presidente da província de São Paulo, que depois de ver a máquina funcionando, enviou ao Imperador uma recomendação favorável. Como conta no texto de 1884, ele não obteve os recursos necessários para sua fabricação. Assim, sua máquina de escrever encalhou na burocracia estatal. Antes de Jesuíno, o padre Francisco João de Azevedo (1814-1880) também inventara uma máquina de escrever em Recife. Azevedo efetivamente construiu uma máquina de madeira, título da ficção a que lhe dedicou o escritor Miguel Sanches Netto. A partir de uma pesquisa documental, o autor especula que o modelo da máquina inventada pelo padre teria sido copiado por viajantes dos Estados Unidos onde teria sido produzida com sucesso. A despeito do pioneirismo desses inventores, nas lojas do Rio de Janeiro havia somente máquinas de escrever importadas à venda no fim do século XIX, além de muitos anúncios sobre cursos para aprender a manuseá-las. Em 27 de setembro de 1897, o Jornal do Commercio exaltava a Remington como a mais aperfeiçoada de 26 modelos atualmente existentes. Dois anos depois, em 22 de janeiro de 1899, no mesmo Jornal do Commercio prometia-se na Escola Comercial um curso completo para aqueles que dedicam ao comércio, preparando bem e com rapidez para as lutas e necessidades da vida. Aqui transparece um pouco dos usos e simbologia social da máquina de escrever naqueles primeiros tempos. Em primeiro lugar, é preciso destacar que este anúncio estava direcionado para o trabalho de amanuenses, ou seja, funcionários sem muito requinte na administração, um trabalho menor destinado a uma escrita mecânica e subalterna. Não por acaso, a máquina será majoritariamente utilizada por mulheres no mercado de trabalho. Tudo isso a despeito da audaciosa defesa de Jesuíno de Almeida, propagando os ganhos intelectuais com o aparelho, uma grande conquista da humanidade. Apenas poucos anos antes o paraibano Padre Azevedo apresentou na exposição nacional do Rio de Janeiro (1861-1862) um protótipo rudimentar criado por ele mesmo em madeira que chamou de maquina tachigrafica. Ele teve a brilhante ideia de adaptar um piano de 24 teclas para imprimir letras em papel, inaugurando um dispositivo mecanizado para a escrita. O Jornal do Comercio relatava que entretanto segundo o próprio Padre confessou ele mesmo não dispunha da indispensável destreza para fazê-lo funcionar de modo que não restasse dúvida a respeito da sua superioridade em relação aos meios conhecidos para fixar no papel as palavras de um orador à medida que forem sendo pronunciadas: e assim, prossegue a matéria jornalista:  podemos dizer que nos falta ainda o essencial para em tal assunto pronunciarmos um juízo definitivo.  Maçom a essa época, o Padre Azevedo já estava perto dos 48 anos. Nascido em 1814, ficou órfão de pai ainda menino. Amigos do falecido custearam sua educação e, aos 21, ele entrou no Seminário de Olinda. Membro da Maçonaria, foi, além de religioso e inventor, artista e professor de várias disciplinas  do francês ao latim, da álgebra à geometria, do desenho à aritmética. Também se aventurou pela pintura, pela impressão e pelo jornalismo  redigiu, por exemplo, o semanário O Philartista. Azevedo tornou-se  professor substituto de aritmética e geometria na Faculdade de Direito do Recife, membro honorário do Instituto Histórico e Filosófico de Pernambuco e professor da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais do Estado. Também tinha ganhado medalha de prata em 1866 na Exposição dos Produtos Agrícolas, Industriais e Obras dArte de Pernambuco por outro invento: o elipsógrafo (instrumento que desenha elipses, usado para projetar plantas baixas, por exemplo). Sem abandonar a ideia de industrializar sua máquina taquigráfica, anos depois ele pediu 4 contos de réis à Assembleia Provincial de Pernambuco. O artigo 31 da Lei Orçamentária 1.061, de 13 de junho de 1872, dispôs: Fica o presidente da Província autorizado a mandar adiantar ao padre Francisco João de Azevedo a quantia de 4:000$ mediante fiança, para aperfeiçoamento e construção das máquinas taquigráficas de sua invenção; ficando obrigado, para indenizar este empréstimo, a apanhar debates desta assembleia durante um ano, que começará a correr depois que findar o contrato feito ultimamente com Carlos Ernesto de Mesquita Falcão. Quase três anos depois, em maio de 1875, o padre informou à Comissão de Fazenda e Orçamento que ainda não havia visto a cor dos 4 contos de réis. Quatro meses mais tarde, relatou em carta ao Jornal do Recife a frustração por não poder industrializar seus inventos. Além do aparelho para escrever, mencionou um carro movido a energia eólica e um barco a energia marítima.
  • Menos de um mês se passou desde o desabamento do precioso teto da IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE SALVADOR chamada de IGREJA DO OURO, uma das sete maravilhas de origem portuguesa no mundo, mas o  assunto já ficou no passado como as glórias daquele templo que resistiu as invasões holandeses, as guerras da independência mas não venceu o abandono e o descaso de nossas autoridades. Igualmente trágico  é o colapso ter causado a morte de uma jovem de 26 anos que fatalmente estava no lugar certo, mas na hora errada.  Em um cenário previsto para 2025 onde serão destinados à emendas de orçamento (como se chamam hoje os recursos  do famigerado orçamento secreto)  R$ 36,3 bilhões de reais ( segundo provisão orçamentária do governo federal)  e que em 2026 atingirão 50 bilhões de reais . Isto para repasses já configurados muitas vezes como obscuros, na melhor das hipóteses sem o devido estudo de razoabilidade e eficiência. Me parece sintomático que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA tenha logo depois da tragédia de Salvador, afirmado em entrevista sobre os tombamentos levados a cabo pelos órgãos de patrimônio no Brasil que: PRECISAMOS REVER ISSO SENÃO TEREMOS MUITAS COISAS TOMBADAS CAINDO NO PAÍS. Também afirmou o PRESIDENTE: TOMBAR PRÉDIOS HISTÓRICOS  É MARAVILHOSO, DEPOIS A  GENTE CONSTATA QUE NÃO TEM DINHEIRO (PARA A MANUTENÇÃO). O BRASIL é um país extremamente jovem na  perspectiva da História universal. Já tomei cerveja em bares da Europa com tempo  de existência e de funcionamento  maior do que toda nossa trajetória desde o descobrimento. Ainda mais, se considerarmos nossos tenros 200 anos anos como nação independente, chegaremos a conclusão que a nossa geração é  ainda de fundadores desse país que sequer engatinha frente à história e existência na  linha de tempo que já percorreram muitas dezenas de nações do mundo. Não só o patrimônio arquitetônico sofre com o abandono, também obras de arte, objetos históricos, documentos e uma gama de outros elementos que dormem no esquecimento e na  vergonhosa decadência de muitos museus públicos do país. Os órgãos públicos de preservação sofrem com a escassez de recursos e falta de políticas públicas que coloquem em foco uma questão tão importante quanto a preservação de nosso patrimônio histórico, artístico e imaterial. As frentes são muito amplas e a patente falta de recursos muitas vezes relega importantes órgãos a uma única linha de atuação  que é a fiscalização, sem que sejam destinados recursos suficientes para preservação ou menos ainda do que o necessário para conservação. O IPHAN (INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL) é a INSTITUIÇÃO PÚBLICA MAIS ANTIGA DO BRASIL E A PRIMEIRA DEDICADA À PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL NA AMÉRICA LATINA. Mas nem por isso goza da respeitabilidade e prestígio que lhe seriam devidos por sua história anciã. Ao contrário.  Aos resilientes membros das equipes desses órgãos relegados a condição de segunda classe na estrutura do ESTADO rendemos nossa homenagem. Mas também é necessário suscitar uma outra discussão: PORQUE OS ABNEGADOS COLECIONADORES DE ARTE E ANTIGUIDADES SÃO MUITAS VEZES ROTULADOS COMO  VILÕES QUE SE APROPRIAM DE OBJETOS HISTÓRICOS DE NOSSO PAÍS? PORQUE NÃO SÃO CHAMADOS A FIRMAR PARCERIAS E A ATUAR EM CONJUNTO COM OS ÓRGÃOS PÚBLICOS DE PRESERVAÇÃO E PROTEÇÃO DE NOSSO PATRIMÔNIO HISTÓRICO? SE o IPHAN é a mais antiga ISNTITUIÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL NA AMÉRICA LATINA e nesta condição conta 88 ANOS, como o patrimônio que chegou até  os nossos dias em pouco mais de 500 anos de história do BRASIL desde o descobrimento e dos séculos que antecederam a chegada dos portugueses SOBREVIVEU? A resposta é simples, houve quem os guardasse e zelassem por eles. Gerações de ALTRUÍSTAS colecionadores que as custas muitas vezes de sacrifícios pessoais  compraram, guardaram, cuidaram, restauraram itens que sem sua intervenção já teriam sido irremediavelmente destruídos pelo tempo. E mais, estudaram, catalogaram, identificaram e mudaram muitas vezes o paradigma da história. No mundo inteiro esses colecionadores são tratados como heróis mas no BRASIL SÃO POUCO MAIS DO QUE LADRÕES porque muito do que está sob sua guarda segundo entendimento de muitos na sociedade não deveria estar. O que seria de boa parte do que hoje temos de relevante dos guardados de nossa história se não fossem os colecionadores? O COLECIONADOR NÃO CONSOME, NÃO SE ENVAIDECE, NÃO SE UFANA DA POSSE, NÃO RETIRA DA SOCIEDADE FRAGMENTOS DE SUA HISTÓRIA E NO FIM APÓS UMA VIDA DEDICADA A PRESERVAR DE FORMA GRATUIDA DOA AQUILO QUE RESGATOU  TRANSFERA A MISSÃO A OUTROS OU MUITAS VEZES DOA SEU ACERVO A MUSEUS PÚBLICOS COMO ÚLTIMA VONTADE, PORQUE NADA DO QUE GUARDAMOS PODEMOS LEVAR ALÉM DESTA VIDA. É hora de políticas públicas de valorização de quem se dedicou da forma que pôde a fazer o papel do estado e em meio a esta nação continental fez sua parte ao preservar a história. Cumpre aos órgãos públicos em nossa opinião, reconhecer e levar em conta uma outra fonte de preservação através da lícita atividade do colecionador. Mapear esses bens  em parceira com seus detentores, favorecer políticas de incentivo a exposições públicas, fomentar as publicações técnicas e mesmo artísticas deste patrimônio, aproveitar os conhecimentos daqueles que com a pesquisa levada a cabo em uma vida de forma independente e sem custo para o ESTADO possam auxiliar na difusão dos achados históricos. Sem a ação destes colecionadores uma inestimável parte do nosso patrimônio teria para sempre desaparecido. O braço do ESTADO é curto para atuar em todas as frentes necessárias. A parceria entre os Órgãos de Preservação e os Colecionadores certamente traria benefícios enormes para sociedade e quiçá evitaria tragédias irremediáveis como o colapso da veneranda IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS DE SALVADOR.
  • CAPITÃO FELISMINO VIEIRA CORDEIRO  CARTA PATENTE DE CAPITÃO DA GUARNA NACIONAL  OUTORGADA PELO PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO JOÃO  THEODORO XAVIER DE MATOS (MOGI MIRIM, 1 DE MAIO DE 1828  SÃO PAULO, 31 DE OUTUBRO DE 1878) AO FAZENDEIRO  FELISMINO VIEIRA CORDEIRO  . DATADA DE 10 DE JULHO DE 1873. LINDO DOCUMENTO DE GRANDE FORMATO ASSINADA PELO GOVERNADOR DA PROVÍNCIA COM SELO SECO DAS ARMAS DO IMPÉRIO. EXCERTOS DO TEXTO: O DR. JOÃO  THEODORO XAVIER, PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO. FAÇO SABER AOS QUE ESTA CARTA PATENTE VIREM QUE ATENDENDO AO MERECIMENTO DO TENENTE FELISMINO VIEIRA CORDEIRO RESOLVI NOMEA-LO EM VIRTUDE DO ARTIGO 48 DA LEI DE NUMERO SEISCENTOS E DOIS DE DEZENOVE DE SETEMBRO DE 1850 PARA O POSTO DE CAPITÃO DA 5. COMPANHIA DO 1, BATALHÃO DE INFANTARIA  GUARDA NACIONAL DESTA CAPITAL QUE SERVIRÁ COM TODAS AS HONRAS, PRIVILÉGIOS E ISENÇÕES QUE  DIRETAMENTE LHE COMPETIREM . PELO QUE MANDO AO COMANDANTE SUPERIOR OU AO MAIS GRADUADO CHEFE DO RESPECTIVO MUNICÍPIO QUE LHE FAÇA DAR POSSE DEPOIS DE PRESTAR O DEVIDO JURAMENTO. AOS OFICIAIS SEUS SUPERIORES QUE O TENHAM E O RECONHEÇAM POR TAL E A TODOS QUE LHE FOREM SUBORDINADOS QUE OBEDEÇAM E GUARDEM  SUAS ORDENS NO QUE TOCAR AO SERVIÇO NACIONAL TÃO FIELMENTE COMO DEVEM E SÃO OBRIGADOS. EM FIRMEZA DE QUE LHE MANDEI PASSAR ESTA CARTA PATENTE QUE SENDO POR MIM ASSINADA E SELADA COM O SELO DE ARMAS DO IMPERIO SE CUMPRIRÁ INTERAMENTE COMO NELA SE CONTÉM REGISTRANDO-A NA SECRETARIA DO GOVERNO E NA DO COMANDO SUPERIOR RESPECTIVO. NESSAS SERÃO AVERBADOS OS SELOS E EMULAMENTOS DEVIDOS NA FORMA DA LEI . DADA NO PALÁCIO DO GOVERNO DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO AOS DIAS DO MÊS DE JULHO DO ANO DO NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO DE  1873 . QUINQUAGESIMO SEGUNGO DA INDEPENDENCIA E DO IMPERIO. ASSINADA PELO GOVERNADOR. NOTA: João Teodoro Xavier de Matos (Mogi Mirim, 1 de maio de 1828  São Paulo, 31 de outubro de 1878) foi um advogado, professor e político brasileiro. Foi presidente da província de São Paulo, de 21 de dezembro de 1872 a 29 de maio de 1875.Formado na Faculdade de Direito de São Paulo em 1853, foi professor de direito civil, promotor público e procurador da Tesouraria da Fazenda.Na administração da província de São Paulo mostrou-se um dos primeiros urbanistas do Brasil, promovendo importantes reformas no traçado urbano da capital provincial. Foi justamente no governo de João Theodoro Xavier de Matos, que cidade de São Paulo recebeu um grande incremento. De acordo com o arquiteto e urbanista Candido Malta Campos Neto foi uma verdadeira revolução na vida da cidade: Nessa época, São Paulo ainda não contava com uma estrutura urbana, loteamentos, equipamentos e atrativos que pudessem incentivar um maior afluxo populacional e comercial. Era necessária uma transformação radical do quadro urbano. ... São Paulo ganhou suas primeiras linhas de bondes puxados a burro, as ruas foram calçadas com paralelepípedos e iluminadas a gás. O Jardim da Luz foi transformado em um parque ao estilo europeu, com quiosques e estátuas. Para atrair a ocupação residencial, João Theodoro promoveu a articulação viária das zonas de expansão da cidade, ligando-as ao centro, aos equipamentos urbanos, espaços verdes e às estações ferroviárias, entre elas a estação da Luz. ... O conjunto formado pela área da estação, o Jardim da Luz e a rua João Theodoro forma, portanto, um documento valioso desse primeiro impulso de transformação urbanística verificado na década de 1870, descrito muitas vezes como a segunda fundação de São Paulo, em virtude do papel crucial dessas intervenções na afirmação do potencial de desenvolvimento da capital paulista.
  • ANTÔNIO JOAQUIM DA ROSA, O BARÃO DE PIRATININGA (VILA DE SÃO ROQUE, 1821  27 DE DEZEMBRO DE 1886). MISSIVA DIRIGIDA A MANUEL ANTONIO DUARTE DE AZEVEDO, ENTÃO MINISTRO DA JUSTIÇA, COMUNICANDO SUA REELEIÇÃO COMO DEPUTADO GERAL POR SÃO PAULO EM 1872. A CARTA FOI ESCRITA APENAS UM MÊS ANTES DE RECEBER O TÍTULO DE BARÃO DE PIRATINDA. EXCERTOS DO TEXTO:  SÃO ROQUE, 18 DE OUTUBRO DE 1872. EXCELENTISSIMO SENHOR  CONSELHEIRO DUARTE DE AZEVEDO. O COLÉGIO DESTA CIDADE ACABA DE DAR O SEGUINTE RESULTADO: DR MENDES 44 VOTOS, DR. RODRIGO 44 VOTOS, ROSA 44 VOTOS. FOLGO EM DAR MAIS ESTA PROVA DA LEALDADE E ALTO APREÇO EM QUE TENHO AS RECOMENDAÇÕES DE VOSSA SENHORIA. REITERO OS PROTESTOS DA MAIS ELEVADA CONSIDERAÇÃO E ESTIMA. ASSINA ANTONIO JOAQUIM DA ROSA.NOTA: Após a morte de seu pai, o Tenente-coronel Manoel Francisco da Rosa1, chefe político da Vila de São Roque, Antônio Joaquim da Rosa assumiu a função de chefe político em conjunto com seu irmão, Manoel Inocêncio da Rosa, herdando grande fortuna, da qual consta a "Loja Grande", o maior e mais sortido comércio da Vila, ações, dinheiro e muitos imóveis em Pinheirinho, Ibaté e Engenho. Eram proprietários de prédios e de um palacete. Estudou Direito em Sorocaba, mas preferiu se dedicar aos negócios da família na sua juventude.Ele acumulou importantes posições na cidade e no país. Na Vila de São Roque foi vereador e presidente da Câmara, sendo reeleito como representante da região por quatro biênios sucessivos. De 1845 a 1848, de 1857 a 1860 e de 1861 a 1864.Nesse ínterim também foi juiz municipal e de órfãos, delegado de polícia e nomeado presidente da Comissão Inspetora das Escolas, onde redigia ofícios e atas, destacando-se ainda mais pelas suas qualidades e conhecimentos eruditos. Em 15 de julho de 1846, Dom Pedro II o nomeia cavalheiro da Ordem de Cristo.Em 1850, é eleito Deputado da Assembleia Provincial de São Paulo, que equivaleria ao cargo atual de Deputado Estadual. Em 10 de abril de 1854 é nomeado capitão do II Batalhão da Reserva e Guarda Nacional da Província.Filiado ao Partido Conservador é eleito Deputado Geral no Rio de Janeiro em 1864 (1869-1872), o que equivale ao título de Deputado Federal nos dias atuais. Sua devoção à política o manteve por diversas vezes em seu posto de Deputado Geral por São Paulo (1869 a 1877) e Deputado Provincial (1876 a 1877) e no ano seguinte até 1879. Foi Presidente da Assembleia de 1 de fevereiro de 1876 a 6 de fevereiro de 1877.Como membro dos congressos provincial e nacional ao mesmo tempo, aliada à sua influência prestigiosa no meio intelectual e político trouxe muitos benefícios à região. Possuía laço estreito de grande amizade com o imperador, homem de grande cultura, incentivador das Artes e das Letras, D. Pedro II nutria grande admiração por ele.Em ato governamental assinado em 22 de abril de 1864, a Vila de São Roque é elevada à categoria de Cidade de São Roque. Foi condecorado pelo imperador D. Pedro II como comendador da Imperial Ordem da Rosa, quando era 3º vice-presidente da Província de São Paulo, assumindo a presidência interinamente em 1869, na ausência do Barão de Itaúna.Foi agraciado com o título de "Barão de Piratininga" em 13 de novembro de 1872, pleiteando muitas melhorias para a cidade. Uma importante conquista foi a fundação da Santa Casa de Misericórdia de São Roque, em parceria com seu irmão Manoel Inocêncio, financiando-a nos primeiros anos.Foi também um dos principais acionista e incentivador da estrada de ferro Sorocabana, incluindo São Roque no trecho férreo, trazendo novo fôlego ao desenvolvimento da cidade. Cedeu grandes quantias para a construção do Teatro São João e engajou-se na arrecadação e construção do Cemitério municipal, vindo a inaugurá-lo.O Barão chegou a ser proprietário da Capela do Santo Antônio, antes que a propriedade fosse vendida e desmembrada por agricultores espanhóis.O Barão de Piratininga foi o filho mais ilustre da terra. Era respeitado e prestigiado nas Letras e na política, teria voado muito mais alto se não possuísse uma saúde tão frágil.Recebeu inúmeros convites para cargos de governo e do parlamento nacional, mas declinou de todos eles. Sofria de crises asmáticas e problemas cardíacos.Terminou seus dias abatido e deprimido em 26 de dezembro de 1886, aos 65 anos de idade, pedindo em seu testamento que lhe gravassem a data da morte em sua lápide e um epitáfio com os dizeres "NINGUÉM". Foi velado na Loja Grande, de onde saiu seu cortejo fúnebre. Ainda hoje encontramos sua lápide de mármore no cemitério da Paz, o mesmo ao qual foi um grande incentivador.Apesar de sua vida voltada para a política e as causas da cidade, o Barão de Piratininga também foi um grande colaborador literário .Colaborava com artigos de alguns jornais onde também escrevia poesias. Escreveu o romance "A Cruz de Cedro", as novelas "A Feiticeira", "A Assassina", em 1854 e o poema "O Cântico de Anchieta" entre outras produções literárias.Não teve grande produção literária, suas obras de costumes, teriam sido mais exploradas e conhecidas, se o Barão não estivesse em pleno fervilhar do movimento Romântico que lançou grandes e brilhantes autores como a primeira fase de Machado de Assis, Visconde de Taunay, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Bernardo Guimarães, Castro Alves, Almeida Garret, José Bonifácio de Andrade e Silva, Álvares de Azevedo e Nísia Floresta."Antônio Joaquim da Rosa publica A ASSASSINA (romance de costumes) (RM) em livro, antes publicada na Revista Literária a partir do Ano I, no. 8, de 14 de novembro de 1850. E depois de publicado em livro foi republicada no Diário Mercantil de São Paulo de 2 a 28 de outubro de 1886.(JRT, p, 55) E A CRUZ DE CEDRO no Jornal do Comércio, Rio de Janeiro e em livro. No ano de 1900 volta a ser publicado em folhetim pelo jornal Correio Paulistano, São Paulo. (JRT, p. 55)"Em 1909 na fundação da Academia Paulista de Letras foi escolhido como Patrono da Cadeira número 194., ao lado de Teixeira e Souza, escritor de A Providência.
  • DR. MANOEL THOMAZ COELHO  -  MISSIVA DE AGRADECIMENTO COM ENTREGA DE UM RETRATO ENCOMENDADO PELOS MEMBROS DA CORPORAÇÃO DIRIGIDA AO EX  MINISTRO DA JUSTIÇA CONSELHEIRO MANUEL ANTÔNIO DUARTE DE AZEVEDO (ITABORAÍ, 16 DE JANEIRO DE 1831  RIO DE JANEIRO, 9 DE NOVEMBRO DE 1912). O CONSELHEIRO TOMOU PARTE NO GABINETE DO VISCONDE DE RIO BRANCO ATUANDO NESTA POSIÇÃO DE  20 DE ABRIL DE 1872 A 1875. O DR. MANOEL THOMAZ COELHO FOI MEMBRO TITULAR DA ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA EM 1857. CIRURGIÃO DO HOSPITAL MILITAR DA GUARNIÇÃO DA CORTE E  PRESIDENTE DA SOCIEDADE DE LIBERTAÇÃO EM 1870 QUE PLEITEAVA O FIM DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL, MÉDIGO LEGISTA DA POLÍCIA DA CORTE QUE CHEGANDO A PATENTE DE CAPITÃO. EXCERTOS DO TEXTO: ILUSTRISSIMO CONSELHEIRO A GRATIDÃO É UM DOS SENTIMENTOS DA ALMA QUE MAIS A EXPANDE FILHA QUERIDA DOS CORAÇÕES SINCEROS E ELAIS ENOBRECE OS NOBILITANDO-OS AINDA QUE AFIRMEM O CONTRÁRIO OS PESSIMISTAS.  UMA PROVA CABAL DESSA VERDADE É A NOSSA PRESENÇA LEVANDO-LHE A OFFERTA DESTE RETRATO. A SECRETARIA DA POLICIA DA CORTE REMEMORANDO NO MEIO DE SEU LABOR CONTANTE O NOME DO MINISTRO DA JUSTIÇA DO GABINETE DE 20 DE ABRIL DE 1872 E DESEJANDO CUMPRIR UM DEVER GRATO A TODOS OS EMPREPREGADOS QUE SE RECORDÃO COM SAUDADE DO MUITO DIGNO MINISTRO QUE ESPONTANEAMENTE LEMBROU E LEVOU A EFFEITO O AUMENTO DE SEUS MIMGUADOS VENCIMENTOS TEVE O PENSAMENTO DE OFERECER-LHE UM MIMO QUE RELEMBRASSE SEMPRE O ATO BENEMERITO UM RETRATO PARECEU A TODOS NÓS O MIMO QUE MELHOR CARACTERIZASSE O PENSAMENTO GERAL E QUE MAIS PERDURASSE NA LEMBRANÇA DOS VINDOUROS ...  SE VOSSA EXCELÊNCIA ESTIVESSE AINDA NO PODER PODERIA TALVEZ ENXERGAR VISLUMBRES DE LISONJA E ADULAÇÃO NESSE ATO HOJE APENAS AMIGOS SINCEROS E GRATOS DIRIGEM-SE A VOSA EXCELENCIA SAUDANDO E RECONHENDO UM DOS MINISTROS DESSE GRANDE GABINETE DE 7 DE MARÇO...  TENHO A HONRA DE DEPOSITAR  NAS MÃOS DE VOSSA EXCELENCIA UMA RELAÇÃO NOMINAL DOS SIGNATÁRIOS E OFFERTANTES ALGUNS DOS QUAIS NÃO SE ACHAM INFELIZMENTE PRESENTES POR CIRCUNSTANCIAS ALHEIAS A SEU DESEJO. RIO DE JANEIRO, 16 DE JANEIRO DE 1877; O DR. MANOEL THOMAZ COELHONOTA: Manuel Antônio Duarte de Azevedo (Itaboraí, 16 de janeiro de 1831  Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1912)  Conselheiro do Império, formou-se em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1856, doutourando-se em 1859. Foi juiz de órfãos em 1858.Foi presidente das províncias do Piauí, de 13 de julho de 1860 a 15 de abril de 1861 e do Ceará, de 6 de maio de 1861 a 12 de fevereiro de 1862. Tomou posse como professor catedrático de Direito Romano da Faculdade de Direito em 1871, após lecionar, desde 1862, em várias cadeiras como lente substituto. Deputado geral por São Paulo, em 1868, ministro interino da Marinha e ministro titular da Justiça no Gabinete Rio Branco (1870  1875).Voltando para São Paulo, com a proclamação da República foi eleito senador por São Paulo, exercendo sua presidência quando faleceu. Recebeu a grã-cruz da Ordem Imperial Prussiana de S. Anna de 1ª classe e a grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi membro da Ordem Terceira do Carmo. Escreveu várias obras, das quais se destaca "Controvérsias Jurídicas", publicado em 1907.
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA    BELO MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA  E REPUXADA. CORPO LISO NO TERÇO SUPERIOR E COM CANELURAS NO TERÇO INFERIOR.. ALÇA EM CARAPETA REMATADA POR SERPENTE.  AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 320 G 11 X 12 CM
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA  MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA E REPUXADA, CONSTRUÍDA EM FACETAS. ELEGANTE  ALÇA EM CARAPETA.  BORDA E BASE DA CANECA REMATADOS POR PEROLADOS ESTILO DONA MARIA I .AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 290 G 11 X 12 CMNOTA: A colonização do Brasil começou de fato a partir de 1530, quando D. João III em 1534 criou o sistema das capitanias hereditárias, nomeando capitães donatários para governá-las; doando terras através das sesmarias, nomeando funcionários para as vilas que começavam a surgir, além de incentivando a ida de famílias para colonizar aquelas vastas terras. Ao mesmo tempo que os colonos fundavam vilas e formavam roçados, ainda havia o incentivo de adentrar o interior, chamado de sertão, a fim de descobrir riquezas minerais ali escondidas. A fim de contornar o problema causado pelo estabelecimento dos povoamentos somente no litoral e atraso do desenvolvimento da colônia causado por isso, em 1548, D. João III criou o Governo-Geral e nomeou o político e militar Tomé de Sousa (1503-1579) para assumir como governador-geral do Brasil. No ano de 1549 ele chegou a Capitania da Bahia onde fundou a cidade de Salvador a primeira capital do Brasil. Uma das missões de Tomé, era explorar os sertões para descobrir riquezas e mapear o interior do território colonial. Em 1553 no final de seu mandato, ele ordenou a inciativa da entrada que ficara sob o comando do espanhol Francisco Bruzo de Espinosa com o objetivo de desbravar os sertões da Bahia. A entrada que contou com centenas de integrantes, conseguira chegar ao rio São Francisco naquela ocasião, e indo até mais além deste no que viria a ser território de Minas Gerais onde fora fundada a Vila de Espinosa. A partir dessa entrada em 1554, outras entradas seriam promovidas pelo restante da colônia, incentivando os sertanistas como ficariam conhecidos estes homens, a desbravarem as terras interioranas em busca de riquezas, de se caçar indígenas para a escravidão, de montar missões religiosas para a catequização destes. Os motivos de impulsionar tais homens a desbravar os sertões atrás de riquezas minerais era o fato que eles haviam visto índios usando ouro; além dos indígenas também contarem histórias sobre minas de ouro e prata, e o fato de que em 1534, Francisco Pizarro havia conquistado o Império Inca, conseguindo para a Coroa Espanhola, dezenas de toneladas em ouro e prata, e posteriormente descobriram a localização destas minas, e muitas destas ficavam localizadas em Potosi no chamado Alto Peru que hoje é a Bolívia. Sabendo que o Brasil estava no mesmo continente que o Peru, logo embora não se soubesse exatamente a distância até elas. Em 8 de setembro de 1553, o lugar-tenente Antonio de Oliveira e Brás Cubas, ordenados por Martim Afonso de Sousa, conseguiram com sua entrada, subir a Serra do Mar e alcançaram o planalto de Piratininga, fundando a Vila de Santo André da Borda do Campo. A vila fora fundada a partir da localização do povoado que João Ramalho havia erigido anos antes. Com a fundação da vila, Antonio de Oliveira, mudou-se para lá com sua esposa D. Genebra Leitão e o restante da família, além de levarem consigo, outras famílias vindas das vilas de São Vicente e Santos. E no ano seguinte os jesuítas padre Manuel da Nóbrega e o irmão José de Anchieta, junto com outros jesuítas, bandeirantes e o apoio do cacique Tibiriça, fundaram o Colégio de São Paulo do Campo do Piratininga a 25 de janeiro de 1554. Um povoado se formou em torno do colégio jesuítico e rapidamente cresceu em pouco tempo. Em 1560, o então governador-geral Mem de Sá (1500-1572), ordenou a criação da Vila de São Paulo do Piratininga, ordenando que a população da Vila de Santo André se muda-se para a nova vila, a qual se tornaria o principal centro urbano do planalto piratininguense, mesmo assim, a população da vila não vivia em condições prósperas. Não obstante, as vilas de São Vicente e Santos ainda eram mais prósperas do que São Paulo, pois essas participavam da produção e comércio do açúcar, o "ouro branco" da época. Somando-se a isso a proximidade com o mar, isso facilitava a vinda de mercadorias da África, de outros cantos da colônia e da própria metrópole. Os habitantes do planalto tinham que ir ao litoral comprar mercadorias que faltavam em suas terras (roupas, móveis, utensílios, objetos, armas, etc.). No entanto, a medida que Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio de Janeiro despontavam no cultivo canavieiro, a produção açucareira de São Vicente fora ofuscada, isso obrigou parte da população da capitania a procurar outro meio de subsistência. Além disso, em 1562 São Paulo sofrera um terrível ataque dos Tupinambás e outras tribos, que formavam a Confederação dos Tamoios os quais de 1554 a 1567 causaram problemas a ocupação colonial naquela região. Uma das soluções que alguns particulares encontraram, era arriscar se aventurar pelos sertões em busca das supostas minas de ouro e prata que se diziam existir no interior do continente; por outro lado, outros preferiram ir caçar os indígenas e vendê-los como escravos, pois embora São Vicente e Santos fossem portos movimentados, não recebiam tantos escravos africanos como na região norte (nesse caso norte, representa o atual nordeste, e sul o atual sudeste), logo, grande parte da mão de obra escrava da capitania, era indígena, e em alguns casos as bandeiras também vendiam índios para capitanias vizinhas. Logo, aqueles homens que haviam formados milícias para se defenderem dos ataques, decidiram organizar expedições para adentrar o sertão atrás de riquezas, de desbravar ou devassar, termo utilizado na época; e para se capturar os indígenas. As bandeiras eram criadas. A vila de São Paulo só viria a se tornar um centro importante por volta do século XVII, mesmo assim ainda se manteria como uma vila "atrasada" até o século XIX, quando começaria a se desenvolver rapidamente graças ao café. Pois embora, as bandeiras fizessem lucro, tal lucro ficava entre particulares, e após a descoberta das minas, muitos deixaram São Paulo para lá irem morar. As primeiras bandeiras eram armadas (organizadas) pelos seus próprios líderes, no entanto, com o passar do tempo, alguns homens ricos, se uniam para financiar a expedição, e não necessariamente eles participavam da bandeira, mas contratavam um homem experiente que conhece-se as matas e os costumes indígenas para liderar a expedição, então dependendo do investimento feito, comprava-se armas, equipamentos, mantimentos, medicamentos e convocava-se o restante dos membros da expedição, os quais geralmente eram homens entre os seus 15 e 35 anos, atrás de fazerem riqueza e fama; homens de coragem e força, pois a selva era implacável. Alguns bandeirantes que começaram ainda cedo sua carreira, por exemplo, foram Bartolomeu Bueno da Silva Filho (Anhanguera II) e Antônio Pires de Campo, ambos participaram de bandeiras armadas por seus pais, quando tinham apenas quatorze anos. Francisco Dias da Silva tinha dezesseis anos quando participou de sua primeira bandeira, armada por um tio seu. Outros bandeirantes dedicavam quase a vida toda as bandeiras, as quais se tornavam para eles um estilo de vida; Manuel de Campos Bicudo participou de pelo menos vinte e quatro bandeiras, Fernando Dias Paes Leme fora até o fim da vida um bandeirante, vindo a falecer durante uma bandeira, tendo na época mais de 64 anos. Domingo Jorge Velho, embora tenha se aposentado na velhice, seguiu até essa, sendo um bandeirante. Além de conter homens livres, as bandeiras também tinham como membros, "índios amansados", usando um termo da época. Tais indígenas, eram cristãos e sabiam falar português, em geral eles eram os guias da expedição, pois muitos conheciam as trilhas e rotas de viagem pelas matas, pois não existiam estradas propriamente falando; seguia-se o curso de rios, ou trilhas, que para olhos desapercebidos passariam em branco, daí a necessidade de se terem pessoas (no caso os índios) que conhecessem aquelas rotas. O fato de muitas bandeiras conterem índios é interessante, pois na literatura tradicional, se conveniou a ideia de que os bandeirantes fossem apenas brancos, mas na realidade, haviam muitos mestiços, principalmente caboclos ou mamelucos (ambos os termos designam os mestiços de branco com índio), além de haver índios puros mesmo, e em alguns casos mais raros, negros. Além disso, era comum muitos bandeirantes falarem a língua geral, língua esta que originalmente era um dialeto tupi, que com a introdução da língua portuguesa, fora misturada a este dialeto. Pelo fato de conviver muito com os indígenas, alguns bandeirantes falavam mais em língua geral do que em português.
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA  MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA CONSTRUÍDA EM FACETAS. ALÇA LARCA REMATADA NAS EXTREMIDADES COM BANDAS RELEVADAS  DUPLAS. MESMA DECORAÇÃO ARREMATA A BORDA E ABASE DA CANECA DE ONDE A ALÇA PARTE. MARCAS POSSESSÓRIAS MDZ. AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 235 G 10 X 12,5 CMNOTA: A colonização do Brasil começou de fato a partir de 1530, quando D. João III em 1534 criou o sistema das capitanias hereditárias, nomeando capitães donatários para governá-las; doando terras através das sesmarias, nomeando funcionários para as vilas que começavam a surgir, além de incentivando a ida de famílias para colonizar aquelas vastas terras. Ao mesmo tempo que os colonos fundavam vilas e formavam roçados, ainda havia o incentivo de adentrar o interior, chamado de sertão, a fim de descobrir riquezas minerais ali escondidas. A fim de contornar o problema causado pelo estabelecimento dos povoamentos somente no litoral e atraso do desenvolvimento da colônia causado por isso, em 1548, D. João III criou o Governo-Geral e nomeou o político e militar Tomé de Sousa (1503-1579) para assumir como governador-geral do Brasil. No ano de 1549 ele chegou a Capitania da Bahia onde fundou a cidade de Salvador a primeira capital do Brasil. Uma das missões de Tomé, era explorar os sertões para descobrir riquezas e mapear o interior do território colonial. Em 1553 no final de seu mandato, ele ordenou a inciativa da entrada que ficara sob o comando do espanhol Francisco Bruzo de Espinosa com o objetivo de desbravar os sertões da Bahia. A entrada que contou com centenas de integrantes, conseguira chegar ao rio São Francisco naquela ocasião, e indo até mais além deste no que viria a ser território de Minas Gerais onde fora fundada a Vila de Espinosa. A partir dessa entrada em 1554, outras entradas seriam promovidas pelo restante da colônia, incentivando os sertanistas como ficariam conhecidos estes homens, a desbravarem as terras interioranas em busca de riquezas, de se caçar indígenas para a escravidão, de montar missões religiosas para a catequização destes. Os motivos de impulsionar tais homens a desbravar os sertões atrás de riquezas minerais era o fato que eles haviam visto índios usando ouro; além dos indígenas também contarem histórias sobre minas de ouro e prata, e o fato de que em 1534, Francisco Pizarro havia conquistado o Império Inca, conseguindo para a Coroa Espanhola, dezenas de toneladas em ouro e prata, e posteriormente descobriram a localização destas minas, e muitas destas ficavam localizadas em Potosi no chamado Alto Peru que hoje é a Bolívia. Sabendo que o Brasil estava no mesmo continente que o Peru, logo embora não se soubesse exatamente a distância até elas. Em 8 de setembro de 1553, o lugar-tenente Antonio de Oliveira e Brás Cubas, ordenados por Martim Afonso de Sousa, conseguiram com sua entrada, subir a Serra do Mar e alcançaram o planalto de Piratininga, fundando a Vila de Santo André da Borda do Campo. A vila fora fundada a partir da localização do povoado que João Ramalho havia erigido anos antes. Com a fundação da vila, Antonio de Oliveira, mudou-se para lá com sua esposa D. Genebra Leitão e o restante da família, além de levarem consigo, outras famílias vindas das vilas de São Vicente e Santos. E no ano seguinte os jesuítas padre Manuel da Nóbrega e o irmão José de Anchieta, junto com outros jesuítas, bandeirantes e o apoio do cacique Tibiriça, fundaram o Colégio de São Paulo do Campo do Piratininga a 25 de janeiro de 1554. Um povoado se formou em torno do colégio jesuítico e rapidamente cresceu em pouco tempo. Em 1560, o então governador-geral Mem de Sá (1500-1572), ordenou a criação da Vila de São Paulo do Piratininga, ordenando que a população da Vila de Santo André se muda-se para a nova vila, a qual se tornaria o principal centro urbano do planalto piratininguense, mesmo assim, a população da vila não vivia em condições prósperas. Não obstante, as vilas de São Vicente e Santos ainda eram mais prósperas do que São Paulo, pois essas participavam da produção e comércio do açúcar, o "ouro branco" da época. Somando-se a isso a proximidade com o mar, isso facilitava a vinda de mercadorias da África, de outros cantos da colônia e da própria metrópole. Os habitantes do planalto tinham que ir ao litoral comprar mercadorias que faltavam em suas terras (roupas, móveis, utensílios, objetos, armas, etc.). No entanto, a medida que Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio de Janeiro despontavam no cultivo canavieiro, a produção açucareira de São Vicente fora ofuscada, isso obrigou parte da população da capitania a procurar outro meio de subsistência. Além disso, em 1562 São Paulo sofrera um terrível ataque dos Tupinambás e outras tribos, que formavam a Confederação dos Tamoios os quais de 1554 a 1567 causaram problemas a ocupação colonial naquela região. Uma das soluções que alguns particulares encontraram, era arriscar se aventurar pelos sertões em busca das supostas minas de ouro e prata que se diziam existir no interior do continente; por outro lado, outros preferiram ir caçar os indígenas e vendê-los como escravos, pois embora São Vicente e Santos fossem portos movimentados, não recebiam tantos escravos africanos como na região norte (nesse caso norte, representa o atual nordeste, e sul o atual sudeste), logo, grande parte da mão de obra escrava da capitania, era indígena, e em alguns casos as bandeiras também vendiam índios para capitanias vizinhas. Logo, aqueles homens que haviam formados milícias para se defenderem dos ataques, decidiram organizar expedições para adentrar o sertão atrás de riquezas, de desbravar ou devassar, termo utilizado na época; e para se capturar os indígenas. As bandeiras eram criadas. A vila de São Paulo só viria a se tornar um centro importante por volta do século XVII, mesmo assim ainda se manteria como uma vila "atrasada" até o século XIX, quando começaria a se desenvolver rapidamente graças ao café. Pois embora, as bandeiras fizessem lucro, tal lucro ficava entre particulares, e após a descoberta das minas, muitos deixaram São Paulo para lá irem morar. As primeiras bandeiras eram armadas (organizadas) pelos seus próprios líderes, no entanto, com o passar do tempo, alguns homens ricos, se uniam para financiar a expedição, e não necessariamente eles participavam da bandeira, mas contratavam um homem experiente que conhece-se as matas e os costumes indígenas para liderar a expedição, então dependendo do investimento feito, comprava-se armas, equipamentos, mantimentos, medicamentos e convocava-se o restante dos membros da expedição, os quais geralmente eram homens entre os seus 15 e 35 anos, atrás de fazerem riqueza e fama; homens de coragem e força, pois a selva era implacável. Alguns bandeirantes que começaram ainda cedo sua carreira, por exemplo, foram Bartolomeu Bueno da Silva Filho (Anhanguera II) e Antônio Pires de Campo, ambos participaram de bandeiras armadas por seus pais, quando tinham apenas quatorze anos. Francisco Dias da Silva tinha dezesseis anos quando participou de sua primeira bandeira, armada por um tio seu. Outros bandeirantes dedicavam quase a vida toda as bandeiras, as quais se tornavam para eles um estilo de vida; Manuel de Campos Bicudo participou de pelo menos vinte e quatro bandeiras, Fernando Dias Paes Leme fora até o fim da vida um bandeirante, vindo a falecer durante uma bandeira, tendo na época mais de 64 anos. Domingo Jorge Velho, embora tenha se aposentado na velhice, seguiu até essa, sendo um bandeirante. Além de conter homens livres, as bandeiras também tinham como membros, "índios amansados", usando um termo da época. Tais indígenas, eram cristãos e sabiam falar português, em geral eles eram os guias da expedição, pois muitos conheciam as trilhas e rotas de viagem pelas matas, pois não existiam estradas propriamente falando; seguia-se o curso de rios, ou trilhas, que para olhos desapercebidos passariam em branco, daí a necessidade de se terem pessoas (no caso os índios) que conhecessem aquelas rotas. O fato de muitas bandeiras conterem índios é interessante, pois na literatura tradicional, se conveniou a ideia de que os bandeirantes fossem apenas brancos, mas na realidade, haviam muitos mestiços, principalmente caboclos ou mamelucos (ambos os termos designam os mestiços de branco com índio), além de haver índios puros mesmo, e em alguns casos mais raros, negros. Além disso, era comum muitos bandeirantes falarem a língua geral, língua esta que originalmente era um dialeto tupi, que com a introdução da língua portuguesa, fora misturada a este dialeto. Pelo fato de conviver muito com os indígenas, alguns bandeirantes falavam mais em língua geral do que em português.
  • BRASIL COLÔNIA  - DR. JOSÉ VIEIRA COUTO (1752- 1841)  MANUSCRITO  NECROLOGIO DO DR. JOSÉ VIEIRA COUTO (1752- 1824)  REDIGIDO POR OCASIÃO DE SEU FALECIMENTO. NASCIDO NO ARRAIAL DO TIJUCO, ATUAL DIMANTINA, EM 1752, COUTO PERTENCIA A UMA FAMÍLIA CUJA HISTÓRIA ESTAVA INTIMAMENTE LIGADA À REAL EXTRAÇÃO. UM DOS MAIS INFLUENTES CIDADÃOS DA REGIÃO DIAMANTÍFERA DO TIJUCO CONVIVEU  E FREQUENTAVA A CASA DA MÍTICA CHICA DA SILVA.  VIEIRA COUTO (1752-1827), MÉDICO, MINERALOGISTA E ESCRITOR, FORMADO NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, TRABALHOU NO HOSPITAL DO CONTRATO DIAMANTINO. EM 1798, ELE FORA ENCARREGADO PELA RAINHA D. MARIA I DE FAZER OBSERVAÇÕES E EXAMES MINERALÓGICOS E METALÚRGICOS EM TODA A COMARCA DO SERRO FRIO. O INTENDENTE JOAO INÁCIO DO AMARAL SILVEIRA IMPEDIU-O DE REALIZAR O TRABALHO E O GOVERNADOR, EM CARTA À CORTE, "AFIGURAVA O DR. COUTO COMO UMA VÍTIMA DE SEU DESPOTISMO, QUE, POR ÓDIO PARTICULAR, FORA DEMITIDO DO EMPREGO, QUE EXERCIA DE MÉDICO DO HOSPITAL DA ADMINISTRAÇÃO." UMA ORDEM DO PRÍNCIPE REGENTE, D. JOAO, DE 1799, REPREENDEU O INTENDENTE E DETERMINOU QUE TUDO DEVERIA SER FEITO PARA PERMITIR O TRABALHO DO DR. JOSÉ VIEIRA COUTO. O INTENDENTE ACABOU SENDO SUSPENSO DO CARGO POR ORDEM REAL. FOI UM DOS MÉDICOS QUE ATENDEU E TRATOU O VIAJANTE SAINT-HILAIRE VÍTIMA DE QUEDA DE CAVALO A DUAS LÉGUAS E MEIA DO TIJUCO E A UMA DE RIO MANSO (HOJE COUTO DE MAGALHAES DE MINAS), SOFRENDO TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO COM PERDA DE CONSCIÊNCIA E HEMORRAGIA NA REGIAO FRONTAL E ÓRBITA ESQUERDA. FOI LEVADO AO RIO MANSO, ONDE FOI SUBMETIDO À SANGRIA E, DOIS DIAS APÓS, FOI CONDUZIDO AO TIJUCO EM REDE CARREGADA POR ESCRAVOS.  DR. JOSÉ VIEIRA COUTO  FOI UM MÉDICO E NATURALISTA BRASILEIRO, FORMADO PELA UNIVERSIDADE DE COIMBRA EM 1777, DA QUAL FOI LENTE E ONDE TEVE POR COLEGA JOSÉ DE BONIFÁCIO, SEU COMPANHEIRO NAS VIAGENS DE ESTUDO E DE IDEIAS DE LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA. SEGUNDO SÍLVIO ROMERO, FOI "DOS SÁBIOS DE SEU TEMPO, UM DOS QUE MAIS ESCREVERAM E EM MELHOR ESTILO", TENDO PUBLICADO VÁRIAS OBRAS, ENTRE AS QUAIS A "MEMÓRIA SOBRE AS MINAS DA CAPITANIA DE MINAS GERAIS, SEU TERRITÓRIO, CLIMA E PRODUÇÕES METÁLICAS". NESSA MEMÓRIA RELATA SEU TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS DE MINAS, TAREFA DESIGNADA PELA RAINHA D. MARIA. ESSA MEMÓRIA E AS OBRAS DE SUA BIBLIOTECA EVIDENCIAM SUA INTIMIDADE COM AS IDEIAS ILUMINISTAS. POSSUÍA 228 OBRAS EM 601 VOLUMES, O QUE ERA EXTRAORDINÁRIO NOS SERTOES DAS MINAS SETECENTISTAS. A MAIOR BIBLIOTECA EM MINAS PERTENCIA AO CÓNEGO LUIZ VIEIRA DA SILVA, UM DOS PRINCIPAIS ATIVISTAS DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA, QUE CONTAVA COM 276 OBRAS EM 563 VOLUMES. ALGUMAS DAS OBRAS DE JOSÉ VIEIRA COUTO LHE FORAM ENVIADAS DE PORTUGAL POR SIMÃO PIRES SARDINHA, PRIMEIRO FILHO DE CHICA DA SILVA E SÁBIO NATURALISTA QUE SE ENVOLVEU NA INCONFIDÊNCIA MINEIRA. FOI DENUNCIADO A SANTA INQUISIÇÃO POR LER LIVROS DE MEDICINA AO INVÉS DE LIVROS DIREITOS . CONDENADO POR ESTE MOTIVO FOI SUBMETIDO A REPREENSÃO PÚBLICA.  EXCERTOS DO TEXTO: NECROLOGIA  NON OMNIS MORIAR MULTAQUE PARS MEI VITABIT LIBITINAM (NÃO MORREREI DE TODO, A MAIOR PARTE DE MIM SOBREVIRÁ A DEUSA LIBITINA - DEUSA DOS CADÁVERES NA RELIGIAO ROMANA  ODE  DE HORÁCIO  TRADUÇÃO MINHA DO TEXTO DO NECROLOGIO). ENTRE A MULTIDÃO DE ESPÍRITOS MALÉFICOS E INIMIGOS DA PRÓPRIA ESPÉCIE DE QUE TANTO ABUNDA A TERRA A NATUREZA PRODUZ DE VEZ EM QUANTO ENTE BENFASEJO DIGNO DE CONSIDERAÇÃO E ESTIMA DA POSTERIDADE. O DR. JOSÉ VIEIRA COUTO NASCEU NO TIJUCO EM 24 DE JUNHO DE 1752. OS RAROS TALENTOS QUE DEMONSTRAVA MESMO EM TENROS ANOS O FIZERAM RECOMENDÁVEL EM PORTUGAL. PORQUE APENAS FINALIZAVA EM COIMBRA OS SEUS ESTUDOS EM 1777. FOI LOGO CHAMADO PARA O SERVIÇO NACIONAL A INSTANCIAS DO DR., VANDELI E DO IMORTAL LINEU ESCOLHIDOS PARA VIAJAR AS COLONIAS PORTUGUESAS. UMA GRAVE ENFERMIDADE PORÉM CORTA O FIO DESTA CARREIRA QUE TINHA INICIO EM SEUS VERDES ANOS. E RESTABELECIDO QUE FOI VIAJOU PARTE DA EUROPA EM LEI FORMANDO-SE EM MEDICINA VOLTUOU A SUA TERRA NATAL ENCONTRANDO-A COMO A HAVIA DEIXADO EM TOTAL IGNORÂNCIA. PRATICOU A MEDICINA AO MESMO TEMPO QUE A SUA COMUNICAÇÃO IA DIFUNDINDO LUZES E INFROMANDO A LIÇÃO AOS SEUS CONTERRÂNIOS. QUE SE APROVEITARÃO TANTO DE SUA FAMILIARIDADE QUANTO DA FRANQUEZA DE SUA RICA BIBLIOTECA. EM 1798 FOI PELA SEGUNDA VEZ LEMBRADO DO TRONO QUE LHE ORDENOU FIZESSE OBSERVAÇÕES SOBRE O REINO MINERAL NA PROVÍNCIA DE MINAS GERAIS. PRONTAMENTE NO ANO SEGUINTE POZ NA REAL PRESENÇA AMOSTRAS DE VÁRIAS MINAS DE FERRO ENTRE OUTROS MUITOS METAIS ACOMPANHADOS DE UMA MEMÓRIA RESPECTIVA. ENVIOU OUTRA DEPOIS SOBRE A  MINERAÇÃO DOS DIAMANTES. ESCREVEU TRECEIRA SOBRE O NITRO NATURAL;. QUARTA SOBRE AS MINAS GALENAS DA NOVA LORENA. OU DO ABAETE ACOMPANHADAS DE SEUS MAPAS TOPOGRÁFICO.. E FINALMENTE ENTRE OUTRAS MUITAS  E PRECIOSAS PEÇAS QUE POR SUA MODÉSTIA ENTREGOU AO FOGO EM SUA ÚLTIMA ENFERMIDADE. COUTO FOI O PRIMEIRO QUE LEVANTOU O VÉU SOBRE AS PRECIOSAS SUBTERRÂNIAS RIQUEZAS EM UM PAÍS ATÉ ENTÃO VEDADO AOS MINERALOGISTAS E ONDE A EXCEÇÃO DE NENHUM OUTRO METAL ALÉM DO OURO ERA CONHECIDA NEM AO MENOS SE SUSPEITAVA A SUA IMENSA CAMADA DE RICAS MINAS QUE COBRIAM QUASE TODA A SUPERFÍCIE DA PROVINCIA. TOMBOU SUA VIDA EM 11 DE SETEMBRO DE 1824. A TERRRA LHE SEJA LEVE QUANTO É SAUDOSA A SUA MEMÓRIA. L.J.G.CNOTA: Em fins do século XVIII  as transformações provocadas pela revolução industrial e pela Revolução Francesa e a conseqüente crise do antigo sistema colonial levaram à promoção de reformas profundas. Essas reformas, em Portugal e na Espanha, visavam superar a defasagem econômica e científico-cultural frente a países como Inglaterra, França, entre outros. Para os homens que estavam à frente do Estado português, era imperioso superar essa defasagem frente às potências européias, se Portugal quisesse manter sob o seu domínio todo o império ultramarino, sobretudo o Brasil. As reformas tiveram início no governo de d. José I, com o todo-poderoso ministro marquês de Pombal, e foram reforçadas no governo de dona Maria I, mais especificamente por meio do principal homem da viradeira, o ministro d. Rodrigo de Sousa Coutinho. Ao seu lado foram cooptados vários estudiosos das mais diversas partes do império ultramarino, com destaque para os naturalistas da Academia Real das Ciências de Lisboa, instituição científica portuguesa que orientou as pesquisas com o intuito de reconhecer e explorar as produções naturais do reino e de todo o império português. Essa articulação entre o Estado e as instituições científicas também ocorreu por meio da Universidade de Coimbra, que ajudou a difundir os princípios da ilustração pela nação lusa.  José Vieira Couto. Nascido no Arraial do Tijuco, atual Dimantina, em 1752, Couto pertencia a uma família cuja história estava intimamente ligada à real extração. Ele estudou Medicina e Mineralogia  na Universidade de Coimbra, como todo membro da elite colonial que queria obter um diploma de nível superior. Dentre os inúmeros coloniais que transporam o Atlântico para estudar na única Universidade portuguesa que não fora fechada pelas reformas pombalinas, ao longo da segunda metade do século setecentista, destaca-se um dos mais ilustres filhos do arraial do Tejuco, José Vieira Couto (1752-1827). Sua família, de origem reinol, emigrara para a América portuguesa no intuito de atuar no âmbito das atividades mineradoras e acabou se consolidando como uma das mais tradicionais de todo o Distrito Diamantino. Utilizando-se das fazendas acumuladas com exploração dos diamantes e das relações que mantinha com as mais altas classes políticas lusobrasileiras, Couto pleiteou cursar a Universidade de Coimbra tendo sido aceito e assentando matrícula naquela instituição em 10 de outubro de 1774. No ano seguinte cursaria Matemática e daria por encerrada sua trajetória na Corte com a conclusão do curso filosófico, medicina e mineralogia em 26 de novembro de 1778. Seu retorno às Minas seria uma mera questão de tempo. Assim como vários estudantes brasileiros em Coimbra, Couto se adaptou às letras filosóficas de tal modo que, posteriormente, seria convidado pelo Lente de História Natural e Química Domingos Vandelli (1735-1816) para aplicar os conhecimentos científicos adquiridos na Universidade em sua pátria. A experiência prévia que possuía para com os saberes dos minerais assim como aqueles filosóficos adquiridos na Corte deveriam ser responsáveis por reavivar a economia colonial no âmbito da exploração mineral. Talvez Couto também estivesse ansioso para ser inserido nas esferas da administração colonial, outra das atribuições passíveis de receberem os letrados que retornavam da Europa. Seu cenário de trabalho não poderia ser outro que não aquele que mais conhecia, a Comarca do Serro do Frio, ainda promissora a destarte das constantes quedas na exploração diamantífera. Suas atividades de pesquisa mineral decorriam pelo menos desde o ano de 1783, quando já se encontrava no Tejuco, mas foi a partir de 1797, quando dom Rodrigo de Souza Coutinho mandou que o Governador, Bernardo José de Lorena encarregasse o hábil Doutor Couto de dar informações mais circunstanciadas sobre as minas daquele país, como também do partido que se delias se pode tirar que suas pesquisas passaram a fazer parte de modo efetivo enquanto atividades legalmente previstas e amparadas pelo Estado português.3 Sua nomeação, contudo, seria alvo de retaliações por parte do então Intendente dos Diamantes, João Inácio do Amaral Silveira, cuja gestão naquele cargo perdurou de 1795 a 1801. Couto tratou de solicitar ao Intendente autorização para que pudesse empreender as novas viagens filosóficas para as quais havia sido nomeado. O Intendente, contrariando as ordens de Lisboa, negou. Tal negação geraria a fonte documental que se segue. Trata-se de uma correspondência escrita pelo Governador da Capitania das Minas Gerais, Bernardo José de Lorena, no ano de 1798, e dirigida ao Secretário de Estado dos Domínios Ultramarinos, dom Rodrigo de Sousa Coutinho, no qual informava acerca do andamento das atividades de pesquisa e das viagens filosóficas realizadas por José Vieira Couto nos sertões do Distrito Diamantino. No entanto, além das considerações pertinentes aos achados e demais descobertas do naturalista, o que se pode ver na documentação em questão (que se encontra depositada no Arquivo Histórico Ultramarino e também disponibilizada on-line), composta ainda por cópias de outras cartas trocadas entre os envolvidos é o desenrolar de uma crise local que havia sido deflagrada no arraial do Tejuco quando da nomeação de Couto para as viagens filosóficas. Para Couto, o Intendente demonstrava não mais do que a necessidade de vingança, imputada por motivos que não lhe eram óbvios. Os atos do Intendente contra Couto teriam sequencia em sua retirada do ofício de médico do hospital local sob pretexto de economia, além da expulsão de seus escravos que vinham sendo empregados na Real Extração.  As perseguições a Couto continuaram. O naturalista ainda foi proibido de conduzir os instrumentos que lhe eram necessários quando saísse em novas empreitadas. Foi proibido, também, de sair das estradas demarcadas que cortavam o Distrito Diamantino; algo que, em suas palavras, qualquer caçador ou pessoa insignificante do povo fazia.5 O Intente, com claro intuito de retirar Couto daquele arraial, chegou a solicitar ao Governador que o naturalista fosse empreender suas pesquisas na Cabeça da Comarca, Vila do Príncipe, onde haveria um laboratório que muito bem poderia servilo.6 Frente à toda essa contenda, é possível verificar, através das correspondências enviadas por Bernardo à dom Rodrigo, que o Governador manteve-se aliado ao naturalista Couto. 7 Bernardo, ilustrado que era, havia frequentado Coimbra na mesma época que Couto e talvez tivessem cultivado uma amizade que por si só não fora responsável pelo direcionamento das discussões já que o Governador não deixou de apresentar severas críticas às amplíssimas jurisdições que pelo Real Erário se dão sempre aos Intendentes dos Diamantes.8 Entre idas e vindas de cartas e Ofícios, o Intendente João Inácio do Amaral Silveira seria, enfim, deposto em 1801, após minuciosas averiguações que culminaram em uma devassa ordenada pelo Príncipe Regente Dom João.9 Com a proteção do Governador da Capitania Couto enfim empreendeu as novas viagens filosóficas das quais resultaras quatro memórias.10 O maior foco de atenção do naturalista era o salitre, mineral essencial para a produção de pólvora (deve-se levar em conta tal preocupação portuguesa para com o cenário político em que se encontrava a Europa na virada daquele século) assim como as nitreiras, pequenas fábricas onde o salitre seria beneficiado. Apesar de convicto sobre o potencial dos sertões mineiros para a produção de minerais essenciais ao Estado luso, a grande contestação ao trabalho de Couto é que uma produção por demais interiorizada teria custos bastante elevados em função de toda a logística necessária para conduzir aquele composto até a costa e, de lá, até Lisboa.11 Nem por isso o trabalho deste naturalista é menos merecedor de reconhecimentos. Pelo contrário, Couto foi um pioneiro entre os letrados ao destacar grande parte de sua vida aos empreendimentos da Coroa. Descobriu ouro, prata, chumbo, ferro, salitre, enxofre e diversos outros minerais que seriam, por várias vezes, enviados às mãos de Sua Alteza Real, o Príncipe.12 Deve-se dar ênfase, também, à expansão dos conhecimentos acerca da cartografia dos sertões mineiros percorridos por Couto. A Carta da região chamada Nova Lorena Diamantina, confeccionada a partir das informações coletadas pelo naturalista em suas viagens filosóficas ou mesmo a Carta das minas de Monte Rorigo, desenhada pelo próprio Couto, são exemplos concretos do quanto o conhecimento sobre a Capitania foi elevado através dos trabalhos de Couto.
  • JACQUES RAYMOND BRASCASSAT (1804-1867)  CARTA DE  João Maximiano Mafra  PROFESSSOR DA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES DIRIGIDA AO CÉLEBRE ARTISTA FRANCES JACQUES RAYMOND BRASCASSAT EM 24 DE NOVEMBRO DE 1861. EXCERTOS DO TEXTO: SENHOR BRASCASSAT, RECEBEMOS NO MÊS PASSADO AS BELAS LITOGRAPHIAS QUE O SR. NOS ENVIOU EM 1857. NOS PERGUNTAMOS ONDE ELAS ESTIVERAM ATÉ CHEGAR ATÉ NÓS DEPOIS DE TANTO TEMPO. SE A ACADEMIA IMPERIAL DE BEKAS ARTES NÃO CONHECESSE O SEU GRANDE TALENTO ESTA SERIA UMA ORPOTUNIDADE PARA CONHECE-LO, ESTAS BELAS LITOGRAPHIAS SERÃO APRESENTADAS DE FORMA NOTÁVEL EM UMA DAS SALAS DO PALÁCIO DA ACADEMIA COMO RECORDAÇÃO DE SUA AMÁVEL ATENÇÃO E BOA VONTADE COM QUE A ACADEMIA ACOLHE OS SEUS MEMBROS CORRESPONDENTES ENTRE OS QUAIS OS MAIS ILUSTRES ARTISTAS CONTEMPORÂNIOS. ASSINA JOÃO M. MAFRA PROFESSOR E SECRETARIO DA ACADEMIA IMPERIAL  DE BELAS ARTES DO RIO DE JANEIRO.  JOÃO MAXIMIANO MAFRA (RIO DE JANEIRO, 1823 - RIO DE JANEIRO, 1908) INGRESSOU EM 1835 NA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS-ARTES, ONDE FOI ALUNO DE MANUEL DE ARAÚJO PORTO-ALEGRE. PARTICIPOU NAS EXPOSIÇÕES GERAIS DE BELAS ARTES EM 1842, 1843 (COM A OBRA "TOMÁS GONZAGA NO CÁRCERE"), 1845 (COM "MORTE DE SÓCRATES"), 1846 E 1847, TENDO NESTA ÚLTIMA RECEBIDO MEDALHA DE OURO. É DE SUA AUTORIA O PROJETO PARA A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. PEDRO I, CUJAS PEÇAS EM BRONZE FORAM EXECUTADAS EM PARIS, POR LOUIS ROCHET, VINDO A SER INAUGURADO NO RIO DE JANEIRO NO DIA 30 DE MARÇO DE 1862. EXERCEU O CARGO DE PROFESSOR SUBSTITUTO DE PINTURA HISTÓRICA NA ACADEMIA, OBTIDO POR CONCURSO EM 1851. A 12 DE AGOSTO DE 1854 FOI NOMEADO SECRETÁRIO DA INSTITUIÇÃO, PERMANECENDO NESSE CARGO ATÉ À SUA APOSENTADORIA EM 1890. EM 1856 TORNOU-SE PROFESSOR EFETIVO DE DESENHO DE ORNATOS, DISCIPLINA QUE LECIONOU IGUALMENTE ATÉ 1890. FALECEU CEGO AOS 85 ANOS DE IDADE. AINDA EM 1907 ESCLARECEU A ARAÚJO VIANA DIVERSOS DETALHES RELATIVOS À OBRA "COROAÇÃO DE DOM PEDRO II", DEIXADA INACABADA POR ARAÚJO PORTO-ALEGRE, E NA QUAL COLABOROU, TRAÇANDO-LHE A QUADRÍCULA E OS PRIMEIROS ESBOÇOS DE PERSPECTIVA, E NELA PINTANDO, INCLUSIVE, DUAS CABEÇAS.NOTA: JACQUES RAYMOND BRASCASSAT era membro correspondente da ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES. Jacques Raymond Brascassat (30 de agosto de 1804 - 28 de fevereiro de 1867) foi um famoso pintor francês conhecido por suas paisagens e, em particular, suas pinturas de animais. Brascassat nasceu em Bordeaux , sudoeste da França, e estudou arte em Paris com Louis Hersent na École des Beaux-Arts em Paris. Ele ganhou o segundo lugar no Prix de Rome de 1825 com uma imagem da Caça de Meleagro .Ele foi para a Itália e pintou uma série de paisagens que foram exibidas entre 1827 e 1835, mas posteriormente dedicou-se principalmente à pintura de animais, na qual sua reputação como artista foi feita. Seu Touros Lutando (1837) no Museu de Artes de Nantes , Nantes, França  1  e uma pintura semelhante (1855) Museu de Belas Artes de Huston , Texas, EUA  citação necessária  e sua Vaca Atacada por Lobos (1845) no Museu de Belas Artes de Leipzig, Alemanha, são considerados algumas de suas melhores pinturas.  1 Ele era conhecido pela precisão de sua observação, desenho e pintura. Foi eleito membro da Académie française em 1846. Morreu em Paris em 28 de fevereiro de 1867.
  • DONA ISABEL MARIA CALDEIRA BRANT (1854-1884) FILHA DOS CONDES DE IGUAÇU (ISABEL DE ALCANTARA BRASILEIRA E PEDRO CALDEIRA BRANT) , NETA DA MARQUESA DE SANTOS E DO IMPERADOR DOM PEDRO I.  CARTA DE AGRADECIMENTO DE CONDOLENCIAS DO VIÚVO DE DONA ISABEL MARIA CALDEIRA BRANT, ANTONIO DIAS PAES LEME, FILHO DO MARQUÊS DE SÃO JOÃO MARCOS, PEDRO DIAS PAES LEME DA CAMARA,    DIRIGIDA AO CONSELHEIRO MANUEL ANTONIO DUARTE DE AZEVEDO. EXCERTOS DO TEXTO: MEU CARO AZEVEDO, SANTANA 28 E FEVERIRO DE 1884. RECEBI TUA MENSAGEM QUE ME FEZ BEM, PORQUE ERA A MENSAGEM FRATERNAL QUE ME CHEGOU EM UM MOMENTO ANGUSTIADO. NESSES MOMENTOS DOLOROSOS DA VIDA COMO A PERDA QUE ACABO DE PASSAR, ACHO ALGUMA CAUSA DE CONFORTO NA VOZ DOZ SINCERA DOS AMIGOS QUE ME VEM DE LONGE PARA ABRAÇAREM A MINHA ALMA. A MINHA DESGRAÇA FOI MUITO GRANDE EM PERDER A MULHER QUE PERDI. DURANTE 13 ANOS DE CASADOS NUNCA NEM POR UM INSTANTE A MAIS LEVE NUVEM PERTURBOU A  SERENIDADE DE NOSSA UNIÃO. EU ERA FELIZ QUANTO  EU PODIA SER FELIZ  COM MINHA MULHER E MEUS QUATRO FILHINHOS. EU AGORA ESTOU SÓ SINTO-ME IMENSAMENTE ISOLADO EM MEIO DE TODOS OS CONVIDADOS E AS MUITAS PROVAS DE BOA AMIZADE QUE ME CERCÃO. EU AGRADEÇO A LEMBRANÇA MEU CARO AZEVEDO E TE ABRAÇO PEDINDO PARA ME RECOMENDAR A TUA MULHER E FILHOS. TEU VELHO AMIGO. ANTONIO PAES LEME.  NOTA: Sobre a MÃE DE DONA ISABEL MADRIA CALDEIRA BRANT A CONDESSA DE IGUAÇU:  Maria Isabel de Alcântara Bourbon (São Paulo, 28 de fevereiro de 1830  São Paulo, 5 de setembro de 1896), foi a quinta e última filha do imperador Pedro I do Brasil com a sua amante, Domitila de Castro, Marquesa de Santos.Maria Isabel recebeu o mesmo nome que sua quarta e falecida irmã, a Duquesa do Ceará, morta com dois meses de vida em 1828, de homenagem a filha falecida. Sua irmã mais velha, Isabel Maria, era titulada como Duquesa de Goiás.Maria Isabel nasceu em 28 de fevereiro de 1830 e herdou a mesma doença de seu pai, a epilepsia. A infância de Maria Isabel quase sempre foi à sombra de uma família imperial.Mesmo sendo fruto do caso extraconjugal de seu pai, D. Pedro I, e a sua mãe, a Marquesa dos Santos, ela cresceu da mesma forma que os irmãos. As consequências dessa relação só apareceram mais tarde.Sua formação segue o modelo europeu mais perfeito, ela foi instruída a aprender as regras tradicionais de etiqueta, assim como as suas irmãs. Sua vida foi cercada de vestidos e porcelanas, e foi uma infância simples e comum para os membros da nobreza brasileira.Todos sabiam que Maria Isabel era fruto da relação fora do casamento de Dom Pedro e a Marquesa dos Santos. Mesmo assim, ela foi criada para se tornar a Condessa de Iguaçu, título que nunca recebeu. Com o pai imperador, mãe marquesa e diversos irmãos e meio-irmãos herdeiros, ela cresceu para ser parte da nobreza. Porém, devido ao adultério do qual ela foi fruto, ela nunca recebeu nada de seu pai, seja título ou terra. Ela recebeu vastas terras de seu meio-irmão Dom Pedro II do Brasil, dentre elas destacam-se vários pastos e cabeças-de-gado em Juiz de Fora, Ouro Preto, em seus distritos de Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Lavras Novas e Amarantina.Além de terras em Congonhas, Moeda e Mariana. Morou com o Marido Pedro Caldeira Brant, Conde de Iguaçu, Residiam na Freguesia, vila e cidade de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu atual Nova Iguaçu no Engenho de Santo Antônio de Jacutinga, A propriedade ( hoje em ruinas), se localiza no alto de uma Colina atrás do Uniabeu, o que hoje é o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.No dia 2 de setembro de 1848, aos dezoito anos, Maria Isabel casou-se com Pedro Caldeira Brant, Conde de Iguaçu, tornando-se sua segunda e última esposa. Seu marido era filho do Marquês de Barbacena, curiosamente inimigo figadal da mãe de MARIA ISABEL, A MARQUESA DE SANTOS. Pelo seu casamento, Maria Isabel tornou-se a segunda Condessa Consorte de Iguaçu.O fim de Maria Isabel chegou em 6 de setembro de 1896, a Condessa de Iguaçu faleceu aos 66 anos. Daquele dia em diante, mesmo que a vida de Maria Isabel tivesse acabado, um novo mistério começava.Até por volta de 2015, o paradeiro de seu corpo ainda permaneceu um mistério. Por até aproximadamente 120 anos, ninguém foi capaz de localizar o local onde ela foi enterrada. Ao contrário da maioria da família imperial, que são facilmente encontrados nos cemitérios.A Condessa costumava viajar entre São Paulo e Rio de Janeiro por grande parte de sua vida, o que levanta a questão de em que estado ela deveria estar. Além disso, muitos nobres brasileiros eram frequentemente sepultados na Europa, como Alemanha e Portugal. Mas os historiadores não podiam tirar conclusões sobre onde ela realmente estava.Recentemente, o arquiteto e historiador Paulo Rezzutti decidiu se dedicar a encontrar o cemitério onde Maria Isabel estava enterrada. Ele analisou vários obituários e histórias em jornais e contou a morte de pessoas importantes. Foi assim que descobriu "As Raízes da Condessa de Iguaçu" publicado pelo O Estado de S. Paulo em 6 de setembro de 1896.A partir dessa pista, ele encontrou o registro do Registro Civil de Santa Ifigênia, que dizia: Ela foi enterrada no Cemitério Municipal". Ela estava velada no Cemitério da Consolação, o caixão da condessa estava do lado do de sua mãe, a Marquesa de Santos. Rezzutti verificou o arquivo histórico municipal e encontrou a lápide. Não havia nenhum adorno na lápide nem seu nome esculpido na pedra.MANUEL ANTÔNIO DUARTE DE AZEVEDO, n. 16.01.1831 na cidade de Itaboraí, RJ, f. 09.11.1912 no Rio de Janeiro, na residência da Baronesa de Ibiapaba, Maria Eugênia do Santos (viúva), à rua Conde do Bonfim, às 17:00 hs. Advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde veio a ser Professor. Governador da Província do Ceará, aos 29 anos de idade, em 1860. Em 1878 tinha com o seu genro Dr. João Pereira Monteiro um escritório à rua da Alfândega, 28, no Rio de Janeiro. Ministro da Marinha e da Justiça, no Império. Conselheiro do Império. Senador do Império por São Paulo. Casou-se no Rio de Janeiro com sua prima GERTRUDES PETRONILHA DE AZEVEDO, n. no Rio de Janeiro, f. 1900 no Rio de Janeiro.
  • BARÃO DE CARVALHO BORGES  ANTÔNIO PEDRO DE CARVALHO BORGES (1824-1888)  -  CARTA TIMBRADA COM INICIAIS DO BARÃO ESCRITA EM WHAHSINGTON EM 14 DE MARÇO DE 1876 ACUSANTO O RECEBIMENTO DE UMA CORRESPONDÊNCIA. ASSINA A. P DE CARVALHO BORGES.  ESTA CORRESPONDENCIA É DO PERÍODO EM QUE O BARÃO ESTEVE A SERVIÇO DO GOVERNO IMPERIAL BRASILEIRO ATUANDO NA ORGANIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DO IMPERIO DO BRASIL NA EXPOSIÇÃO UNIVERSAL DA FILADELFIA EM 1876, A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO MUNDIAL REALIZADA NOS ESTADOS UNIDOS. O BARÃO DE CARVALHO BORGES FOI UM MILITAR, MATEMÁTICO E DIPLOMATA BRASILEIRO.  A. DO CONSELHO DE S. MAGESTADE, CAVALLEIRO DA I. ORDEM DE S. BENTO DE AVIZ, DE CHRISTO, OFFICIAL DA I. ORDEM DA ROSA E GRÃ-CRUZ DA ORDEM DA CORÔA DE FERRO DA AUSTRIA. FILHO DE JOSÉ GERMANO BORGES DA SILVA, FORMOU-SE EM MATEMÁTICA, CASOU-SE COM EMÍLIA DE BARROS TORREÃO. INGRESSOU NA MARINHA DO BRASIL, ONDE FOI PROMOVIDO A GUARDA-MARINHA, EM 1841 E TENENTE EM 1843. TRANSFERIDO PARA O CORPO DE ENGENHEIROS EM 1844, FOI PROMOVIDO A CAPITÃO EM 1849, MAJOR EM 1858,. DIRIGIU MISSÕES DIPLOMÁTICAS NA AMÉRICA DO SUL DESDE 1859, HAVENDO SIDO ENCARREGADO DE NEGÓCIOS EM ASSUNÇÃO (1861-1862) E MINISTRO RESIDENTE EM BUENOS AIRES (A PARTIR DE 1867, DURANTE A GUERRA DO PARAGUAI). FOI MINISTRO PLENIPOTENCIÁRIO EM WASHINGTON (1871), VIENA (1881) E PORTUGAL (1884). NOTA: As exposições universais (ou internacionais) no século XIX foram grandes feiras ou mostras nas quais os países europeus e suas colônias e outros estados independentes, como Estados Unidos e Brasil, por exemplo, reuniam e exibiam o que havia de melhor em seus produtos industriais. Eram grandes espetáculos do progresso que sobretudo a burguesia industrial das nações civilizadas europeias organizavam para vender seus produtos, seu modo de vida e sua ideologia para as outras nações do mundo. Arenas pacíficas em que os países mais industrializados disputavam a primazia no mundo, em que reafirmavam seu progresso e sua civilização na comparação com os países menos desenvolvidos, tidos como bárbaros ou atrasados, como as colônias africanas, asiáticas e os países americanos, com exceção dos Estados Unidos, e em que procuravam disciplinar as massas de trabalhadores. Os países que sediavam a mostra convidavam outros países para participar e trazer o que havia de melhor entre sua produção para exibi-la. A primeira exposição de caráter universal aconteceu em Londres, em 1851, quando foi construído o icônico Palácio de Cristal, que abrigou os estandes dos países participantes. O Brasil só passou a integrar as exposições depois de 1862, outra que aconteceu em Londres. Para se preparar, o Brasil organizava mostras nacionais antes das grandes exposições com vistas a selecionar e reunir o que havia de melhor na produção nacional. Embora o que se esperasse mais encontrar nas exposições fossem os produtos industrializados, fruto do gênio e criatividade do homem para tornar a vida mais moderna e fácil, países como o Brasil também expunham seus produtos naturais. Apesar de querer sempre se apresentar como um país civilizado, o Brasil era considerado um país fornecedor de matéria-prima e agricultura, famoso e conhecido por suas florestas, seu gentio, e pela presença inegável, embora incômoda, da escravidão. Nada falava tanto sobre o atraso e a barbárie do país quanto o sistema escravista, que se procurava esconder, mas que estava evidente no café, chá, açúcar, algodão, guaraná, borracha, tabaco, madeiras, couros exibidos nos estandes brasileiros. Outros produtos com frequência exibidos eram os de origem indígena, como os artefatos dos índios, armas, redes, cerâmica marajoara, plantas exóticas e outros itens. Não se pode dizer que o Brasil não levasse para as exposições o que havia de mais moderno na indústria e manufatura nacional: armamentos, máquinas, peças de estradas de ferro e locomotivas, e materiais da construção civil eram também levados para o exterior e exibidos como prova do progresso do país e de seu pertencimento ao concerto das nações civilizadas, no entanto, o que chamava a atenção do público e dos outros expositores eram os produtos agrícolas, minerais e naturais, que lembravam mais o estágio pouco desenvolvido do progresso brasileiro.Embora as exposições, assim como grandes feiras de produtos, fossem voltadas para a divulgação de produtos e o fechamento de grandes negócios entre as empresas participantes, no caso brasileiro o lucro obtido não era a razão preponderante para participar das exposições. Como se lê na epígrafe que abre esse texto, o Brasil não pretendia fechar grandes negócios (embora isso possa ter acontecido), mas mais fazer propaganda de seu estágio de civilização, sobretudo se em comparação com os outros países da América Central e do Sul, que não mandavam delegações para representá-las nas exposições. O Brasil, único império nos trópicos, se colocava, assim, como herdeiro e parte do projeto civilizatório europeu nas Américas, apesar de seu passado colonial atrasado e do sistema escravista de trabalho.Vide nos créditos extras desse lote imagem do PAVILHÃO BRASILEIRO NA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DA FILADÉLFIA, de inspiração mourisca. A  exposição internacional da Filadélfia (uma das poucas realizadas fora do continente europeu) aconteceu  no ano de 1876. A Centennial Exhibition foi uma das maneiras encontradas pelos estadunidenses para celebrar o primeiro centenário de sua Independência, ocorrida em 1776. Essa exposição foi singularmente importante e teve destacada participação do Brasil, que a essas alturas já estava se recuperando do período de crise provocado pela Guerra do Paraguai (1865-1870). A fotografia era da Centennial Photographic Company, empresa fotográfica oficial do evento, do fotógrafo escocês-canadense William Notman, presidente da companhia, e associados.A exposição, inaugurada em 10 de maio de 1876, contou com a participação luxuosa do imperador d. Pedro II, que juntamente com o presidente dos Estados Unidos Ulysses Grant, abriu o evento, acionando a imensa máquina Corliss, cujo funcionamento ativava o de todas as outras máquinas do grandioso pavilhão que abrigava os estandes dos países convidados no Fairmount Park. D. Pedro II era grande incentivador da participação do Brasil em todas as exposições universais, cuidava pessoalmente e de perto da seleção dos produtos que seriam levados para os países sede, e era grande entusiasta da ciência e do resultado da produção do gênio humano. Um dos destaques da Exposição da Filadélfia foi a apresentação do primeiro telefone, por Alexander Graham Bell, que encantou o monarca, que prontamente encomendou a invenção para o Brasil.O país contava ainda com um palacete exclusivo para exibição de seus produtos e uma inovação, o Café Brasil, um pequeno pavilhão com direito a mesinhas para degustação gratuita dos produtos brasileiros, principalmente o café, mas também o mate e chás. Foi uma maneira de promover os muitos expositores de café que levaram seus produtos para a exposição, apesar dos prejuízos que tal iniciativa causaram, uma vez que o governo contribuiu com apenas três contos de réis para ajudar no estande.
  • CONDE DE AFONSO CELSO  AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO JÚNIOR  (1860 -1938)  - UM DOS FUNDADORES DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS OCUPANDO A CADEIRA DE NUMERO 36. A MISSIVA DIRIGIDA AO MONSENHOR MACEDO COSTA. EM PAPEL TIMBRADO DA VILLA PETIOTE, ESTIMADA RESIDÊNCIA DO IMORTAL AFONSO CELSO SOB COROA DE CONDE. EXCERTOS DO TEXTO: 22-5-1908  EXCELENTISSIMO E MUITO PREZADO AMIGO MONSENHOR MACEDO COSTA. MERECEM-ME A MAIOR CONSIDERAÇÃO OS BENEMÉRITOS SALESIANOS DE S. PAULO. FORA-ME IMENSAMENTE AGRADAVEL PODER ATENDE-LOS. DEMAIS TRANSMITIDO PELO MEU BOM AMIGO, A QUEM TANTO ESTIMO E RESPEITO. MAS DE TODO IMPOSSIVEL ME É IR AGORA A SÃO PAULO. TRABALHAR NA FACULDADE DE DIREITO, NA ADVOCACIA, NA IMPRENSSA, PREOCUPAÇOES DE FAMÍLI, IMPEDEM-ME DE AUSENTAR-ME AINDA QUE POR POUCOS DIAS. QUEIRA APRESENTAR AOS BENEVOLOS RELIGIOSOS AS MUITAS ESCUSAS , ROGANDO-LHES NÃO ME LEVEM  A MAL. PERMITA MONSENHOR QUE AFETUOSAMENTE O ABRACE O TODO SEU AFONSO CELSO O CONDE AFONSO CELSO ERA UM CATÓLICO FERVOROSO. NOTA: Afonso Celso (Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior), natural de Ouro Preto, MG, nasceu em 31 de março de 1860 e veio a falecer no Rio de Janeiro, RJ, a 11 de julho de 1938. Filho do Visconde de Ouro Preto, último presidente do Conselho de Ministros do Império, e de D. Francisca de Paula Martins de Toledo, é um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Aos 15 anos publicou os Prelúdios, reunindo uma pequena coleção de poesias de conteúdo romântico. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo na qual colou grau em 1880. Defendeu na ocasião, a tese Direito da Revolução. Casou-se em 1884 com D. Eugênia da Costa. Ingressando nas lides políticas, foi eleito quatro vezes deputado geral por Minas Gerais. Na Assembléia Geral exerceu as funções de 1º. Secretário. Com a proclamação da República, em 1889, abandonou a política e acompanhou o pai no exílio, que se seguiu à partida da família imperial para Portugal em novembro do referido ano. Coube-lhe a delicada tarefa de defender o pai no início da implantação do regime republicano. Dedicou-se ao magistério e ao jornalismo, tendo colaborado durante mais de 30 anos no Jornal do Brasil. Outros órgãos da imprensa - tais como A Tribuna Liberal, A Semana, Renascença, Correio da Manhã e o Almanaque Garnier, divulgaram muitos de seus artigos. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1892, na qualidade de sócio efetivo, tendo posteriormente sido elevado a honorário em 1913 e a grande benemérito em 1917. Com a morte do Barão do Rio Branco, em 1912, foi eleito presidente perpétuo dessa instituição, de 1912 a 1938. Coube-lhe a incumbência de presidir à instalação da entidade em uma das alas do Silogeu Brasileiro, localizada na esquina das Ruas Augusto Severo e Teixeira de Freitas. De sua vasta obra merecem especial destaque os seguintes livros: Oito anos de Parlamento, Por que me ufano de meu país - título que gerou críticas e elogios e a popularidade da expressão ufanismo, de uso até os nossos dias - Segredo conjugal, O Imperador no exílio, O assassinato do coronel Gentil de Castro, Rimas de outrora, Minha filha, Vultos e fatos, Um invejado, Lupe, Giovanina. Afonso Celso participou das atividades da Academia Brasileira de Letras, como um dos membros fundadores, tendo como patrono - na cadeira nº. 36 - o poeta Teófilo Dias de Mesquita, sobrinho de Gonçalves Dias, falecido em 1889. No magistério também manteve atuação destacada, tendo exercido a Cátedra de Economia Política na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, da qual foi diretor por alguns anos e reitor da Universidade do Rio de Janeiro. A última visita de Afonso Celso à Academia Brasileira de Letras ocorreu na sessão de 7 de julho de 1939, quatro dias antes de seu falecimento.
  • CONDE DE AFONSO CELSO  AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO JÚNIOR  (1860 -1938)  - UM DOS FUNDADORES DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS OCUPANDO A CADEIRA DE NUMERO 36. A MISSIVA É DIRIGIDA A MANOEL HILÁRIO PIRES FERRÃO, ESCRIVÃO DE ORPHÃOS E TABELIÃO DE NOTAS DO RIO DE JANEIRO MAS TAMBÉM UM DILETO LITERATO COM OBRAS PUBLICADAS NÃO SÓ NAS  ÁREAS TCNICAS DE SUA ATUAÇÃO PROFISSIONAL MAS TAMBÉM DELICIOSOS ROMANCES FOLHETINESCOS, UM PRECURSOR DAS NOVELAS DE TEATRO. NESSA CARTA EM PARTICULAR O CONDE AFONSO CELSO ACUSA O RECEBIMENTO DE UM DESSAS OBRAS PARA TEATRO: CORAÇÃO E GÊNIO   LIÇÃO CONJUGAL EM TRÊS ATOS.  DRAMA ORIGINAL DE COSTUMES BRASILEIROS. MANOEL HILÁRIO FERRÃO PARTICIPOU COMO PALESTRANTES NAS HISTÓRICAS CONFERÊNCIAS POPULARES DA GLÓRIA UM MOVIMENTO INTELECTUAL DEDICADO A DIFUNDIR A LITERATURA E CONHECIMENTO CIENTÍFICO DO BRASIL ENTRE 1873 E 1889. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. M. H. PIRES FERRÃO, MEU AMIGO MUITO AGRADEÇO TER-ME PORPORCIONADO A LEITURA DE SEU PRIMOROSOS TRABALHO  CORAÇÃO E GÊNIO. É REALMENTE UMA LIÇÃO CONJUGAL EM TRÊS ATOS COM QUIS TANTO QUALIFICAR E LIÇÃO CIVILÍSSIMA PORQUE DISSE-O MUITO BEM NA DEDICATÓRIA QUE QUEM O COMPREENDER APRENDERÁ QUE CORREÇÃO  FAZ EXPIAÇÃO QUANDO PUNGE O ARREPENDIMENTO. CONHECIA JÁ E ADMIRAVA AS MÚLTIPLAS FACES DE SEU TALENTO MAS CONFESSO-LHE QUE VENDO-O TÃO FAMILIARIZADO COM OS PROSAICOS PRAXISTAS NÃO O SUPUNHA DOTADO DE TÃSO FELIZ VOCAÇÃO PARA HUM DOS MAIS DIFÉICEIS RAMOS DA LITERATURA  O DRAMA. RECONHEÇO A MINHA INCOMPETÊNCIA NA MATÉRIA E NEM A ASPIRO. JULGO CERTAS MOTIVAÇÕES PELA IMPRESSÃO ME CAUSAM, SEM ESTABELECER PARALELOS...POSTO EM CENA E INTERPRETADO POR VERDADEIROS ARTISTAS O CORAÇÃO E GÊNIO SERÁ UM SUCESSO PARA O NOSSO TEATRO. LÁ ESTIMAREI ACHAR-ME PARA APLAUDI-LO COM A MESMA SINCERIDADE COM QUE LHE APERTO A MÃO. NÃO FUI O ÚNICO QUE LEU-O ATÉ MEU FILHO NÃO SE SATISFEZ COM O QUE OUVIA QUIS LE-LO TAMBÉM. DAÍ A DEMORA NA RESPOSTA. DESCULPE. SEU AMIGO E ADMIRADOR AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO. 30 DE AGOSTO DE 1875. NASCIDO EM 1860, EM OURO PRETO, ENTÃO CAPITAL DA PROVINCIA DE MINAS GERAIS, FILHO DO VISCONDE DE OURO PRETO, 36.º E ÚLTIMO PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS DO IMPÉRIO, E DE FRANCISCA DE PAULA MARTINS DE TOLEDO, ESTA, FILHA DO CONSELHEIRO JOAQUIM FLORIANO DE TOLEDO, CORONEL DA GUARDA NACIONAL, QUE FOI PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO POR SEIS VEZES. FORMOU-SE EM DIREITO, EM 1880, PELA FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO. AFONSO CELSO É BISAVÔ DO MÚSICO DINHO OURO PRETO, VOCALISTA DA BANDA DE ROCK CAPITAL INICIAL. NOTA:  As 'Conferências Populares da Glória', assim denominadas por se realizarem em escolas públicas localizadas na Freguesia da Glória, no Município da Corte, iniciaram-se em 23 de novembro de 1873 sob a iniciativa e coordenação do conselheiro Manoel Francisco Correia, senador do Império. A identificação da escola pública que sediou estas conferências não é uma questão totalmente esclarecida, porém as referências indicam que, inicialmente, estas realizaram-se em uma das escolas públicas da Glória (na época haviam seis escolas em ruas que atualmente pertencem aos bairros do Flamengo e da Glória), posteriormente, na Escola São José (de janeiro a maio de 1875) e, finalmente, em um prédio construído para tal fim (as indicações sugerem a atual Escola Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, construída entre 1874 e 1875). Transcorriam, inicialmente, nas manhãs de domingo (posteriormente estendidas para dois dias semanais), e eram rotineiramente anunciadas antecipadamente nos mais importantes jornais da época (Jornal do Commercio, Gazeta de Notícias e Diário do Rio de Janeiro).Muitas conferências foram publicadas conjuntamente, em 1876, sob a forma de uma publicação, de curta existência, igualmente intitulada Conferências Populares da Glória. Paralelamente a esta iniciativa, também costumava-se publicar um resumo da maioria das conferências nos jornais citados, alguns dias após a sua realização. Ao lado disso, muitas destas conferências foram reproduzidas em obras biográficas ou antológicas da época. Dessa forma, tornava-se imprescindível a realização de um extenso levantamento, buscando localizar os registros destas conferências (sob a forma integral de seu conteúdo, sob a forma de resumo ou de aviso) nas fontes referidas.De acordo com seu criador, o conselheiro Correia, as conferências deveriam ser franqueadas a todos, tendo em vista o seu principal objetivo, isto é, a instrução do povo. No entanto, através de relatos da época, constatamos que a sua platéia era constituída por um seleto público, sendo notada a presença da família imperial, da aristocracia da corte, de profissionais liberais e estudantes.Sua função primordial era, segundo seu criador, a de se tornar um meio para despertar o espírito para os mais diversos assuntos, excetuando-se as "paixões políticas", "as abordagens relativas à divisão de crenças e princípios" (Correia, 1873). Acreditavam os protagonistas das conferências que, através da ilustração do país, da divulgação da ciência e da cultura, a nação poderia ser transformada. Para seus mentores, sua relevância decorria também do fato de existirem congêneres em países europeus, onde autores como Laboulaye, Guizot e Cousin refletiam sobre o significado de tais realizações.Sua repercussão, no próprio país, pode ser aquilatada pelo surgimento, na época, de uma verdadeira disputa pelo pioneirismo de sua realização, contrapondo as conferências coordenadas por Cunha Leitão no Sergipe às do conselheiro Correia na Corte (Moura, 1874).O temário abordado pelos conferencistas incluía um conjunto amplo e eclético de conhecimentos, desde temas essencialmente culturais (literatura, teatro, história das civilizações, educação) até as temáticas intrínsecas ao conhecimento das diversas ciências (matemática, biologia, medicina, botânica, ciências físicas...). As epidemias, o papel das condições atmosféricas na incidência de enfermidades, as diversas terapêuticas, a questão do contágio, entre outros assuntos médicos, mereceram, reiteradas vezes, a atenção de expoentes da medicina que se apresentavam naquele espaço.A tribuna da Glória, como ficou conhecido este espaço, foi se transformando, ao longo do século XIX, no verdadeiro palco das polêmicas sobre a liberdade do ensino, sobre a criação de universidades, sobre as diversas doutrinas científicas (contagionistas versus anticontagionistas...). Nesta direção, podemos apontar como seu grande momento o ano de 1880, quando um grupo de professores e alunos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, liderados pelo prof. Francisco Praxedes de Andrade Pertence, ocupou este espaço para expor a precariedade do ensino médico praticado no país. Andrade Pertence e os demais professores denunciavam fundamentalmente o estado de penúria (desaparelhamento dos gabinetes, falta de laboratórios, inexistência de uma sede própria) das instituições de ensino médico, e a inadequação do ensino (ensino teórico excessivo, incipiente desenvolvimento da medicina experimental). Estas reivindicações, que já haviam sido formuladas em outras instâncias, porém sem resultados, conseguiram nesta tribuna a repercussão necessária, a ponto de influir positivamente no processo de reforma daquela instituição. O conde Afonso Celso de A. Figueiredo, um dos assíduos palestrantes, procurou, perante uma comissão do Senado, sinalizar o impacto destas conferências: "...homens distintos por seu patriotismo e ilustração demonstravam, em conferências públicas, a urgente necessidade de colocar-se aquela escola na altura em que hoje se acha, quer sob o ponto de vista material, quer sob o das lições teóricas e práticas, para que pudesse preencher os fins de sua instituição." (Figueiredo, 1883).As 'Conferências Populares da Glória', segundo os registros acessíveis, ocorreram até 1889, quando foram interrompidas, sendo retomadas em 1891, sob a direção do conselheiro João Manuel Pereira da Silva, por ocasião do 4º Centenário do Descobrimento da América. Entendemos, entretanto, que o período de 1873 a 1880 foi o mais representativo, durante o qual contaram com a participação dos mais importantes expoentes das ciências biomédicas no país, como Andrade Pertence, Kossuth Vinelli, Silva Araújo, Cipriano de Freitas, Monteiro Caminhoá, Miranda de Azevedo, Bento Gonçalves Cruz, Cruz Jobim, Feliciano Bittencourt, João Martins Teixeira e Nuno de Andrade. As palestras destes 'científicos' objetivavam a divulgação dos conhecimentos científicos, e a conscientização do poder das idéias e da ciência no aperfeiçoamento da sociedade.Neste levantamento apresentaremos uma listagem de todas as conferências realizadas no período privilegiado, indicando a data de ocorrência, o número correspondente, o autor, o título e as fontes que as reproduziram. As fontes principais são os periódicos da época (Jornal do Commercio, Diário do Rio de Janeiro, Gazeta de Notícias e Conferências Populares), que anunciavam sua realização (aviso) e as reproduziam na íntegra ou sob a forma de resumo. Por outro lado, indicamos também algumas obras ou coletâneas de trabalhos de conferencistas que apresentaram o conteúdo integral ou parcial de algumas conferências.
  • CONSELHEIRO  ANTONIO MOREIRA DE BARROS (TAUBATÉ, 1841  PARIS 1896)  FOI CONSELHEIRO DO IMPERIO, PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE ALAGOS, MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES NO GABINETE SINIMBU E PRESIDENTE DA CAMARA DOS DEPUTADOS DO BRASIL. MISSIVA DE ANTONIO MOREIRA DE BARROS AGRADECENDO A BENJAMIN W. AUSTIN O CONIVTE PARA TORNAR-SE MEMBRO HONORÁRIO DA  NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. A CARTA LAVRADA EM 8 DE OUTUBRO DE 1886 FOI ESCRITA EM FRANCÊS. EXCERTOS DO TEXTO: TAUBATÉ, PROVÍNCIA DE SÃO PAULO BRASIL, 8 DE OUTUBRO DE 1896. SR. BENJAMIN W. AUSTIN, ATRAVÉS DE SUA AMÁVEL COMUNICAÇÃO DE 12 DE ABRIL O SENHOR ME FEZ SABER QUE A  NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. TEVE A GENTILEZA DE CONCEDER-ME A HONRA DE TORNAR-ME UM DE SEUS MEMBROS HONORÁRIOS. ACEITO SENHOR COM MUITO PRAZER ESTA PROVA DE CONSIDERAÇÃO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY . TENHA A BONDADE SENHOR DE SER INTÉRPRETE JUNTO A MESMA SOCIEDADE DE MEU PROFUNDO RECONHECIMENTO. ANTONIO MOREIRA DE BARROS". NOTA: Foi presidente da província de Alagoas, nomeado por carta imperial de 31 de julho de 1867, de 9 de setembro de 1867 a 22 de maio de 1868, ministro das Relações Exteriores do Brasil (ver Gabinete Sinimbu) e presidente da Câmara dos Deputados do Brasil. Foi conselheiro de Dom Pedro II, deputado geral (Partido Liberal), cavaleiro da Grã-cruz da Ordem do Leão Holandês e oficial da Ordem da Rosa.Sobrinho do barão de Pereira de Barros e primo do Conde de Santo Agostinho, todos membros da família Pereira de Barros, de Taubaté. Possuia duas fazendas chamadas Quilombo, uma em Taubaté,2 e outra em São Carlos.Seu filho, o homônimo Antônio Moreira de Barros (1868-1919), possuía também fazenda em São Carlos (atual Ibaté), a Fazenda Palmital.
  • BARÃO DE ITAJUBÁ- (MARCOS ANTÔNIO DE ARAÚJO E ABREU, SEGUNDO BARÃO DE ITAJUBÁ, (HAMBURGO, ?  BERLIM, 3 DE NOVEMBRO DE 1897) FOI UM DIPLOMATA BRASILEIRO. FILHO DO VISCONDE DE ITAJUBÁ E IGUALMENTE DIPLOMATA MARCOS ANTONIO DE ARAUJO (1805-1884) NASCIDO EM MINAS GERAIS.  MISSIVA  DO BARÃO DE ITAJUBÁ ESCRITA EM 28 DE JANEIRO DE 1886 DIRIGIDA A BENJAMIM W. AUSTIN SECRETÁRIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. ESCRITA EM LINDO PAPEL TIMBRADO COM COROA IMPERIAL SOB A INSCRIÇÃO LEGATION OF BRASZIL WASSHINGTON. A CARTA AGRADECE A INDICAÇÃO DO BARÃO DE ITAJUBÁ COMO MEMBRO HONORÁRIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. EXCERTOS DO TEXTO: JANEIRO, 28 1886 BEN. W.AUSTIN SECRETARIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. CARO SENHOR CARO SENHOR TENHO A HONRA DE ACUSAR O RECEBIMENTO DE SUA CARTA DE 20 DE ABRIL ME INFOMANDO QUE OS MEMBROS DA SOCIEDADE HONROSAMENTE ME TORNARAM MEMBRO HONORÁRIO.  AGRADEÇO MUITO A HONRA QUE ME FOI CONCEDIDA E ME SINTO OBRIGADO A VOSSA SENHORIA TRANSMITA  AOS PRESIDENTE, VICE PRESIDENTE E DEMAIS MEMBROS DA SOCIEDAD. ACEITO DE TODO O CORAÇÃO O VALIOSO E GENTIL CONVITE DE FILIAÇÃO QUE VOSSA SENHORIA TEVE A AMABILIDADE DE ME ENVIAR PARA TOMAR PARTE DA SOCIEDADE EM SUA DISTINTA COMPANHIA. COM MEUS RESPEITOS. BARÃO DE ITAJUBÁ, MINISTRO DO BRASIL NOS ESTADOS UNIDOS. .  CURIOSAMENTE O MESMO BENJAMIM W. AUSTIN QUE ERA SECRETARIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY POUCOS ANOS DEPOIS EM 1890 JÁ COMO SECRETÁRIO DA TRINITY HISTORICAL SOCIETY DE OAK CLIFF E DALLAS APRESENTOU CONVITE PARA ASSOCIAÇÃO HONORÁRIO DO IMORTAL BRASILEIRO JOÃO MANUEL PEREIRA DA SILVA  (1817-1898) NA TRINITY. PODE-SE SUPOR QUE BENJAMIM W. AUSTIN TINHA AFINIDADE A CULTURA BRASILEIRA.  O BARÃO DE ITAJUBÁ SEGUIU OS PASSOS DE SEU PAI UM ILUSTRE DIPLOMATA BRASILEIRO  QUE ERA  BACHAREL EM DIREITO PELA ACADEMIA DE OLINDA, ERA LENTE DESSA ACADEMIA QUANDO FOI NOMEADO ENCARREGADO DE NEGOCIOS INTERINO E CONSUL GERAL DO BRASIL NAS CIDADES HANSEATICAS. DE 1834 A 1867, OCCUPOU SUCCESSIVAMENTE TODOS OS PÓSTOS DA CARREIRA DIPLOMATICA EM QUASE TODAS AS CÔRTES EUROPEAS. FOI O ARBITRO BRASILEIRO NA QUESTÃO DO ALABAMA, ENTRE OS ESTADOS UNIDOS E A GRÃ-BRETANHA, SERVINDO COM IGUAL BRILHO AO DOS OUTROS DOIS ARBITROS NOMEADOS PELO REI DA ITALIA E O PRESIDENTE DA SUISSA, NO TRIBUNAL DE ARBITRAMENTO DE GENEBRA, EM 1871. ERA GRANDE DO IMPERIO, GRÃ-CRUZ DA IMPERIAL ORDEM DE CHRISTO, GRANDE OFFICIAL DA LEGIÃO DE HONRA DA FRANÇA, CAVALLEIRO DA REAL ORDEM DA CONCEIÇÃO DE VILLA VIÇOSA, DE PORTUGAL, GRÃ-CRUZ DA AGUIA VERMELHA, DA PRUSSIA, DA ORDEM DOS GUELPHOS, DO HANNOVER, DA DE PEDRO DE OLDENBURGO, DA ERNESTINA DA SAXONIA, DA DINAMARQUESA DE DANEBROGUE, E SOCIO DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAPHICO BRASILEIRO. NOTA: Filho do visconde de Itajubá e de Maria Cristina Josefina Adele Vaugbelle, nasceu na Alemanha enquanto seu pai lá servia como diplomata. Casou com Maria Elisa Pereira da Silva, filha do João Manuel Pereira da Silva.Entrou na carreira diplomática em 1866, no mesmo ano servindo na Rússia como adido. Representou o Brasil em diversos países da Europa, tendo recebido inúmeras condecorações, entre elas a Legião de honra da França.Agraciado barão em 10 de novembro de 1883, também agraciado oficial da Imperial Ordem da Rosa, comendador da Legião de Honra da França, entre outras condecorações.Faleceu enquanto ministro do Brasil junto a corte do imperador Guilherme II da Alemanha.

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