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  • DR. MANOEL THOMAZ COELHO  -  MISSIVA DE AGRADECIMENTO COM ENTREGA DE UM RETRATO ENCOMENDADO PELOS MEMBROS DA CORPORAÇÃO DIRIGIDA AO EX  MINISTRO DA JUSTIÇA CONSELHEIRO MANUEL ANTÔNIO DUARTE DE AZEVEDO (ITABORAÍ, 16 DE JANEIRO DE 1831  RIO DE JANEIRO, 9 DE NOVEMBRO DE 1912). O CONSELHEIRO TOMOU PARTE NO GABINETE DO VISCONDE DE RIO BRANCO ATUANDO NESTA POSIÇÃO DE  20 DE ABRIL DE 1872 A 1875. O DR. MANOEL THOMAZ COELHO FOI MEMBRO TITULAR DA ACADEMIA NACIONAL DE MEDICINA EM 1857. CIRURGIÃO DO HOSPITAL MILITAR DA GUARNIÇÃO DA CORTE E  PRESIDENTE DA SOCIEDADE DE LIBERTAÇÃO EM 1870 QUE PLEITEAVA O FIM DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL, MÉDIGO LEGISTA DA POLÍCIA DA CORTE QUE CHEGANDO A PATENTE DE CAPITÃO. EXCERTOS DO TEXTO: ILUSTRISSIMO CONSELHEIRO A GRATIDÃO É UM DOS SENTIMENTOS DA ALMA QUE MAIS A EXPANDE FILHA QUERIDA DOS CORAÇÕES SINCEROS E ELAIS ENOBRECE OS NOBILITANDO-OS AINDA QUE AFIRMEM O CONTRÁRIO OS PESSIMISTAS.  UMA PROVA CABAL DESSA VERDADE É A NOSSA PRESENÇA LEVANDO-LHE A OFFERTA DESTE RETRATO. A SECRETARIA DA POLICIA DA CORTE REMEMORANDO NO MEIO DE SEU LABOR CONTANTE O NOME DO MINISTRO DA JUSTIÇA DO GABINETE DE 20 DE ABRIL DE 1872 E DESEJANDO CUMPRIR UM DEVER GRATO A TODOS OS EMPREPREGADOS QUE SE RECORDÃO COM SAUDADE DO MUITO DIGNO MINISTRO QUE ESPONTANEAMENTE LEMBROU E LEVOU A EFFEITO O AUMENTO DE SEUS MIMGUADOS VENCIMENTOS TEVE O PENSAMENTO DE OFERECER-LHE UM MIMO QUE RELEMBRASSE SEMPRE O ATO BENEMERITO UM RETRATO PARECEU A TODOS NÓS O MIMO QUE MELHOR CARACTERIZASSE O PENSAMENTO GERAL E QUE MAIS PERDURASSE NA LEMBRANÇA DOS VINDOUROS ...  SE VOSSA EXCELÊNCIA ESTIVESSE AINDA NO PODER PODERIA TALVEZ ENXERGAR VISLUMBRES DE LISONJA E ADULAÇÃO NESSE ATO HOJE APENAS AMIGOS SINCEROS E GRATOS DIRIGEM-SE A VOSA EXCELENCIA SAUDANDO E RECONHENDO UM DOS MINISTROS DESSE GRANDE GABINETE DE 7 DE MARÇO...  TENHO A HONRA DE DEPOSITAR  NAS MÃOS DE VOSSA EXCELENCIA UMA RELAÇÃO NOMINAL DOS SIGNATÁRIOS E OFFERTANTES ALGUNS DOS QUAIS NÃO SE ACHAM INFELIZMENTE PRESENTES POR CIRCUNSTANCIAS ALHEIAS A SEU DESEJO. RIO DE JANEIRO, 16 DE JANEIRO DE 1877; O DR. MANOEL THOMAZ COELHONOTA: Manuel Antônio Duarte de Azevedo (Itaboraí, 16 de janeiro de 1831  Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1912)  Conselheiro do Império, formou-se em direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1856, doutourando-se em 1859. Foi juiz de órfãos em 1858.Foi presidente das províncias do Piauí, de 13 de julho de 1860 a 15 de abril de 1861 e do Ceará, de 6 de maio de 1861 a 12 de fevereiro de 1862. Tomou posse como professor catedrático de Direito Romano da Faculdade de Direito em 1871, após lecionar, desde 1862, em várias cadeiras como lente substituto. Deputado geral por São Paulo, em 1868, ministro interino da Marinha e ministro titular da Justiça no Gabinete Rio Branco (1870  1875).Voltando para São Paulo, com a proclamação da República foi eleito senador por São Paulo, exercendo sua presidência quando faleceu. Recebeu a grã-cruz da Ordem Imperial Prussiana de S. Anna de 1ª classe e a grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi membro da Ordem Terceira do Carmo. Escreveu várias obras, das quais se destaca "Controvérsias Jurídicas", publicado em 1907.
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA    BELO MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA  E REPUXADA. CORPO LISO NO TERÇO SUPERIOR E COM CANELURAS NO TERÇO INFERIOR.. ALÇA EM CARAPETA REMATADA POR SERPENTE.  AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 320 G 11 X 12 CM
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA   EXPLENDIDO MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA  E REPUXADA. CORPO LISO, FEITIO DE SINO COM ELEGANTE  ALÇA EM CARAPETA.  AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 430 G 11 X 12 CM
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA  MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA E REPUXADA, CONSTRUÍDA EM FACETAS. ELEGANTE  ALÇA EM CARAPETA.  BORDA E BASE DA CANECA REMATADOS POR PEROLADOS ESTILO DONA MARIA I .AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 290 G 11 X 12 CMNOTA: A colonização do Brasil começou de fato a partir de 1530, quando D. João III em 1534 criou o sistema das capitanias hereditárias, nomeando capitães donatários para governá-las; doando terras através das sesmarias, nomeando funcionários para as vilas que começavam a surgir, além de incentivando a ida de famílias para colonizar aquelas vastas terras. Ao mesmo tempo que os colonos fundavam vilas e formavam roçados, ainda havia o incentivo de adentrar o interior, chamado de sertão, a fim de descobrir riquezas minerais ali escondidas. A fim de contornar o problema causado pelo estabelecimento dos povoamentos somente no litoral e atraso do desenvolvimento da colônia causado por isso, em 1548, D. João III criou o Governo-Geral e nomeou o político e militar Tomé de Sousa (1503-1579) para assumir como governador-geral do Brasil. No ano de 1549 ele chegou a Capitania da Bahia onde fundou a cidade de Salvador a primeira capital do Brasil. Uma das missões de Tomé, era explorar os sertões para descobrir riquezas e mapear o interior do território colonial. Em 1553 no final de seu mandato, ele ordenou a inciativa da entrada que ficara sob o comando do espanhol Francisco Bruzo de Espinosa com o objetivo de desbravar os sertões da Bahia. A entrada que contou com centenas de integrantes, conseguira chegar ao rio São Francisco naquela ocasião, e indo até mais além deste no que viria a ser território de Minas Gerais onde fora fundada a Vila de Espinosa. A partir dessa entrada em 1554, outras entradas seriam promovidas pelo restante da colônia, incentivando os sertanistas como ficariam conhecidos estes homens, a desbravarem as terras interioranas em busca de riquezas, de se caçar indígenas para a escravidão, de montar missões religiosas para a catequização destes. Os motivos de impulsionar tais homens a desbravar os sertões atrás de riquezas minerais era o fato que eles haviam visto índios usando ouro; além dos indígenas também contarem histórias sobre minas de ouro e prata, e o fato de que em 1534, Francisco Pizarro havia conquistado o Império Inca, conseguindo para a Coroa Espanhola, dezenas de toneladas em ouro e prata, e posteriormente descobriram a localização destas minas, e muitas destas ficavam localizadas em Potosi no chamado Alto Peru que hoje é a Bolívia. Sabendo que o Brasil estava no mesmo continente que o Peru, logo embora não se soubesse exatamente a distância até elas. Em 8 de setembro de 1553, o lugar-tenente Antonio de Oliveira e Brás Cubas, ordenados por Martim Afonso de Sousa, conseguiram com sua entrada, subir a Serra do Mar e alcançaram o planalto de Piratininga, fundando a Vila de Santo André da Borda do Campo. A vila fora fundada a partir da localização do povoado que João Ramalho havia erigido anos antes. Com a fundação da vila, Antonio de Oliveira, mudou-se para lá com sua esposa D. Genebra Leitão e o restante da família, além de levarem consigo, outras famílias vindas das vilas de São Vicente e Santos. E no ano seguinte os jesuítas padre Manuel da Nóbrega e o irmão José de Anchieta, junto com outros jesuítas, bandeirantes e o apoio do cacique Tibiriça, fundaram o Colégio de São Paulo do Campo do Piratininga a 25 de janeiro de 1554. Um povoado se formou em torno do colégio jesuítico e rapidamente cresceu em pouco tempo. Em 1560, o então governador-geral Mem de Sá (1500-1572), ordenou a criação da Vila de São Paulo do Piratininga, ordenando que a população da Vila de Santo André se muda-se para a nova vila, a qual se tornaria o principal centro urbano do planalto piratininguense, mesmo assim, a população da vila não vivia em condições prósperas. Não obstante, as vilas de São Vicente e Santos ainda eram mais prósperas do que São Paulo, pois essas participavam da produção e comércio do açúcar, o "ouro branco" da época. Somando-se a isso a proximidade com o mar, isso facilitava a vinda de mercadorias da África, de outros cantos da colônia e da própria metrópole. Os habitantes do planalto tinham que ir ao litoral comprar mercadorias que faltavam em suas terras (roupas, móveis, utensílios, objetos, armas, etc.). No entanto, a medida que Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio de Janeiro despontavam no cultivo canavieiro, a produção açucareira de São Vicente fora ofuscada, isso obrigou parte da população da capitania a procurar outro meio de subsistência. Além disso, em 1562 São Paulo sofrera um terrível ataque dos Tupinambás e outras tribos, que formavam a Confederação dos Tamoios os quais de 1554 a 1567 causaram problemas a ocupação colonial naquela região. Uma das soluções que alguns particulares encontraram, era arriscar se aventurar pelos sertões em busca das supostas minas de ouro e prata que se diziam existir no interior do continente; por outro lado, outros preferiram ir caçar os indígenas e vendê-los como escravos, pois embora São Vicente e Santos fossem portos movimentados, não recebiam tantos escravos africanos como na região norte (nesse caso norte, representa o atual nordeste, e sul o atual sudeste), logo, grande parte da mão de obra escrava da capitania, era indígena, e em alguns casos as bandeiras também vendiam índios para capitanias vizinhas. Logo, aqueles homens que haviam formados milícias para se defenderem dos ataques, decidiram organizar expedições para adentrar o sertão atrás de riquezas, de desbravar ou devassar, termo utilizado na época; e para se capturar os indígenas. As bandeiras eram criadas. A vila de São Paulo só viria a se tornar um centro importante por volta do século XVII, mesmo assim ainda se manteria como uma vila "atrasada" até o século XIX, quando começaria a se desenvolver rapidamente graças ao café. Pois embora, as bandeiras fizessem lucro, tal lucro ficava entre particulares, e após a descoberta das minas, muitos deixaram São Paulo para lá irem morar. As primeiras bandeiras eram armadas (organizadas) pelos seus próprios líderes, no entanto, com o passar do tempo, alguns homens ricos, se uniam para financiar a expedição, e não necessariamente eles participavam da bandeira, mas contratavam um homem experiente que conhece-se as matas e os costumes indígenas para liderar a expedição, então dependendo do investimento feito, comprava-se armas, equipamentos, mantimentos, medicamentos e convocava-se o restante dos membros da expedição, os quais geralmente eram homens entre os seus 15 e 35 anos, atrás de fazerem riqueza e fama; homens de coragem e força, pois a selva era implacável. Alguns bandeirantes que começaram ainda cedo sua carreira, por exemplo, foram Bartolomeu Bueno da Silva Filho (Anhanguera II) e Antônio Pires de Campo, ambos participaram de bandeiras armadas por seus pais, quando tinham apenas quatorze anos. Francisco Dias da Silva tinha dezesseis anos quando participou de sua primeira bandeira, armada por um tio seu. Outros bandeirantes dedicavam quase a vida toda as bandeiras, as quais se tornavam para eles um estilo de vida; Manuel de Campos Bicudo participou de pelo menos vinte e quatro bandeiras, Fernando Dias Paes Leme fora até o fim da vida um bandeirante, vindo a falecer durante uma bandeira, tendo na época mais de 64 anos. Domingo Jorge Velho, embora tenha se aposentado na velhice, seguiu até essa, sendo um bandeirante. Além de conter homens livres, as bandeiras também tinham como membros, "índios amansados", usando um termo da época. Tais indígenas, eram cristãos e sabiam falar português, em geral eles eram os guias da expedição, pois muitos conheciam as trilhas e rotas de viagem pelas matas, pois não existiam estradas propriamente falando; seguia-se o curso de rios, ou trilhas, que para olhos desapercebidos passariam em branco, daí a necessidade de se terem pessoas (no caso os índios) que conhecessem aquelas rotas. O fato de muitas bandeiras conterem índios é interessante, pois na literatura tradicional, se conveniou a ideia de que os bandeirantes fossem apenas brancos, mas na realidade, haviam muitos mestiços, principalmente caboclos ou mamelucos (ambos os termos designam os mestiços de branco com índio), além de haver índios puros mesmo, e em alguns casos mais raros, negros. Além disso, era comum muitos bandeirantes falarem a língua geral, língua esta que originalmente era um dialeto tupi, que com a introdução da língua portuguesa, fora misturada a este dialeto. Pelo fato de conviver muito com os indígenas, alguns bandeirantes falavam mais em língua geral do que em português.
  • TRADIÇÃO COLONIAL/BANDEIRISTA  MUG/CANECA EM PRATA DE LEI  SETECENTISTA BATIDA CONSTRUÍDA EM FACETAS. ALÇA LARCA REMATADA NAS EXTREMIDADES COM BANDAS RELEVADAS  DUPLAS. MESMA DECORAÇÃO ARREMATA A BORDA E ABASE DA CANECA DE ONDE A ALÇA PARTE. MARCAS POSSESSÓRIAS MDZ. AS CANECAS EM PRATA DE LEI FORAM NA SOCIEDADE COLONIAL BRASILEIRA UM OBJETO DE OSTENTAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE RIQUEZA. ERAM DE USO EXCLUSIVO DO DONO DA RESIDÊNCIA FUNCIONANDO COMO PEÇA DE APARATO. LIANA MESGRAVES EM SUA OBRA DE BANDEIRANTE A FAZENDEIRO ASPECTOS DA VIDA SOCIAL E ECONÔMICA DE SÃO PAULO COLÔNIA. HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO A CIDADE COLONIAL DE 1554-1822 AFIRMA QUE  NAS CASAS PAULISTAS DO PERÍODO COLONIAL  A LOUÇA MUITAS VEZERS  ERA DE BARRO E AS GAMELAS DE MADEIRA, COLHERES, FACAS E PANELAS DE FERRO. ENTRETANTO, SEGUNDO MESGRAVES, S OS MAIS ABASTADOS POSSUIAM CANECAS E COPOS EM PRATA. BRASIL, SEC. XVIII. 235 G 10 X 12,5 CMNOTA: A colonização do Brasil começou de fato a partir de 1530, quando D. João III em 1534 criou o sistema das capitanias hereditárias, nomeando capitães donatários para governá-las; doando terras através das sesmarias, nomeando funcionários para as vilas que começavam a surgir, além de incentivando a ida de famílias para colonizar aquelas vastas terras. Ao mesmo tempo que os colonos fundavam vilas e formavam roçados, ainda havia o incentivo de adentrar o interior, chamado de sertão, a fim de descobrir riquezas minerais ali escondidas. A fim de contornar o problema causado pelo estabelecimento dos povoamentos somente no litoral e atraso do desenvolvimento da colônia causado por isso, em 1548, D. João III criou o Governo-Geral e nomeou o político e militar Tomé de Sousa (1503-1579) para assumir como governador-geral do Brasil. No ano de 1549 ele chegou a Capitania da Bahia onde fundou a cidade de Salvador a primeira capital do Brasil. Uma das missões de Tomé, era explorar os sertões para descobrir riquezas e mapear o interior do território colonial. Em 1553 no final de seu mandato, ele ordenou a inciativa da entrada que ficara sob o comando do espanhol Francisco Bruzo de Espinosa com o objetivo de desbravar os sertões da Bahia. A entrada que contou com centenas de integrantes, conseguira chegar ao rio São Francisco naquela ocasião, e indo até mais além deste no que viria a ser território de Minas Gerais onde fora fundada a Vila de Espinosa. A partir dessa entrada em 1554, outras entradas seriam promovidas pelo restante da colônia, incentivando os sertanistas como ficariam conhecidos estes homens, a desbravarem as terras interioranas em busca de riquezas, de se caçar indígenas para a escravidão, de montar missões religiosas para a catequização destes. Os motivos de impulsionar tais homens a desbravar os sertões atrás de riquezas minerais era o fato que eles haviam visto índios usando ouro; além dos indígenas também contarem histórias sobre minas de ouro e prata, e o fato de que em 1534, Francisco Pizarro havia conquistado o Império Inca, conseguindo para a Coroa Espanhola, dezenas de toneladas em ouro e prata, e posteriormente descobriram a localização destas minas, e muitas destas ficavam localizadas em Potosi no chamado Alto Peru que hoje é a Bolívia. Sabendo que o Brasil estava no mesmo continente que o Peru, logo embora não se soubesse exatamente a distância até elas. Em 8 de setembro de 1553, o lugar-tenente Antonio de Oliveira e Brás Cubas, ordenados por Martim Afonso de Sousa, conseguiram com sua entrada, subir a Serra do Mar e alcançaram o planalto de Piratininga, fundando a Vila de Santo André da Borda do Campo. A vila fora fundada a partir da localização do povoado que João Ramalho havia erigido anos antes. Com a fundação da vila, Antonio de Oliveira, mudou-se para lá com sua esposa D. Genebra Leitão e o restante da família, além de levarem consigo, outras famílias vindas das vilas de São Vicente e Santos. E no ano seguinte os jesuítas padre Manuel da Nóbrega e o irmão José de Anchieta, junto com outros jesuítas, bandeirantes e o apoio do cacique Tibiriça, fundaram o Colégio de São Paulo do Campo do Piratininga a 25 de janeiro de 1554. Um povoado se formou em torno do colégio jesuítico e rapidamente cresceu em pouco tempo. Em 1560, o então governador-geral Mem de Sá (1500-1572), ordenou a criação da Vila de São Paulo do Piratininga, ordenando que a população da Vila de Santo André se muda-se para a nova vila, a qual se tornaria o principal centro urbano do planalto piratininguense, mesmo assim, a população da vila não vivia em condições prósperas. Não obstante, as vilas de São Vicente e Santos ainda eram mais prósperas do que São Paulo, pois essas participavam da produção e comércio do açúcar, o "ouro branco" da época. Somando-se a isso a proximidade com o mar, isso facilitava a vinda de mercadorias da África, de outros cantos da colônia e da própria metrópole. Os habitantes do planalto tinham que ir ao litoral comprar mercadorias que faltavam em suas terras (roupas, móveis, utensílios, objetos, armas, etc.). No entanto, a medida que Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio de Janeiro despontavam no cultivo canavieiro, a produção açucareira de São Vicente fora ofuscada, isso obrigou parte da população da capitania a procurar outro meio de subsistência. Além disso, em 1562 São Paulo sofrera um terrível ataque dos Tupinambás e outras tribos, que formavam a Confederação dos Tamoios os quais de 1554 a 1567 causaram problemas a ocupação colonial naquela região. Uma das soluções que alguns particulares encontraram, era arriscar se aventurar pelos sertões em busca das supostas minas de ouro e prata que se diziam existir no interior do continente; por outro lado, outros preferiram ir caçar os indígenas e vendê-los como escravos, pois embora São Vicente e Santos fossem portos movimentados, não recebiam tantos escravos africanos como na região norte (nesse caso norte, representa o atual nordeste, e sul o atual sudeste), logo, grande parte da mão de obra escrava da capitania, era indígena, e em alguns casos as bandeiras também vendiam índios para capitanias vizinhas. Logo, aqueles homens que haviam formados milícias para se defenderem dos ataques, decidiram organizar expedições para adentrar o sertão atrás de riquezas, de desbravar ou devassar, termo utilizado na época; e para se capturar os indígenas. As bandeiras eram criadas. A vila de São Paulo só viria a se tornar um centro importante por volta do século XVII, mesmo assim ainda se manteria como uma vila "atrasada" até o século XIX, quando começaria a se desenvolver rapidamente graças ao café. Pois embora, as bandeiras fizessem lucro, tal lucro ficava entre particulares, e após a descoberta das minas, muitos deixaram São Paulo para lá irem morar. As primeiras bandeiras eram armadas (organizadas) pelos seus próprios líderes, no entanto, com o passar do tempo, alguns homens ricos, se uniam para financiar a expedição, e não necessariamente eles participavam da bandeira, mas contratavam um homem experiente que conhece-se as matas e os costumes indígenas para liderar a expedição, então dependendo do investimento feito, comprava-se armas, equipamentos, mantimentos, medicamentos e convocava-se o restante dos membros da expedição, os quais geralmente eram homens entre os seus 15 e 35 anos, atrás de fazerem riqueza e fama; homens de coragem e força, pois a selva era implacável. Alguns bandeirantes que começaram ainda cedo sua carreira, por exemplo, foram Bartolomeu Bueno da Silva Filho (Anhanguera II) e Antônio Pires de Campo, ambos participaram de bandeiras armadas por seus pais, quando tinham apenas quatorze anos. Francisco Dias da Silva tinha dezesseis anos quando participou de sua primeira bandeira, armada por um tio seu. Outros bandeirantes dedicavam quase a vida toda as bandeiras, as quais se tornavam para eles um estilo de vida; Manuel de Campos Bicudo participou de pelo menos vinte e quatro bandeiras, Fernando Dias Paes Leme fora até o fim da vida um bandeirante, vindo a falecer durante uma bandeira, tendo na época mais de 64 anos. Domingo Jorge Velho, embora tenha se aposentado na velhice, seguiu até essa, sendo um bandeirante. Além de conter homens livres, as bandeiras também tinham como membros, "índios amansados", usando um termo da época. Tais indígenas, eram cristãos e sabiam falar português, em geral eles eram os guias da expedição, pois muitos conheciam as trilhas e rotas de viagem pelas matas, pois não existiam estradas propriamente falando; seguia-se o curso de rios, ou trilhas, que para olhos desapercebidos passariam em branco, daí a necessidade de se terem pessoas (no caso os índios) que conhecessem aquelas rotas. O fato de muitas bandeiras conterem índios é interessante, pois na literatura tradicional, se conveniou a ideia de que os bandeirantes fossem apenas brancos, mas na realidade, haviam muitos mestiços, principalmente caboclos ou mamelucos (ambos os termos designam os mestiços de branco com índio), além de haver índios puros mesmo, e em alguns casos mais raros, negros. Além disso, era comum muitos bandeirantes falarem a língua geral, língua esta que originalmente era um dialeto tupi, que com a introdução da língua portuguesa, fora misturada a este dialeto. Pelo fato de conviver muito com os indígenas, alguns bandeirantes falavam mais em língua geral do que em português.
  • BRASIL COLÔNIA  - DR. JOSÉ VIEIRA COUTO (1752- 1841)  MANUSCRITO  NECROLOGIO DO DR. JOSÉ VIEIRA COUTO (1752- 1824)  REDIGIDO POR OCASIÃO DE SEU FALECIMENTO. NASCIDO NO ARRAIAL DO TIJUCO, ATUAL DIMANTINA, EM 1752, COUTO PERTENCIA A UMA FAMÍLIA CUJA HISTÓRIA ESTAVA INTIMAMENTE LIGADA À REAL EXTRAÇÃO. UM DOS MAIS INFLUENTES CIDADÃOS DA REGIÃO DIAMANTÍFERA DO TIJUCO CONVIVEU  E FREQUENTAVA A CASA DA MÍTICA CHICA DA SILVA.  VIEIRA COUTO (1752-1827), MÉDICO, MINERALOGISTA E ESCRITOR, FORMADO NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, TRABALHOU NO HOSPITAL DO CONTRATO DIAMANTINO. EM 1798, ELE FORA ENCARREGADO PELA RAINHA D. MARIA I DE FAZER OBSERVAÇÕES E EXAMES MINERALÓGICOS E METALÚRGICOS EM TODA A COMARCA DO SERRO FRIO. O INTENDENTE JOAO INÁCIO DO AMARAL SILVEIRA IMPEDIU-O DE REALIZAR O TRABALHO E O GOVERNADOR, EM CARTA À CORTE, "AFIGURAVA O DR. COUTO COMO UMA VÍTIMA DE SEU DESPOTISMO, QUE, POR ÓDIO PARTICULAR, FORA DEMITIDO DO EMPREGO, QUE EXERCIA DE MÉDICO DO HOSPITAL DA ADMINISTRAÇÃO." UMA ORDEM DO PRÍNCIPE REGENTE, D. JOAO, DE 1799, REPREENDEU O INTENDENTE E DETERMINOU QUE TUDO DEVERIA SER FEITO PARA PERMITIR O TRABALHO DO DR. JOSÉ VIEIRA COUTO. O INTENDENTE ACABOU SENDO SUSPENSO DO CARGO POR ORDEM REAL. FOI UM DOS MÉDICOS QUE ATENDEU E TRATOU O VIAJANTE SAINT-HILAIRE VÍTIMA DE QUEDA DE CAVALO A DUAS LÉGUAS E MEIA DO TIJUCO E A UMA DE RIO MANSO (HOJE COUTO DE MAGALHAES DE MINAS), SOFRENDO TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO COM PERDA DE CONSCIÊNCIA E HEMORRAGIA NA REGIAO FRONTAL E ÓRBITA ESQUERDA. FOI LEVADO AO RIO MANSO, ONDE FOI SUBMETIDO À SANGRIA E, DOIS DIAS APÓS, FOI CONDUZIDO AO TIJUCO EM REDE CARREGADA POR ESCRAVOS.  DR. JOSÉ VIEIRA COUTO  FOI UM MÉDICO E NATURALISTA BRASILEIRO, FORMADO PELA UNIVERSIDADE DE COIMBRA EM 1777, DA QUAL FOI LENTE E ONDE TEVE POR COLEGA JOSÉ DE BONIFÁCIO, SEU COMPANHEIRO NAS VIAGENS DE ESTUDO E DE IDEIAS DE LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA. SEGUNDO SÍLVIO ROMERO, FOI "DOS SÁBIOS DE SEU TEMPO, UM DOS QUE MAIS ESCREVERAM E EM MELHOR ESTILO", TENDO PUBLICADO VÁRIAS OBRAS, ENTRE AS QUAIS A "MEMÓRIA SOBRE AS MINAS DA CAPITANIA DE MINAS GERAIS, SEU TERRITÓRIO, CLIMA E PRODUÇÕES METÁLICAS". NESSA MEMÓRIA RELATA SEU TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS DE MINAS, TAREFA DESIGNADA PELA RAINHA D. MARIA. ESSA MEMÓRIA E AS OBRAS DE SUA BIBLIOTECA EVIDENCIAM SUA INTIMIDADE COM AS IDEIAS ILUMINISTAS. POSSUÍA 228 OBRAS EM 601 VOLUMES, O QUE ERA EXTRAORDINÁRIO NOS SERTOES DAS MINAS SETECENTISTAS. A MAIOR BIBLIOTECA EM MINAS PERTENCIA AO CÓNEGO LUIZ VIEIRA DA SILVA, UM DOS PRINCIPAIS ATIVISTAS DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA, QUE CONTAVA COM 276 OBRAS EM 563 VOLUMES. ALGUMAS DAS OBRAS DE JOSÉ VIEIRA COUTO LHE FORAM ENVIADAS DE PORTUGAL POR SIMÃO PIRES SARDINHA, PRIMEIRO FILHO DE CHICA DA SILVA E SÁBIO NATURALISTA QUE SE ENVOLVEU NA INCONFIDÊNCIA MINEIRA. FOI DENUNCIADO A SANTA INQUISIÇÃO POR LER LIVROS DE MEDICINA AO INVÉS DE LIVROS DIREITOS . CONDENADO POR ESTE MOTIVO FOI SUBMETIDO A REPREENSÃO PÚBLICA.  EXCERTOS DO TEXTO: NECROLOGIA  NON OMNIS MORIAR MULTAQUE PARS MEI VITABIT LIBITINAM (NÃO MORREREI DE TODO, A MAIOR PARTE DE MIM SOBREVIRÁ A DEUSA LIBITINA - DEUSA DOS CADÁVERES NA RELIGIAO ROMANA  ODE  DE HORÁCIO  TRADUÇÃO MINHA DO TEXTO DO NECROLOGIO). ENTRE A MULTIDÃO DE ESPÍRITOS MALÉFICOS E INIMIGOS DA PRÓPRIA ESPÉCIE DE QUE TANTO ABUNDA A TERRA A NATUREZA PRODUZ DE VEZ EM QUANTO ENTE BENFASEJO DIGNO DE CONSIDERAÇÃO E ESTIMA DA POSTERIDADE. O DR. JOSÉ VIEIRA COUTO NASCEU NO TIJUCO EM 24 DE JUNHO DE 1752. OS RAROS TALENTOS QUE DEMONSTRAVA MESMO EM TENROS ANOS O FIZERAM RECOMENDÁVEL EM PORTUGAL. PORQUE APENAS FINALIZAVA EM COIMBRA OS SEUS ESTUDOS EM 1777. FOI LOGO CHAMADO PARA O SERVIÇO NACIONAL A INSTANCIAS DO DR., VANDELI E DO IMORTAL LINEU ESCOLHIDOS PARA VIAJAR AS COLONIAS PORTUGUESAS. UMA GRAVE ENFERMIDADE PORÉM CORTA O FIO DESTA CARREIRA QUE TINHA INICIO EM SEUS VERDES ANOS. E RESTABELECIDO QUE FOI VIAJOU PARTE DA EUROPA EM LEI FORMANDO-SE EM MEDICINA VOLTUOU A SUA TERRA NATAL ENCONTRANDO-A COMO A HAVIA DEIXADO EM TOTAL IGNORÂNCIA. PRATICOU A MEDICINA AO MESMO TEMPO QUE A SUA COMUNICAÇÃO IA DIFUNDINDO LUZES E INFROMANDO A LIÇÃO AOS SEUS CONTERRÂNIOS. QUE SE APROVEITARÃO TANTO DE SUA FAMILIARIDADE QUANTO DA FRANQUEZA DE SUA RICA BIBLIOTECA. EM 1798 FOI PELA SEGUNDA VEZ LEMBRADO DO TRONO QUE LHE ORDENOU FIZESSE OBSERVAÇÕES SOBRE O REINO MINERAL NA PROVÍNCIA DE MINAS GERAIS. PRONTAMENTE NO ANO SEGUINTE POZ NA REAL PRESENÇA AMOSTRAS DE VÁRIAS MINAS DE FERRO ENTRE OUTROS MUITOS METAIS ACOMPANHADOS DE UMA MEMÓRIA RESPECTIVA. ENVIOU OUTRA DEPOIS SOBRE A  MINERAÇÃO DOS DIAMANTES. ESCREVEU TRECEIRA SOBRE O NITRO NATURAL;. QUARTA SOBRE AS MINAS GALENAS DA NOVA LORENA. OU DO ABAETE ACOMPANHADAS DE SEUS MAPAS TOPOGRÁFICO.. E FINALMENTE ENTRE OUTRAS MUITAS  E PRECIOSAS PEÇAS QUE POR SUA MODÉSTIA ENTREGOU AO FOGO EM SUA ÚLTIMA ENFERMIDADE. COUTO FOI O PRIMEIRO QUE LEVANTOU O VÉU SOBRE AS PRECIOSAS SUBTERRÂNIAS RIQUEZAS EM UM PAÍS ATÉ ENTÃO VEDADO AOS MINERALOGISTAS E ONDE A EXCEÇÃO DE NENHUM OUTRO METAL ALÉM DO OURO ERA CONHECIDA NEM AO MENOS SE SUSPEITAVA A SUA IMENSA CAMADA DE RICAS MINAS QUE COBRIAM QUASE TODA A SUPERFÍCIE DA PROVINCIA. TOMBOU SUA VIDA EM 11 DE SETEMBRO DE 1824. A TERRRA LHE SEJA LEVE QUANTO É SAUDOSA A SUA MEMÓRIA. L.J.G.CNOTA: Em fins do século XVIII  as transformações provocadas pela revolução industrial e pela Revolução Francesa e a conseqüente crise do antigo sistema colonial levaram à promoção de reformas profundas. Essas reformas, em Portugal e na Espanha, visavam superar a defasagem econômica e científico-cultural frente a países como Inglaterra, França, entre outros. Para os homens que estavam à frente do Estado português, era imperioso superar essa defasagem frente às potências européias, se Portugal quisesse manter sob o seu domínio todo o império ultramarino, sobretudo o Brasil. As reformas tiveram início no governo de d. José I, com o todo-poderoso ministro marquês de Pombal, e foram reforçadas no governo de dona Maria I, mais especificamente por meio do principal homem da viradeira, o ministro d. Rodrigo de Sousa Coutinho. Ao seu lado foram cooptados vários estudiosos das mais diversas partes do império ultramarino, com destaque para os naturalistas da Academia Real das Ciências de Lisboa, instituição científica portuguesa que orientou as pesquisas com o intuito de reconhecer e explorar as produções naturais do reino e de todo o império português. Essa articulação entre o Estado e as instituições científicas também ocorreu por meio da Universidade de Coimbra, que ajudou a difundir os princípios da ilustração pela nação lusa.  José Vieira Couto. Nascido no Arraial do Tijuco, atual Dimantina, em 1752, Couto pertencia a uma família cuja história estava intimamente ligada à real extração. Ele estudou Medicina e Mineralogia  na Universidade de Coimbra, como todo membro da elite colonial que queria obter um diploma de nível superior. Dentre os inúmeros coloniais que transporam o Atlântico para estudar na única Universidade portuguesa que não fora fechada pelas reformas pombalinas, ao longo da segunda metade do século setecentista, destaca-se um dos mais ilustres filhos do arraial do Tejuco, José Vieira Couto (1752-1827). Sua família, de origem reinol, emigrara para a América portuguesa no intuito de atuar no âmbito das atividades mineradoras e acabou se consolidando como uma das mais tradicionais de todo o Distrito Diamantino. Utilizando-se das fazendas acumuladas com exploração dos diamantes e das relações que mantinha com as mais altas classes políticas lusobrasileiras, Couto pleiteou cursar a Universidade de Coimbra tendo sido aceito e assentando matrícula naquela instituição em 10 de outubro de 1774. No ano seguinte cursaria Matemática e daria por encerrada sua trajetória na Corte com a conclusão do curso filosófico, medicina e mineralogia em 26 de novembro de 1778. Seu retorno às Minas seria uma mera questão de tempo. Assim como vários estudantes brasileiros em Coimbra, Couto se adaptou às letras filosóficas de tal modo que, posteriormente, seria convidado pelo Lente de História Natural e Química Domingos Vandelli (1735-1816) para aplicar os conhecimentos científicos adquiridos na Universidade em sua pátria. A experiência prévia que possuía para com os saberes dos minerais assim como aqueles filosóficos adquiridos na Corte deveriam ser responsáveis por reavivar a economia colonial no âmbito da exploração mineral. Talvez Couto também estivesse ansioso para ser inserido nas esferas da administração colonial, outra das atribuições passíveis de receberem os letrados que retornavam da Europa. Seu cenário de trabalho não poderia ser outro que não aquele que mais conhecia, a Comarca do Serro do Frio, ainda promissora a destarte das constantes quedas na exploração diamantífera. Suas atividades de pesquisa mineral decorriam pelo menos desde o ano de 1783, quando já se encontrava no Tejuco, mas foi a partir de 1797, quando dom Rodrigo de Souza Coutinho mandou que o Governador, Bernardo José de Lorena encarregasse o hábil Doutor Couto de dar informações mais circunstanciadas sobre as minas daquele país, como também do partido que se delias se pode tirar que suas pesquisas passaram a fazer parte de modo efetivo enquanto atividades legalmente previstas e amparadas pelo Estado português.3 Sua nomeação, contudo, seria alvo de retaliações por parte do então Intendente dos Diamantes, João Inácio do Amaral Silveira, cuja gestão naquele cargo perdurou de 1795 a 1801. Couto tratou de solicitar ao Intendente autorização para que pudesse empreender as novas viagens filosóficas para as quais havia sido nomeado. O Intendente, contrariando as ordens de Lisboa, negou. Tal negação geraria a fonte documental que se segue. Trata-se de uma correspondência escrita pelo Governador da Capitania das Minas Gerais, Bernardo José de Lorena, no ano de 1798, e dirigida ao Secretário de Estado dos Domínios Ultramarinos, dom Rodrigo de Sousa Coutinho, no qual informava acerca do andamento das atividades de pesquisa e das viagens filosóficas realizadas por José Vieira Couto nos sertões do Distrito Diamantino. No entanto, além das considerações pertinentes aos achados e demais descobertas do naturalista, o que se pode ver na documentação em questão (que se encontra depositada no Arquivo Histórico Ultramarino e também disponibilizada on-line), composta ainda por cópias de outras cartas trocadas entre os envolvidos é o desenrolar de uma crise local que havia sido deflagrada no arraial do Tejuco quando da nomeação de Couto para as viagens filosóficas. Para Couto, o Intendente demonstrava não mais do que a necessidade de vingança, imputada por motivos que não lhe eram óbvios. Os atos do Intendente contra Couto teriam sequencia em sua retirada do ofício de médico do hospital local sob pretexto de economia, além da expulsão de seus escravos que vinham sendo empregados na Real Extração.  As perseguições a Couto continuaram. O naturalista ainda foi proibido de conduzir os instrumentos que lhe eram necessários quando saísse em novas empreitadas. Foi proibido, também, de sair das estradas demarcadas que cortavam o Distrito Diamantino; algo que, em suas palavras, qualquer caçador ou pessoa insignificante do povo fazia.5 O Intente, com claro intuito de retirar Couto daquele arraial, chegou a solicitar ao Governador que o naturalista fosse empreender suas pesquisas na Cabeça da Comarca, Vila do Príncipe, onde haveria um laboratório que muito bem poderia servilo.6 Frente à toda essa contenda, é possível verificar, através das correspondências enviadas por Bernardo à dom Rodrigo, que o Governador manteve-se aliado ao naturalista Couto. 7 Bernardo, ilustrado que era, havia frequentado Coimbra na mesma época que Couto e talvez tivessem cultivado uma amizade que por si só não fora responsável pelo direcionamento das discussões já que o Governador não deixou de apresentar severas críticas às amplíssimas jurisdições que pelo Real Erário se dão sempre aos Intendentes dos Diamantes.8 Entre idas e vindas de cartas e Ofícios, o Intendente João Inácio do Amaral Silveira seria, enfim, deposto em 1801, após minuciosas averiguações que culminaram em uma devassa ordenada pelo Príncipe Regente Dom João.9 Com a proteção do Governador da Capitania Couto enfim empreendeu as novas viagens filosóficas das quais resultaras quatro memórias.10 O maior foco de atenção do naturalista era o salitre, mineral essencial para a produção de pólvora (deve-se levar em conta tal preocupação portuguesa para com o cenário político em que se encontrava a Europa na virada daquele século) assim como as nitreiras, pequenas fábricas onde o salitre seria beneficiado. Apesar de convicto sobre o potencial dos sertões mineiros para a produção de minerais essenciais ao Estado luso, a grande contestação ao trabalho de Couto é que uma produção por demais interiorizada teria custos bastante elevados em função de toda a logística necessária para conduzir aquele composto até a costa e, de lá, até Lisboa.11 Nem por isso o trabalho deste naturalista é menos merecedor de reconhecimentos. Pelo contrário, Couto foi um pioneiro entre os letrados ao destacar grande parte de sua vida aos empreendimentos da Coroa. Descobriu ouro, prata, chumbo, ferro, salitre, enxofre e diversos outros minerais que seriam, por várias vezes, enviados às mãos de Sua Alteza Real, o Príncipe.12 Deve-se dar ênfase, também, à expansão dos conhecimentos acerca da cartografia dos sertões mineiros percorridos por Couto. A Carta da região chamada Nova Lorena Diamantina, confeccionada a partir das informações coletadas pelo naturalista em suas viagens filosóficas ou mesmo a Carta das minas de Monte Rorigo, desenhada pelo próprio Couto, são exemplos concretos do quanto o conhecimento sobre a Capitania foi elevado através dos trabalhos de Couto.
  • JACQUES RAYMOND BRASCASSAT (1804-1867)  CARTA DE  João Maximiano Mafra  PROFESSSOR DA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES DIRIGIDA AO CÉLEBRE ARTISTA FRANCES JACQUES RAYMOND BRASCASSAT EM 24 DE NOVEMBRO DE 1861. EXCERTOS DO TEXTO: SENHOR BRASCASSAT, RECEBEMOS NO MÊS PASSADO AS BELAS LITOGRAPHIAS QUE O SR. NOS ENVIOU EM 1857. NOS PERGUNTAMOS ONDE ELAS ESTIVERAM ATÉ CHEGAR ATÉ NÓS DEPOIS DE TANTO TEMPO. SE A ACADEMIA IMPERIAL DE BEKAS ARTES NÃO CONHECESSE O SEU GRANDE TALENTO ESTA SERIA UMA ORPOTUNIDADE PARA CONHECE-LO, ESTAS BELAS LITOGRAPHIAS SERÃO APRESENTADAS DE FORMA NOTÁVEL EM UMA DAS SALAS DO PALÁCIO DA ACADEMIA COMO RECORDAÇÃO DE SUA AMÁVEL ATENÇÃO E BOA VONTADE COM QUE A ACADEMIA ACOLHE OS SEUS MEMBROS CORRESPONDENTES ENTRE OS QUAIS OS MAIS ILUSTRES ARTISTAS CONTEMPORÂNIOS. ASSINA JOÃO M. MAFRA PROFESSOR E SECRETARIO DA ACADEMIA IMPERIAL  DE BELAS ARTES DO RIO DE JANEIRO.  JOÃO MAXIMIANO MAFRA (RIO DE JANEIRO, 1823 - RIO DE JANEIRO, 1908) INGRESSOU EM 1835 NA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS-ARTES, ONDE FOI ALUNO DE MANUEL DE ARAÚJO PORTO-ALEGRE. PARTICIPOU NAS EXPOSIÇÕES GERAIS DE BELAS ARTES EM 1842, 1843 (COM A OBRA "TOMÁS GONZAGA NO CÁRCERE"), 1845 (COM "MORTE DE SÓCRATES"), 1846 E 1847, TENDO NESTA ÚLTIMA RECEBIDO MEDALHA DE OURO. É DE SUA AUTORIA O PROJETO PARA A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. PEDRO I, CUJAS PEÇAS EM BRONZE FORAM EXECUTADAS EM PARIS, POR LOUIS ROCHET, VINDO A SER INAUGURADO NO RIO DE JANEIRO NO DIA 30 DE MARÇO DE 1862. EXERCEU O CARGO DE PROFESSOR SUBSTITUTO DE PINTURA HISTÓRICA NA ACADEMIA, OBTIDO POR CONCURSO EM 1851. A 12 DE AGOSTO DE 1854 FOI NOMEADO SECRETÁRIO DA INSTITUIÇÃO, PERMANECENDO NESSE CARGO ATÉ À SUA APOSENTADORIA EM 1890. EM 1856 TORNOU-SE PROFESSOR EFETIVO DE DESENHO DE ORNATOS, DISCIPLINA QUE LECIONOU IGUALMENTE ATÉ 1890. FALECEU CEGO AOS 85 ANOS DE IDADE. AINDA EM 1907 ESCLARECEU A ARAÚJO VIANA DIVERSOS DETALHES RELATIVOS À OBRA "COROAÇÃO DE DOM PEDRO II", DEIXADA INACABADA POR ARAÚJO PORTO-ALEGRE, E NA QUAL COLABOROU, TRAÇANDO-LHE A QUADRÍCULA E OS PRIMEIROS ESBOÇOS DE PERSPECTIVA, E NELA PINTANDO, INCLUSIVE, DUAS CABEÇAS.NOTA: JACQUES RAYMOND BRASCASSAT era membro correspondente da ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES. Jacques Raymond Brascassat (30 de agosto de 1804 - 28 de fevereiro de 1867) foi um famoso pintor francês conhecido por suas paisagens e, em particular, suas pinturas de animais. Brascassat nasceu em Bordeaux , sudoeste da França, e estudou arte em Paris com Louis Hersent na École des Beaux-Arts em Paris. Ele ganhou o segundo lugar no Prix de Rome de 1825 com uma imagem da Caça de Meleagro .Ele foi para a Itália e pintou uma série de paisagens que foram exibidas entre 1827 e 1835, mas posteriormente dedicou-se principalmente à pintura de animais, na qual sua reputação como artista foi feita. Seu Touros Lutando (1837) no Museu de Artes de Nantes , Nantes, França  1  e uma pintura semelhante (1855) Museu de Belas Artes de Huston , Texas, EUA  citação necessária  e sua Vaca Atacada por Lobos (1845) no Museu de Belas Artes de Leipzig, Alemanha, são considerados algumas de suas melhores pinturas.  1 Ele era conhecido pela precisão de sua observação, desenho e pintura. Foi eleito membro da Académie française em 1846. Morreu em Paris em 28 de fevereiro de 1867.
  • DONA ISABEL MARIA CALDEIRA BRANT (1854-1884) FILHA DOS CONDES DE IGUAÇU (ISABEL DE ALCANTARA BRASILEIRA E PEDRO CALDEIRA BRANT) , NETA DA MARQUESA DE SANTOS E DO IMPERADOR DOM PEDRO I.  CARTA DE AGRADECIMENTO DE CONDOLENCIAS DO VIÚVO DE DONA ISABEL MARIA CALDEIRA BRANT, ANTONIO DIAS PAES LEME, FILHO DO MARQUÊS DE SÃO JOÃO MARCOS, PEDRO DIAS PAES LEME DA CAMARA,    DIRIGIDA AO CONSELHEIRO MANUEL ANTONIO DUARTE DE AZEVEDO. EXCERTOS DO TEXTO: MEU CARO AZEVEDO, SANTANA 28 E FEVERIRO DE 1884. RECEBI TUA MENSAGEM QUE ME FEZ BEM, PORQUE ERA A MENSAGEM FRATERNAL QUE ME CHEGOU EM UM MOMENTO ANGUSTIADO. NESSES MOMENTOS DOLOROSOS DA VIDA COMO A PERDA QUE ACABO DE PASSAR, ACHO ALGUMA CAUSA DE CONFORTO NA VOZ DOZ SINCERA DOS AMIGOS QUE ME VEM DE LONGE PARA ABRAÇAREM A MINHA ALMA. A MINHA DESGRAÇA FOI MUITO GRANDE EM PERDER A MULHER QUE PERDI. DURANTE 13 ANOS DE CASADOS NUNCA NEM POR UM INSTANTE A MAIS LEVE NUVEM PERTURBOU A  SERENIDADE DE NOSSA UNIÃO. EU ERA FELIZ QUANTO  EU PODIA SER FELIZ  COM MINHA MULHER E MEUS QUATRO FILHINHOS. EU AGORA ESTOU SÓ SINTO-ME IMENSAMENTE ISOLADO EM MEIO DE TODOS OS CONVIDADOS E AS MUITAS PROVAS DE BOA AMIZADE QUE ME CERCÃO. EU AGRADEÇO A LEMBRANÇA MEU CARO AZEVEDO E TE ABRAÇO PEDINDO PARA ME RECOMENDAR A TUA MULHER E FILHOS. TEU VELHO AMIGO. ANTONIO PAES LEME.  NOTA: Sobre a MÃE DE DONA ISABEL MADRIA CALDEIRA BRANT A CONDESSA DE IGUAÇU:  Maria Isabel de Alcântara Bourbon (São Paulo, 28 de fevereiro de 1830  São Paulo, 5 de setembro de 1896), foi a quinta e última filha do imperador Pedro I do Brasil com a sua amante, Domitila de Castro, Marquesa de Santos.Maria Isabel recebeu o mesmo nome que sua quarta e falecida irmã, a Duquesa do Ceará, morta com dois meses de vida em 1828, de homenagem a filha falecida. Sua irmã mais velha, Isabel Maria, era titulada como Duquesa de Goiás.Maria Isabel nasceu em 28 de fevereiro de 1830 e herdou a mesma doença de seu pai, a epilepsia. A infância de Maria Isabel quase sempre foi à sombra de uma família imperial.Mesmo sendo fruto do caso extraconjugal de seu pai, D. Pedro I, e a sua mãe, a Marquesa dos Santos, ela cresceu da mesma forma que os irmãos. As consequências dessa relação só apareceram mais tarde.Sua formação segue o modelo europeu mais perfeito, ela foi instruída a aprender as regras tradicionais de etiqueta, assim como as suas irmãs. Sua vida foi cercada de vestidos e porcelanas, e foi uma infância simples e comum para os membros da nobreza brasileira.Todos sabiam que Maria Isabel era fruto da relação fora do casamento de Dom Pedro e a Marquesa dos Santos. Mesmo assim, ela foi criada para se tornar a Condessa de Iguaçu, título que nunca recebeu. Com o pai imperador, mãe marquesa e diversos irmãos e meio-irmãos herdeiros, ela cresceu para ser parte da nobreza. Porém, devido ao adultério do qual ela foi fruto, ela nunca recebeu nada de seu pai, seja título ou terra. Ela recebeu vastas terras de seu meio-irmão Dom Pedro II do Brasil, dentre elas destacam-se vários pastos e cabeças-de-gado em Juiz de Fora, Ouro Preto, em seus distritos de Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Lavras Novas e Amarantina.Além de terras em Congonhas, Moeda e Mariana. Morou com o Marido Pedro Caldeira Brant, Conde de Iguaçu, Residiam na Freguesia, vila e cidade de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu atual Nova Iguaçu no Engenho de Santo Antônio de Jacutinga, A propriedade ( hoje em ruinas), se localiza no alto de uma Colina atrás do Uniabeu, o que hoje é o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.No dia 2 de setembro de 1848, aos dezoito anos, Maria Isabel casou-se com Pedro Caldeira Brant, Conde de Iguaçu, tornando-se sua segunda e última esposa. Seu marido era filho do Marquês de Barbacena, curiosamente inimigo figadal da mãe de MARIA ISABEL, A MARQUESA DE SANTOS. Pelo seu casamento, Maria Isabel tornou-se a segunda Condessa Consorte de Iguaçu.O fim de Maria Isabel chegou em 6 de setembro de 1896, a Condessa de Iguaçu faleceu aos 66 anos. Daquele dia em diante, mesmo que a vida de Maria Isabel tivesse acabado, um novo mistério começava.Até por volta de 2015, o paradeiro de seu corpo ainda permaneceu um mistério. Por até aproximadamente 120 anos, ninguém foi capaz de localizar o local onde ela foi enterrada. Ao contrário da maioria da família imperial, que são facilmente encontrados nos cemitérios.A Condessa costumava viajar entre São Paulo e Rio de Janeiro por grande parte de sua vida, o que levanta a questão de em que estado ela deveria estar. Além disso, muitos nobres brasileiros eram frequentemente sepultados na Europa, como Alemanha e Portugal. Mas os historiadores não podiam tirar conclusões sobre onde ela realmente estava.Recentemente, o arquiteto e historiador Paulo Rezzutti decidiu se dedicar a encontrar o cemitério onde Maria Isabel estava enterrada. Ele analisou vários obituários e histórias em jornais e contou a morte de pessoas importantes. Foi assim que descobriu "As Raízes da Condessa de Iguaçu" publicado pelo O Estado de S. Paulo em 6 de setembro de 1896.A partir dessa pista, ele encontrou o registro do Registro Civil de Santa Ifigênia, que dizia: Ela foi enterrada no Cemitério Municipal". Ela estava velada no Cemitério da Consolação, o caixão da condessa estava do lado do de sua mãe, a Marquesa de Santos. Rezzutti verificou o arquivo histórico municipal e encontrou a lápide. Não havia nenhum adorno na lápide nem seu nome esculpido na pedra.MANUEL ANTÔNIO DUARTE DE AZEVEDO, n. 16.01.1831 na cidade de Itaboraí, RJ, f. 09.11.1912 no Rio de Janeiro, na residência da Baronesa de Ibiapaba, Maria Eugênia do Santos (viúva), à rua Conde do Bonfim, às 17:00 hs. Advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde veio a ser Professor. Governador da Província do Ceará, aos 29 anos de idade, em 1860. Em 1878 tinha com o seu genro Dr. João Pereira Monteiro um escritório à rua da Alfândega, 28, no Rio de Janeiro. Ministro da Marinha e da Justiça, no Império. Conselheiro do Império. Senador do Império por São Paulo. Casou-se no Rio de Janeiro com sua prima GERTRUDES PETRONILHA DE AZEVEDO, n. no Rio de Janeiro, f. 1900 no Rio de Janeiro.
  • BARÃO DE CARVALHO BORGES  ANTÔNIO PEDRO DE CARVALHO BORGES (1824-1888)  -  CARTA TIMBRADA COM INICIAIS DO BARÃO ESCRITA EM WHAHSINGTON EM 14 DE MARÇO DE 1876 ACUSANTO O RECEBIMENTO DE UMA CORRESPONDÊNCIA. ASSINA A. P DE CARVALHO BORGES.  ESTA CORRESPONDENCIA É DO PERÍODO EM QUE O BARÃO ESTEVE A SERVIÇO DO GOVERNO IMPERIAL BRASILEIRO ATUANDO NA ORGANIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DO IMPERIO DO BRASIL NA EXPOSIÇÃO UNIVERSAL DA FILADELFIA EM 1876, A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO MUNDIAL REALIZADA NOS ESTADOS UNIDOS. O BARÃO DE CARVALHO BORGES FOI UM MILITAR, MATEMÁTICO E DIPLOMATA BRASILEIRO.  A. DO CONSELHO DE S. MAGESTADE, CAVALLEIRO DA I. ORDEM DE S. BENTO DE AVIZ, DE CHRISTO, OFFICIAL DA I. ORDEM DA ROSA E GRÃ-CRUZ DA ORDEM DA CORÔA DE FERRO DA AUSTRIA. FILHO DE JOSÉ GERMANO BORGES DA SILVA, FORMOU-SE EM MATEMÁTICA, CASOU-SE COM EMÍLIA DE BARROS TORREÃO. INGRESSOU NA MARINHA DO BRASIL, ONDE FOI PROMOVIDO A GUARDA-MARINHA, EM 1841 E TENENTE EM 1843. TRANSFERIDO PARA O CORPO DE ENGENHEIROS EM 1844, FOI PROMOVIDO A CAPITÃO EM 1849, MAJOR EM 1858,. DIRIGIU MISSÕES DIPLOMÁTICAS NA AMÉRICA DO SUL DESDE 1859, HAVENDO SIDO ENCARREGADO DE NEGÓCIOS EM ASSUNÇÃO (1861-1862) E MINISTRO RESIDENTE EM BUENOS AIRES (A PARTIR DE 1867, DURANTE A GUERRA DO PARAGUAI). FOI MINISTRO PLENIPOTENCIÁRIO EM WASHINGTON (1871), VIENA (1881) E PORTUGAL (1884). NOTA: As exposições universais (ou internacionais) no século XIX foram grandes feiras ou mostras nas quais os países europeus e suas colônias e outros estados independentes, como Estados Unidos e Brasil, por exemplo, reuniam e exibiam o que havia de melhor em seus produtos industriais. Eram grandes espetáculos do progresso que sobretudo a burguesia industrial das nações civilizadas europeias organizavam para vender seus produtos, seu modo de vida e sua ideologia para as outras nações do mundo. Arenas pacíficas em que os países mais industrializados disputavam a primazia no mundo, em que reafirmavam seu progresso e sua civilização na comparação com os países menos desenvolvidos, tidos como bárbaros ou atrasados, como as colônias africanas, asiáticas e os países americanos, com exceção dos Estados Unidos, e em que procuravam disciplinar as massas de trabalhadores. Os países que sediavam a mostra convidavam outros países para participar e trazer o que havia de melhor entre sua produção para exibi-la. A primeira exposição de caráter universal aconteceu em Londres, em 1851, quando foi construído o icônico Palácio de Cristal, que abrigou os estandes dos países participantes. O Brasil só passou a integrar as exposições depois de 1862, outra que aconteceu em Londres. Para se preparar, o Brasil organizava mostras nacionais antes das grandes exposições com vistas a selecionar e reunir o que havia de melhor na produção nacional. Embora o que se esperasse mais encontrar nas exposições fossem os produtos industrializados, fruto do gênio e criatividade do homem para tornar a vida mais moderna e fácil, países como o Brasil também expunham seus produtos naturais. Apesar de querer sempre se apresentar como um país civilizado, o Brasil era considerado um país fornecedor de matéria-prima e agricultura, famoso e conhecido por suas florestas, seu gentio, e pela presença inegável, embora incômoda, da escravidão. Nada falava tanto sobre o atraso e a barbárie do país quanto o sistema escravista, que se procurava esconder, mas que estava evidente no café, chá, açúcar, algodão, guaraná, borracha, tabaco, madeiras, couros exibidos nos estandes brasileiros. Outros produtos com frequência exibidos eram os de origem indígena, como os artefatos dos índios, armas, redes, cerâmica marajoara, plantas exóticas e outros itens. Não se pode dizer que o Brasil não levasse para as exposições o que havia de mais moderno na indústria e manufatura nacional: armamentos, máquinas, peças de estradas de ferro e locomotivas, e materiais da construção civil eram também levados para o exterior e exibidos como prova do progresso do país e de seu pertencimento ao concerto das nações civilizadas, no entanto, o que chamava a atenção do público e dos outros expositores eram os produtos agrícolas, minerais e naturais, que lembravam mais o estágio pouco desenvolvido do progresso brasileiro.Embora as exposições, assim como grandes feiras de produtos, fossem voltadas para a divulgação de produtos e o fechamento de grandes negócios entre as empresas participantes, no caso brasileiro o lucro obtido não era a razão preponderante para participar das exposições. Como se lê na epígrafe que abre esse texto, o Brasil não pretendia fechar grandes negócios (embora isso possa ter acontecido), mas mais fazer propaganda de seu estágio de civilização, sobretudo se em comparação com os outros países da América Central e do Sul, que não mandavam delegações para representá-las nas exposições. O Brasil, único império nos trópicos, se colocava, assim, como herdeiro e parte do projeto civilizatório europeu nas Américas, apesar de seu passado colonial atrasado e do sistema escravista de trabalho.Vide nos créditos extras desse lote imagem do PAVILHÃO BRASILEIRO NA EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DA FILADÉLFIA, de inspiração mourisca. A  exposição internacional da Filadélfia (uma das poucas realizadas fora do continente europeu) aconteceu  no ano de 1876. A Centennial Exhibition foi uma das maneiras encontradas pelos estadunidenses para celebrar o primeiro centenário de sua Independência, ocorrida em 1776. Essa exposição foi singularmente importante e teve destacada participação do Brasil, que a essas alturas já estava se recuperando do período de crise provocado pela Guerra do Paraguai (1865-1870). A fotografia era da Centennial Photographic Company, empresa fotográfica oficial do evento, do fotógrafo escocês-canadense William Notman, presidente da companhia, e associados.A exposição, inaugurada em 10 de maio de 1876, contou com a participação luxuosa do imperador d. Pedro II, que juntamente com o presidente dos Estados Unidos Ulysses Grant, abriu o evento, acionando a imensa máquina Corliss, cujo funcionamento ativava o de todas as outras máquinas do grandioso pavilhão que abrigava os estandes dos países convidados no Fairmount Park. D. Pedro II era grande incentivador da participação do Brasil em todas as exposições universais, cuidava pessoalmente e de perto da seleção dos produtos que seriam levados para os países sede, e era grande entusiasta da ciência e do resultado da produção do gênio humano. Um dos destaques da Exposição da Filadélfia foi a apresentação do primeiro telefone, por Alexander Graham Bell, que encantou o monarca, que prontamente encomendou a invenção para o Brasil.O país contava ainda com um palacete exclusivo para exibição de seus produtos e uma inovação, o Café Brasil, um pequeno pavilhão com direito a mesinhas para degustação gratuita dos produtos brasileiros, principalmente o café, mas também o mate e chás. Foi uma maneira de promover os muitos expositores de café que levaram seus produtos para a exposição, apesar dos prejuízos que tal iniciativa causaram, uma vez que o governo contribuiu com apenas três contos de réis para ajudar no estande.
  • CONDE DE AFONSO CELSO  AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO JÚNIOR  (1860 -1938)  - UM DOS FUNDADORES DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS OCUPANDO A CADEIRA DE NUMERO 36. A MISSIVA DIRIGIDA AO MONSENHOR MACEDO COSTA. EM PAPEL TIMBRADO DA VILLA PETIOTE, ESTIMADA RESIDÊNCIA DO IMORTAL AFONSO CELSO SOB COROA DE CONDE. EXCERTOS DO TEXTO: 22-5-1908  EXCELENTISSIMO E MUITO PREZADO AMIGO MONSENHOR MACEDO COSTA. MERECEM-ME A MAIOR CONSIDERAÇÃO OS BENEMÉRITOS SALESIANOS DE S. PAULO. FORA-ME IMENSAMENTE AGRADAVEL PODER ATENDE-LOS. DEMAIS TRANSMITIDO PELO MEU BOM AMIGO, A QUEM TANTO ESTIMO E RESPEITO. MAS DE TODO IMPOSSIVEL ME É IR AGORA A SÃO PAULO. TRABALHAR NA FACULDADE DE DIREITO, NA ADVOCACIA, NA IMPRENSSA, PREOCUPAÇOES DE FAMÍLI, IMPEDEM-ME DE AUSENTAR-ME AINDA QUE POR POUCOS DIAS. QUEIRA APRESENTAR AOS BENEVOLOS RELIGIOSOS AS MUITAS ESCUSAS , ROGANDO-LHES NÃO ME LEVEM  A MAL. PERMITA MONSENHOR QUE AFETUOSAMENTE O ABRACE O TODO SEU AFONSO CELSO O CONDE AFONSO CELSO ERA UM CATÓLICO FERVOROSO. NOTA: Afonso Celso (Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior), natural de Ouro Preto, MG, nasceu em 31 de março de 1860 e veio a falecer no Rio de Janeiro, RJ, a 11 de julho de 1938. Filho do Visconde de Ouro Preto, último presidente do Conselho de Ministros do Império, e de D. Francisca de Paula Martins de Toledo, é um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Aos 15 anos publicou os Prelúdios, reunindo uma pequena coleção de poesias de conteúdo romântico. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo na qual colou grau em 1880. Defendeu na ocasião, a tese Direito da Revolução. Casou-se em 1884 com D. Eugênia da Costa. Ingressando nas lides políticas, foi eleito quatro vezes deputado geral por Minas Gerais. Na Assembléia Geral exerceu as funções de 1º. Secretário. Com a proclamação da República, em 1889, abandonou a política e acompanhou o pai no exílio, que se seguiu à partida da família imperial para Portugal em novembro do referido ano. Coube-lhe a delicada tarefa de defender o pai no início da implantação do regime republicano. Dedicou-se ao magistério e ao jornalismo, tendo colaborado durante mais de 30 anos no Jornal do Brasil. Outros órgãos da imprensa - tais como A Tribuna Liberal, A Semana, Renascença, Correio da Manhã e o Almanaque Garnier, divulgaram muitos de seus artigos. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1892, na qualidade de sócio efetivo, tendo posteriormente sido elevado a honorário em 1913 e a grande benemérito em 1917. Com a morte do Barão do Rio Branco, em 1912, foi eleito presidente perpétuo dessa instituição, de 1912 a 1938. Coube-lhe a incumbência de presidir à instalação da entidade em uma das alas do Silogeu Brasileiro, localizada na esquina das Ruas Augusto Severo e Teixeira de Freitas. De sua vasta obra merecem especial destaque os seguintes livros: Oito anos de Parlamento, Por que me ufano de meu país - título que gerou críticas e elogios e a popularidade da expressão ufanismo, de uso até os nossos dias - Segredo conjugal, O Imperador no exílio, O assassinato do coronel Gentil de Castro, Rimas de outrora, Minha filha, Vultos e fatos, Um invejado, Lupe, Giovanina. Afonso Celso participou das atividades da Academia Brasileira de Letras, como um dos membros fundadores, tendo como patrono - na cadeira nº. 36 - o poeta Teófilo Dias de Mesquita, sobrinho de Gonçalves Dias, falecido em 1889. No magistério também manteve atuação destacada, tendo exercido a Cátedra de Economia Política na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, da qual foi diretor por alguns anos e reitor da Universidade do Rio de Janeiro. A última visita de Afonso Celso à Academia Brasileira de Letras ocorreu na sessão de 7 de julho de 1939, quatro dias antes de seu falecimento.
  • CONDE DE AFONSO CELSO  AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO JÚNIOR  (1860 -1938)  - UM DOS FUNDADORES DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS OCUPANDO A CADEIRA DE NUMERO 36. A MISSIVA É DIRIGIDA A MANOEL HILÁRIO PIRES FERRÃO, ESCRIVÃO DE ORPHÃOS E TABELIÃO DE NOTAS DO RIO DE JANEIRO MAS TAMBÉM UM DILETO LITERATO COM OBRAS PUBLICADAS NÃO SÓ NAS  ÁREAS TCNICAS DE SUA ATUAÇÃO PROFISSIONAL MAS TAMBÉM DELICIOSOS ROMANCES FOLHETINESCOS, UM PRECURSOR DAS NOVELAS DE TEATRO. NESSA CARTA EM PARTICULAR O CONDE AFONSO CELSO ACUSA O RECEBIMENTO DE UM DESSAS OBRAS PARA TEATRO: CORAÇÃO E GÊNIO   LIÇÃO CONJUGAL EM TRÊS ATOS.  DRAMA ORIGINAL DE COSTUMES BRASILEIROS. MANOEL HILÁRIO FERRÃO PARTICIPOU COMO PALESTRANTES NAS HISTÓRICAS CONFERÊNCIAS POPULARES DA GLÓRIA UM MOVIMENTO INTELECTUAL DEDICADO A DIFUNDIR A LITERATURA E CONHECIMENTO CIENTÍFICO DO BRASIL ENTRE 1873 E 1889. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. M. H. PIRES FERRÃO, MEU AMIGO MUITO AGRADEÇO TER-ME PORPORCIONADO A LEITURA DE SEU PRIMOROSOS TRABALHO  CORAÇÃO E GÊNIO. É REALMENTE UMA LIÇÃO CONJUGAL EM TRÊS ATOS COM QUIS TANTO QUALIFICAR E LIÇÃO CIVILÍSSIMA PORQUE DISSE-O MUITO BEM NA DEDICATÓRIA QUE QUEM O COMPREENDER APRENDERÁ QUE CORREÇÃO  FAZ EXPIAÇÃO QUANDO PUNGE O ARREPENDIMENTO. CONHECIA JÁ E ADMIRAVA AS MÚLTIPLAS FACES DE SEU TALENTO MAS CONFESSO-LHE QUE VENDO-O TÃO FAMILIARIZADO COM OS PROSAICOS PRAXISTAS NÃO O SUPUNHA DOTADO DE TÃSO FELIZ VOCAÇÃO PARA HUM DOS MAIS DIFÉICEIS RAMOS DA LITERATURA  O DRAMA. RECONHEÇO A MINHA INCOMPETÊNCIA NA MATÉRIA E NEM A ASPIRO. JULGO CERTAS MOTIVAÇÕES PELA IMPRESSÃO ME CAUSAM, SEM ESTABELECER PARALELOS...POSTO EM CENA E INTERPRETADO POR VERDADEIROS ARTISTAS O CORAÇÃO E GÊNIO SERÁ UM SUCESSO PARA O NOSSO TEATRO. LÁ ESTIMAREI ACHAR-ME PARA APLAUDI-LO COM A MESMA SINCERIDADE COM QUE LHE APERTO A MÃO. NÃO FUI O ÚNICO QUE LEU-O ATÉ MEU FILHO NÃO SE SATISFEZ COM O QUE OUVIA QUIS LE-LO TAMBÉM. DAÍ A DEMORA NA RESPOSTA. DESCULPE. SEU AMIGO E ADMIRADOR AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO. 30 DE AGOSTO DE 1875. NASCIDO EM 1860, EM OURO PRETO, ENTÃO CAPITAL DA PROVINCIA DE MINAS GERAIS, FILHO DO VISCONDE DE OURO PRETO, 36.º E ÚLTIMO PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS DO IMPÉRIO, E DE FRANCISCA DE PAULA MARTINS DE TOLEDO, ESTA, FILHA DO CONSELHEIRO JOAQUIM FLORIANO DE TOLEDO, CORONEL DA GUARDA NACIONAL, QUE FOI PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO POR SEIS VEZES. FORMOU-SE EM DIREITO, EM 1880, PELA FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO. AFONSO CELSO É BISAVÔ DO MÚSICO DINHO OURO PRETO, VOCALISTA DA BANDA DE ROCK CAPITAL INICIAL. NOTA:  As 'Conferências Populares da Glória', assim denominadas por se realizarem em escolas públicas localizadas na Freguesia da Glória, no Município da Corte, iniciaram-se em 23 de novembro de 1873 sob a iniciativa e coordenação do conselheiro Manoel Francisco Correia, senador do Império. A identificação da escola pública que sediou estas conferências não é uma questão totalmente esclarecida, porém as referências indicam que, inicialmente, estas realizaram-se em uma das escolas públicas da Glória (na época haviam seis escolas em ruas que atualmente pertencem aos bairros do Flamengo e da Glória), posteriormente, na Escola São José (de janeiro a maio de 1875) e, finalmente, em um prédio construído para tal fim (as indicações sugerem a atual Escola Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, construída entre 1874 e 1875). Transcorriam, inicialmente, nas manhãs de domingo (posteriormente estendidas para dois dias semanais), e eram rotineiramente anunciadas antecipadamente nos mais importantes jornais da época (Jornal do Commercio, Gazeta de Notícias e Diário do Rio de Janeiro).Muitas conferências foram publicadas conjuntamente, em 1876, sob a forma de uma publicação, de curta existência, igualmente intitulada Conferências Populares da Glória. Paralelamente a esta iniciativa, também costumava-se publicar um resumo da maioria das conferências nos jornais citados, alguns dias após a sua realização. Ao lado disso, muitas destas conferências foram reproduzidas em obras biográficas ou antológicas da época. Dessa forma, tornava-se imprescindível a realização de um extenso levantamento, buscando localizar os registros destas conferências (sob a forma integral de seu conteúdo, sob a forma de resumo ou de aviso) nas fontes referidas.De acordo com seu criador, o conselheiro Correia, as conferências deveriam ser franqueadas a todos, tendo em vista o seu principal objetivo, isto é, a instrução do povo. No entanto, através de relatos da época, constatamos que a sua platéia era constituída por um seleto público, sendo notada a presença da família imperial, da aristocracia da corte, de profissionais liberais e estudantes.Sua função primordial era, segundo seu criador, a de se tornar um meio para despertar o espírito para os mais diversos assuntos, excetuando-se as "paixões políticas", "as abordagens relativas à divisão de crenças e princípios" (Correia, 1873). Acreditavam os protagonistas das conferências que, através da ilustração do país, da divulgação da ciência e da cultura, a nação poderia ser transformada. Para seus mentores, sua relevância decorria também do fato de existirem congêneres em países europeus, onde autores como Laboulaye, Guizot e Cousin refletiam sobre o significado de tais realizações.Sua repercussão, no próprio país, pode ser aquilatada pelo surgimento, na época, de uma verdadeira disputa pelo pioneirismo de sua realização, contrapondo as conferências coordenadas por Cunha Leitão no Sergipe às do conselheiro Correia na Corte (Moura, 1874).O temário abordado pelos conferencistas incluía um conjunto amplo e eclético de conhecimentos, desde temas essencialmente culturais (literatura, teatro, história das civilizações, educação) até as temáticas intrínsecas ao conhecimento das diversas ciências (matemática, biologia, medicina, botânica, ciências físicas...). As epidemias, o papel das condições atmosféricas na incidência de enfermidades, as diversas terapêuticas, a questão do contágio, entre outros assuntos médicos, mereceram, reiteradas vezes, a atenção de expoentes da medicina que se apresentavam naquele espaço.A tribuna da Glória, como ficou conhecido este espaço, foi se transformando, ao longo do século XIX, no verdadeiro palco das polêmicas sobre a liberdade do ensino, sobre a criação de universidades, sobre as diversas doutrinas científicas (contagionistas versus anticontagionistas...). Nesta direção, podemos apontar como seu grande momento o ano de 1880, quando um grupo de professores e alunos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, liderados pelo prof. Francisco Praxedes de Andrade Pertence, ocupou este espaço para expor a precariedade do ensino médico praticado no país. Andrade Pertence e os demais professores denunciavam fundamentalmente o estado de penúria (desaparelhamento dos gabinetes, falta de laboratórios, inexistência de uma sede própria) das instituições de ensino médico, e a inadequação do ensino (ensino teórico excessivo, incipiente desenvolvimento da medicina experimental). Estas reivindicações, que já haviam sido formuladas em outras instâncias, porém sem resultados, conseguiram nesta tribuna a repercussão necessária, a ponto de influir positivamente no processo de reforma daquela instituição. O conde Afonso Celso de A. Figueiredo, um dos assíduos palestrantes, procurou, perante uma comissão do Senado, sinalizar o impacto destas conferências: "...homens distintos por seu patriotismo e ilustração demonstravam, em conferências públicas, a urgente necessidade de colocar-se aquela escola na altura em que hoje se acha, quer sob o ponto de vista material, quer sob o das lições teóricas e práticas, para que pudesse preencher os fins de sua instituição." (Figueiredo, 1883).As 'Conferências Populares da Glória', segundo os registros acessíveis, ocorreram até 1889, quando foram interrompidas, sendo retomadas em 1891, sob a direção do conselheiro João Manuel Pereira da Silva, por ocasião do 4º Centenário do Descobrimento da América. Entendemos, entretanto, que o período de 1873 a 1880 foi o mais representativo, durante o qual contaram com a participação dos mais importantes expoentes das ciências biomédicas no país, como Andrade Pertence, Kossuth Vinelli, Silva Araújo, Cipriano de Freitas, Monteiro Caminhoá, Miranda de Azevedo, Bento Gonçalves Cruz, Cruz Jobim, Feliciano Bittencourt, João Martins Teixeira e Nuno de Andrade. As palestras destes 'científicos' objetivavam a divulgação dos conhecimentos científicos, e a conscientização do poder das idéias e da ciência no aperfeiçoamento da sociedade.Neste levantamento apresentaremos uma listagem de todas as conferências realizadas no período privilegiado, indicando a data de ocorrência, o número correspondente, o autor, o título e as fontes que as reproduziram. As fontes principais são os periódicos da época (Jornal do Commercio, Diário do Rio de Janeiro, Gazeta de Notícias e Conferências Populares), que anunciavam sua realização (aviso) e as reproduziam na íntegra ou sob a forma de resumo. Por outro lado, indicamos também algumas obras ou coletâneas de trabalhos de conferencistas que apresentaram o conteúdo integral ou parcial de algumas conferências.
  • CONSELHEIRO  ANTONIO MOREIRA DE BARROS (TAUBATÉ, 1841  PARIS 1896)  FOI CONSELHEIRO DO IMPERIO, PRESIDENTE DA PROVÍNCIA DE ALAGOS, MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES NO GABINETE SINIMBU E PRESIDENTE DA CAMARA DOS DEPUTADOS DO BRASIL. MISSIVA DE ANTONIO MOREIRA DE BARROS AGRADECENDO A BENJAMIN W. AUSTIN O CONIVTE PARA TORNAR-SE MEMBRO HONORÁRIO DA  NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. A CARTA LAVRADA EM 8 DE OUTUBRO DE 1886 FOI ESCRITA EM FRANCÊS. EXCERTOS DO TEXTO: TAUBATÉ, PROVÍNCIA DE SÃO PAULO BRASIL, 8 DE OUTUBRO DE 1896. SR. BENJAMIN W. AUSTIN, ATRAVÉS DE SUA AMÁVEL COMUNICAÇÃO DE 12 DE ABRIL O SENHOR ME FEZ SABER QUE A  NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. TEVE A GENTILEZA DE CONCEDER-ME A HONRA DE TORNAR-ME UM DE SEUS MEMBROS HONORÁRIOS. ACEITO SENHOR COM MUITO PRAZER ESTA PROVA DE CONSIDERAÇÃO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY . TENHA A BONDADE SENHOR DE SER INTÉRPRETE JUNTO A MESMA SOCIEDADE DE MEU PROFUNDO RECONHECIMENTO. ANTONIO MOREIRA DE BARROS". NOTA: Foi presidente da província de Alagoas, nomeado por carta imperial de 31 de julho de 1867, de 9 de setembro de 1867 a 22 de maio de 1868, ministro das Relações Exteriores do Brasil (ver Gabinete Sinimbu) e presidente da Câmara dos Deputados do Brasil. Foi conselheiro de Dom Pedro II, deputado geral (Partido Liberal), cavaleiro da Grã-cruz da Ordem do Leão Holandês e oficial da Ordem da Rosa.Sobrinho do barão de Pereira de Barros e primo do Conde de Santo Agostinho, todos membros da família Pereira de Barros, de Taubaté. Possuia duas fazendas chamadas Quilombo, uma em Taubaté,2 e outra em São Carlos.Seu filho, o homônimo Antônio Moreira de Barros (1868-1919), possuía também fazenda em São Carlos (atual Ibaté), a Fazenda Palmital.
  • BARÃO DE ITAJUBÁ- (MARCOS ANTÔNIO DE ARAÚJO E ABREU, SEGUNDO BARÃO DE ITAJUBÁ, (HAMBURGO, ?  BERLIM, 3 DE NOVEMBRO DE 1897) FOI UM DIPLOMATA BRASILEIRO. FILHO DO VISCONDE DE ITAJUBÁ E IGUALMENTE DIPLOMATA MARCOS ANTONIO DE ARAUJO (1805-1884) NASCIDO EM MINAS GERAIS.  MISSIVA  DO BARÃO DE ITAJUBÁ ESCRITA EM 28 DE JANEIRO DE 1886 DIRIGIDA A BENJAMIM W. AUSTIN SECRETÁRIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. ESCRITA EM LINDO PAPEL TIMBRADO COM COROA IMPERIAL SOB A INSCRIÇÃO LEGATION OF BRASZIL WASSHINGTON. A CARTA AGRADECE A INDICAÇÃO DO BARÃO DE ITAJUBÁ COMO MEMBRO HONORÁRIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. EXCERTOS DO TEXTO: JANEIRO, 28 1886 BEN. W.AUSTIN SECRETARIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY DE SIOUX CITY, IOWA. CARO SENHOR CARO SENHOR TENHO A HONRA DE ACUSAR O RECEBIMENTO DE SUA CARTA DE 20 DE ABRIL ME INFOMANDO QUE OS MEMBROS DA SOCIEDADE HONROSAMENTE ME TORNARAM MEMBRO HONORÁRIO.  AGRADEÇO MUITO A HONRA QUE ME FOI CONCEDIDA E ME SINTO OBRIGADO A VOSSA SENHORIA TRANSMITA  AOS PRESIDENTE, VICE PRESIDENTE E DEMAIS MEMBROS DA SOCIEDAD. ACEITO DE TODO O CORAÇÃO O VALIOSO E GENTIL CONVITE DE FILIAÇÃO QUE VOSSA SENHORIA TEVE A AMABILIDADE DE ME ENVIAR PARA TOMAR PARTE DA SOCIEDADE EM SUA DISTINTA COMPANHIA. COM MEUS RESPEITOS. BARÃO DE ITAJUBÁ, MINISTRO DO BRASIL NOS ESTADOS UNIDOS. .  CURIOSAMENTE O MESMO BENJAMIM W. AUSTIN QUE ERA SECRETARIO DA NORTHWESTERN LITERARY AND HISTORICAL SOCIETY POUCOS ANOS DEPOIS EM 1890 JÁ COMO SECRETÁRIO DA TRINITY HISTORICAL SOCIETY DE OAK CLIFF E DALLAS APRESENTOU CONVITE PARA ASSOCIAÇÃO HONORÁRIO DO IMORTAL BRASILEIRO JOÃO MANUEL PEREIRA DA SILVA  (1817-1898) NA TRINITY. PODE-SE SUPOR QUE BENJAMIM W. AUSTIN TINHA AFINIDADE A CULTURA BRASILEIRA.  O BARÃO DE ITAJUBÁ SEGUIU OS PASSOS DE SEU PAI UM ILUSTRE DIPLOMATA BRASILEIRO  QUE ERA  BACHAREL EM DIREITO PELA ACADEMIA DE OLINDA, ERA LENTE DESSA ACADEMIA QUANDO FOI NOMEADO ENCARREGADO DE NEGOCIOS INTERINO E CONSUL GERAL DO BRASIL NAS CIDADES HANSEATICAS. DE 1834 A 1867, OCCUPOU SUCCESSIVAMENTE TODOS OS PÓSTOS DA CARREIRA DIPLOMATICA EM QUASE TODAS AS CÔRTES EUROPEAS. FOI O ARBITRO BRASILEIRO NA QUESTÃO DO ALABAMA, ENTRE OS ESTADOS UNIDOS E A GRÃ-BRETANHA, SERVINDO COM IGUAL BRILHO AO DOS OUTROS DOIS ARBITROS NOMEADOS PELO REI DA ITALIA E O PRESIDENTE DA SUISSA, NO TRIBUNAL DE ARBITRAMENTO DE GENEBRA, EM 1871. ERA GRANDE DO IMPERIO, GRÃ-CRUZ DA IMPERIAL ORDEM DE CHRISTO, GRANDE OFFICIAL DA LEGIÃO DE HONRA DA FRANÇA, CAVALLEIRO DA REAL ORDEM DA CONCEIÇÃO DE VILLA VIÇOSA, DE PORTUGAL, GRÃ-CRUZ DA AGUIA VERMELHA, DA PRUSSIA, DA ORDEM DOS GUELPHOS, DO HANNOVER, DA DE PEDRO DE OLDENBURGO, DA ERNESTINA DA SAXONIA, DA DINAMARQUESA DE DANEBROGUE, E SOCIO DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAPHICO BRASILEIRO. NOTA: Filho do visconde de Itajubá e de Maria Cristina Josefina Adele Vaugbelle, nasceu na Alemanha enquanto seu pai lá servia como diplomata. Casou com Maria Elisa Pereira da Silva, filha do João Manuel Pereira da Silva.Entrou na carreira diplomática em 1866, no mesmo ano servindo na Rússia como adido. Representou o Brasil em diversos países da Europa, tendo recebido inúmeras condecorações, entre elas a Legião de honra da França.Agraciado barão em 10 de novembro de 1883, também agraciado oficial da Imperial Ordem da Rosa, comendador da Legião de Honra da França, entre outras condecorações.Faleceu enquanto ministro do Brasil junto a corte do imperador Guilherme II da Alemanha.
  • FÉLIX-MARIE-ÉMILE TAUNAY, 2º BARÃO DE TAUNAY (MONTMORENCY, 1 DE MARÇO DE 1795  RIO DE JANEIRO, 10 DE ABRIL DE 1881) MANUSCRITO  FÉLIX FOI UM PINTOR FRANCÊS, PROFESSOR E DIRETOR DA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES DO BRASIL, SENDO UM DOS IDEALIZADORES E O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA EFETIVAÇÃO DO PROJETO DE ENSINO ACADÊMICO PROPOSTO PELOS MEMBROS DA MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA, DA QUAL FEZ PARTE, UM MARCO FUNDAMENTAL NO PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA DE ARTES DO PAÍS. COMO PINTOR DEIXOU UM IMPORTANTE LEGADO NA PINTURA DE PAISAGEM, SENDO UM DOS FUNDADORES DO GÊNERO NO BRASIL. MANUSCRITO DE FÉLIX-MARIE-ÉMILE TAUNAY ESCRITO EM FRANCÊS SOBRE SUA GESTÃO A FRENTE DA ACADEMIA IMPERIAL DE BELAS ARTES ENTRE 1834 E 1851. EXCERTOS DO TEXTO: É CONVENIENTE PARA MIM E SOBRETUDO JUSTO Á MEMÓRIA DAQUELES QUE JÁ DESCANSAM NA TUMBA, QUE EU TOME O CUIDADO DE MARCAR, AO MENOS EM TRAÇOS GERAIS , O QUE PODERIA  TER SIDO, SOB O ASPECTO MONUMENTAL, A CIDADE DO RIO DE JANEIRO EM 1854, NO MOMENTO EM QUE, OBRIGADO POR UMA DOENÇA QUE PARECIA INCURÁVEL A NÃO SER POR UM REPOUSO ABSOLUTO, EU DEIXEI A DIREÇÃO DA ACADEMIA DE BELAS ARTES. ALÉM DO IMPULSO IMPRESSO NO SENTIDO DO PROGRESSO, A CAPITAL DO IMPÉRIO POSSUIA OITO OU DEZ VERDADEIROS MONUMENTOS, SE, DURANTE MINHA ADMINISTRAÇÃO, EU TIVESSE SIDO INVESTIDO DA CONFIANÇA ABSOLUTA QUE EU MERECIA, NÃO TANTO, É VERDADE, PELO MEU VALOR PESSOAL MAS PELA REUNIÃO DOS QUE SERVIAM COMIGO NO CONSELHO ACADÇEMICO, TAIS COMO O GRÃO MERSTRE DE MONTIGNY, OS IRMÃOS FERREZ, JOB JUSTINO DE ALCANTARA, AUGUSTO MULLER. NOTA: Félix-Marie-Émile Taunay, 2º barão de Taunay (Montmorency, 1 de março de 1795  Rio de Janeiro, 10 de abril de 1881), foi um pintor francês, professor e diretor da Academia Imperial de Belas Artes do Brasil, sendo um dos idealizadores e o principal responsável pela efetivação do projeto de ensino acadêmico proposto pelos membros da Missão Artística Francesa, da qual fez parte, um marco fundamental no processo de modernização do sistema de artes do país. Como pintor deixou um importante legado na pintura de paisagem, sendo um dos fundadores do gênero no Brasil. Era filho do pintor Nicolas-Antoine Taunay e de sua esposa, Marie Josephine Rondel, de origem bretã. Com a derrocada de Napoleão Bonaparte, Nicolas deixou a França e partiu para o Brasil em 1816, integrando-se à Missão Artística Francesa. Chegou acompanhado dos seus cinco filhos: Charles-Auguste, Félix-Émile, Aimé-Adrien, Hippolyte e Theodore-Marie. Foi nomeado professor de Pintura Histórica da Academia Imperial de Belas Artes. Nunca chegou a ser empossado, mas viveu de uma pensão real e realizou várias encomendas para a Corte. Antes de partir de volta à França em 1821, Nicolas recebeu o título português de Barão de Taunay. Félix-Émile permaneceu no Brasil. Havia se formado farmacêutico na França, mas no Brasil sua carreira tomaria outros rumos, recebendo formação artística de seu pai. Em 1824 assumiu a cátedra de pintura de paisagem na Academia Imperial. Porém, nesta altura a Academia ainda não passava de um projeto. Vinha enfrentando dificuldades práticas e intrigas políticas para sua implantação e funcionamento desde sua fundação em 1820, e só seria efetivamente inaugurada em 5 de novembro de 1826, graças ao empenho de Debret e Lebreton, dois dos principais membros da Missão Francesa, que se preocuparam também com a preparação do primeiro corpo de professores. Os problemas da escola não acabaram com a sua inauguração. O prédio projetado por Grandjean de Montigny, outro membro da Missão, ainda não estava terminado, tampouco sua estrutura administrativa e curricular haviam sido definidas, e os atritos entre os franceses e os brasileiros não cessavam. Apesar de tudo, em 1829 foi realizada a primeira exposição pública dos trabalhos de alunos e professores, contando com 115 obras, sendo 60 de arquitetura, 47 de pintura, 4 de paisagem e 4 de escultura. A mostra foi um sucesso, sendo visitada por mais de duas mil pessoas nos 12 dias em que permaneceu aberta. Taunay foi o autor das quatro obras de pintura de paisagem: Vista de São Cristóvão tomada da praia Formosa, Paisagem histórica representando um desembarque na praia de D. Manuel, Vista do Barro Vermelho vindo de Catumbi, e Vista da cidade tomada do morro de Santa Teresa. No ano seguinte foi realizada outra exposição, com 126 trabalhos. Taunay e seus alunos Frederico Guilherme Briggs, Job Justino de Alcântara e Joaquim Lopes de Barros apresentaram obras. A abdicação de Dom Pedro I em 1831 refletiu-se na administração da Academia Imperial, que ainda funcionava muito precariamente. Debret retornou para a França e Taunay ocupou seu lugar como principal agente da sustentação da Academia, e estreitou a amizade com Grandjean. Deve-se a ambos o projeto de reforma dos estatutos iniciado ainda em 1831, e que foi aprovado oficialmente pela Congregação Acadêmica em 10 de outubro de 1833. A reforma contemplou principalmente o ensino de desenho, a base de todo o ensino. Reduziu o tempo de permanência dos alunos de três para um ano, permitindo que avançassem mais rapidamente, modificou os critérios de admissão e as normas para a avaliação anual dos alunos. Mas não parou aí. Foram introduzidas várias novas disciplinas, incluindo as classes de modelo vivo e anatomia, foi fortalecida a base do ensino com a adoção de tratados teóricos e compêndios didáticos europeus, alguns traduzidos pelo próprio Taunay, foram formalizados os concursos trimestrais e anuais e o sistema de premiações honoríficas, e foi dada ênfase, nas etapas formativas iniciais, à cópia de obras de mestres consagrados. O trabalho administrativo de Taunay foi favorecido com sua nomeação para o cargo de secretário da Academia em 1833. Essas mudanças enfraqueceram a posição de Henrique José da Silva, professor de desenho e então diretor da Academia, que havia sido um ferrenho opositor dos franceses e líder do partido português. Mas ele já era idoso e estava enfermo, acatou a reforma, reconheceu que as mudanças seriam benéficas e não entrou em conflito com Taunay. Ao falecer em 1834, deixou o campo aberto para a atuação de Taunay, que o sucedeu no cargo de diretor, eleito no mesmo ano.7 Segundo Elaine Cristina Dias,"A nomeação de Félix-Émile Taunay como diretor da Academia Imperial de Belas Artes no ano de 1834 constitui um marco para o desenvolvimento do ensino artístico no Brasil. A partir de então, inicia-se um longo processo de luta pela implantação de medidas fundamentais à consolidação da Academia como instituição pública e produtiva, o qual se prolongará até a segunda metade do século XIX".A 1º de janeiro de 1835 foi nomeado professor de desenho e de francês do jovem D. Pedro II e suas irmãs. A partir daí torna-se não apenas mestre, mas amigo pessoal do monarca. Em meados de 1839 foi nomeado sub-preceptor de D. Pedro. No ano anterior havia participado da fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Permaneceu como titular da cátedra de pintura de paisagem até 1851, e como diretor da Academia até 1854, quando foi substituído por Manuel de Araújo Porto-Alegre. Colaborou com Grandjean de Montigny em projetos de saneamento, embelezamento e urbanização do Rio de Janeiro. Pintou quadros notáveis, entre os quais Morte de Turenne, Derrubada das matas, Mãe d'água, Descobrimento das Caldas, O caçador e a onça, tendo pintado também o famoso retrato de Dom Pedro II na infância. Diz Elisa dos Santos Prado que Taunay era "um homem superiormente instruído, humanista de elevada cultura" Escreveu L'Astronomie du jeune âge, Ajax de Télamon e La Bataille de Poitiers. Traduziu para o francês os Idylles brésiliennes, poema escrito originalmente em latim por seu irmão Theodore, Inocência, romance escrito por seu filho Alfredo, mais obras de Píndaro e sátiras de Pérsio. Casou-se com Gabriela Hermínia de Robert dEscragnolle, filha do conde d'Escragnolle e irmã do barão d'Escragnolle, sendo pais do escritor Alfredo d'Escragnolle Taunay, visconde de Taunay, e de mais dois filhos. Viveram na casa erguida por seu pai Nicolas ao lado de uma cascata localizada no atual Parque Nacional da Tijuca, depois batizada como "Cascatinha Taunay" em lembrança de Nicolas. Um monumento com o retrato de Félix foi erigido no local onde existiu a casa da família, demolida no início do século XX. No mesmo parque foi construída a Fonte dos Taunay homenageando a família. Recebeu várias distinções: Hábito da Ordem de Cristo (1841), cavaleiro da Legião de Honra (1843), membro honorário da Academia Imperial (1852) e comendador da Imperial Ordem da Rosa (1867). Em 1871 foi confirmado como 2º barão de Taunay.
  • TÍTULO DE ELEITOR DO IMPÉRIO DO BRASIL DATADO DE 1881. PERTENCEU A JOSÉ GOMES DE SOUSA, SACRISTÃO MÓR DA IGREJA DA CANDELÁRIA DO RIO DE JANEIRO. TRAZ AS SEGUINTES INFORMAÇÕES: MUNICIPIO DA CORTE, PAROCHIA DA CANEDELARIA, 3. QUARTEIRAO,  NOME DO ELEITOR: JOSÉ GOMES DE SOUZA, IDADE 33 ANOS, SOLTEIRO, SACRISTÃO MÓR, RENDA 1.6000.000, INTRUÇÃO: SABE LER E ESCREVER, FILIAAÇÃO REYNALDO GOMES SOUZA E DONA LÚCIA MARIA DE SOUZA, DATA DE ALISTAMENTO 1881, DOMICILIO RUA DE SÃO PEDRO 73ª, ASSINATURA DO ELEITOR E ASSINATURA DO JUIZ BENTO LUIS DE OLIVEIRA LISBOA (GENRO DO VISCONTE DE ITABORAÍ  E FUTURO PERSIDENTE DA PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO, FORMADO PELA FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO) . A rua de São Pedro da Cidade Nova , DOMICILIO DO ELEITOR JOSÉ GOMES DE SOUZA COMEÇAVA NO CAMPO DA ACLAMAÇÃO (ATUAL PRAÇA DA REPÚBLICA) E TERMINAVA NO CANTO DA PRAIA FORMOSA (ATUAL RUA PEDRO ALVES), NA REGIÃO PORTUÁRIA. APENAS O TRECHO DA RUA QUE IA ATÉ A PRAÇA ONZE DE JUNHO SE CHAMAVA DE SÃO PEDRO. A CONTINUAÇÃO ATÉ A PRAIA FORMOSA DENOMINAVA-SE RUA DO ATERRADO. EM 1869, A PARTE DO ATERRADO PASSOU A CHAMAR-SE RUA DO SENADOR EUSÉBIO. CINCO ANOS DEPOIS, ESSA DENOMINAÇÃO PASSOU A DESIGNAR AS DUAS PORÇÕES, POIS UMA ERA O SEGUIMENTO DA OUTRA. AMBAS DESAPARECERAM QUANDO DA ABERTURA DA AVENIDA PRESIDENTE VARGAS.NOTA: Após a declaração de Independência, em 1822, D. Pedro I convocou eleições para Assembleia Geral Constituinte e Legislativa. O sistema utilizado foi o de dois graus: não votavam em primeiro grau os que recebessem salários e soldos; para a eleição de segundo grau, exigia-se, conforme letra da lei, decente subsistência por emprego, indústria ou bens. O cálculo do número de eleitores era feito a partir do número de famílias da freguesia. Em qualquer dos casos, o eleitor deveria comprovar possuir determinada renda anual.Durante quase todo o período imperial, as eleições foram indiretas, ou seja, os cidadãos escolhiam os eleitores dos deputados e senadores. Nessas eleições, podiam votar, de forma geral, homens com mais de 25 anos que atendessem aos critérios censitários legalmente definidos, não podendo votar escravos e mulheres.O analfabeto pode votar quase que livremente nesse período. Ocorreu apenas alguma limitação quando foi instituída a obrigatoriedade de assinatura da cédula eleitoral que, aliás, podia ser qualquer papel trazido pelos eleitores com os nomes dos seus candidatos. Só com a Lei Saraiva, em 1881, é que foi proibido o voto dos iletrados, inaugurando o chamado senso literário, responsável pelo decréscimo do eleitorado à época.
  • MONSENHOR PINTO DE CAMPOS (1819-1887)  O SACERDOTE PERNAMBUCANO FOI UM CÉLEBRE POLÍTICO (DEPUTADO) FUNDAMENTAL PARA ARTICULAÇÃO DA APROVAÇÃO DA LEI DO VENTRE LIVRE QUE TORNAVA LIVRE TODO FILHO DE ESCRAVA NASCIDO A PARTIR DE 28 DE SETEMBRO DE 1871.  MISSIVA DO MONSENHOR PINTO DE CAMPOS AO SENADOR EVARISTO DA VEIGA ELOGIANDO SUA RECONHECIDA ELOQUENCIA NA TRIBUNA. EXCERTOS DO TEXTO: MEU CARO AMIGO VEIGA MUITO ÁS CARREIRAS DIR-LHE-EI QUE NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO DE ONTEM, QUE LHE REMETO, FIZ TRANSCREVER O SEU BELISSIMO ARTIGO, QUE VERDADEIRAMENTE TEM SIDO AQUI MUITO APRECIADO. FIZ POR-LHE UMA NOTA NA PARTE EM QUE SE MOSTRA ESCRUPULOSO DE ADMITIR EM NOSSO MEIO OS JESUITAS. SEI QUE ISTO EM CERTO MODO É ALIMENTADO A PREVENÇÃO CONTRA ESTA ORDEM QUE TANTOS SERVIÇOS PRESTOU E QUE AINDA NOS PODE DEIXEMOS OS PRECONCEITOS PARA OS NEO-PROTESTANTES. BREVEMENTE AÍ VERÁ SUA RESPOSTA AO PHILOSOPHICO PEDRO LUIZ. COMO FARÁ O NOSSO EVARISTO? O CASO É QUE MAGNANIMO SE IMORTALIZANDO NA TRIBUNA. ELLE E O COSTA PINTO SÃO HOJE AQUI DUAS GRANDES POPULARIDADES, DUGA-LHE QUE O CAMARAJPE (VISCONDE) LHE ESCREVEO HÁ TEMPOS E QUE AINDA NÃO MERECEO AS HONRAS DE I,A RES´PSTA; DE-LHE UM ABRAÇO. ESCREVA-ME. SEOO DE CORAÇÃO. PINTO DE CAMPOS. RECIFE, 19 DE MAIO 1864. TAMBÉM ORADOR CELEBRADO  O MONSENHOR PINTO DE CAMPOS TEM UMA INTERESSANTE PAPEL NA QUESTÃO RELIGIOSA QUE ABALOU A RELAÇÃO DA IGREJA COM O IMPERADOR DOM PEDRO II  QUANDO INTERCEDEU JUNTO AO PAPA PIO IX PARA QUE APONTASSE O ERRO DOS BISPOS DE OLINDA E DO PARÁ EM UM CONFLITO ABERTO CONTRA A MAÇONARIA. ELE MESMO, O MONSENHOR PINTO DE CAMPOS FOI IMPEDIDO PELO BISPO DOM FREI VITAL DE CELEBRAR O CASAMENTO DE UM MAÇOM E ALÉM DISSO FOI AFATADO PELO MESMO BISPO DE SUAS FUNÇÕES CLERICAIS (VIDE CHARGE PUBLICAA EM 1876 PELA REVISTA ILUSTRADA MONSTRANDO O BISPO VITAL IMPEDINDO A CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO DO MAÇOM PELO MONSENHOR PINTO DE CAMPOS .NOTA: Destacado político, escritor e clérigo pernambucano do Segundo Reinado do Império Brasileiro, o Monsenhor Pinto de Campos era conhecido de muitos na política nacional por ser um católico militante, foi veementemente contra o casamento civil, a separação da Igreja do Estado e a proliferação do Protestantismo. Na questão religiosa porém, Monsenhor Pinto de Campos teve uma posição ambígua. O Bispo Dom Vital impediu que o monsenhor celebrasse o casamento de um cidadão pertencente à maçonaria, o suspendendo de suas funções. Ajudou o Barão de Penedo , em Roma , a tentar convencer Pio IX que os Bispos de Olinda e do Pará estavam errados no conflito com o Imperador Dom Pedro II. Parecia ao monsenhor Pinto de Campos que houve da parte de Dom Vital certa precipitação em seu conflito com a maçonaria. Porem acabou sendo contra a prisão dos Bispos. Perdendo os favores que tinha com o poder Imperial. Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, (Bispo de Olinda de 1871 a 1878) foi condenado após seu confronto com a Maçonaria anos antes, pois proibiu a participação de sacerdotes em qualquer cerimônia maçônica, cancelando as missas encomendadas por maçons. Lançava também um interdito sobre as irmandades que mantivessem em seu seio elementos maçons, que eram a elite política, econômica e militar do Brasil Império. Sua ação contra os maçons e o fechamento das irmandades estavam de acordo com a Bula do Papa Pio IX. Porém a bula Papal não foi aprovada pelo Beneplácito de Dom Pedro II, tornando as ações do Bispo ilegais aos olhos do Supremo Tribunal, que ironicamente era presidido pelo Maçom Joaquim Marcelino de Brito. O Imperador porém dispensou-o do trabalho forçado por temer que o governo caísse diante da indignação do povo. Dom Vital foi pedra angular da Igreja no seu rerguimento diante da tutela do Estado; e fogo na sua maneira de agir, de deliberar, de enfrentar o poder majestático. Durante a prisão de Dom Vital, sua popularidade cresceu como uma grande onda por todo o Brasil e a fortaleza tornou-se um local de peregrinação. Pressionado pelo Governo e pela população, o Barão de Angra autorizou um serviço especial para conduzir as pessoas que quisessem visitá-lo na Ilha das Cobras. Famílias inteiras, inclusive mulheres e crianças, vinham a cavalo visitar Dom Vital e pedir sua bênção, que se tornara um herói Católico nacional. Durante o Império, vemos surgir duas tendências reformistas da Igreja em franca oposição ideológica. De um lado, o movimento que pode ser chamado de regalista, nacionalista e liberal, dirigido por um grupo muito ativo e expressivo do clero paulista entre os anos de 1826 e 1842 em direção a formação de uma Igreja nacional. Do outro lado, os clérigos ligados a Roma, como Dom Vital, respeitando as diretrizes do Concílio de Trento. Seus integrantes, que iriam prevalecer no final do Império propunham uma Igreja mais centralizada com nítidas compreensões doutrinárias e disciplinárias. Passado um ano e sete meses da Prisão do Bispo de Olinda, o Imperador Pedro II achou mais prudente para seu governo libertar Dom Vital após ouvir o conselho do Duque de Caxias. Dom Vital faleceu em Paris, a 4 de julho de 1878. Ao receber o Viático, disse: Perdôo de coração aos meus inimigos e ofereço a Deus o sacrifício da minha vida. Monsenhor de Ségur, na oração fúnebre, por ocasião das exéquias, afirmou que Dom Vital morreu envenenado. Seus restos mortais se encontram sepultados na Basílica da Penha desde 1882, na cidade do Recife, no estado de Pernambuco, aos cuidados dos frades capuchinhos. SENADOR EVARISTO DA VEIGA: Por Equipe de Pesquisas do IHGMGEvaristo da Veiga e Barros nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de outubro de 1799 e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1837. Foi poeta, jornalista, político e livreiro brasileiro.Seu pai, Francisco Luís Saturnino Veiga, deve ter conhecido alguns dos inconfidentes, pois recopiou as Cartas Chilenas de Tomás Antônio Gonzaga, publicadas meio século mais tarde, por seu neto Luís Francisco da Veiga. O pai teve grande influência sobre seus filhos, sobretudo Evaristo, ótimo estudante que, no Rio de Janeiro de D. João VI, aprendeu francês, latim, inglês, cursou aulas de retórica e poética e estudou filosofia. Quando concluiu os estudos, o pai já abrira uma livraria na rua da Alfândega e os livros que trazia da Europa tinham em Evaristo o primeiro leitor, o mais curioso. Seu projeto frustrado de partir para a Universidade de Coimbra encontrou compensação na livraria do pai.Autor da letra do Hino à Independência, cuja música se deve a D. Pedro I. Em suas Poesias mais antigas, sente-se a influência da escola arcádica e, sobretudo, de Bocage. Datam de 1811, tinha 12 anos. Um ano depois em 1812, celebra os desastres militares dos franceses em Portugal. Em 1817, era súdito fiel de D. João VI. O malogro da revolução de Pernambuco o encheu de alegria. Seus versos cantaram o casamento de D. Pedro com D. Leopoldina, os anos de S. Majestade, em 13 de maio de 1819, o aniversário da aclamação do rei.Em 1821, porém, vivia-se no Rio de Janeiro o ano do constitucionalismo português. Ninguém podia ficar indiferente. O elemento conservador, receoso de desordens, alimentava esperança de que a chegada das novas instituições não importaria em ruptura com Portugal, pois haveria uma monarquia dual, servindo a coroa como união. Era o pensamento de Evaristo da Veiga, ilusão de que participaram muitos brasileiros. Não tardaram os constitucionalistas de Portugal a demonstrar sua incompreensão com as coisas do Brasil. Foi nesse instante, que nele despertou o patriota  um soneto de 17 de outubro de 1821 é intitulado O Brasil. Outro, de fevereiro de 1822, já estigmatizava a perfídia de Portugal.Daí em diante, vibrou com o movimento que se espalhava pelo país. Em 16 de agosto de 1822, sem ser figura saliente em nenhum acontecimento, escreveu o Hino constitucional Brasiliense, o célebre Brava Gente Brasileira/longe vá temor servil, etc. Compôs sete hinos, no total, entoados por milhares de bocas. O Brava Gente recebeu duas músicas, uma do maestro Marcos Portugal, outra do próprio Príncipe Regente, D. Pedro I. E como Evaristo era tímido e o príncipe notoriamente melômano, logo se lhe atribuiu a letra... Só mais tarde, em 1833, Evaristo reivindicaria a letra (os originais estão na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional).Cedo deixou de ser um espectador desenganado da ação do imperador. 1823 era o ano da instalação da Constituinte e o de sua dissolução por um golpe de força. Em 30 de maio, ele já fala no despotismo mascarado... Deixou de fazer sonetos, fez hinos. Ainda publicaria, em 1823, Despedida de Alcino a sua Amada, pois Alcino foi seu nome poético. Mas era poeta bastante medíocre e disso teve convicção, antes de que outros lhe dissessem. Sua vocação, logo descobriria, estar na política no serviço público, na imprensa, no parlamento.Morreu sua mãe, em 1823, e o pai, que desejava casar-se de novo, escrupuloso e exato como era, entregou aos filhos a parte que lhes tocava na herança materna. Evaristo e João Pedro, seu irmão, abriram uma livraria. Leu tudo que vendia, formou seu pensamento, fixou-se na posição da monarquia constitucional, pois a república lhe parecia um exagero e era moderado por temperamento. Em 1827, se separou do irmão, estabeleceu livraria própria e casou-se com D. Ideltrudes Maria dAscensão, começando nova vida.Em 21 de dezembro de 1827, surgiu o primeiro número de seu próprio jornal, logo famoso, o A Aurora Fluminense. Os fundadores foram José Apolinário de Morais, José Francisco Sigaud e Francisco Crispiano Valdetaro. Evaristo resolveu associar-se e passou, em pouco tempo, de colaborador a redator principal. A imprensa do Rio de Janeiro era, então, detestável, pasquineira. Os fundadores de A Aurora Fluminense queriam linguagem imparcial, guiada pela razão e virtude, e havia para servir à liberdade constitucional um Evaristo da Veiga. Os seus temas, no jornal, foram a liberdade constitucional, o sistema representativo, a liberdade de imprensa. Mas havia assuntos de momento em que tocou, como o descalabro da instrução, a questão do crédito público. Combatia a indiferença em matéria política, sobretudo, a mais funesta de todas as enfermidades morais. A oposição dos ministérios excluía escrupulosamente a pessoa do monarca, a quem tratava com deferência e até louvava.POLÍTICOEm 1830, foi eleito deputado por Minas Gerais, tendo sido reeleito até morrer. Era nome conhecido no Brasil inteiro. Deputado, continuou jornalista e foi sempre livreiro. Sem nunca ter saído do Rio de Janeiro, recebeu seu mandato de deputado por Minas Gerais, substituindo Raimundo José da Cunha Matos, que optara pela cadeira de Goiás. Em seu mandato, tentou pôr as instituições monárquicas a serviço do grande problema brasileiro a  unidade do vasto país. Cumpria cuidar dos interesses mais vitais do povo, fomentar a indústria, sanear zonas quase inabitáveis, difundir a instrução. Batia-se pelo estreitamento das relações com as demais nações americanas. Sempre assíduo, queria que os assuntos fossem discutidos com calma, nas Comissões, longe do tumulto do plenário.A agitação popular se alastrava e D. Pedro, mal aconselhado, resolveu ir a Minas Gerais. Seguiu-se o 7 de abril, com a renúncia do Imperador. Coube a Evaristo da Veiga redigir a proclamação, onde terminava: Do dia 7de abril de 1831 começou a nossa existência nacional: o Brasil será dos brasileiros, e livre! Elegeu-se a 17 de junho de 1831, a primeira Regência permanente, sendo escolhidos Francisco de Lima e Silva, Costa Carvalho e João Bráulio Muniz.Evaristo vinculou-se, também, a diversas sociedades e agremiações, procurando colocá-las sob sua orientação política. Sua luta foi incansável, em época propícia aos excessos, pois não era o simplista que acredita no milagre das leis. Evaristo se tornou alvo de ataques e calúnias. Em julho de 1831, era profunda a divisão dos liberais. Nomeado Feijó para a Justiça, recebeu todo o apoio de Evaristo, na Câmara e pela Aurora Fluminense. Mas havia grandes embaraços ao governo com a indisciplina militar, a separação entre exaltados e moderados. Evaristo era já, por consenso, o chefe do partido moderado. Todo o ano 1833 se consumiu na expectativa do retomo de Pedro I. Evaristo, convencido de que a trama restauradora era sério perigo, chefiou a campanha que impediu a volta de D. Pedro, sob qualquer título. Quando o ex-imperador morreu, em 24 de setembro (a notícia chegou ao Rio em dezembro de 1834), a desagregação dos moderados se processou com rapidez. A grande questão era a escolha do Regente único, de acordo com o Ato Adicional. A eleição de Feijó foi a última demonstração do prestígio de Evaristo da Veiga. Em 30 de dezembro de 1835, saiu o último número de seu jornal, com oito anos de existência. Recolhia-se a uma vida que desejava tranquila, com as três filhas e a mulher. Mas não se retirou da vida pública pois, em 1836, compareceu normalmente à Câmara. Depois decidiu fechar por uns tempos sua casa na rua dos Barbonos, hoje rua Evaristo da Veiga, e em novembro partiu para Campanha, onde vivia um irmão. Voltou ao Rio a 2 de maio de 1837. Visitou Feijó, foi para cama preso de violenta febre perniciosa, como diagnosticaram os médicos. Morreu a 12 de maio, repentinamente, aos 37 anos.Além de Patrono da Cadeira 45 do IHGMG, é Patrono da cadeira n 10 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de seu fundador, Rui Barbosa.
  • PRINCESA ISABEL CARTA DE CONSESSÃO PENNA DAGUA PARA O  DR. JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIRO, FILHO DO CONSELHEIRO E DESEMBARGADOR DO PAÇO DE MESMO NOME. O DESEMBARGADOR JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIREDO VEIO PARA O BRASIL COM A TRANSFERENCIA DA RAINHA DONA MARIA I, O PRINCIPE DOM JOÃO E A CORTE PORTUGUESA EM 1808 E TEVE AQUI EXITOSA CARREIRA TANTO NA ADMINISTRAÇÃO COLONIAL SOB DOM JOÃO VI COMO NO IMPÉRIO BRASILEIRO SOB DOM PEDRO I. CARTA DE CONSESSÃO DA PRINCESA ISABEL DE UMA PENNA DAGUA DO RIO MACACOS EM BOTAFOGO PARA O DR. JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIRO ASSINADA PELO MINISTRO DA AGRICULTURA THOMAZ JOSÉ COELHO DE ALMEIDA. O MINISTRO THOMAZ JOSÉ COELHO DE ALMEIDA FOI TAMBÉM MINISTRO DA GUERRA DO BRASIL( GABINETE JOÃO ALFREDO), FOI A SEUS PÉS QUE QUANDO EM VISITA À ESCOLA MILITAR DA PRAIA VERMELHA, QUE O ENTÃO JOVEM CADETE EUCLIDES DA CUNHA, CONTAGIADO PELO IDEAL REPUBLICANO, ATIROU O ESPADIM, QUE NÃO CONSEGUIRA QUEBRAR, EPISÓDIO QUE CULMINOU COM A EXPULSÃO DO CADETE DAQUELA INSTITUIÇÃO EM DEZEMBRO DE 1888. EXCERTOS DO TEXTO: SUA ALTEZ IMPERIAL, A PRINCEZA REGENTE, ATTENDENDO AO QUE REQUEREU O DR. JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIREDO EM 18 DE SETEMBRO DO CORRENTE ANO. HÁ POR BEM NA CONFORMIDADE DO REGULAMENTYO APPROVAD PELO DECRETO N. 3645. DE 4 DE MAIO DE 1866, CONCEDER-LHE UMA PENNA DAGUA DERIVADA DO ENCANAMENTO GERAL DO MACACOS PARA USO DO PRÉDIO N. 122 A PRAIA DE BOTAFOGO. PALÁCIO DO RIO DE JANEIRO, 23 DE SETREMBRO DE 1877. ASSINA THOMAZ JOSÉ COELHO DE ALMEIDA COM SELO ESTAMPILHADO OSTENTANDO A FACE DO IMPERADOR. AO LONGO DE MAIS DE 40 ANOS EXERCENDO FUNÇÕES NOS MAIS ALTOS POSTOS DA BUROCRACIA DO IMPÉRIO, JOSÉ BERNARDO FIGUEIREDO, PAI DO SUPLICANTE DA PENNA DAGUA,  AMEALHOU CONSIDERÁVEL FORTUNA EM TERRAS. SOMENTE O TERRENO DA CHÁCARA EM QUE VIVIA COM A FAMÍLIA EM BOTAFOGO OCUPAVA BOA PARTE DO BAIRRO. IA DA RUA SÃO CLEMENTE ATÉ O RIO BANANA PODRE, NAS ENCOSTAS DOS MORROS DONA MARTA E MUNDO NOVO, E TERMINAVA NA PRAIA DE BOTAFOGO. A RUA BAMBINA, UMA DAS MAIS ANTIGAS DO BAIRRO, TEM ESSE NOME EM HOMENAGEM À LUÍSA BAMBINA DE ARAÚJO LIMA, NETA DO CONSELHEIRO JOSÉ BERNARDO DE FIGUEIREDO (1772-1854), RICO PROPRIETÁRIO DE TERRAS DE BOTAFOGO NO SÉCULO 19. NA CHÁCARA QUE PERTENCIA A JOSÉ BERNARDO, FORAM ABERTAS, ALÉM DA BAMBINA, TRÊS OUTRAS RUAS, QUE TAMBÉM GANHARAM NOMES DE FAMILIARES.NOTA: Assim que a corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro em 1808, o advogado José Bernardo de Figueiredo foi nomeado para o cargo de intendente do ouro do Rio das Mortes, em Minas Gerais, pelo príncipe-regente D. João VI. Com formação em Direito na faculdade de Coimbra e a confiança de D. João, José Bernardo teve uma carreira próspera: foi juiz de fora na Vila de S. João dEl-Rei, ouvidor da comarca de Sabará, provedor da Fazenda dos Defuntos e Ausentes, desembargador ordinário da relação da Bahia, juiz de fora da cidade de São Paulo, desembargador da relação da Bahia, ministro do Superior Tribunal de Justiça e presidente do STJ por duas ocasiões.   Foi um dos escolhidos por D. Pedro I para a constituição do Supremo Tribunal de Justiça e, sendo nomeado Ministro em 19 de outubro de 1828, tomou posse a 9 de janeiro do ano seguinte.  Em decreto de 8 de novembro de 1828, obteve o título do Conselho, e o foro de Fidalgo Cavaleiro, por decreto de 20 de outubro de 1830.  Em carta imperial de 28 de abril de 1842, foi nomeado Presidente do mesmo tribunal, sendo reconduzido a esse cargo por duas vezes, em 1845 e 1848, em decreto de 17 de agosto. Devido à alta posição que ocupava no mais elevado tribunal do Brasil, coube ao Dr. José Bernardo de Figueiredo uma das varas do pálio, por ocasião do batizado do Príncipe D. Afonso, no dia 25 de março de 1845.     Em decreto de 8 de novembro de 1828, obteve o título da Imperial Ordem da Rosa. Foi aposentado por decreto de 13 de outubro de 1849.  Teve dois filhos DONA LUÍZA BERNARDA DE FIGUEIREDO  casada com o MARQUES DE OLINDA (PEDRO DE ARAÚJO LIMA) . SUA FILHA  LUÍZA BAMBINA DE ARAÚJO LIMA FOI A VISCONDESSA DE PIRASSUNUNGA. OUTRO FILHO DO DESEMBARGADOR FOI O DR. JOSÉ BERNANRDO DE FIGUEIREDO autor do requerimento dirigido a PRINCESA ISABEL.
  • DR LUIZ FRANCISCO DA VEIGA (1834-1899)  - ADVOGADO, PROMOTOR, SERVIDOR PÚBLICO, SÓCIO DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO E DO INSTITUTO CIENTÍFICO DE SÃO PAULO, TEATRÓLOGO E ARTICULISTA. MISSIVA DIRIGIDA A DR LUIZ FRANCISCO DA VEIGA PELO DR. LUIZ DE CASTRO ELOGIANDO O DRAMA  UMA FAMÍLIA CRISTÃ DE AUTORIA DO MESMO DR LUIZ FRANCISCO DA VEIGA. EXCERTOS DO TEXTO: ILMO SR. DR. LUIZ FRNACISCO DA VEIGA DEVOREI O SEU DRAMA UMA FAMILIA CRISTA QUE TEVE A BONDADE DE CONFIAR-ME. A IDÉIA QUE PRESIDIU O SEU TRABALHO É ALTAMENTE MORAL. NEM ME PARECE QUE POSSA FAZER ELOGIOS BASTANTES. LI COM IMENSO PRAZER O SEU DRAMA E ESTIMO QUE NINGUEM O PODERÁ LER DE OUTRA FORMA...NOVEMBRO, 27, 1895
  • JOÃO MANUEL PEREIRA DA SILVA  (1817-1898). MEMBRO FUNDADOR DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS OCUPOU A CADEIRA 34. FOI DEPUTADO, SENADOR E CONSELHEIRO DO IMPERIO. CARTA DO IMORTAL AGRADECENDO A HONRA DE TER SIDO ACOLHIDO COMO MEMBRO HONORÁRIO DA TRINITY HISTORICAL SOCIETY DE OAK CLIFF E DALLAS, EXCERTOS DO TEXTO TRADUZIDO DO INGLES: EU AGRADEÇO VOCÊ E A ILUSTRE TRINITY HISTORICAL SOCIETY. SINTO-ME HONRADO COM A MENÇÃO DE MEMBRO HONORÁRIO QUE ACEITO COM PRAZER. PODE ENCONTRAR ANEXA E A ESTA CARTA A MINHA FOTOGRAFIA CONFORME SOLICITADO. MEUS TRABALHOS SÃO:  HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DO IMPÉRIO DO BRASIL DE 1908 A 1840  5 VOLS  SEGUNDA EDIÇÃO, A NOBILIARQUIA DO BRASIL DURANTE OS 3 PRIMEIROS GOVERNOS  3. EDIÇÃO 2 VOLS. HISTÓRIA DOS ESTADOS AMERICANOS, INGLATERRA E SUAS PRIMEIRAS COLÔNIAS  1 VOL, NACIONALIDADE, LÍNGUA E LITERATURA DE PORTUGAL E BRASIL 1 VOL,  LITERATURA PORTUGUESA 1 VOL, IMIGRAÇÃO DO BRASIL EM 1856  1 VOL, DISCURSOS PARLAMENTARES 2 VOLS, ESBOÇOS E ENSAIOS 2 VOLS, VÁRIAS COMPOSIÇÕES LITERÁRIAS. COM A EXPRESSÃO DE MEU RESPEITO E CONSIDERAÇÃO ASSINA JOÃO MANUEL PEREIRA DA SILVA. PEREIRA DA SILVA FOI TALVEZ O MAIOR HISTORIADOS DO SEGUNDO IMPÉRIO BRASILEIRO. DOM PEDRO II PRESTIGIAVA FREQUENTEMENTE SUAS PALESTRAS, ASSIM COMO A IMPERATRIZ TEREZA CHRISTINA. DURANTE AS CÉLEBRES CONFERÊNCIAS DA GLÓRIA QUE FORAM UM MARCO NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO BRASIL OITOCENTISTA. ENTRE 1873 E 1898, NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, CAPITAL DO IMPÉRIO, FORAM REALIZADAS CENTENAS DE CONFERÊNCIAS SOBRE OS MAIS VARIADOS E ATUAIS TÓPICOS CIENTÍFICOS, EDUCACIONAIS E CULTURAIS DO MOMENTO. AS CHAMADAS CONFERÊNCIAS POPULARES DA GLÓRIA ACONTECERAM, INICIALMENTE, EM ESCOLAS DA FREGUESIA DA GLÓRIA, E CONTARAM COM O ENTUSIASMO DA COROA E A COBERTURA DA IMPRENSA LOCAL. OS CONFERENCISTAS (QUASE TODOS HOMENS) ERAM MAJORITARIAMENTE BRASILEIROS, EM GERAL PROFESSORES, ACADÊMICOS OU INTELECTUAIS. OS JORNAIS NÃO POUPARAM ELOGIOS À PEREIRA DA SILVA APÓS SUA PRIMEIRA APRESENTAÇÃO NAS CONFERÊNCIAS POPULARES DA GLÓRI, EM 7 DE DEZEMBRO DE 1873, INTITULADA CONSIDERAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA E A LITERATURA PÁTRIA. AO FAZER O REGISTRO DA CONFERÊNCIA, O DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO SUBLINHOU QUE, APESAR DA MANHÃ DE DOMINGO CHUVOSA E DA AMEAÇADORA TEMPESTADE QUE PAIRAVA NA CIDADE, O AUDITÓRIO ESTEVE CHEIO. ASSISTIRAM SUAS MAJESTADES IMPERIAIS, ACOMPANHADOS DE SEUS CAMARISTAS, O PRESIDENTE DO CONSELHO, DAMAS E CAVALHEIROS DA PRIMEIRA SOCIEDADE, PROFESSORES, HOMENS DE LETRAS, ESTUDANTES DAS ESCOLAS SUPERIORES, REPRESENTANTES DA IMPRENSA PERIÓDICA, ENFIM, UM CONCURSO ESCOLHIDO E AINDA MAIS NUMEROSO QUE OS DAS PRECEDENTES (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2). SEGUNDO AINDA O JORNAL, TODOS DESEJAVAM OUVIR A PALAVRA AUTORIZADA DO ANTIGO PARLAMENTAR, ESCRITOR NOTÁVEL E ORADOR DISTINTO, CUJA AUTORIDADE EM ASSUNTOS DE HISTÓRIA NACIONAL É RECONHECIDA E INCONTESTÁVEL (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2). E O PÚBLICO NÃO TERIA SE DECEPCIONADO. O HÁBIL HISTORIADOR FOI NA TRIBUNA O QUE É NO GABINETE (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2). A SUA PALAVRA FOI CORRETA E FLUENTE E O SEU PENSAMENTO ELEVADO E GRANDIOSO! FAZENDO EXPOSIÇÃO DA DOUTRINA DE QUE IA TRATAR, NÃO FOI ALÉM DO PROGRAMA QUE SE PROPÔS SEGUIR NA DEFESA DA SUA TESE. COMO, PORÉM, ESSE PROGRAMA É VASTO! ELE ABRANGE AS RAÇAS INDÍGENAS ANTES E DEPOIS DA DESCOBERTA. ELE ESTUDA A OCUPAÇÃO EUROPEIA NESSE BELO PAÍS DA AMÉRICA, E NESSE ESTUDO TERÁ QUE APRECIAR PORTUGUESES, FRANCESES, ESPANHÓIS E HOLANDESES. ELE ENFIM ABARCA TODA A ÉPOCA DAS INDEPENDÊNCIAS ATÉ AOS NOSSOS DIAS, COMPARANDO INSTITUIÇÕES, COSTUMES, LEIS, PROGRESSOS E ASPIRAÇÕES! A TESE ENFIM CONSUBSTANCIA-SE NESTA FRASE DO ORADOR: ESTUDAR O QUE FOMOS, O QUE SOMOS E O QUE SEREMOS; EM UMA PALAVRA: O PRESENTE, O PASSADO E O FUTURO DO BRASIL (DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO, 1873B, P. 2).NOTA: Pereira da Silva (João Manuel Pereira da Silva), político, romancista, historiador, crítico literário, biógrafo, poeta e tradutor, nasceu em Iguaçu, atual Nova Iguaçu, RJ, em 30 de agosto de 1817, e faleceu em Paris, França, em 14 de junho de 1898. É o fundador da cadeira n. 34, que tem como patrono Sousa Caldas. Filho do negociante português Miguel Joaquim Pereira da Silva e de Joaquina Rosa de Jesus, João Manuel Pereira da Silva nasceu em Iguaçu, atual Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, no dia 30 de agosto de 1817. Ainda jovem, aos 17 anos, transferiu-se para Paris, a fim de estudar direito, formando-se em 1838. Na capital francesa, sua relação com a literatura, a história brasileira e o pensamento nacionalista se sobressaiu frente aos estudos jurídicos. Contribuiu com títulos literários e históricos importantes da época, como a Nitheroy - Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, espaço onde floresceu a crítica romântica do período, fundada e redigida por grandes nomes associados ao romantismo, como Gonçalves de Magalhães, Araújo Porto Alegre e Torres Homem. De volta ao Brasil, Pereira da Silva exerceu, pelo Partido Conservador, mandatos de deputado provincial, deputado geral e de senador. Foi titular do Conselho do Império, membro honorário do IHGB e da Academia Real de Ciências de Lisboa. No romance, ele estreou em 1838 com o livro Uma paixão de artista. Mas, a despeito da paixão pela ficção, Pereira da Silva ocupou-se bastante com os estudos históricos, tendo esse interesse se materializado nas diversas frentes em que atuou. Uma de suas principais ocupações no campo histórico foi a escrita biográfica. Pereira da Silva narrou a vida de mais de uma dezena de personagens da história política e literária brasileira, como Padre José de Anchieta, Alexandre de Gusmão, José Bonifácio de Andrada e Silva e Gregório de Matos. Pereira da Silva também escreveu obras de ficção ambientadas em cenários históricos. São de sua autoria folhetins ou novelas como Religião, Amor e Pátria (1828) e O Aniversário de D. Miguel em 1828 (1839), ambos publicados pelo Jornal do Commercio, além de Jerônimo Corte Real(1840). Em 1843, por encomenda da casa editorial Laemmert, passou a organizar uma coletânea de poemas do período colonial e romântico, publicada naquele ano e que traz um ensaio de sua autoria, intitulado Uma introdução histórica e biográfica da Literatura Brasileira. Escreveu, ainda, a monumental História da Fundação do Império Brasileiro, dividida em sete volumes publicados entre 1864 e 1868. A obra foi seguida por Segundo período do Reinado de D. Pedro I no Brasil, de 1871, e História do Brasil de 1831 a 1840, publicada em 1879 (. Mesmo no palanque da Assembleia Geral Legislativa do Império, quando exerceu mandatos de deputado, Pereira da Silva encontrou meios e formas de falar sobre história. Em 1870, a livraria Garnier publicou um livro que reunia vários de seus discursos parlamentares. Ao abrir o livro, o editor avisa quanto ao propósito da obra: Quando para mais não sirvam, os discursos parlamentares do Sr. Conselheiro João Manuel Pereira da Silva, deputado pela província do Rio de Janeiro, durante muitas legislaturas, prestam esclarecimentos importantes à história do governo representativo no Brasil. Tratou o Sr. Conselheiro das questões mais árduas, que se suscitaram, sociais, políticas, financeiras e administrativas. Aí encontrará de certo o futuro historiador do Brasil materiais excelentes, que lhe facilitem a empresa de sumariar os acontecimentos do país. Aos 80 anos, Pereira da Silva ainda se tornou um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 34. Faleceu um ano depois, aos 81 anos, em Paris, em 14 de junho de 1898, tendo o Barão do Rio Branco lhe sucedido na ABL.
  • ALFREDO VARELA  BILHETE POSTAL DIRIGIDO AO JORNALISTA ANARQUISTA BENJAMIM MOTTA QUANDO ESTE FOI CONTRATADO PELO JORNAL COMMERCIO DE S. PAULO. DIZ O TEXTO: AO ILUSTRE DR BENJAMIM MOTTA M.D. SECRETÁRIO DO COMMERCIO DE SÃO PAULO. NUNCA O ESQUECI NEM PODIA TER ESQUECIDO TÃO BRAVO E GALHARDO JORNALISTA INDEPENDENTE, POR ISSO É QUE TIVE HOJE GRANDE ALEGRIA AO LER A NOTICIA DE SUA ENTRADA PARA O COMMERCIO DO QUE LHE DOU TESTEMUNHO COM O ENVIO DE MUITOS PARABENSE UM FORTE ABARAÇO. A. VARELA. RIO, COPACABANA, 52B AOS 21-05-906. O JORNALISTA BENJAMIM MOTTA FOI UM ANARQUISTA E POR MUITOS ANOS JORNALISTA INDEPENDENTE, NASCIDO NO BRASIL, NA CIDADE DE RIO CLARO, EM SÃO PAULO EM 2 DE JANEIRO DE 1870, FUNDADOR DO JORNAL ANTICLERICAL A LANTERNA NO ANO DE 1901.1 TORNOU-SE ADVOGADO PRATICANTE (SOLICITADOR) E FOI MUITO ATIVO NA DEFESA DOS TRABALHADORES E MILITANTES DA ÉPOCA. TEVE COMO AMIGOS E COLABORADORES NENO VASCO E EDGARD LEUENROTH, ENTRE OUTROS LIBERTÁRIOS DO INÍCIO DO SÉCULO XX. FALECEU EM 10 DE DEZEMBRO DE 1940. NOTA: Alfredo Augusto Varela de Vilares (Jaguarão, 16 de setembro de 1864  Rio de Janeiro, 1943) foi um historiador e diplomata brasileiro. Filho de Manuel Rodrigues Vilares e Rosita Emília Dutra Varela. Em sua juventude dedicou-se à carreira comercial, que logo abandonou para tornar-se professor. Pouco tempo depois entra na Escola Militar, não permanecendo muito tempo por não ter sentido vocação no assunto. Estudou na Faculdade de Direito de São Paulo e depois na Faculdade de Direito do Recife, formado bacharel em 1889 retornou a Rio Grande. Depois da Proclamação da República torna-se destacado auxiliar de Júlio de Castilhos, tendo auxiliado na concepção da constituição do estado. Doutor em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1904. Foi advogado no Rio de Janeiro, procurador-geral da República no Rio Grande do Sul de 1890 a 1893.Como jornalista dirigiu o jornal A Federação, de 1890 a 1891, em Porto Alegre, depois fundou o jornal Folha Nova, também em Porto Alegre. Membro do Partido Republicano Rio-Grandense, foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul em 1900. Ainda como jornalista dirigiu o Diário da Tarde, em Curitiba, em 1903, e o Comércio do Brasil, no Rio de Janeiro, de 1904 a 1905. Teve atuação importante na Revolta da Vacina, onde chegou a ser acusado de ser um dos líderes do movimento. Diplomata foi sucessivamente cônsul do Brasil na Espanha, 1908, no Japão, 1910, em Portugal, 1914 e na Itália, 1914, quando aposentou-se. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. É patrono de uma das cadeiras da Academia Rio-Grandense de Letras. Representa a vertente platina da historiografia rio-grandense (com Manuelito de Ornelas).

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