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  • AMÉRICA MERIDIONALIS MAPA: CONCINATA JUSTA OBSERVACIONES DUN ACAD. REGALIS SCIENTIARUM ET NONNULLORUM ALIORUM / E JUSTAS ANOTAÇÕES RECENTES POR G. DE L'ISLE GEOGRAPHUM; VENALIS PROSTAT AGUSTAE VINDELICORUM; APUD TOBIAM CONR. LOTTER, GEOGR. E CALCOGR. MAPA GRAVADO EM COBRE E AQUARELADO MANUALMENTE DE GUSTAV CONRAD LOTTER, RETIRADA DA OBRA "ATLAS NOVUS SIVE...", PUBLICADA POR TOBIAS CONRAD LOTTER NA CIDADE ALEMÃ DE AUSBURG EM 1772. ESTE MAPA COLORIDO MOSTRA TODA A AMÉRICA DO SUL, COM DETALHES INTERESSANTES DE CURSOS DE ÁGUA E OUTRAS INFORMAÇÕES, JUNTAMENTE COM INDICAÇÕES DAS CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS E POPULAÇÕES MAIS IMPORTANTES DA ÉPOCA. TAMBÉM MOSTRA AS ROTAS DE MAGALHÃES (1520), DRAKE (1577), LE MAIRE & SCHOUTEN (1616) E SARMINETO (1570). OUTRAS DESCOBERTAS DATADAS TAMBÉM PODEM SER VISTAS COMO TENDO SIDO MARCADAS. EM SUA MARGEM INFERIOR ESQUERDA, APRESENTA UM BELO CARTUCHO COM O TÍTULO COMPLETO ".AMERICA MERIDIONALIS CONCIÑATA JUXTA OBSERVATIONES DUN ACAD. REGALIS SCIENTIARUM ET NONULLORUM ALIORUM, ET JUXTA ANNOTATIONS RECENTISSIMAS, PER G. DE L'ISLE GEOGRAPHUM VENALIS PROSTAT AUGUSTAE VINDELICORUM APUD TOBIAM CONR. LOTTER, GEOGR. ET CALCOGR", NO QUAL NOS FORNECEM INFORMAÇÕES INTERESSANTES SOBRE O MAPA . A CARTELA  É LADEADA POR  LINDA REPRESENTAÇÃO DE  POVOS INDÍGENAS E FAUNA LOCAL.  CHAMA ATENÇÃO O FATO DE QUE OS NATIVOS SÃO APRESENTADOS COMO NEGROS, AOS  SEUS PES ESTÃO TROFÉUS DE CAÇA COMO MARFIM, CHIFRES, GARRA,  CORRENTES ABERTAS AOS PÉS DO NATIVO, TAMBÉM É APRESENTADO UM ELEFANTE E SOBRE A CARTELA ESTÁ POUSADO UM PAPAGAIO. ESTA DECORAÇÃO TRASNMITE A VISÃO PRIMITIVA DOS COLONIZADORES EUROPEUS SOBRE OS TERRITÓRIOS SUL AMERICANOS QUE FAZIAM ANALOGIA DOS ELEMENTOS TÍPICOS AFRICANOS COM O QUE ENCONTRARIAM NA AMÉRICA. ABAIXO, AS ESCALAS UTILIZADAS E SEUS EQUIVALENTES. CURIOSAMENTE A AMAZONIA É AINDA APRESENTADA COMO UM TERRITÓRIO AUTONOMO CHAMADO DE REGIO AMAZONUM. AUGSBURG (HAMBURGO) ALEMANHA, 1772. 44 x 57 CM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA. COM A MOLDURA TEM: 86 X 75 CMNOTA:  A representação pictórica da América  com elementos tipicamente africanos nasce principalmente do fato da única experiencia e conhecimento dos europeus em terras ao sul do continente na época dos grandes descobrimentos era as que encontraram na África já então frequentada por eles há mais de um século. No inicio da colonização da América o litoral era o único ponto acessível e o interior do continente uma grande incógnita mas que  por analise comparativa imaginavam ser semelhante ao continente africano. De fato, nos séculos XV e XVI, quando ocorreram as grandes viagens marítimas, os europeus se depararam com realidades que eram bastante estranhas para eles. O oceano era um lugar onde reinava o imprevisível, ou seja, os navegadores não tinham certeza do que poderia acontecer, nem do que poderiam encontrar pelo caminho. As informações que eles tinham haviam sido retiradas, em sua maioria, de livros de outros navegadores, como por exemplo Nicollo Matteo, Marco Pólo,1 etc. Mas tais informações eram povoadas de mitos e superstições. Assim, ao partirem para as grandes viagens pelo oceano, os navegadores tinham em mente as informações de livros sobre viagens e também suas próprias crenças e mitos, que desde a Antiguidade povoavam seus pensamentos. Essa informações míticas e supersticiosas pertenciam quase todas à tradição grega: Ctésias de Cnido em 398 antes de Cristo, já escrevia sobre a existência de raças fantásticas como os ciápodas que possuíam um único e grande pé, os homens peludos, sem cabeça, e que tinham os olhos nos ombros, etc; Plínio, em 77 depois de Cristo, também escrevia sobre os monstros e maravilhas que foram avistadas na Índia, como seres antropófagos (que comiam carne humana), seres andrógenos (que possuíam os dois sexos), etc. E tais informações foram sendo adaptadas ao longo do tempo. Porém, em geral, mantiveram-se quase sem alterações até o século XVI. Dessa forma pode-se entender o fato de os navegadores europeus terem visto sereias, antípodas (criaturas com os pés virados para trás), cinocéfalos (criaturas com corpo humano e cabeça de cachorro que comiam carne humana), ciclopes (monstro caracterizado por ter um único olho no meio da testa), e outras tantas criaturas monstruosas e maravilhosas, quando viajaram por regiões desconhecidas. O imaginário, ou seja, o conjunto das idéias e imagens que faziam parte da mentalidade dos europeus, foi projetado sobre aquilo que eles viram de diferente durante as viagens pelo mar, e também ao entrarem em contato com terras desconhecidas. Dessa forma, quando eles chegaram às terras que mais tarde chamaram de Continente Americano, tudo aquilo que havia de exuberante ou de estranho foi identificado com as imagens que já lhes eram familiares. Aquilo que já fazia parte do pensamento cotidiano dos europeus projetou-se sobre a realidade que estava diante deles e, dessa forma, eles puderam entendê-la. Foi por causa desse tipo de identificação que os europeus viram no Novo Mundo vários monstros e criaturas fantásticas e maravilhosas. Foi também por causa dessa identificação que os europeus acreditaram ter chegado ao Paraíso Terrestre (que era o lugar onde se encontrava o estado original do mundo, ou seja, onde se encontravam a ausência do pecado original, a pureza e a liberdade). A natureza exuberante e os bons ares eram características que contribuíam para que o Novo Mundo fosse associado ao Paraíso. Comparando-se as características das novas terras com as paradisíacas e encontrando semelhanças entre elas, os europeus logo fizeram uma associação. Dessa forma, ficava mais fácil entender a existência dessas novas terras. Mas o Paraíso nem sempre foi identificado com o Novo Mundo. Ele migrava de uma região para outra, conforme os europeus iam descobrindo e conhecendo lugares novos: ele esteve no oriente, no meio do oceano, no Novo mundo etc. Se existia a idéia de Paraíso, existia também a idéia de inferno entre os europeus contemporâneos ao período das grandes viagens marítimas. Eles eram homens profundamente religiosos e seus pensamentos eram marcados por uma constante luta entre o bem e o mal. Dessa forma, no Novo Continente não foram identificadas apenas características paradisíacas, como a vegetação exuberante, por exemplo, mas também demoníacas, os inúmeros insetos e animais peçonhentos, o forte calor e, principalmente, os costumes das gentes da terra, ou seja, dos indígenas. Os indígenas foram também relacionados com seres que estavam presentes no imaginário dos europeus: suas características assemelhavam-se às dos homens selvagens que habitavam livremente os bosques, gozando de liberdade e vivendo com base em seus instintos. Todas essas características eram contrárias ao ser humano cavalheiro e cristão que os europeus tinham como modelo. Os rituais dos indígena suas danças, sua nudez, suas práticas sexuais, sua preguiça, seus deuses, suas práticas religiosas, foram vistos pelos europeus como ações demoníacas, sobretudo o ritual antropofágico, no qual se comia a carne humana. Contudo, deve-se ter em mente que essas características que se atribuíam aos indígenas têm uma razão de ser, pois aqueles que escreviam sobre o modo de viver do índios tinham uma visão centrada na religiosidade e nos padrões de vida europeus. Além disso, a identificação do que existia no imaginário europeu com a realidade contribuiu para que o diferente não fosse visto realmente como era, mas sim filtrado por algo que já era conhecido e comum. Dessa forma, pode-se perceber que os europeus não viram os indígenas como seres humanos com um modo de vida diferenciado, mas identificaram-nos com os homens selvagens, desclassificando seus costumes e hábitos. E, do ponto de vista espiritual, os europeus consideraram as práticas indígenas demoníacas, identificando suas ações religiosas com bruxaria, feitiçaria e outros tantos rituais anti-cristãos, que já faziam parte de sua mentalidade. Assim, eles conseguiram dar sentido à existência de seres humanos em uma região que, com base nas informações que tinham, não podia só podia ser habitada por monstros e criaturas maravilhosas. Pode-se, por fim, concluir que a visão que os europeus tiveram do Novo Mundo e das gentes que o habitavam estava fundamentada no imaginário europeu que era marcado pela religiosidade e pela crença em uma série de mitos e superstições. Todas as imagens que permeavam o pensamento dos europeus, entre os séculos XV e XVI, acabaram sendo associadas à realidade do Novo mundo, de forma que ele pudesse ser entendido. Assim, as idéias de bem e mal, de Paraíso e Inferno, conduziram a visão que foi lançada sobre as novas terras e aqueles que a habitavam, ora edenizando-os, ora detratando-os.  Também as míticas criaturas monstruosas em que acreditavam os portugueses e espanhóis eram parte do imaginário que habitava a cabeça dos europeus no interior do continente. Até os séculos XV e XVI, quando ocorreram as grandes viagens marítimas, acreditava-se que esses monstros habitavam a região das Índias. Porém, a medida que os navegadores foram chegando a tais regiões e desmistificando-as, passaram a acreditar que as criaturas monstruosas estavam em outras terras que ainda eram desconhecidas. Dessa forma o oceano Atlântico e o Novo Mundo, ou o Continente Americano, passaram a ser o reduto onde habitavam esses monstros.
  • LES LIAISONS DANGEREUSES DE CHODERLOS DE LACLOS. ILUSTRAÇÃO DE G. JEANNIOT COM COLABORAÇÃO DE MAILLART. IMPRESSO EM PARIS PELA CARTERET EM 1914. 2 VOLUMES 28CM X 22CM. LIVRO RARO. TIRAGEM ÚNICA DE 200 EXEMPLARES EM PAPEL VÉLIN DU MARAIS COM ÁGUAS-FORTES ORIGINAIS EM NEGRO E EM CORES. ESTE É O EXEMPLAR Nº33. TIPOGRAFIA DE LAHURE E PARA GRAVURAS A A. PORCABEUF. CAPITAIS ORNAMENTADAS E COLORIDAS. NO VOLUME 1 CONTÉM 2 GRAVURAS ORIGINAIS, SENDO UMA DELAS ASSINADA POR R QUINTUN. O VOLUME 2 CONTÉM CARTAS COLETADAS EM UMA SOCIEDADE E PUBLICADAS PARA INSTRUÇÃO DE OUTRAS PESSOAS. ENCADERNAÇÃO BISELADA EM MARROQUIM VERMELHO. LITERATURA FANCESA.Nota: Les liaisons dangereuses (As Ligações Perigosas), romance epistolar do século XVIII, da autoria de Choderlos de Laclos e publicado em 1782. A obra retrata as relações de um grupo de aristocratas através das cartas trocadas entre si, na época imediatamente anterior à Revolução Francesa,  nobres ociosos e sem escrúpulos dedicam-se prazerosamente a destruir as reputações de seus pares. O enredo tem como foco o Visconde de Valmont e da Marquesa de Merteuil, que manipulam e humilham as restantes personagens através de intrigas e jogos de sedução. Quando lançado, o livro foi considerado calunioso, pois tratava de outro modo a nobreza francesa, mostrando a história de personagens vis, sem as idealizações da literatura anterior. Mais do que uma crítica à nobreza francesa, o livro é considerado uma obra-prima do gênero, pois adentrou muito a fundo a mente dos personagens, mostrando seus temores, desejos e malícias. Muito peculiar é a maneira como o autor nas cartas conseguiu criar uma personalidade a cada personagem, visto primeiramente pela sua maneira de escrita, e posteriormente por suas atitudes. No decorrer do livro, ficam claras as intenções manipulativas dos protagonistas, ao mesmo tempo retrata suas fraquezas, como o inesperado amor do Visconde de Valmont pela Madame de Tourvel; a carta que retrata a vida da Marquesa de Merteuil mostra os motivos pelos quais ela se tornou tão vil. O escritor, Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos, nasceu em, Amiens, 18 de outubro de 1741, Foi um general do exército francês que ficou famoso na literatura mundial pelo romance "As Ligações Perigosas". Fez poucas investidas e, demonstrando com uma de talento incomum, atingiu o alvo. A postura libertária de Laclos no que tange à libertação das mulheres, que faz com que historiadores da filosofia o enquadrem como um arqueofeminista, é um dos fatos que posiciona esse romancista, militar e filósofo num lugar de vanguarda em relação ao seu tempo. Seu discurso ao concurso aberto pela Academia de Châlons-sur-Marne, cujo tema era: como melhorar a educação das mulheres?, deixa clara tal posição. O discurso em resposta dado por Laclos, de forma paradoxal - e um tanto cômica - inicia dizendo: não é possível melhorar a educação das mulheres, pois, na realidade, o que é dado a elas não é uma educação. Sua trajetória militar começou em 1760, com o alistamento na Escola Real da Artilharia de La Fère (École Royale d'Artillerie de la Fère). Foi nomeado segundo-tenente em 1760, tenente em 1761, capitão em 1771 e marechal em 1792. Após um período de trabalho junto ao Governo francês, Laclos é reintegrado ao exército em 1800 como general de brigada, já sob o comando de Napoleão Bonaparte.
  • HENRI DE TOULOUSE LAUTREC 1864  1901/ MAURICE JOYANT. IMPRESSO EM PARIS PELA H. FLOURY 1926  1927. 2 VOLUMES 27CM X 21CM. DESTA OBRA FORAM TIRADOS 175 EXEMPLARES EM PAPEL JAPÓN, NUMERADOS DE 1 A 175, ENRIQUECIDOS DE 3 PONTAS SECAS ORIGINAIS DE LAUTREC EM DUAS TIRAGENS DIFERENTES. EXEMPLAR FEITO ESPECIALMENTE PARA O CONDE DE CASTILLEZA DE GUZMAN. MARCA DO EDITOR NA PÁGINA DE ROSTO. NO VOLUME 1  1926 PINTURA / NOVOLUME 2  1927 DEZENHOS, ESTAMPAS E CARTAZES. INCLUI ÍNDICE. ENCADERNAÇÃO ESPLENDIDA EM MARROQUIM VERMELHO ASSINADO POR STROOBANTS REL.Nota: Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa nasceu dia, 24 de novembro de 1864. Foi um pintor pós-impressionista e litógrafo francês, conhecido por pintar a vida boêmia de Paris do final do século XIX. Sendo ele mesmo um boêmio, faleceu precocemente aos 36 anos de sífilis e alcoolismo. Trabalhou por menos de vinte anos mas deixou um legado artístico importantíssimo, tanto no que se refere à qualidade e quantidade de suas obras, como também no que se refere à popularização e comercialização da arte. Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau. Filho mais velho do Conde Toulouse-Lautrec-Monfa, de quem deveria herdar o título, falecendo antes do pai. Henri não apenas faz pinturas, como também cartazes promocionais dos cabarés e teatros, fazendo-se presente na revolução da publicidade do século XIX, quando a arte deixa de ser patrocinada e financiada apenas pela Igreja e os nobres, para ser comprada e utilizada pelo comércio crescente gerado pela revolução industrial. O cartaz litográfico colorido é uma nova ferramenta de divulgação de locais de lazer parisienses. Trilhando o caminho de Jules Chéret, assim como Alfons Mucha, Toulouse-Lautrec revolucionou o design gráfico dos cartazes, definindo o estilo que seria conhecido como Art Nouveau.
  • MAPA DO BRASIL POR JOHANNES BLAEU (1596-1673) - BRASÍLIA, GENERIS NOBILITATE ARMORIUM ET LITARUM. SCIENTIA PRESTANTE. MEU HERÓI. CHRISTOPH: AB ARTISCHAV ARC/SZEWSKI. NUPER EM BRASILIA POR TRIÊNIO TRIBUNO MILITUM PRUDENTISS. FORTALEZA. FELICISS. TABULUM HANC PRONO CULTU DDD JOHANNES BLAEU. EXCLUÍDO POR JOHANNES BLAEU. PUBLICADA PELA PRIMEIRA VEZ EM AMSTERDÃ EM 1642, ESTE EM PREGÃO L É DOATLAS MAIOR DE BLAEU DE 1663.  O SEGUNDO MAPA DO BRASIL DE JOAN BLAEU, ORIENTADO COM O OESTE NO TOPO, MOSTRA O LITORAL COM MUITOS DETALHES, MAS O INTERIOR É ALTAMENTE CONJETURAL E QUASE VAZIO. ORIGINALMENTE, A PLACA DE COBRE FOI ADQUIRIDA POR WILLEM BLAEU, PAI DE JOAN, DO ESTOQUE DE PLACAS DE COBRE DE HONDIUS, EM 1629. MAIS TARDE, FOI CONSIDERAVELMENTE ATUALIZADA POR JOAN. WILLEM BLAEU (1571-1638) DEIXOU SEU PRÓSPERO NEGÓCIO PARA SEUS FILHOS JOAN E CORNELIS. APÓS A MORTE PREMATURA DE CORNELIS EM 1642, JOAN CONCLUIU O TRABALHO DE UM ATLAS DE SEIS VOLUMES EM 1655. IMEDIATAMENTE ELE COMEÇOU A TRABALHAR NO TRABALHO AINDA MAIOR DO ATLAS MAIOR, QUE FOI PUBLICADO EM 1663 EM ONZE VOLUMES, CONTENDO SEISCENTOS MAPAS DE PÁGINA DUPLA E TRÊS MIL PÁGINAS DE TEXTO. ESTE FOI, E CONTINUA SENDO, O TRABALHO MAIS MAGNÍFICO DESSE TIPO JÁ PRODUZIDO. NA ÉPOCA DA PRIMEIRA APARIÇÃO DO MAPA DO BRASIL EM 1642, OS HOLANDESES ESTAVAM ATIVAMENTE TENTANDO COLONIZAR AS REGIÕES COSTEIRAS DO NORDESTE DO BRASIL. AS TENTATIVAS HOLANDESAS DE ESTABELECER UMA COLÔNIA NA AMÉRICA DO SUL COMEÇARAM EM 1624 COM UM ATAQUE MAL SUCEDIDO À BAHIA, O PORTO NATURAL DA BAHIA DE TODOS OS SANTOS. EM 1630, ELES FORAM BEM-SUCEDIDOS, DESTA VEZ EM OLINDA DE PERNAMBUCO (RECIFE), MAIS AO NORTE. PERTO DO PONTO MAIS NORDESTE DO BRASIL. EM 1642, O PODER DA COMPANHIA HOLANDESA DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS ESTAVA NO AUGE. SOB A LIDERANÇA DE JOHAN MAURITS VAN NASSAU-SIEGEN, UMA GRANDE PARTE DA COSTA BRASILEIRA ERA CONTROLADA PELOS HOLANDESES E A MAIOR PARTE DO LUCRATIVO COMÉRCIO DE AÇÚCAR DO NORDESTE DO BRASIL ESTAVA EM MÃOS HOLANDESAS. NO ENTANTO, A COMPANHIA DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS NUNCA CONSEGUIU ATRAIR COLONOS PROTESTANTES HOLANDESES SUFICIENTES PARA SUBSTITUIR OS COLONOS PORTUGUESES CATÓLICOS ROMANOS QUE SEMPRE PERMANECERIAM PORTUGUESES DE CORAÇÃO E ACABARIAM SE REVOLTANDO CONTRA OS HOLANDESES, O QUE LEVOU À EXPULSÃO DOS HOLANDESES DO BRASIL EM 1654. O MAPA É DEDICADO A CHRISTOFFEL ARCISZEWSKI (1592-1656), UM NOBRE POLONÊS, VICE-GOVERNADOR, COMANDANTE MILITAR, ENGENHEIRO, CARTÓGRAFO E ETNOGRAFO NO BRASIL, O SEGUNDO EM COMANDO SOB JOHAN MAURITS.O LINDO MAPA É ALTAMENTE DECORATIVO COM CARAVELAS, ROSA DOS BENTOS, SUNTUOSA CARTELA SOB BRASÃO ARMORIAL ONDE SE SLÊ AS INFORMAÇÕES DO MAPA E A DEDICATÓRIA A CHRISTOFFEL ARCISZEWSKI (1592-1656).  NO LADO DIRETO QUERUBINS COM UM COMPASSO DE NAVEGAÇÃO E UM OUTRO CARTA NÁUTICA. ELES SÃO ASSISTIDOS POR UM TERCEIRO QUERUBIM QUE SEGURA OUTRO INSTRUMENTO NAUTICO ANTIGO UMA BALLESTILHA. ESTE QUERUBIM TEM  ÁGUA NA ALTURA DAS COXAS COMO SE ESTIVESSE DENTRO DO OCEANO. A BALESTILHA FOI UM INSTRUMENTO NÁUTICO BASTANTE UTILIZADO PELOS PORTUGUESES NA ÉPOCA DOS DESCOBRIMENTOS, E A SUA PRIMEIRA DESCRIÇÃO ENCONTRA-SE NO LIVRO DE MARINHARIA DE JOÃO DE LISBOA EM 1514.6 NO ENTANTO, HÁ DESCRIÇÕES ANTERIORES, ATRIBUÍDAS A JACOB BEN MACHIR IBN TIBBON(PROPHATIUS) E LEVI BEN GERSON (GERSÓNIDES).  OS QUERUBINS ESTÃO SOBRE UMA CARTELA QUE CONTÉM AS ESCALAS PLANI ALTIMÉTRICAS DO MAPA. ESTE MAPA FOI GRAVADO EM METAL E AQUARELADO MANUALMENTE. SEC. XVII. 48 X 38 CM (SEM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA).; COM A MOLDURA TEM 69 X 59 CM. NOTA: Cristóvão Arciszewski nasceu em Rogalin, Reino da Polônia, no ano de 1592. Filho de Elias Arciszewski e Helen Zbona, Arciszewski tinha dois irmãos, Elias e Bugosaw. Fazia parte de uma família de origem nobre, conquanto financeiramente limitada (Fischlowitz, 1959: 35). No início de sua juventude, Arciszewski passou a residir na corte do príncipe lituano-polonês Krzysztof Radziwi (1585-1640), na cidade de Birze, Lituânia. A serviço do príncipe Radziwi, Arciszewski exerceu atividades militares e diplomáticas na Polônia e na Lituânia. Participou também de conflitos como a segunda guerra polonesa-sueca (1621-1625). Atuou ainda em conquistas militares na costa do Báltico, na defesa de Riga e no cerco de Mitawa (Fischlowitz, 1959: 35; Kotljanchuk, 2006: 80-86). Arciszewski se destacou nos assédios em que tomou parte e mostrou-se exímio na arte de fortificar.No ano de 1624, seu destino seria radicalmente transformado. Uma querela com um advogado, administrador dos bens da família de Arciszewski e de nome Kacper Jeruzel Brzeznicki, resultou em um homicídio. Brzeznicki parece ter transferido ilicitamente propriedades da família. Incapazes de recuperar por via legal, o jovem Arciszewski, em ação conjunta com seus dois irmãos, emboscou e assassinou brutalmente Brzeznicki. O ato de Arciszewski e irmãos resultou em banimento da Polônia .Proscrito da Polônia, Arciszewski mudou-se com seu irmão Elias para a República das Províncias Unidas no começo de 1624. Passou então a atuar como correspondente de Radziwi na Haia). Em agosto de 1624, Arciszewski se alistou no exército da República e auxiliou na defesa da cidade de Breda, sob o comando do então governador-geralMaurits van Nassau. Apesar da derrota neerlandesa para os espanhóis, que conquistaram a cidade, a guerra serviria de aprendizado, conforme registros feitos por Arciszewski do sistema de defesa da cidade e das ações dos sitiadores espanhóis.No princípio de 1626, Arciszewski, em missão na França designada por Radziwi, envolveu-se em tramas políticas relativas a sucessão do trono Polonês. Descoberto o ardil, foi expedido mandado de prisão na Polônia contra Arciszewski, que se viu isolado . Após alguns anos atuando na França, acabou retornando aos Países Baixos. Logo estaria mais uma vez atuando em confrontos da Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Iria participar do cerco de s-Hertogenbosch, em abril de 1629, sob o comando do novo stadhouder Frederik Hendrik, Príncipe de Orange.Nesse período, Arciszewski foi convidado para servir na Companhia das Índias Ocidentais. O polonês não demonstrou muito interesse na oferta de trabalho. Seria o risco de prisão na Europa que o empurrara para aceitar o posto de capitão no exército da Companhia, que preparava expedição para invadir a Capitania de Pernambuco, no Brasil). Arciszewski embarcou para o Brasil em 16 de novembro de 1629, chegando ao litoral de Pernambuco no começo de 1630. Arciszewski inaugurava um novo capítulo de sua vida, dessa vez como comandante de tropas da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais.Arciszewski esteve por três vezes no Brasil ao longo dos anos de 1630 e 1639. Sabe-se muito pouco sobre seu primeiro período no Brasil, entre 1630 e 1633. Em carta escrita para o jurista neerlandês Hugo Grotius, de abril de 1632, Arciszewski demonstrou insatisfação com sua vida no Brasil. Sentia-se inútil e almejava deixar a colônia ao término de seu contrato.De outras penas, contudo, a percepção sobre Arciszewski e sua atuação eram distintas. Seu comandante, Diederick van Waerdenburgh, não apenas o promoveu a major, como também expressou aos membros diretores da Companhia que o polonês era uma pessoa muito honesta e valente. Entre a soldadesca, a reputação de Arciszewski não era distinta. Um militar de nome Cuthbert Pudsey o reputou como a coluna-mestra da Companhia no Brasil. Afirmou ainda que o polonês era cuidadoso e apropriado para os serviços do exército. Outros adjetivos emergem da narrativa de Pudsey, como severo e justo. Arrematou, por fim, que a palavra de Arciszewski era lei para nós soldados .É compreensível a opinião de Arciszewski sobre seus primeiros anos no Brasil. Depois de tomar Olinda e o Recife, as forças da Companhia das Índias Ocidentais pouco avançaram para o interior, dada a ação dos defensores luso-espanhóis. Inseguros e recolhidos em suas posições fortificadas, os soldados da Companhia amargaram fome e a violência de contínuas emboscadas nos arredores de suas posições.A situação começou a mudar entre os anos de 1632 e 1633. A Companhia enviou para o Brasil dois diretores, Mathias van Ceulen e Johan Ghijselin, para tocar a administração e a guerra na colônia. O governador e comandante geral das tropas, Waerdenburgh, teve seu poder diminuído. A relação dele com a Companhia era de constante conflito, pois Waerdenburgh não aceitava pressões para avançar no território com os meios materiais de que dispunha. Ademais, ele pedira demissão que só foi aceita pela Companhia com a chegada dos diretores Ceulen e Ghijselin (Miranda, 2014: 137-138, 155-159). Arciszewski, cujo contrato estava findado, acompanhou Waerdenburgh no retorno para a Europa. Arciszewski assinaria novo contrato com a Companhia, regressando ao Brasil com o posto de coronel em 1634. Os avanços dos neerlandeses na colônia, embora lentos, já eram visíveis. Abdicaram da postura defensiva e passaram a pressionar os defensores com ataques navais longe do Recife. A Companhia levou inseguraça para regiões antes não tocadas pela guerra. A resistência também deu sinais de desgaste, mostrando-se incapaz de acudir os colonos de áreas distantes das bases principais, no Arraial do Bom Jesus e no Cabo de Santo Agostinho.De 1633 a 1634, as tropas da Companhia conseguiram conquistar posições importantes nas capitanias do Rio Grande e da Paraíba, facilitando as operações em Pernambuco. Arciszewski esteve intensamente envolvido em parte dessas operações e sua primeira grande conquista após o retorno ao Brasil foi feita na Capitania da Paraíba, em dezembro de 1634. A expedição foi encabeçada por Sigismundt von Schoppe e Arciszewski. Acompanhavam as tropas os conselheiros políticos Servaes Carpentier e Jacob Stachouwer. Forças navais ladeavam as tropas em terra e estavam sob o comando do almirante Jan Cornelisz. Lichthart. Depois de tomar posições importantes da resistência local, a gente da Companhia marchou livre para a cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Os colonos cederam e negociaram a capitulação.Os próximos alvos da Companhia foram o Arraial do Bom Jesus, construído no princípio da invasão com o intuíto de impedir o avanço neerlandês em direção das zonas produtoras, e contra o Cabo de Santo Agostinho, onde estava localizado o principal porto das forças de resistência. Os defensores do Arraial resistiram por vários anos a inúmeras tentativas de assalto. Foi necessário que a Companhia bloqueasse várias rotas de abastecimento do Arraial para iniciar o cerco. No início de 1635, com a Paraíba já conquistada e as zonas de Goiana sob vigília, bem como as comunicações com o Cabo cortadas ao sul, Arciszewski comandou as tropas que conseguiram a rendição do Arraial após quase três meses de cerco.Derrotadas do Rio Grande ao Cabo, que caíra logo depois do Arraial, as forças de resistência remanescentes, lideradas por Matias de Albuquerque desde 1630, se retiraram para o sul de Pernambuco, que virou o novo foco da resistência aos neerlandeses. Do sul foram eram enviadas tropas para fazer guerrilha mais ao norte, atacando continuamente as áreas então sob administração da Companhia. A resistência conseguiu inclusive render uma tropa neerlandesa em Porto Calvo, numa das posições mais austrais da Companhia em Pernambuco. Em fins de 1635, um comandante veterano da Guerra dos Oitenta Anos, Don Luís de Rojas y Borja, substituiu Matias de Albuquerque.Rojas y Borja deu continuidade a contra-ofensiva sem delongas, tentando atrair os neerlandeses que estavam no sul de Pernambuco para uma batalha decisiva. Ele toparia com forças comandadas por Arciszewski em janeiro de 1636. Depois de um intenso confronto, as forças de Rojas y Borja foram vencidas em Mata Redonda. Rojas y Borja fora morto durante a refrega, sendo o comando geral das tropas luso-espanholas no Brasil passado para o napolitano Giovanni Vicenzo de San Felice, o conde de Bagnuoli. O conde de Bagnuoli era um veretano das guerras locais. Chegou ao Brasil com a armada de Antonio de Oquendo y Zandategui, em 1631. Bagnuoli manteve Porto Calvo como a principal posição defensiva das forças da resistência, concentrando lá homens e mantimentos.Sem conseguir dominar o sul de Pernambuco, os neerlandeses logo passaram a sofrer sucessivos ataques. Muitos recursos e gente da Companhia foi gasta nos enfrentamentos que ocorreram em áreas do Cabo de Santo Agostinho, da Muribeca, das várzeas dos rios Capibaribe e Beberibe, de São Lourenço, de Goiana, de Itamaracá e até da Paraíba. Era ampla a zona sem proteção alcançada pela guerrilha. Despontam em textos neerlandeses, portugueses e espanhóis nomes de combatentes das forças de resistência, como Francisco Rabelo, Henrique Dias e Antônio Filipe Camarão.  Escaramuças ocorreram meses a fio, drenando as forças da Companhia e levando destruição para o interior do Brasil.Para a administração da Companhia e para seus comandantes em terra, enquanto as forças luso-espanholas estivessem operando no sul de Pernambuco e enviando guerrilheiros para as zonas setentrionais, não havia como estabilizar e proteger a colônia. A Companhia, nos Países Baixos, mobilizou um novo reforço em tropas e apontou um governador-geral para o Brasil. Tratava-se do veterano da Guerra dos Oitenta Anos, com amplas conexões na corte da República das Províncias Unidas, Johan Maurits van Nassau-Siegen. A gente comandada por Nassau chegou ao Brasil no começo de 1637 e, logo após o embarque, o novo governador, com amparo de experientes comandantes da guerra local, Schoppe e Arciszewski, marchou para Porto Calvo. Nassau almejava entrar em batalha decisiva contra Bagnuoli e resolver a problemática situação da combalida colônia .Bagnuoli deixou Porto Calvo após os primeiros confrontos e evitou o cerco que se fechara posteriormente. Deixara, contudo, parte de suas tropas sob o comando do tenente-general da artilharia Miguel Gilberton, espanhol veterano da Guerra dos Oitenta Anos. Com sua tropa, Gilberton segurou o assédio por vários dias, mas acabou aceitando parlamentar com as forças da Companhia e assinando termos de rendição. As forças de Nassau ainda partiram em perseguição de Bagnuoli, que se retirara para Penedo e de lá atravessara com seu exército remanescente o Rio São Francisco. Seguiu para a Salvador. Ampliou-se assim até o Rio São Francisco a zona de influência da Companhia.Logo após o final da campanha em Porto Calvo, Arciszewski deixou o Brasil pela segunda vez. As motivações para sair do Brasil não são bem conhecidas. Parece que o polonês esperava ser nomeado ao cargo de governador-geral da colônia em 1636. Era uma expectativa gerada por ter sido cotado para o cargo pela Companhia, nos Países Baixos (Mello, 2006: 50). Em uma carta de sua autoria consta que Arciszewski  recebeu proposta de Wadysaw IV Waza, Rei da Polônia, para assumir posições elevadas na marinha ou no exército do Reino da Polônia. Em outro texto de Arciszewski, ele diria que fora citado por Wadysaw IV Waza e, portanto, não tendo mais obrigações no Brasil, despediu-se de Nassau e das tropas e deixara a colônia (.Ao chegar nos Países Baixos, Arciszewski foi recebido com honrarias. Mas ele não retornou para a Polônia e declinou o convite de Wadysaw IV Waza. Permanecera em Amsterdã até 1639, quando recebera novo convite para atuar no Brasil. O polonês fora nomeado general de artilharia, estando acima de todos os outros coronéis, estando abaixo apenas de Nassau na hierarquia militar da colônia.Ele chegou ao Brasil com um contigente de reforço em tropas. Mas foi uma chegada em um momento delicado para Nassau, que tinha acabado de ser derrotado de Salvador, sem conseguir tomar a cidade após cercá-la. Foram gastos recursos humanos e materiais que acabaram por desgastar a relação do governador com a direção da Companhia. A situação entre as partes estava tão estremecida que a Companhia cogitava encontrar alguém para substituir Nassau no governo do Brasil. Para tornar ainda mais problemática a chegada de Arciszewski ao Brasil, ele também já teria sido cotado como governador da colônia e ao não receber o cargo teria retornado para a Europa.O regresso de Arciszewski para o Brasil e seu comportamento acabaram por causar uma crise político-militar na colônia. Arciszewski fora despachado ao Brasil com competências amplas sobre um regimento de tropas de infantaria que há muito eram esperadas no Brasil e com uma missão velada de relatar aos diretores da Companhia todos os problemas da administração de Nassau, que percebeu a presença do polonês como uma afronta a seus.Um conflito entre eles eclodiu quando Nassau desmembrou o regimento sob o comando de Arciszewski e redistribuiu as tropas. Nassau justificou a ação por conta do estado combalido de suas guarnições após a campanha de Salvador, bem como enfatizou sua prerrogativa de capitão-general das tropas da Companhia no Brasil. Irritado, Arciszewski reagiu e elaborou um texto com diversas críticas ao episódio e a administração do Brasil. Ele pretendia enviar esse escrito aos diretores da Companhia nos Países Baixos, mas antes de remeter, apresentou o rascunho a Nassau e aos membros do Alto e Secreto Conselho. As críticas de Arciszewski causaram grande consternação aos presentes na tensa reunião. Após discussões e tentativas de apaziguamento entre as partes, o polonês acabou perdendo seu cargo. Seria preso em seus aposentos e despachado para os Países Baixos, finalizando de maneira disruptiva sua carreira no Brasil.Com o retorno aos Países Baixos, Arciszewski começou uma jornada em defesa de sua honra, embora com resultados aquém do que ele esperava. Deixaria os Países Baixos apenas em 1646. Voltou para a Polônia para exercer o cargo de general da artilharia das tropas de Wadysaw IV Waza. Arciszewski participou de campanhas militares até o ano de 1649. Saíria do exército em 1650. Sabe-se que ele passou pela Suécia e depois residiu em Gdask até falecer, em 1656.
  • LA BIÈVRE ET SAINT SÉVERIN DE J. K. HUYSMANS. ILUSTRADO COM ÁGUAS-FORTES ORIGINAIS DE AUGUSTE BROUET. IMPRESSO EM PARIS POR AUX ÉDITIONS DE LESTAMPE DE 1924. 185 PÁGINAS 22CM X 17CM. COM CAIXA. LIVRO RARO. TIRAGEM LIMITADA A 190 EXEMPLARES, SENDO QUE 20 EXEMPLARES EM PAPEL MAGADASCAR COM UMA SEQUÊNCIA FORA DO TEXTO DE ÁGUAS-FORTES. ESTE É O EXEMPLAR Nº 12. IPRESSÃO DE G. CHAMPENOIS PELA TIPOGRAFIA VERNAUT ET DOLLÉ PARA ÁGUAS-FORTES. ENCADERNAÇÃO EM MARROQUIM MARROM (2 TONS), COM ORNAMENTOS E CORTES DOURADOS, CONTRACAPA EM CHAMALOTE BEGE, ASSINADO POR ESTHER FOUNES.Nota: A primeira história é La Bièvre que representa hoje o símbolo mais perfeito da miséria feminina explorada por uma grande cidade. Nascida na lagoa de Saint-Quentin, perto de Trappes, ela corre, esbelta, pelo vale que leva seu nome e, mitologicamente, nós a imaginamos, encarnada como uma menina mal pubescente, como uma pequenina náiade, ainda brincando de bonecas, sob os salgueiros. Como muitas meninas do campo, La Bièvre foi, ao chegar a Paris, caiu na armadilha industrial dos agenciadores; despojada de suas roupas de grama e de seus enfeites de árvore, ela teve que começar imediatamente a trabalhar e se exaurir com as tarefas horríveis que lhe eram exigidas. A segunda história é de Saint-Séverin. Na Idade Média, a paróquia de Saint-Séverin formava uma espécie de triângulo, com linhas trêmulas, distorcidas na parte inferior, com a ponta escondida por uma encruzilhada. Este triângulo, cuja base repousava sobre o bebedouro de Mâcon e a rue de la Harpe e cujos dois lados se curvavam, de um lado, nas ruas de la Huchette e de la Bûcherie, e do outro nas ruasem Fain e des Noyers, de repente confinava com a Place Maubert, que se estreitava e curvava como um crescente. O bairro de Saint-Séverin era, desde suas origens, o que é hoje, um bairro pobre e de má reputação; também estava cheia de cabanas e casebres; sua aparência era sinistra e hilária; havia, além de pousadas de aparência agradável e acolhedoras torrefadoras e, para estudantes, covis para bandidos, assassinos agachados na lama de buracos de insetos; Havia também, aqui e ali, alguns hotéis antigos pertencentes a famílias nobres e que tiveram que se distanciar, com arrogância, dessas tabernas festivas, que certamente pareciam por sua vezno alto de seus frontões alegres, o sinédrio de barracos desgastados, das galeras ignóbeis onde ladrões e maltrapilhos jaziam. O escritor Joris-Karl Huysmans nasceu em Paris, 5 de fevereiro de 1848. Foi um escritor francês, cujos principais romances sintetizam fases sucessivas da vida estética, espiritual e intelectual da França do final do século XIX. Notável pela escrita considerada excepcional por sua idiossincrasia no uso da língua francesa, com amplo vocabulário, descrições, sátiras e grande erudição. Os primeiros trabalhos de Huysmans foram influenciados por romancistas naturalistas contemporâneos, como seu grande amigo Émile Zola. No entanto, logo tornou-se o principal representante do Decadentismo com a publicação de Às Avessas em 1884.
  • A NEW MAP OF SOUTH AMERICA, SHEWING ITS GENERAL DIVISIONS, CHIEF CITIES & TOWNS; RIVERS, MOUNTAINS &C. DEDICATED TO HIS HIGHNESS WILLIAM DUKE OF GLOUCESTER.  UM NOVO MAPA DA AMÉRICA DO SUL, MOSTRANDO SUAS DIVISÕES GERAIS, PRINCIPAIS CIDADES E VILAS; RIOS, MONTANHAS &C. DEDICADO A SUA ALTEZA WILLIAM DUQUE DE GLOUCESTER. UM RARO E MAGNIFICO MAPA PRODUZIDO PELO CARTÓRICO EDWARD WELLS E  DEDICADO A WILLIAM DUQUE DE GLOUCHESTER( 1689-1700). QUANDO ESTE TINHA OITO ANOS E ERA AINDA UM ESTUDANTE EM OXFORD. FOI PUBLICADO EXATAMENTE NO ANO DA MORTE DO DUQUE DE GLOUCHESTER FALECIDO PREMATURAMENTE AOS 11 ANOS CAUSANDO UMA GRAVE CRISE DINÁSTICA NA INGLATERRA POIS ERA O ÚNICO FILHO DA RAINHA ANNE.    MAPA GRAVADO EM METAL AQUARELADO MANULAMENTE. TEM PARTICULARIDADES MUITO CURIOSAS. APRESENTA O PARAGUAY COM UMA DIMENSÃO BEM MAIOR DO QUE O BRASIL QUE APARECE REDUZIDO INCLUINDO NO TERRITORIO DO PARAGUAI TODO O ESTADO DE SÃO PAULO E O SUL DO BRASIL ALÉM DO URUGUAI. A ARGENTINA CUJO TERRITORIO TAMBÉM É EM GRANDE PARTE ACRESCIDO AO PARAGUAI (INCLUSIVE BUENOS AYRES) É LIMITADA A UMA ESTREITA FAIXA DE TERRA LITORINEA AO SUL DENOMINADA MAGELANICK LAND (TERRA DE MAGALHÃES) O SULA AMAZONIA É APRESENTADA COMO UM PAÍS (THE COUNTRY OF THE AMAZONES). A AMERICA CENTRAL É REFERIDA COMO NOVA ANDALUZIA. NA GUIANA ESTÁ  DEMARCADO O MÍTICO MAR INTERIOR O LAGO PARIMA. SOBRE O PERU ESTA ESCRITA UMA OBSERVAÇÃO DO CARTÓGRAFO: É O PAÍS MAIS CONSIDERÁVEL DA AMÉRICA DO SUL, FORNECENDO GRANDES QUANTIDADES DE OURO E PRATA, E DESCREVE OS HABITANTES DO LESTE DO BRASIL COMO NAÇÕES BÁRBARAS QUE AINDA MANTÊM SUA LIBERDADE. OS MAPAS DE WELLS FORAM DEDICADOS AO PRÍNCIPE WILLIAM, DUQUE DE GLOUCESTER, FILHO DA RAINHA ANNE E HERDEIRO DO TRONO ATÉ SUA MORTE PREMATURA COM APENAS 11 ANOS (SHIRLEY). COM LINDO CARTUCHO ORNAMENTADO E HERÁLDICA REAL DO BRASÃO DO DUQUE WILLIAN. INGLATERRA, INICIO DO SEC. XVIII.  53 X 38 CM  SEM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA E  70 X 56 CM COM A MOLDURA.NOTA: Edward Wells foi um clérigo da Igreja da Inglaterra e defensor da educação. Ele publicou prolificamente, incluindo vários atlas do mundo antigo e contemporâneo. Wells era filho de um vigário e entrou na Christ Church, Oxford, no final de 1686. Ele se formou BA em 1690, MA em 1693 e trabalhou como tutor em sua faculdade de 1691 a 1702. Então, ele começou a viver em Cotesbach, Leicestershire, de onde continuou a publicar suas muitas obras. Ele obteve os graus de BD e DD em 1704, depois que já estava em Cotesbach. De aproximadamente 1698 em diante, Wells escreveu muitos sermões, livros e atlas. Ele se concentrou em obras catequéticas e pastorais, bem como em livros educacionais. Por exemplo, alguns de seus primeiros trabalhos foram textos de matemática para jovens cavalheiros, que incluíam como usar globos e determinar latitude e longitude. Ele também traduziu textos clássicos e cristãos, às vezes adicionando anotações geográficas. Suas geografias descritivas não eram obras excessivamente originais, mas eram populares em seu tempo. Primeiro, ele produziu um Tratado de Geografia Antiga e Presente em 1701; ele teve mais quatro edições. Em seguida, foi uma Geografia Histórica do Novo Testamento (1708), acompanhada por uma Geografia Histórica do Antigo Testamento (1711-12).O Tratado de Geografia Antiga e Presente de Edward Wells, juntamente com um Conjunto de Mapas em Fólio, foi desenvolvido e dedicado a William, Duque de Gloucester, que na época era aluno de Oxford. Wells era professor de matemática e geografia na Christ Church, onde o jovem herdeiro do trono havia começado seus estudos em 1700, aos 11 anos. Wells projetou seus mapas para uso instrucional nos cursos de geografia que lecionava, e sua apresentação cartográfica clara e direta também se mostrou popular entre o público em geral. Infelizmente, o jovem Duque de Gloucester morreu logo após sua conclusão, mas os mapas se tornaram um sucesso comercial surpreendente, e o atlas recebeu várias reimpressões até a década de 1730. Esses mapas decorativos fornecem um instantâneo fascinante da compreensão britânica do mundo no início do século XVIII e eram valorizados por sua precisão geográfica e pela força de suas imagens gravadas. Edward Wells (1667-1727) foi um matemático, teólogo e geógrafo britânico, mais conhecido por seus ataques irascíveis e bombásticos a dissidentes, presbiterianos e seu colega eclesiástico e antigo aluno, Browne Willis. Além de seus deveres como clérigo, Wells também ensinou geologia, matemática e teologia na Christ Church, Oxford. Além de produzir uma edição crítica grega do Novo Testamento, ele publicou uma coleção de mapas do mundo antigo, dedicada a um de seus alunos, o jovem duque de Gloucester. SUTTON NICHOLLS (1668-1729) foi um gravador, vendedor de gravuras, desenhista e fabricante de globos britânico. Embora mais conhecido por suas vistas panorâmicas das cidades de Londres e Westminster, Nicholls também produziu perspectivas de assentos de cavalheiros, como este exemplo. A maioria de seu trabalho foi encomendada por editores.Nota: WLIIAM O DUQUE DE GLOUCESTER (Londres, 24 de julho de 1689  Windsor, 30 de julho de 1700) foi o filho de Ana da Grã-Bretanha (então ainda princesa) e Jorge da Dinamarca e Noruega. Ele foi o único filho do casal a sobreviver à infância. Recebeu o título de Duque de Gloucester e foi visto por seus contemporâneos como um campeão do protestantismo já que seu nascimento parecia cimentar a sucessão protestante estabelecida através da "Revolução Gloriosa", que havia deposto no ano anterior seu avô católico, o rei Jaime II da Inglaterra & VII da Escócia. Ana era distante de seu cunhado e primo, o rei WILLIAM  III da Inglaterra e Orange & II da Escócia, e sua irmã, a rainha Maria II da Inglaterra, porém apoiou uma ligação entre o filho e os dois monarcas. Ele cresceu próximo do tio, que lhe fez um Cavaleiro da Jarreteira, e da tia, que frequentemente lhe mandava presentes. Willian operava seu próprio exército em miniatura em seu berçário em Kensington, que chegou a ser formado por noventa meninos. Ele também ficou amigo de seu criado Jenkin Lewis, cujas memórias do duque são uma importante fonte histórica. A saúde ruim de William sempre preocupou Ana. Sua morte em 1700, com apenas onze anos de idade, precipitou uma crise sucessória já que sua mãe era a única herdeira protestante na linha de sucessão estabelecida pela Declaração de Direitos de 1689. O parlamento não queria que o trono voltasse para um católico e dessa forma aprovou o Decreto de Estabelecimento de 1701, que colocava o trono da Inglaterra na eleitora Sofia de Hanôver, uma prima germânica de Jaime, e seus herdeiros protestantes. A MORTE DO HERDEIRO  William se mudou para os antigos aposentos de Mary no Palácio de Kensington pouco antes de seu aniversário de onze anos. Na sua festa de aniversário em Windsor, no dia 24 de julho de 1700, foi dito que ele se superaqueceu enquanto dançava. Ao cair da noite ele estava sofrendo de dores na garganta e calafrios. Os médicos não concordavam com o diagnóstico e ele desenvolveu uma febre alta. Radcliffe achou que o príncipe tinha escarlatina, enquanto outros acreditavam que era varíola. William foi sangrado, apesar das objeções de Radcliffe. Ele disse aos seus colegas, "vocês o destruíram e podem até ter acabado com ele".O médico prescreveu empolamento, que não teve efeito. William  morreu no dia 30 de julho de 1700 ao lado dos pais. Uma autópsia mostrou que ele tinha uma quantidade anormal de fluidos nos ventrículos do cérebro. O rei estava nos Países Baixos e escreveu a Marlborough, "É uma perda tão grande para mim quanto para a Inglaterra, que atravessa meu coração". Ana estava tomada pela dor e foi para seus aposentos.  Às tardes, ela era levada aos jardins "para distrair seus pensamentos melancólicos". O corpo de Guilherme foi levado de Windsor a Westminster na noite de 1 de agosto, sendo velado no Palácio de Westminster antes de ser enterrado na Cripta Real da Capela de Henrique VII, Abadia de Westminster, em 9 de agosto. Como era costume para realeza em luto, Ana e Jorge não participaram do funeral, permanecendo em reclusão em Windsor. A morte de Guilherme desestabilizou a sucessão, já que Ana era agora a única protestante restante na linha de sucessão do trono estabelecida pela Declaração de Direitos de 1689.49 Apesar dela ter tido outras dez gravidezes depois de Guilherme, todas as crianças morreram ainda dentro de seu útero ou imediatamente após o nascimento.57 O parlamento inglês não queria que o trono voltasse para um católico, então foi aprovado o Decreto de Estabelecimento de 1701 que colocava o trono da Inglaterra na eleitora Sofia de Hanôver, prima germânica de Jaime II & VII, e seus herdeiros protestantes.58 Ana sucedeu Guilherme III & II em 1702 e reinou até sua morte em 1 de agosto de 1714. Sofia havia morrido algumas semanas antes, então seu filho Jorge Luís ascendeu ao trono como Jorge I da Grã-Bretanha, o primeiro monarca britânico da Casa de Hanôver
  • MARTHE DE J. K. HUYMANS. COM ILUSTRAÇÃO DE VINTE E NOVE GRAVURAS ORIGINAIS DE AUGUSTE BROUET. IMPRESSO EM PARIS PELA DEVEMBEZ EM 1931. 125 PÁGINAS, 33CM X 25CM. UM LIVRO RARO, ESTE É UM DOS 25 EXEMPLARES EM PAPEL JAPÓN IMPERIAL CONTENDO O 2º ESTADO COM ANOTAÇÕES NO FRONTISPÍCIO, DAS 8 LAMINAS A 12 BANDAS E O ESTADO DEFINITIVO DE TODAS AS ILUSTRAÇÕES. FOI JUNTADA TAMBÉM 3 LÂMINAS RECUSADA SOBRE SEUS ESTADOS E UM DESENHO ORIGINAL DO ARTISTA. ESTE É O EXEMPLAR Nº 29. IMPRETA RETIRADA DO COLOFÃO. ENCADERNAÇÃO EM MARROQUIM VERDE, CONTRACAPA EM PELICA VERDE COM CHAMALOTE PÉROLA ASSINADO POR JEAN LAMBERT. LITERATURA FRANCESA.Nota: Marthe, histoire d'une fille, foi o primeiro romance do escritor francês Joris-Karl Huysmans , publicado em 1876. O livro é autobiográfico em inspiração e conta a história do caso de amor entre um jovem jornalista chamado Léo e a heroína do título, uma aspirante a atriz que trabalha em uma fábrica de pérolas artificiais, bem como em um bordel licenciado. O caso de amor termina e Marthe vai viver com o ator-empresário alcoólatra Ginginet. Após sua morte, ela é reduzida a viver nas ruas. Huysmans estava preocupado com a resposta ao assunto controverso do livro, já que o autor Jean Richepin havia sido recentemente preso por um mês e multado por escrever um livro sobre o tema da prostituição. Apesar disso, Marthe não é pornográfica. Huysmans pretendia que seu realismo sórdido fosse um ataque à visão superidealizada da vida boêmia em Paris que ele encontrou em escritores românticos como Henri Murger , cujas famosas Scènes de la vie bohème apareceram em 1848. O estilo de Huysmans em Marthe deve muito ao seu herói literário da época, Edmond de Goncourt . Para evitar o processo, Huysmans viajou para Bruxelas para que Marthe fosse emitido pelo editor belga Jean Gay, que tinha considerável experiência em contrabando de livros através da fronteira francesa. O romance apareceu para venda na Bélgica em 1º de outubro de 1876. Huysmans decidiu não contrabandeá-lo para a França, mas quando tentou levar 400 cópias pela alfândega francesa, todas, exceto algumas, foram apreendidas. Huysmans decidiu enviar algumas das poucas cópias restantes para figuras importantes da cena literária em Paris. Edmond de Goncourt ofereceu elogios qualificados, mas Émile Zola foi o mais entusiasmado. Joris-Karl Huysmans nasceu em Paris, 5 de fevereiro de 1848. Foi um escritor francês, cujos principais romances sintetizam fases sucessivas da vida estética, espiritual e intelectual da França do final do século XIX. Notável pela escrita considerada excepcional por sua idiossincrasia no uso da língua francesa, com amplo vocabulário, descrições, sátiras e grande erudição. Os primeiros trabalhos de Huysmans foram influenciados por romancistas naturalistas contemporâneos, como seu grande amigo Émile Zola. No entanto, logo tornou-se o principal representante do Decadentismo com a publicação de Às Avessas em 1884.
  • GUIANA SIUE AMAZONUM REGIO   MAPA LITHOGRAFICO GRAVADO EM METAL E  FINALIZADO EM AQUARELA (GRAVURA EM COBRE, CONTORNO E LAVAGEM COLORIDOS À MÃO QUANDO PUBLICADA).  INTEGROU A EDIÇÃO FRANCESA DO ATLAS MERCATOR-HONDIUS IMPRESSA EM 1633. ESTE BELO MAPA APRESENTA DESDE A ISLA MARGARITA DELTA DO ORINOCO PARA O LESTE ATÉ TAMPICO E PARA O SUL ATÉ A FOZ DO RIO AMAZONAS NO BRASIL CORRESPONDENTE AOS ESTADOS DO AMAPÁ, PARÁ E MARANHÃO. AS INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS DO MAPA SÃO ORIGINÁRIAS DO CARTÓGRAFO HOLANDÊS HESSEL GERRITZ. GERRITZ CRIOU O MAPA COM BASE EM SUA VIAGEM DE 1628/29 AO BRASIL E AO CARIBE, CONTRIBUINDO COM O BESCHRIJVINGHE VAN WEST-INDIÉN DE JOANNES DE LAET , PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ EM 1630 COM ALGUMAS VARIANTES PUBLICADAS ATÉ A DÉCADA DE 1660. É UM BELO MAPA DECORADO COM ROSA DOS VENTOS, TRES CARAVELAS, MONSTRO MARINHOM, O TÍTULO EMOLDURADO EM EXUBERANTE CARTELA. COMO CURIOSIDADE APRESENTA O LAGO PARIMA (PARIME LACUS) O MAR INTERIOR,  LAGO MÍTICO PROCURADO POR SÉCULOS PELOS COLONIZADORES PORQUE SEGUNDO A LENDA AS SUAS MARGENS ESTARIA A CIDADE DE EL DORADO, TAMBÉM CONHECIDA COMO MANOA COM RUAS E TEMPLOS EM OURO (QUE NUNCA FOI ENCOTRADA MAS TAMBÉM ESTÁ REPRESENTADA NO MAPA AS MARGENS DO LAGO).  DIMENSÃO SEM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA: 37,5 x 48,5cm COM A MOLDURA TEM 72 X 60 CM.NOTA: Esta região tornou-se ponto de interesse de várias nações européias primeiro pelas lendas de El DORADO e depois pela riqueza da cana de açúcar e sua localização estratégica. Um dos grandes feitos militares de DOM JOAO VI já no Brasil foi a tomada da GUIANA aos franceses em 1809. Como sabemos, o príncipe regente Dom João VI saiu de Portugal com a Família Real em direção ao Brasil no dia 29 de novembro de 1807, tendo chegado aqui em 8 de março de 1808. A vinda para o Brasil foi motivada pela expansão territorial do Império Napoleônico, que, em 1807, havia chegado até a Península Ibérica. A frota de navios que trouxe a comitiva de Dom João VI obteve a escolta da marinha britânica, à época aliada de Portugal. Essa aliança político-militar luso-britânica prevaleceu por muito tempo, sobretudo durante o período em que Dom João permaneceu no Brasil. Um dos episódios mais importantes dessa aliança foi a Tomada de Caiena, capital da Guiana Francesa, em 1809.O território onde hoje se encontra a Guiana Francesa já pertenceu a espanhóis e a holandeses antes que se tornasse uma colônia da França, o que só aconteceu em 1667 por meio do Tratado de Breda. Mais ou menos nesse mesmo período, a Coroa Portuguesa começou a estabelecer suas primeiras definições de fronteira na região norte do Brasil Colônia. Com o Tratado de Utrecht, assinado em 1713, Portugal e França delinearam os limites entre suas colônias no extremo norte da América do Sul. Sendo assim, ficaram definidos os limites entre Pará (que incluía também o atual Amapá), Maranhão, de posse portuguesa, e a Guiana, sob o jugo da França.Quando estourou a Revolução Francesa, em 1789, apesar de muitas colônias da França terem entrado em convulsão política e social, não houve praticamente nenhuma repercussão na Guiana. Os problemas só começaram com a chegada e ascensão de Napoleão ao poder (1799), tornado imperador em 1804; fato que, como vimos acima, forçou a vinda da Família Real para o Brasil em 1808. Como Portugal, na pessoa de D. João, a essa altura já era um dos principais inimigos do Império Napoleônico, as animosidades continuaram. Uma das primeiras atitudes do príncipe regente foi atentar para o problema da Guiana Francesa, que poderia se tornar um local estratégico para o Império Napoleônico na América do Sul. Dom João VI, então, valeu-se da aliança com os ingleses para impor um controle militar sobre a colônia francesa.A ação de ocupação da Guiana começou com uma atividade de espionagem, executada em agosto de 1808 por oficiais portugueses (tenente Valério José Gonçalves e aspirante Florentino José da Costa) do forte de Macapá. Ambos, disfarçados de pescadores, infiltraram-se em Caiena para monitorar as atividades de proteção da ilha. Essa missão foi decisiva para colher informações importantes para a estratégia luso-britânica. A Inglaterra, de sua parte, forneceu aos portugueses o navio de guerra HMS Confiance, com tripulação comandada pelo experiente capitão James Lucas Yeo. Toda a operação esteve aos cuidados do governador da Capitania do Grão-Pará, José Narciso Magalhães Mendes, que depositou o comando nas mãos do Tenente-coronel Manuel Marques.A expedição militar partiu da ilha de Marajó com três navios, o Confiance, britânico, o Voador e o Infante Dom Pedro. A ocupação ocorreu de forma menos traumática, para ambas as partes, do que seriam outras iniciativas militares empreendidas durante o período joanino, como diz o historiador Oliveira Lima, em seu livro Dom João VI no Brasil, a tomada de Caiena, com a consequente ocupação da Guiana Francesa:... foi um feito mais de brilho, ou melhor mais de natureza a produzir efeito, do que de real importância pelos seus efeitos duradouros. A sir Sidney Smith é atribuída nas memórias que dele publicaram a iniciativa ou lembrança da expedição. Assim fosse ou não, os portugueses intentaram essa feliz ação por desforço contra a invasão de Portugal, e para acabar com a constante ameaça de um núcleo francês no continente que, propriamente reforçado, poderia facilmente tomar a ofensiva contra os relativamente esparsos e desguarnecidos estabelecimentos portugueses na América do Sul. 1Como visto, a operação luso-inglesa em Caiena teve como objetivo principal deixar claro ao Império Napoleônico que o Império Português, apesar de, à época, encontrar-se fragilizado em seus domínios na Europa, ainda era capaz de interpor-se como ameça aos projetos expansionistas de Napoleão por outras vias  colocando em xeque as colônias francesas.JODOCUS HONDIUS EDITOR DESTE MAPA EM PREGÃO nasceu em 1563 em Wakken (Flandres Ocidental). Ele se tornou um fabricante de globos e gravador de mapas. Em 1593, ele montou seu negócio em Amsterdã depois de passar vários anos em Londres. Ele foi um dos gravadores mais importantes de seu tempo e gravou mapas para van den Keere, Waghenaer e Speed. Hondius comprou as placas de Mercator em 1604, adicionou cerca de 40 mapas e publicou o Mercator-Atlas expandido pela primeira vez em 1606, ainda sob o nome de Mercator. Após sua morte em 1612 em Amsterdã, o negócio foi conduzido por seus filhos Jodocus II e Henricus.LACUS PARIME : Lago Parime ou Lago Parima é um lago lendário localizado na América do Sul. Dizia-se que era a localização da lendária cidade de Eldorado, também conhecida como Manoa, muito procurada pelos exploradores europeus. Repetidas tentativas de encontrar o lago não confirmaram sua existência, e foi descartado como mito junto com a cidade. A busca de Parime levou os exploradores a mapear os rios e outras características do sul da Venezuela, norte do Brasil e sudoeste da Guiana, antes que a existência do lago fosse definitivamente refutada no início do século XIX. Alguns exploradores propuseram que a inundação sazonal da cerrado do Rupununi pode ter sido erroneamente identificada como um lago. Investigações geológicas recentes sugerem que um lago pode ter existido no norte do Brasil, mas que secou algum tempo no século XVIII. Acredita-se que tanto "Manoa" (em arauaque) quanto "Parime" (em galibi) signifiquem "grande lago".
  • INICIAREMOS A SEGUIR O PREGÃO DE LIVROS RAROS QUE INTEGRARAM A BIBLIOTECA FORMADA PELO DR. ANTÃO DE SOUZA MORAES EMITENTE ADVOGADO, PROMOTOR PÚBLICO E CURADOR DOS ÓRFÃOS, MAGISTRADO, DESEMBARGADOR  DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, ESCRITOR E APAIXONADO BIBLIÓFILO. ANTÃO DE SOUZA MORAES, NASCEU EM 25 DE JUNHO DE 1887, ERA FILHO DO CORONEL MANOEL DE MORAES BUENO, E DE  GERTRUDES MARIA DE SOUSA TOLEDO MORAES (1861-1935). DONA GERTRUDES ERA  FILHA DE ANTÃO DE PAULA SOUSA E GERTRUDES MARIA DE SOUSA. O CORONEL MANOEL DE MORAES BUENO, PAI DO DR. ANTÃO DE SOUZA MORAES, FOI FIGURA DE PROL CAMPINEIRA, FAZENDEIRO DE CAFÉ, CHEFE POLÍTICO, DIRETOR-PRESIDENTE DA COMPANHIA MOGYANA DE ESTRADAS DE FERRO, SEU NOME FOI PARA SEMPRE LIGADO AOS MOVIMENTOS POLÍTICOS, FILANTRÓPICOS E SOCIAIS DE SUA ÉPOCA. O DR. ANTÃO DE SOUZA MORAES FORMOU-SE BACHAREL EM DIREITO PELA FACULDADE DE DIREITO DO LARGO DE SÃO FRANCISCO EM SÃO PAULO EM 1908. PROMOTOR PÚBLICO E CURADOR DOS ORPHÃOS E AUSENTES EM CAMPINAS EM 1910. PROCURADOR DA JUNTA COMERCIAL DE SÃO PAULO EM 1926. NOMEADO DESEMBARGADOR PARA CORTE DE APELAÇÃO, EM 1935. APOSENTOU-SE EM 1940. FALECEU EM 12.07.1974. FOI CASADO COM DONA ELISA DE LOBO MORAES COM QUEM TEVE CINCO FILHOS. DONA ELISA ERA FILHA DE ANTÔNIO ÁLVARES LOBO ( ITU,  1860  CAMPINAS,  1934) . DR. ANTONIO ESTUDOU NA FACULDADE DE DIREITO DO LARGO SÃO FRANCISCO DE 1880 A 1884, ESTABELECENDO ESCRITÓRIO PROFISSIONAL EM CAMPINAS. PARTICIPOU TANTO DA CAUSA REPUBLICANA, QUANTO DA CAUSA ABOLICIONISTA. ESTA ÚLTIMA CAUSA RENDEU-LHE PROBLEMAS: DENTRE ELAS AMEAÇAS DE EXPULSÃO À FORÇA, IMPEDIDAS NA PRÁTICA QUANDO A QUESTÃO FOI LEVANTADA E DISCUTIDA NA ENTÃO ASSEMBLEIA PROVINCIAL DE SÃO PAULO (HOJE ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE SÃO PAULO). EXERCEU NUMEROSAS FUNÇÕES DE INTENDÊNCIA; DENTRE ELAS, A DE HIGIENE, QUANDO CAMPINAS SOFREU NOVA EPIDEMIAS DE FEBRE AMARELA EM 1894.. POR SUA VEZ ANTONIO ALVARES LOBOR ERA FILHO DO MAESTRO ELIAS ÁLVARES LOBO (9 DE AGOSTO DE 1834 - 1901) , QUE FOI PROTEGIDO DO REGENTE FEIJÓ QUE ENCAMINHOU SEUS ESTUDOS EM MÚSICA, COMPOSITOR E PROFESSOR. NASCIDO EM ITU, O MAESTRO ESCREVEU A MISSA A SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA EM HOMENAGEM A D. PEDRO II, TENDO SIDO ELA EXECUTADA NA CAPELA IMPERIAL (1858).  PROJETOU-SE NA MÚSICA BRASILEIRA AO COMPOR A ÓPERA A NOITE DE SÃO JOÃO, TORNANDO-SE  O PRIMEIRO ARTISTA BRASILEIRO A ESCREVER UMA ÓPERA DE CARÁTER NACIONAL. É PATRONO DA CADEIRA NUMERO 14 DA ACADEMIA BRASILEIRA DE MÚSICA. PARTICIPOU DA CONVENÇÃO REPUBLICANA DE ITU EM 1873. DR ANTÃO DE SOUZA MORAES ESCREVEU E PUBLICOU AS OBRAS PROBLEMAS E NEGÓCIOS JURÍDICOS (TRES VOLUMES), DISPERSOS RECOLHIDOS (1 VOLUME), THOMAZ ALVES (CASA GENOUD CAMPINAS.  AOS QUE O CONHECERAM DEIXOU A MEMÓRIA DE UM HOMEM REQUINTADO,  AFÁVEL,  ELEGANTE E COM VIVA INTELECTUALIDADE. CONTA-SE QUE O PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS O CONVIDOU CERTA VEZ PARA ASSUMIR O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA DO BRASIL, CONVITE QUE CORDIALMENTE NEGOU ALEGANDO NÃO POSSUIR ESTA VAIDADE (SUSPEITO QUE PARA UM PAULISTA DE TÃO ILUSTRE ESTIRPE NÃO CONVINHA ACEITAR O CONVITE PARA INTEGRAR O GOVERNO DO DITADOR QUE NO RECENTE EPISODIO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA TENHA BOMBARDEADO COM SEUS CANHÕES E AVIÕES A CIDADE DE CAMPINAS TERRA NATAL DO DR. ANTÃO DE SOUZA MORAES). TALVEZ A MAIOR REALIZAÇÃO DE SUA VIDA TENHA SIDO A FORMAÇÃO DE SUA VASTA E IMPORTANTE BIBLIOTECA,  QUE REUNIU OBRAS PRECIOSAS E RARAS TODAS MUITO BEM CONSERVADAS, CATALOGADAS E MANTIDAS SOB CUIDADO DE PROFISSIONAIS QUE GARANTIAM SUA PRESERVAÇÃO. ASSIM APRESENTAMOS A SEGUIR 70 TITULOS, PUBLICAÇÕES RARAS E ESPECIAIS DA COLEÇÃO DO  DR. ANTÃO DE SOUZA MORAES. SÃO OBRAS UNIVERSAIS NOTÁVEIS NÃO SÓ PELA RARIDADE MAS QUE SE DESTACAM TAMBÉM PELA BELEZA E O APURO DE SUAS ENCADERNAÇÕES.
  • MAPEMONDE PLANISPHERE OU CARTE GENERALE DU MONDE- PLANISFERIO DE DANIEL DE LA FEUVILLE (1640-1709) PUBLICADO EM 1702 EM AMSTERDAM. RARO E MUITO ANTIGO EXEMPLAR DA VIRADA DO SEC. XVII PARA O XVIII. OS CONTINENTES TEM AINDA UMA FORMA GROSSEIRA  COM APENAS CONTORNOS GERAIS. ESSE MAPA TEM ALGUMAS CURIOSIDADES NO BRASIL APRESENTA NOMEOU  SOMENTE A LOCALIZAÇÃO DA CIDADE DE SALVADOR  NA BAHIA REFERIDO COMO SÃO SALVADOR, POIS ERA A CAPITAL E UMA OUTRA INDICAÇÃO MAIS AO CENTRO REFERENCIADA COMO C. S. AUG. A CHINA TEM A LOCALIZAÇAO DE PEQUIM MAS O MAIS CURIOSO É  A REPRENSTAÇÃO DA GRANDE MURALHA. A OCEANIA CHAMADA NESTE MAPA DE NOVA HOLANDA NÃO É CONDIZENTE COM SUA FORMA REAL. OUTRO FATO CURIOSO É A REPRESENTAÇÃO DA CALIFORNIA NOS ESTADOS UNIDOS COMO UMA ILHA. ESSE ERRO SE DEVE AOS RELATOS DE UM ANTIGO EXPLORADOR ESPANHOL, POSSIVELMENTE CONFUSO COM A PENÍNSULA DE BAJA, RELATANDO NO SÉCULO XVI QUE A CALIFÓRNIA ERA CERCADA DE ÁGUA POR TODOS OS LADOS. O ERRO FOI CONSAGRADO PELO CARTÓGRAFO DE AMSTERDAM MICHIEL COLIJN EM 1622, E A CALIFÓRNIA FOI DESENHADA COMO UMA ILHA ATÉ O SÉCULO XVIII. NOTA: DANIEL DE LA FEVILLE (1640-1709) - De ascendência huguenone nasceu em Seden, França. Quando jovem foi aprendiz de relojoeiro. Em 1663 se casou com Charlette Marlet, filha de um carpinteiro local. Vinte anos depois, em 1683, enfrentando perseguição religiosa contra os huguenotes na França, fugiu com sua família para Amsterndan. Em 1686 tornou-se um burguês (cidadão) da cidade e se estabeleceu como gravador, editor e negociante de arte. Pouco tempo depois em 1691, ele foi adminido na Guilda dos Livreiros. Faleceu em 1709 e o negocio foi continuado por seus filhos.
  • LES TROPHÉES DE JOSÉ MARIA DE HEREDIA. ILUSTRAÇÕES COLORIDAS DE SERGE DE SOLOMKO. IMPRESSO EM PARIS PELA A. FERROUD ( LIBRAIRIE DES AMANTEURS ) EM 1927. 241 PÁGINAS 22CM X 15CM. COM CAIXA. TIRAGEM LIMITADA A 1000 EXEMPLARES, SENDO DESSES EM PAPEL JAPÓN IMPERIAL, CONTENDO 2 ESTADOS, UM DOS QUAIS EM NEGRO. ESTE É O EXEMPLAR Nº 41 . TEXTO EM VERSOS COM VINHETAS COLORIDAS. REFERÊNCIAS CARTRET, L.-LE TRÉSER DU BIBLIOPHILE - TOME V: P.104. INCLUI ÍNDICE. ENCADERNAÇÃO EM MARROQUIM MARROM CAFÉ COM CORTES DOURADOS, CONTRACAPA EM PAPEL MARMOREADO ASSINADO POR RENÉ AUSSOURD.Nota:"Les trophées" de José-Maria de Heredia é uma coleção de poemas escritos durante o final do século XIX. Esta obra explora temas enraizados na mitologia clássica, na natureza e na experiência humana, frequentemente destacados por meio de imagens vívidas e linguagem rica. Cada peça reflete uma forte conexão com histórias e figuras antigas, encapsulando emoções e momentos atemporais. José Maria de Heredia nasceu em La Fortuna, Cuba, 22 de novembro de 1842. Era descendente de conquistadores espanhóis. Aos nove anos foi para a França, passando a estudar no Colégio Saint Vincent de Senlis. Voltou à Cuba em 1859, passando um ano em Havana, aprofundando-se no conhecimento da língua e literatura espanholas, e foi em Cuba que ele fez seus primeiros poemas. Voltou à França em 1861, com sua mãe, e se inscreveu na faculdade de direito de Paris. Em 1863, conhece Leconte de Lisle, de quem se tornou discípulo e admirador, ingressando definitivamente no parnasianismo. Publicou seus sonetos no Parnasse Contemporain. Posteriormente reuniu seus poemas em "Les Trophées", publicado em 1893  são 118 sonetos evocando civilizações antigas e paisagens da Bretanha.
  • LES TROPHÉES DE JOSÉ MARIA DE HEREDIA. COMPOSIÇÕES DE GEORGES ROCHEGROSSE. ILUSTRAÇÃO DE E. DECISY. IMPRESSO EM PARIS PELA A. FERROUD EM 1914. 240 PÁGINAS 32CM X 24CM . COM CAIXA. LIVRO RARO, DESTA EDIÇÃO FORAM TIRADOS 500 EXEMPLARES DOS QUAIS 95 EM PAPEL JAPÓN, CONTENDO DOIS ESTADOS DE ÁGUAS-FORTES, UM DELES COM OBSERVAÇÕES. ESTE EXEMPLAR É O Nº 86. CONTÉM 4 SONETOS INÉDITOS. TEXTO ENTRE CERCADURAS ORNAMENTADAS. INCLUI ÍNDICE. ENCADERNAÇÃO RICA EM MARROQUIM VERMELHO COM ORNAMENTOS DOURADOS E CONTRACAPA MARMOREADA EM VERMELHO E DOURADO, ASSINADA POR RENÉ KIEFFER. EX-LIBRIS ALFREDO PVJOL. LITERATURA FRANCESA.Nota: "Les trophées" de José-Maria de Heredia é uma coleção de poemas escritos durante o final do século XIX. Esta obra explora temas enraizados na mitologia clássica, na natureza e na experiência humana, frequentemente destacados por meio de imagens vívidas e linguagem rica. Cada peça reflete uma forte conexão com histórias e figuras antigas, encapsulando emoções e momentos atemporais. José Maria de Heredia nasceu em La Fortuna, Cuba, 22 de novembro de 1842. Era descendente de conquistadores espanhóis. Aos nove anos foi para a França, passando a estudar no Colégio Saint Vincent de Senlis. Voltou à Cuba em 1859, passando um ano em Havana, aprofundando-se no conhecimento da língua e literatura espanholas, e foi em Cuba que ele fez seus primeiros poemas. Voltou à França em 1861, com sua mãe, e se inscreveu na faculdade de direito de Paris. Em 1863, conhece Leconte de Lisle, de quem se tornou discípulo e admirador, ingressando definitivamente no parnasianismo. Publicou seus sonetos no Parnasse Contemporain. Posteriormente reuniu seus poemas em "Les Trophées", publicado em 1893  são 118 sonetos evocando civilizações antigas e paisagens da Bretanha.
  • A PARTIR DESSE MOMENTO APREGOAREMOS UMA EXPRESSIVA COLEÇÃO DE MAPAS ANITGOS COM ELEVADO VALOR HISTÓRICO E BELEZA ARTÍSTICA. SEM O DESENVOLVIMENTO DA CARTOGRAFIA O MUNDO ESTARIA ENVOLTO AINDA NO ARCAÍSMO DA IDADE MÉDIA. FORAM OS MAPAS A PERMITIR O DESENVOLVIMENTO DA NAVEGAÇÃO COM A DESCOBERTA DOS CONTINENTES, AS GRANDES CONQUISTAS MILITARES, A LOCALIZAÇÃO DAS RIQUEZAS E A SOBREVENCIA DAS PESSOAS. No inicio do desenvolvimento da cartografia, os mapas  eram muito simplificados mas com elevado nível de elementos artísticos. Os cartógrafos geralmente se concentravam em áreas menores de interesse, como uma cidade ou uma rota comercial. Os mapas eram um pouco como imagens: não eram precisos em relação à realidade na Terra. Eles eram usados para dar ao observador uma ideia de como seria a paisagem. Alguns dos primeiros mapas conhecidos datam de cerca de 17.000 a.C. e eram imagens que mostravam constelações de estrelas, características da paisagem como montanhas e rios, e outros marcadores físicos que ajudavam as pessoas a navegar de um lugar para outro. Em 600 a.C., o Mapa Mundial Babilônico foi criado e acredita-se ser a primeira representação da Terra, ou o que as pessoas podiam pesquisar dela na época. Outras civilizações antigas, como os gregos, começaram a usar mapas de papel para navegação com base em observações de exploradores e cálculos matemáticos. Os mapas dessa época eram importantes porque retratavam a Grécia como o centro do mundo, cercada por vastos oceanos. Mapas posteriores começaram a mostrar dois continentes, Ásia e Europa, amplamente influenciados pela literatura escrita por filósofos gregos.   Muitos mapas antigos eram esculpidos em superfícies duras como argila e rocha, mas também há mapas criados em tecidos delicados. Esses mapas eram bastante caros de produzir, então apenas os ricos e influentes tinham acesso a eles. Hoje, esses mapas antigos geralmente são exibidos como uma obra de arte ou história, em vez de usados como material de referência. O mundo da cartografia continuou a progredir, especialmente graças aos esforços dos gregos e romanos da época.  Muitos dos cartógrafos da época estavam baseados em locais de culto, então muito do foco estava no aspecto religioso das coisas. Por causa disso, muitos dos mapas desenhados na época eram fortemente decorados com motivos religiosos, como anjos e criaturas míticas. Até o século XV, o mundo era considerado circular ou plano na Europa. Os mapas do mundo desenhados durante esses períodos eram ligeiramente diferentes. No meio desses mapas, havia círculos onde rios e mares dividiam terras em forma de T. É por isso que esses mapas são chamados de mapas TO. Os mais populares deles eram os mapas chamados Hereford e Ebstorf. Na Idade Média, os mapas eram geralmente chamados de Mappa Mundi na Europa. As técnicas de desenho de mapas também mudaram desde o final do século XVIII. A técnica do portulano foi usada nos desenhos dos mapas. Esta técnica foi usada pela primeira vez por capitães genoveses. Um mapa notável desta área é o Hereford Mappa Mundi , intrincadamente desenhado e colorido : o maior mapa medieval existente. O mapa é circular e tem Jerusalém no centro, bem como o jardim do Éden colocado em um anel de fogo no topo. Esses mapas não eram feitos para navegação, mas mais como uma ilustração para explicar vários princípios.Embora não tenha havido muitos avanços em mapas nas sociedades cristãs e católicas, houve progressões na ciência da cartografia no mundo islâmico. Eles seguiram os métodos definidos anteriormente por Ptolomeu, construindo sobre essa base e avançando ainda mais a ciência da cartografia. As melhorias foram baseadas no conhecimento e nas notas de exploradores e acadêmicos durante suas viagens pelo mundo muçulmano. Essas melhorias incluíram unidades de medida mais definidas e melhores cálculos da circunferência da Terra. a tecnologia melhorou ao longo dos séculos, o uso de instrumentos de cartografia e mapas impressos começou a se popularizar. Os cartógrafos eram altamente influentes e o crescimento da educação pública aumentou a sede por conhecimento mundial. A cartografia não estava mais restrita às instituições religiosas que dominavam a indústria e os mapas se tornaram mais acessíveis. Durante esse tempo, muitos países do mundo ocidental queriam se expandir além dos limites de seus solos nativos, em busca de expansão política e colonização. Para isso, eles precisavam produzir mapas detalhados dos lugares que haviam descoberto, então cartógrafos e cartógrafos se tornaram a chave para a expansão política. À medida que mais solo estrangeiro era explorado, os cartógrafos tomavam nota de suas descobertas sobre as culturas e o ambiente locais em seus mapas. À medida que o Renascimento amanhecia, os mapas começaram a melhorar. O comércio exigia isso  navios cruzavam oceanos, e reis envolvidos na construção de impérios precisavam mapear suas terras. A tecnologia levou os mapas a uma maior precisão: o advento de bússolas confiáveis ajudou a criar mapas "portolanos", que tinham linhas cruzando o mar de porto a porto, ajudando a guiar os marinheiros. O antigo trabalho de Ptolomeu foi redescoberto, e novos mapas foram desenhados com base em seus cálculos de mil anos.De fato, a viagem de Cristóvão Colombo para a América foi em parte devido a Ptolomeu  e erros em sua cartografia. Colombo carregava um mapa influenciado pelo trabalho do antigo romano. Mas Ptolomeu achava que o mundo era 30% menor do que realmente é; pior, o cartógrafo estava usando milhas árabes, que eram mais longas do que as italianas. Juntos, esses erros levaram Colombo a acreditar que a viagem para a Ásia seria muito mais curta. Foi um exemplo inicial de um quase desastre semelhante ao GPS.À medida que o comércio marítimo aumentou, os mapas do Novo Mundo ficaram melhores, pelo menos as costas marítimas e os principais rios, lugares dos quais o comércio de castores dependia. O interior da América era, em grande parte, um mistério; os cartógrafos frequentemente o desenhavam como um grande espaço em branco rotulado como terra incógnita.Os litorais eram precisos, mas eles não estavam tão preocupados com os interioresDenunciar este anúncio. As viagens marítimas se tornaram mais fáceis depois de 1569, quando Gerardus Mercator revelou a maior inovação em mapeamento depois de Ptolomeu: a Projeção de Mercator. Um polímata que era igualmente habilidoso em gravura e matemática, Mercator descobriu o melhor truque até agora para representar a superfície de um globo em um mapa  alargando gradualmente as massas de terra e oceanos quanto mais ao norte e ao sul eles aparecem no mapa. Isso foi uma grande ajuda para a navegação, mas também distorceu sutilmente a forma como vemos o mundo: países próximos aos polos  como Canadá e Rússia  foram aumentados artificialmente, enquanto regiões no Equador, como a África, encolheram.Em 1553, a nobreza em Surrey, Inglaterra, desenhou um mapa dos campos centrais da cidade, para provar que eram terras comuns  e que os moradores, portanto, deveriam ter permissão para pastar animais ali. O mapa, eles escreveram, permitiria "a compreensão mais clara, manifesta e direta" da situação. Mapas, diz Rose Mitchell, arquivista de mapas do Arquivo Nacional do Reino Unido, eram "usados para resolver argumentos". Enquanto isso, pessoas educadas começaram a colecionar mapas e exibi-los "para mostrar o quão bem informadas eram", ela acrescenta. Mesmo que você não conseguisse ler as palavras em um mapa de um país estrangeiro, geralmente conseguia entendê-lo e até mesmo navegar por ele. O poder persuasivo de um mapa era sua capacidade de olhar rapidamente. Eram dados tornados visuais.Mapas não eram apenas símbolos de poder: eles conferiam poder. Com um bom mapa, um militar tinha uma vantagem na batalha, um rei sabia quanta terra poderia ser taxada. Mapas ocidentais mostrando o interior da África como vazio  os cartógrafos tinham pouco em que se basear  deram aos impérios visões oníricas de reivindicar a África para si: todo aquele espaço vazio parecia, para eles, maduro para ser tomado. Mapas ajudaram a impulsionar as depredações do colonialismoUm mapa notável da época das grande navegações  foi o Kunyu Wanguo Quantu ou o Mapa Ricci. Foi criado por Matteo Ricci, um padre jesuíta e um dos fundadores das Missões Jesuítas da China. O mapa foi escrito inteiramente em caracteres chineses e é considerado o mapa sobrevivente mais antigo em chinês mostrando as Américas. Mapas por vezes continham vistas; mas seu propósito não era registrar o típico ou o pitoresco, mas facilitar o reconhecimento geográfico, principalmente para quem chegava do mar. Vistas panoramicas do litoral eram essenciais para orientar a navegação, e este era um dos motivos para a inclusão das aulas de desenho nas escolas militares. A Royal Naval Academy, fundada em Londres em 1733, logo incluiu uma aula de desenho; o mesmo fez D. Maria I em 1796 nos estatutos da Real Academia dos Guardas Marinha (atual Escola Naval), instituindo o "Desenho de marinha" (cópia e redução de "Plantas de diferentes Costas, Bahias, Enceadas, e Portos; e representando Vistas de Ilhas, Cabos e Promontorios") nos segundo e terceiro anos letivos, e obrigando os segundos-tenentes recém-promovidos a desenhar as "Configurações das Costas, Ilhas, e Portos, que avistarem do Mar, ou onde se tiverem demorado" em seu primeiro embarque. Tomadas as precauções quantitativas, os temas mais comuns nas estampas avulsas anunciadas na Gazeta do Rio de Janeiro entre 1808 e 1822 eram a cartografia (de Portugal e Espanha), os retratos e as cenas históricas (nessa ordem), refletindo os conteúdo,bélicos e políticos trazidos pelas guerras napoleônicas. A presença da cartografia no topo da lista (não só dos temas retratados, mas também dos preços) não causa estranheza; os "relatos de batalhas, guerras e sucesso militares" circulavam através de manuscritos e cartas (originais e cópias) na primeira metade do século XVII por toda a Europa, em especial na península ibérica. As primeiras (e únicas) imagens publicadas na Gazeta do Rio de Janeiro foram  diagramas de guerra em batalhas napoleônicas. Os mapas eram os itens mais caros, inclusive porque alguns vinham já "iluminados" (aquarelados à mão). O Mappa Geral de Portugal, de Tomás Lopez de Vargas Machuca (1731-1802), além de atualizado e iluminado, ainda era composto por duas grandes folhas "já unidas em huma". Mapas do Brasil ainda no Sec. XVIII  não eram tão comuns principalmente pelo desconhecimento da geografia  do país.
  • ISABELLE RÉCIT PAR ANDRÉ GIDE. HISTÓRIA DE ISABELLE DE ANDRÉ GIDE. COM 17 LITOGRAFIAS DE ÉLIE LASCAUX. IMPRESSO EM PARIS PELA NRF EM 1946.154 PÁGINAS 19CM X 28CM. COM CAIXA. UM LIVRO RARO. DESTA EDIÇÃO FORAM TIRADAS 410 EXEMPLARES, DOS QUAIS 30 EM PAPEL JAPÓN IMPERIAL ACOMPANHADOS DE DUAS SEQUÊNCIAS, UMA EM CARMIM, OUTRA EM NEGRO EM PAPEL CHINA, NUMERADAS DE 1 A 22, ESTE É O EXEMPLAR Nº 19. IMPRESSÃO COM CARACTERES ELSEVIER MAYEUR DE LA FONDERIE TYPOGRAPHIQUE FRANÇAISE, SOBRE O PRETO DE R.GIRARD & CIE, COM TEXTOS E VINHETAS TIPOGRÁFICAS DE G. A. MOUSSET EM 01/11/1946. ENCADERNAÇÃO EM MARROQUIM BOIS DE ROSE COM ORNAMENTOS DOURADOS NA CAPA E LOMBADA E CONTRACAPA DE CHAMALOTE CINZA ASSINADO POR R & R. MATIVET. LITERATURA FRANCESA.Nota: Isabelle é uma novela, descrita como um récit ( Um récit é um subgênero do romance francês , no qual a narrativa chama a atenção para si mesma.) de André Gide , publicada em 1911. Gérard Lacase, de 25 anos, da Sorbonne, estuda para seu doutorado sobre Jacques-Bénigne Bossuet no remoto castelo de Quartfourche, no norte da Normandia . Ele se apaixona por um retrato de Isabelle, a filha da família dona do castelo. Isabelle é, portanto, a história de uma decepção. O personagem principal não é a criatura medíocre de mesmo nome, mas sim Gérard Lacase  ou talvez a romântica Isabelle que nasce da imaginação de Lacase. André Gide nasceu no dia 22 de Novembro de 1869 em Paris. Recebeu o Nobel de Literatura de 1947. Oriundo de uma família da alta burguesia, foi o fundador da Editora Gallimard e da revista Nouvelle Revue Française ( NRF ). Gide não somente era homossexual assumido, como também falava abertamente em favor dos direitos dos homossexuais, tendo escrito e publicado, entre 1910 e 1924, um livro destinado a combater os preconceitos homofóbicos da sociedade de seu tempo.
  • PRINCESA DONA JANUÁRIA DE BRAGANÇA (RIO DE JANEIRO 1822  NICE FRANÇA 1901)  IRMÃ MAIS VELHA DO IMPERADOR DOM PEDRO II - IMPERADOR DO BRASIL -  DESENHO A LÁPIS  DE CASTELO PROVAVELMENTE BASEADO EM GRAVURA. SOB O DESENHO INSCRIÇÃO P. D. JANUARIA 28 DE JANEIRO DE 1833.14 X 11,5 CM   NOTA: Januária de Bragança (Rio de Janeiro, 11 de março de 1822  Nice, 13 de março de 1901), cognominada "a Princesa da Independência", foi uma Princesa do Brasil, segunda filha do imperador Pedro I do Brasil e da imperatriz consorte Maria Leopoldina da Áustria, era irmã do imperador Pedro II do Brasil e da rainha Maria II de Portugal. De 1835 a 1845, deteve o título de Princesa Imperial do Brasil, como herdeira presuntiva de seu irmão, o imperador Pedro II, que era então menor de idade, e considerou-se a possibilidade de declará-la regente, embora isso nunca tenha se concretizado. D. Januária, nasceu infanta de Portugal, em 11 de março de 1822 no Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, Reino do Brasil. Quando nasceu, sua família estava de luto pela morte de seu irmão, João Carlos, Príncipe da Beira, meses antes. Era a segunda filha varoa do então herdeiro do trono português, Pedro de Alcântara, e de sua esposa, a arquiduquesa Leopoldina da Áustria. Por ter nascido no processo da independência do Brasil, foi chamada de "a Princesa da Independência". Seus avós paternos eram o rei João VI de Portugal, e sua esposa, a infanta Carlota Joaquina da Espanha, e os avós maternos eram o imperador Francisco I da Áustria, último monarca do Sacro Império Romano-Germânico, e sua esposa, a princesa Maria Teresa de Nápoles e Sícilia. A princesa cresce ao lado dos irmãos, Maria da Glória, Pedro de Alcântara, Paula Mariana, Francisca e sua meia irmã Isabel Maria, Duquesa de Goiás, filha do seu pai com a amante, Domitila de Castro, Marquesa de Santos. Aos quatro anos de idade, ficou órfã de sua mãe, a imperatriz Leopoldina, depois de abortar um menino, e anos depois vê seu pai casar com a sua nova mãe a princesa Amélia de Leuchtenberg. Aos nove anos de idade, seu pai abdicou como Imperador do Brasil e regressou a Portugal para restaurar a coroa de sua filha mais velha, Maria II, que havia sido usurpada pelo seu irmão mais novo, Miguel I. Januária não acompanha o pai, e fica no Brasil pois ela herdaria o trono caso seu irmão morresse. A princesa continuou a se comunicar com o seu pai por meio de cartas. Ela começou a viver com seus irmãos mais novos e vários tutores e sua infância foi marcada por uma educação rigorosa. Por ser ela, a mais velha dos príncipes que aqui ficaram, também era dela a responsabilidade de dar notícias ao pai e a sua nova mãe. Assim em 1833, a princesa Paula Mariana morreu antes dos 10 anos, Januária através de uma carta relatou o ocorrido ao pai:"Amado, papai. Apesar de nossas constantes súplicas ao céu, nossa querida irmã Paula Mariana foi embora. Não encontramos consolo. Nossa amada irmã não está mais conosco. Além disso, o pequeno Pedro adoeceu gravemente. Chegamos a pensar que ele estava com a mesma febre de Paula Mariana, mas graças a Deus ele melhorou e já está sentado em sua sala de estudos. Para agradecer, nós, irmã Chica e eu, sua filha Januária, não comeremos açúcar até o aniversário de Pedro, dia 2 de dezembro. Querido papai, estamos desesperados e com grande consternação. Temos muita saudade de vós e também da nossa irmã Maria da Glória e de todos aqueles que estão contigo em Lisboa. Com a promessa de ser sempre filhos obedientes e amorosos, Januária, Francisca e Pedro."Também foi à Januária que a Imperatriz Amélia dirigiu a notícia por carta da morte de D. Pedro I.Com a abdicação de Pedro I do Brasil em 1831 e imediata mudança para a Europa para reconquistar a coroa portuguesa para a sua filha primogênita Maria da Glória, a sucessão do trono brasileiro precisava ser modificada. Foi expedida pela Assembleia dos Deputados uma lei nomeando Januária como Princesa Imperial do Brasil.6 O regente, padre Diogo Antônio Feijó, disse apenas que aceitava o documento em nome da Princesa Imperial.No dia 4 de agosto de 1836, Januária (então com 14 anos de idade) entrou no salão do Paço do Senado, trazendo um rico vestido de ouro sobre o qual se divisava a insígnia da Grã Cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro e, na presença dos deputados, com a mão sobre o missal, declarou solenemente com voz comovida:Juro manter a religião Católica, Apostólica, Romana; observar a Constituição Política da Nação Brasileira e ser obediente às leis e ao Imperador.Desta forma, Januária tornou-se Princesa Imperial do Brasil (herdeira do trono), até o nascimento de um filho de seu irmão Pedro II.
  • PEINTURE MODERNE DE MAURICE GAGNON 2º EDIÇÃO REVISADA E CORRIGIDA PELO AUTOR. IMPRESSO PELA VALIQUETTE EM 1943. 143 PÁGINAS 25CM X 19CM. COM REFERÊNCIA LIBRARY OF CONGRESS ONLINE CATALOG. INCLUI ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES. ENCADERNAÇÃO EM ÓTIMO ESTADO COM CORTE SUPERIOR DOURADO. UM LIVRO DE ARTE - PINTURA - IMPRESSIONISMO E MODERNISMO.Nota: Maurice Gagnon, canadense nascido em 19/08/1904 foi um crítico de arte, historiador de arte e professor de Quebec. Ele obteve um diploma em filosofia pela Universidade de Ottawa. Ele viveu em Paris por três anos, período em que se formou em literatura pela Sorbonne. Ele também é formado pelo Instituto de Arte e Arqueologia da Universidade de Paris e pela École du Louvre. No verão de 1935, ele retornou para se estabelecer em Montreal com sua família. A partir de 1936, ele lecionou história da arte no colégio Jean-de-Brébeuf e deu palestras sobre arte moderna. Em 22 de julho de 1937, foi nomeado professor de história da arte e curador da biblioteca da École du meuble, cargo que ocupou até sua renúncia em 16 de outubro de 1947. Ele continuou a lecionar história da arte no Collège Jean-de-Brébeuf, bem como no Collège de Saint-Laurent e na escola diurna clássica de Sainte-Croix. De 1945 a 1948, ele lecionou história da arte na Faculdade de Letras da Universidade de Montreal. Em 1943, ele foi contratado pela Dominion Gallery como consultor por sua fundadora e proprietária, Rose Millman, e foi ele quem apresentou jovens pintores canadenses ao diretor da galeria, Max Stern. Ele atuou como curador convidado em diversas exposições realizadas na galeria, incluindo a famosa "Exposição Sagitária" em 1943. Durante os últimos anos de sua vida, ele se dedicou ao design de interiores. Na época de sua morte, em 1956, ele era decorador-chefe da Henry Morgan, em Montreal.
  • GUERRA DO PARAGUAI - IMPÉRIO DO BRASIL. EDUARDO DE MARTINO  PASSAGEM DO CURUZU. DESENHO DE R. PONTREMOLI. LITHOGRAFIA DE ALF. MARTINET. MUITO RARA LITHOGRAFIA BASEADA EM ÓLEO DE EDUARDO DE MARTINO.  MOSTRA O DESEMBARQUE DO 2. CORPO DO EXÉRCITO, A CORVETA MEARIM, O ENCOURAÇADO BIBERIBE SOB O COMANDO DO MARQUES DE TAMANDARÉ, O VAPOR GREENHALGH O ENCOURAÇADO RIO DE JANEIRO, DEPOIS DA EXPLOSÃO DO TORPEDO PARAGUAYO, O ENCOURAÇADO LIMA BARROS, ENCOURAÇADO BARROSO E O ENCOURAÇADO BRASIL. AO FUNDO AS MATAS DO CURUZU. 59 X 43 CM (SEM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA. COM A MOLDURA TEM 78 X 63 CM. ESTA LITHOGRAFIA FAZ  PARTE  DA COLEÇÃO 'QUADROS HISTORICOS DA GUERRA DO PARAGUAY' SENDO A SEXTA  A SER PRODUZIDA PARA A SÉRIE DE NOVE  NO  INICIO DA DÉCADA DE 1870. COMPOSIÇÃO NAS CORES CINZA, MARROM E BRANCO. EM PRIMEIRO PLANO, DUAS BOTES A REMO COM FIGURAS HUMANAS A BORDO; AO CENTRO, EMBARCAÇÃO A REMO COM FIGURAS HUMANAS; ENCIMADO PELO NOME "IMPERADOR". EM SEGUNDO PLANO, DOIS BOTES E UM VELEIRO ENCIMADO PELO "CONSTITUSIONE". ATRÁS À ESQUERDA, VELEIRO ENCIMADO PELO NOME " VE...; Á DIREITA PARTE DE EMBARCAÇÃO CERCADA POR NUVEM DE FUMAÇA E ENCIMADA PELO NOME "PAR...E...PE". AO FUNDO, À DIREITA, FORTIFICAÇÃO E MONTANHA.NOTA: ASSIM DESCREVEU FÉLIX FERREIRA  (FÉLIX FERREIRA (RIO DE JANEIRO, RJ 1841 - 1898) PUBLICISTA, JORNALISTA, EDITOR, EMPRESÁRIO, ESCRITOR E CRÍTICO DE ARTE ATUANTE NO RIO DE JANEIRO NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX.)  SOBRE OS EVENTOS HAVIDOS NA PASSAGEM DE CURUZU  PELAS TROPAS ALIADAS CAPITANEADAS PELA MARINHA IMPERIAL BRASILEIRA NO TEXTO QUE ACOMPANHAVA A EXPLICAÇÃO DESTA LITHOGRAFIA: Onze dias depois dos combates de 16 e de 18 de Julho, ganhos pelo general Polydoro, pisava terras do Paraguay o segundo corpo de exercito brasileiro, confiado ao Barão de Porto-Alegre. Embora sanguinolentos, aquelles combates haviam reanimado nossa gente e como que mitigado as saudades pelo chefe querido, que por enfermo se ausentára - o general Osorio.Reconhecendo o general Polydoro, como o confessou em ordem do dia, a honrosa mas difficil tarefa de substituiur soldado daquelle valor, atirára-se áquelles combates como a unica e possivel ordem do dia de um general nas suas circumstancias e nas circumstancias do exercito brasileiro.Feridos os combates, Polydoro encetára logo os trabalhos de fortificação para garantia das posições tomadas, e o somno da victoria mais uma vez cerrára todos os olhos.Foi quando aportou ao Passo da Patria Porto-Alegre com um exercito de sete mil e quinhentos homens das tres armas.Polydoro o apresentou aos soldados do 1º corpo de exercito em um lance tão dramatico quanto justo de seu boletim: Sabeis, soldado, quem é esse general? Os batalhões veteranos que digam quem as conduzio á victoria nos campos de Moron.Definido assim por um camarada o seu valor, tomou a si mesmo completar a sua figura o veterano de Moron(*): Briosos soldados do 2º corpo de exercito! Ides pela primeira vez pelejar com um inimigo que, desconhecendo as leis da guerra entre povos civilisados, não as respeita, practicando inauditos actos de atrocidade. Não useis, pois, de represalias, que elles não têm consciencia do mal que fazem; e demais, a generosidade é qualidade inherente aos valentes.Bem completa ficou, pois, a figura aos olhos do exercito: valor de soldado, alma grande. O resto, o que constitue os heróes, só a sorte o dá. Ella é quem faz vencer em Austerlitz e apaga em Waterloo o facho da maior fortuna guerreira que o mundo tem conhecido. IIVencedores desde 18 de Julho os soldados do 1º corpo do exercito, e chegados desde o dia 29 do mesmo os soldados do 2º, só a 18 de Agosto puderam ou foram chamados a conselho os generaes.Nesse conselho prevaleceu o plano de que cinco ou seis mil homens do 2º corpo de exercito, embarcados na esquadra, seguiriam rio acima o Paraguay, e, vencidas as difficuldades que porventura encontrassem, se procurasse bombardear e atacar as fortificações de Curusú e Curupaity, fazendo um desembarque para ameaçar pela retaguarda o flanco direito das principaes e extensas linhas formadas pelo inimigo.Assentou-se mais que esse movimento da esquadra, considerado como uma operação prévia, ou antes um reconhecimento á mão armada, devia ser feito de inteira combinação com o exercito alliado, afim de que pudesse este opportunamente lançar não só sobre o flanco esquerdo das fortificações inimigas uma forte columna de cavallaria - apoiada convenientemente por forças de infantaria e artilharia - como tambem columnas de ataque sobre um ou mais pontos centraes das linhas contrarias; combinando-se igualmente todos esses movimentos com um violento cruzamento de fogos de artilharia sobre a extrema direita daquellas fortificações. (**)Este plano, que talvez a fortuna coroasse de loiros, se logo depois de Curusú tivessem as armas alliadas atacado Curupaity, não deu comtudo, á parte as glorias de Curusú, senão os desastres diante daquella outra fortaleza, em 22 de Setembro.Seja como fôr, uma vez assentado o plano referido, tratou-se de pol-o em practica, e no dia 30 de Agosto o 2º corpo de exercito, logo que recebeu alguma cavalhada, deixou as praias de Itapirú, onde até então se havia conservado, e foi acampar mais proximo á boca do rio Paraguay.Ahi encontrou o exercito os transportes a vapor Leopoldina, Izabel, Marcílio Dias, Presidente, General Flôres, Galgo, Diligente e Pedro II. A bordo do Apa achava-se o vice-almirante Tamandaré.Quando veio a noite ergueram-se do 1º corpo de exercito varios foguetes ao ar, afim de determinar a situação respectiva dos dois campos.Naquella escuridão, na vespera de tantas mortes, que sinistros lumes aquelles! Que sentenças escriptas no ar!O dia 31 gastou-se ainda na passagem das cavalhadas para o 2ºcorpo de exercito e na conferencia entre o general, almirante e o ministro Octaviano; conferencia que fixou o plano de ataque que devia iniciar-se no seguinte dia por um reconhecimento de esquadra.Ia, pois, essa poderosa armada sahir do seu lethargo de mezes e escrever mais uma pagina de heroismo no livro de sua vida maritima.IIIRompeu o dia 1 de Setembro, o mez das primaveras, das alegrias do campo, e dos sorrisos do céo!O sol marcava sete horas quando o vice-almirante, presa sua insignia da corveta Magé, ordenou á esquadra que singrasse aguas acima.A ordem daquelle cortejo da morte e da gloria foi a seguinte:Corveta Magé, Lima Barros e Bahia (encouraçados), Parnahyba (canhoneira), Brasil, Barroso, Rio de Janeiro e Tamandaré (encouraçados), Beberibe, Ypiranga, Belmonte, Araguay e Greenhalgh (canhoneiras).Subiram lentamente, já pela estreiteza do canal e já tambem pela perfidia daquellas aguas cheias de torpedos.E no entando de lado a lado as mattas tão ridentes, tão opulento o sol, e tão ebrios de alegria os estandartes da patria!Quando a ilha do Palmar ostentou-se bella e verdejante á tona dagua, bella como uma nayade descuidosa e despenteada surprehendida no banho, deu signal o vice-almirante para que ficassem ahi os navios de madeira e seguissem, até frontear Curusú, os encouraçados.IVNão tardaram as luvas de desafio do inimigo, e as luvas em resposta dos nossos.Era meio-dia: muitos paraguayos e brasileiros iam viver os ultimos minutos da sua vida.Quatro horas, quatro longuissimas horas durou o canhoneio.Era a festa da morte! O rio, as mattas, os coraçõe e os estandartes estremeciam todos ao som da medonha musica. Só. os céos impassiveis! Deus que fiava a teia dos destinos destas Americas, e o valor brasileiro cheio de confianças nelle!Era scenario para os olhos de um poeta, e lá estava um, disfarçado nas honras de ministro, mas naquella occasião brasileiro sómente e poeta contemplador.Quando nos dará elle, tão admirador das façanhas dos Achilles, em Homero, esses quadros condignos, que a sua boa estrella lhe permittio vêr?VChovia, pois, as balas, e como victima, que a sorte já designára para os sacrificios do dia segunite, o Rio de Janeiro enfeitava-se de glorias e dos loiros immortaes, tintos de fumo e sangue!Toucava-se ainda a victima já sobre a sepultura.Silvado, o commandante, o noivo escolhido para as nupcias eternas, como que brincava ainda com a noiva, já ás portas da alcova, e se ainda pedia alguns momentos como que era pra escrever em cada bala que mandava aos inimigos um legado de gloria para a Patria, a quem tudo deixou, tudo: o nome, o coração, o valor, o brio, os ultimos suspiros e aquella sublime estrophe do poema nacional: Só lhe negou o corpo, dadiva indigna dos nomes immortaes.VIDescrevamos, porém. O Rio de Janeiro, mais ousado do que todos os encouraçados, approximára-se mais que nenhum das baterias inimigas.Era como um duello corpo a corpo que elle provocara. Duas balas paraguayas de calibre 68 oscularam-lhe a boca da casamata, acertando uma dellas em uma peça sua daquelle calibre, que ficou amolgada e fendida.Bem pouco era e seria se não fossem os estilhaços que, penetrando na mesma casamata, feriram gravemente o 1º tenente Napoleão Jansen, e mataram duas praças.O Lima Barros, que tivera a honra de trocar o primeiro tiro de artilharia com o inimigo, continuava a ser alvo da predileção e multiplicação das balas paraguayas. Rivalisavam com elle o Bahia, o Brasil e o Barroso.Já o Voluntario da Patria - pequeno mas galhardo vapor, tendo a seu bordo o 1ºtenente Francisco Romano Steple da Silva e o practico Fernando Etehbarne - tinha ido reconhecer os obstaculos que o inimigo porventura houvesse lançado no canal do rio até aquelle ponto, Curusú.O resultado do reconhecimento combinou perfeitamente com as informações dos transfugas paraguayos, quaes eram: a existencia de torpedos e de uma estavada de navios a pique em frente á bateria do Curusú.Bons paraguayos! Como sabiam fazer a guerra, e como aqui seriam invenciveis se a astucia brasileira não houvesse verificado que o canal das margens do Chaco dava facil accesso até á estacada!Era labor este para o dia seguinte; perigos que a esquadra deveria vencer. Infelizmente a sorte já plantára naquelles lenhos a pique a cruz que ia marcar a sepultura do Rio de Janeiro.VIICom o cahir da tarde afrouxou o bombardeio.A esquadra tinha galhardamente cumprido o seu dever nesse dia e sabia que no seguinte outras dividas tinha de pagar ao seu paiz. Não faltou, e foi com o mais puro do seu sangue que solveu as suas obrigações de gloria.Descendo a noite, o chefe Elisario, commandante da 2ª divisão, fez descer o encouraçado Rio de Janeiro para que transportasse os seus feridos para outro navio, e, aproveitando-se das sombras, os practicos Etchbarne e Bernardino Gustavino com o engenheiro norte-americano G. H. Tombs reconheceram e sondaram um canal fundo e livre de obstaculos pelo meio da estacada de navios a pique, pouco acima da bateria.Ao romper do dia (2) os encouraçados Lima Barros, Brasil, Bahia e Barroso avançaram até perto da estacada de Curupaity e romperam fogo vivissimo contra aquella fortaleza.Do lado do Chaco haviam já desembarcado na vespera os batalhões 12º e 13º de voluntarios, com o fim não só de dominar a margem do rio na parte occupada pela esquadra, como para chamar a attenção do inimigo para aquelle ponto, emquanto se effectuasse o desembarque do 2º corpo.Quando as primeiras luzes da madrugada vinham annunciando o dia, a divisão do chefe Alvim rompeu fogo despejando bomba e metrablha contra as mattas que escondiam o inimigo.Tinha ficado decidido que o general Porto-Alegre desembarcaria nesse dia.Emquanto não chegava a hora oportuna, reboava o bombardeio, levando ao longe, ao coração do Paraguay, as noticias daquella luta de gigantes.VIIIE o que era Curusú? O que valia?Situado meia legua abaixo de Curupaity e quasi fronteiro á ilha do Palmar, constituia o apoio do flanco direito do inimigo.Por muito tempo escondêra-se este nas mattas, como fera que espera a presa, ou como castello da fabula; mas havia dous mezes que nas suas caçadas pelo rio Paraguay, caçadasde torpedos, descobrira a esquadra aquella caça feroz, como por entre as folhas dos palmares sorprendem o viajante os olhos do jaguar.E como quem traz noticias da bôa que espreita no caminho, já alguns passados haviam tambem informado della.Constava Curus´de um grande reducto, amparado por parapeitos de quase tres braças de altura solidamente construidos.Um fosse de 7 palmos de profundidade sobre 12 de largura o circumvallava.Treze peças de diversos calibres, inclusive uma de 68, artilhavam a fortificação, ao mesmo tempo defendida por 500 homens dinfantaria, além dos reforços numerosos que, em occasião de ataque, deviam acudir, como acudiram, em numero de tres mil homens.Os paraguayos tinham na defesa dessa posição as vantagens de espessa matta que os protegia dos fogos da esquadra. Isto na direita.A esquadra apoiava-se na lagôa Pires, e em frente havia um estero que dava estreita passagem sómente por dous passos ou picadas, que canhões de grande calibre enfiavam.Tal era Curusú, que a todo o custo era preciso tomar, e que aos olhas da junta militar de 18 de Agosto tinha parecido uma bella posição contra o flanco direito das linhas paraguayas e um ponto de communicação entre a esquadra e os exercitos alliados.IXO bombardeio continuava.Fundeados a 500 braças apenas de Curupaity, os encouraçãdos Bahia, Lima Barros, Brasil e Barroso trocavam as cortezias da morte com a fortaleza, que lhe fazia fogo com bombas e balas rasas esphericas de calibre 68 e com projectís oblongos de artilharia raiada de calibre 80, systema americano!Nenhuma marinha do mundo desdenharia de subscrever as paginas que o marinheiro brasileiro escreveu alli nesse dia.Desdenharia? Honra seria para todas!Do seu lado o encouraçado Tamandaré e as bombardeiras Pedro Affonso e Forte de Coimbra distrahiam-se com Curusú.Duas chatas paraguayas - que o almirante convertêra em bombardeiras - com morteiros francezes de 10  pollegadas davam escellente resultado. Outra chata ex-paraguaya e tambem com uma peça de calibre 68, unia as suas vozes ao concerto.XIa chegando a hora.Algumas canhoneiras principiaram a varrer com artilharia o ponto da margem esquerda do rio, escolhido para o desembarque.Á uma hora e vinte minutos a quarta divisão da esquadra bombardeava e metralhava as mattas adjacentes á guarda do Palmar.Ao mesmo tempo desembarcava o general do 2º corpo de exercito.Aos sons de que hymno punha pé o conquistador na terra da conquista!Compunha-se o exercito de 8,300 praças das tres armas, sendo 4,500 de infanteria.Bravo até o delirio, arrojado como um fatalista e mesclad de Ney e Murat, confiante como aquelle na estrella do seu destino, namorado como este da gloria, e como este taful no meio dos combates, Porto-Alegre foi o primeiro que saltou em terra.Convicto de que a luta é a festa do soldado, entra elle em fogo com o esmero de um casquilho que tem de lutar e de vencer nas salas.Traz a farda com rigorismo da disciplina prussiana, mas atavia-se de ouro como Murat ou assume as proporções de um daquelles generaes mouriscos quando iam á conquista de Granada, pois que iam-se mirar no espelho desta bella - o Xenil.Porto-Alegre, esperando sempre a victoria, enfeita-se para recebel-a. Ao sahir do campo póde penetrar num salão: nem as luvas sequer lhe faltam.Tal é a rapidez e singelos traços o vulto para quem no momento convergiam as vistas e os destinos do inimigo, os olhos e as esperanças da Patria.E como se a natureza já lhe annunciasse a victoria, o sol ao zenith coroava de ouro e fogo, de purpuras e de azul o vasto theatro do sanguinolento drama que a orchestra dos canhões preludiava desde a vespera.Deixemol-o, porém, por emquanto fitando aquelles horiznontes e dispondo entre seus commandados a ordem de marcha.XIApproximava-se a hora do terrivel episodio que devia naquelle dia envolver de crepe o estandarte victorioso do Brasil.O encouraçado Rio de Janeiro conservára-se, como já o dissemos, na frente da linha.Silvado, o seu commandante, zombava das balas inimigas e desafiava a morte.Os paraguayos tinham juncado o rio de torpedos, e entre elles e sobre elles o Rio de Janeiro baloiçava-se, brincava, ria-se da morte, dos paraguayos e dos seus torpedos.Para tão descommunaes perigos, audacia mais descommunal.Eram duas horas da tarde ainda. O Rio de Janeiro, tendo reparado as avarias da vespera, avançava para tomar o seu lugar na frente, como um soldado que, mal conchegando os labios de uma ferida mortal, voltava para as fileiras, e por denodo para as fileiras da frente.Avançava.De repente, como quem tropeça, toca em um torpedo - proximo á estacada dos navios a pique - do qual não havia o menor indicio.Tocado o torpedo, seguio-se a medonha explosão mesmo debaixo da pôpa da formosa nave.Formoso sim, mas monstruoso, o gigante estremeceu, vacillou nas aguas, como um Leviathan varado pelo ventre.Um calafrio de morte percorreu-lhe a espinha e obrigou-o a tremer como treme o dorso de um cetaceo á flor das aguas, sentindo os estilhaços de uma bala. Devisme nas cavidades do peito.Pelo rombo feito penetra tumultuosa, rouquenha, gritadora, uma columna dagua.É muito, é, sem duvida, para o gigante; mas, como quem em luta de morte, recebido o golpe, abafa-o com a mão e avança ainda, e ainda encara ultumos instantes, vivendo para ver se mata, o Rio de Janeiro avança uma vez mais; não avança sómente, atira-se como uma fera ferida no rastro da polvora.Um outro torpedo, perfido e terrivel como o primeiro embaraça o caminho ao monstro, e arrebenta desta vez á prôa, como seixo de David na fronte de Goliath.Era demais! A morte seguio-se instantanea: numa columna de fumo o gigante arqueja, arfa e vai exhalando a vida.Morre sereno como quem sabe que cumprio o seu dever e que, aos olhos do inimigo, deve a compostura ser o ultimo pudor e o derradeiro respeito por uma grande vida.Vai exhalando a vida; mas, como um duellista cahido no chão do combate, arqueja ainda sobre um lado, e só, quandode todo o sôpro final lhe abandona o corpo, deixa tombar a cabeça e a entrega ao pó, o Rio de Janeiro vai pouco a pouco virando sobre uma das bordas, dando (t)empo a que os heróes que o pisam se salvem.XIISilvado, o commandante, e Coelho, o immediato, bem haviam sentido morto o seu navio; mas, sendo daquelles que entedem que o amor da vida é somenos do que o amor da honra, conservaram toda a serenidade como se fosse terra firme aquelle tumulo em que pisavam.Silvado expede ordens para que salvem a vida dos seus commandados, daquelles que a Patria lhe havia confiado, emquanto que as aguas engolem o navio.Salvas as que foi possivel salvar, não se julga ainda livre das obrigações a que a honra e o brio o vincularam: desce á camara para salvar os papeis do navio, a biographia, os segredos, o testamento daquelle morto.Á um ultimo olhar despede-se delle: nada mais tem a fazer. Agora sim, lembra-se de que tem uma vida a guarda, que não é sómente sua, pois da familia o é e tambem da Patria.Vai a sahir. approxima-se de uma das portas do seu encouraçado, fita em frente, dá o primeiro passo.Era tarde. o Rio de Janeiro, ferido mortalmente e cansado de esperar por elle, ou suppondo-o já salvo, exhalára o suspiro derradeiro, e, virando do lado em que o heróe se achava prestes a sahir, submerge-o comsigo.Foi acaso o abraço do afogado arrastando um companheiro á morte - juntos?Quiz servir de tumulo a formosa nave ao seu commandante?Ou este foi que no momento da despedida sentio os encantamentos da morte e deixou-se atirar aos braços das mysteriosas ondinas, sabendo e bem sabendo que era uma morte gloriosa que legava á Patria?Mysterios, mysterios que só Deus terá conhecido.Mas não desceu só ás habitações da morte o bravo marinheiro.Como uma guarda de honra, ultima homenagem prestada, escoltaram-no o 2 tenente Coelho e 62 praças da guarnição.Foram-se; e, volvidos poucos instantes, as aguas como uma cortina de theatro correram sobre aquelle drama e sobre aquelles incommensuraveis actores.Correram e desde então começaram a entoar a triste monodia sobre a memoria delles.Dormi, dormi, vós todos. Como o rei Harpalgar das lendas allemãs de Heine sonhaes talvez a vida e relembraes as façanhas, nos braços das ondinas, aos canticos que ellas desatam dos labios.Sonhae, sonhae, que bem haveis merecido da Patria.Dia e noite a agua corre sobre a vossa sepultura e só aos astros foi dado escrever com luzes sobre a superficie os vossos epitaphios.Dormi, dormi, dormi!Um de profundis unisono, grave e mysterioso, modulam as aguas, as arvores e os genios errantes dessas ribas; e á beira Deus faz nascer as flôres de mil cambiantes e a saudade as esfolha pela manhã e pela tarde sobre a vossa sepultura.Sonhae, sonhae, oh! tristes argonautas desse dia nefasto, oh! semideuses dessa hora de heroismos!XIIIDeixámos o general Porto-Alegre desembarcando o exercito e dando as primeiras ordens.Estava elle tres quartos de legua abaixo de Curusú, ponto objectivo.Em menos de duas horas estavam em terra esses oito mil e tantos homens.Determinada a ordem de marcha, fez Porto-Alegre seguir na frente a 2ª brigada, levando o 11º batalhão de linha na vanguarda.Esse batalhão levou ordem de occupar o extremo da picada que desembocava em frente ao forte e aonde se construio depois uma trincheira.O commandante do 11º batalhão de linha, destacado assim, e o resto da brigada, logo que avistaram a bandeira do inimigo, trocaram os primeiros tiros; mas os paraguayos despejaram incontinenti tiros de metralha, e as primeiras victimas regaram com o sangue o solo do adversario.A posição era pessima: a brigada achava-se estendida pela estreita picada e por essa enfiava o inimigo seus tiros.Era um combate sem nome na historia e sem precedentes.Não contentes ainda os paraguayos, lançaram fogo ás mattas, e os brasileiros tinham ao mesmo tempo de vencer o inimigo, dominar as balas e varar por um corredor de fogo e de fumo, percorrido sem cessar pela bala e pela metralha!Nunca mostrára a morte tanta imaginação na decoração dos seus scenarios.Aquelles que a metralha não lançava por terra ou atirava aos ares, asphyxiava-os o fumo nos densos novellos. Á quem o fumo não vencia, as labaredas apagavam o lume dos olhos e deixavam ás tontas nesse inferno de carnificina!Era para endoidecer ou para desanimar!Mas esse exercito, contra o qual lançavam obstaculos nunca imaginados, era o exercito commandado por Porto-Alegre, e ao lado delle extremeciam de valor Alexandre Manoel Albino de Carvalho, Manoel Lucas de Lima, o tenente-coronel José Antonio da Camara, que devia acabar essa guerra, Astrogildo Pereira de Castro, o major Manoel de Almeida Gama Lobo dEça, o coronel Antonio Peixoto de Azevedo e outros muitos bravos de valor igual.De facto, recebendo como fica dito os invasores, os paraguayos preparavam-lhes apenas os elementos de uma victoria formidavel, pois que tremenda era a posição.Iam sahir victoriosos desse combate de Salamandras!Os batalhões 11º de linha e 8º de voluntarios sahiram da picada e estabeleceram-se para a direita em uma garganta que depois vio-se dava em um campo.Ahi, logo que chegado foi o batalhão provisorio de engenheiros, tratou o major Rufino Enéas Gustavo Galvão de levantar com o capitão Frota uma trincheira que cortando a picada impedia que o inimigo os sorprenhendesse.As labaredas, o fumo, as balas, a orchestra da chamma nas folhas e na madeira, estes gritos e ululos das matas, mil vozes mysteriosas sahidas, arrancadas do seio dellas, as féras, os reptis que talvez esbarraram com os homens e emudeceram com a morte.. nada poude deter a loucura dos brasileirosA cavallaria rompeu por essa garganta do inferno: eram dezenas de pontes de Arcole presas umas ás outras, era um Bonaparte cada um daquelles obscuros soldados que levavam, atravez das chammas, das balas, da metralhadora e do fumo, e o estandarte das duas côres e ae honra desta terra.Ás 4  horas da tarde, quando o general dirigio-se ao logar em que o batalhão provisorio de engenheiros havia levantado uma trincheira, deu ordem de construir um espaldão para assestar nelle a artilheria.Escolhido o ponto para a referida construcção e sendo elle muito além dos piquetes avançados, foi concedido ao major Galvão um batalhão de infantaria para proteger os trabalhos de engenharia.Antes das dez horas da noite estavam elles começados.Ás quatro horas da madrugada estava prompto o espaldão.Quando a noite desceu, o exercito tomára posição debaixo das baterias inimigas.Vencidos todos os tremendos obstaculos do dia, os soldados sob a sombre sinistra do reducto esperavam o amanhecer.Que vigilia essa! Em pé junto das peças e de morrões accesos, tal foi o somno que lhes foi dado a dormir.Deos accendeu uma por uma todas as suas estrellas no ambiente azul do firmamento.Quarenta teriam no dia seguinte de fazerem por sua vez?A lugubre fortaleza que pensamentos influio em cada um daquelles bravos que alli quedavam firmes sem a certeza do dia que ia surgir!Aos fogos dos morrões, á luz das estrellas no firmamento, aos gemidos e lamentos dos feridos, na ausencia de todos os entes caros, eras tu, Patria, que enchias todos aquelles corações, eras tu, que elles viam além daquellas muralhas, daquelles horizontes, além dos perigos e da morte.............................................................Não és pois um vão nome, uma mentira, oh! mãi sublime!
  • GUERRA DO PARAGUAI - IMPÉRIO DO BRASIL. PEDRO AMÉRICO  (1843-1905)  O ATAQUE DA ILHA DA REDEMPÇÃO. MUITO RARA LITHOGRAFIA BASEADA EM ÓLEO DE PEDRO AMÉRICO.  MOSTRA O FORTE DE ITAPIRI O COMBATE TRAVADO JUNDO AS TRINCHEIRAS ENTRE O EXÉRCITO PARAGAUIO E O 7. BATALHÃO DE VOLUNTÁRIOS DA PÉTRIA. AS CANHONEIRAS GREENHALG E HENRIQUE MARTINS, AS TRINCHEIRAS, MUITAS BALSAS DESEMBARCANDO NA MARGEM, A BATERIA LEVANTADA NA ILHA PELA COMISSÃO DE ENGENHEIROS SOB A DIREÇÃO DO TENENTE CORONEL DR. JOSÉ CARLOS DE CARVALHO.  LITÓGRAFO J. VITORINO / ANTONIO DE PINHO, 59 X 43 CM (SEM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA. COM A MOLDURA TEM 78 X 63 CM. ESTA LITHOGRAFIA FAZ  PARTE  DA COLEÇÃO 'QUADROS HISTORICOS DA GUERRA DO PARAGUAY' SENDO A TERCEIRA  A SER PRODUZIDA PARA A SÉRIE DE NOVE  NO  INICIO DA DÉCADA DE 1870:, O ATAQUE DA ILHA DA REDEMPÇÃO  BASEADA EM ESBOÇO DE PEDRO AMÉRICO,  COMBATE DA ILHA DA REDENÇÃO (TAMBÉM CHAMADA DE BANCO DE ITAPIRU, BANCO PURUTUÉ, ILHA CARAYÁ, ILHA DE CARVALHO, ILHA DO CABRITA OU ILHA DA VITÓRIA) TEVE LUGAR NO DIA 10 DE ABRIL DE 1866, DURANTE A GUERRA DO PARAGUAI. QUASE NO MEIO DO RIO PARANÁ, FRONTEIRA AO FORTE DE ITAPIRU, EXISTIA UMA ILHA  NA VERDADE UM BANCO DE AREIA  COBERTA POR VASTO CAPINZAL, QUE MAIS TARDE SERIA DENOMINADA ILHA DA REDENÇÃO, ILHA DE CARVALHO OU ILHA DO CABRITA. O EXÉRCITO BRASILEIRO DECIDIU OCUPAR A ILHA, IMPORTANTE PELA SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO AO REFERIDO FORTE E AO ACAMPAMENTO INIMIGO, PARA SERVIR DE PONTO DE APOIO CONTRA OS PARAGUAIOS. NO DIA 05 DE ABRIL DE 1866, O TENENTE-CORONEL DE ENGENHEIROS JOSÉ CARLOS DE CARVALHO RECEBEU ORDENS DE EMBARCAR UMA BATERIA LA HITTE DE 12 E OUTRA DE 4 MORTEIROS DE 10 POLEGADAS, ALÉM DO MATERIAL CORRESPONDENTE PARA COBRI-LAS. A GUARNIÇÃO DA ILHA, COMPOSTA DAS REFERIDAS BATERIAS, DE 100 PRAÇAS DO BATALHÃO DE ENGENHEIROS, E DOS BATALHÕES DE INFANTARIA 7º DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA E 14º DE LINHA, ERA COMANDADA PELO TENENTE-CORONEL JOÃO CARLOS VILLAGRAN CABRITA. AS 4 HORAS DA MADRUGADA DE 10 DE ABRIL DE 1866, UMA FORÇA PARAGUAIA DESEMBARCOU NA ILHA TENTANDO DESALOJAR AS TROPAS BRASILEIRAS DE SUA POSIÇÃO. FORAM ENTRETANTO RECHAÇADOS COM GRANDES PERDAS E RETIRARAM-SE SOB O FOGO DA ESQUADRA BRASILEIRA, QUE, POR SUA VEZ, SE VIU FORÇADA A RETIRAR DIANTE DO FOGO DO FORTE DE ITAPIRU. O CORONEL VILLAGRAN CABRITA FOI MORTO POR UMA BOMBA DISPARADA DO FORTE DE ITAPIRU QUANDO, A BORDO DE UMA CHATA QUE CONTINHA MUNIÇÕES PARA A GUARNIÇÃO DA ILHA, DITAVA A PARTE DA VITÓRIA. SEU NOME FOI DADO À ILHANOTA: ASSIM DESCREVEU O  CORONEL PINHEIRO GUIMARÃES ( FRANCISCO PINHEIRO GUIMARÃES  1832  1877 ERA EM 1864, 2º CIRURGIÃO-MÉDICO DA ARMADA IMPERIAL, NO ENTANTO, DURANTE A GUERRA DO PARAGUAI, FOI COMISSIONADO AO POSTO DE CORONEL, COM A INCUMBÊNCIA DE ORGANIZAR O 4º BATALHÃO DO CORPO DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA QUE SAIU DO RIO DE JANEIRO. CONHECIDO NAS RODAS LITERÁRIAS COMO CHICO GUIMARÃES FOI TAMBÉM JORNALISTA, POETA E DRAMATURGO. ERA AMIGO DE JUVENTUDE DE MACHADO DE ASSIS)  SOBRE OS EVENTOS HAVIDOS NO ATAQUE DA ILHA DA REDEMPÇÃO  PELAS TROPAS ALIADAS CAPITANEADAS PELO EXÉRCITO IMPERIAL BRASILEIRO NO TEXTO QUE ACOMPANHAVA A EXPLICAÇÃO DESTA LITHOGRAFIA: Corria o mez de Abril de 1866.Havia pouco mais de um anno que o Chefe supremo do Paraguay, fazendo-se mantenedor do equilibrio sul-americano, que só elle aliás pretendia romper, arrojará sobre os povos vizinhos desarmados e desprevenidos suas hostes semi-barbaras e fanatisadas.Ao noirte, na provincia de Matto-Grosso, provincia remota, despovoada e limitrophe do Paraguay, o pavilhão tricolor do povo guarany maculava ainda com a sua sombra sangrenta o solo sagrado do Brazil; mas ao sul, revezes sobre revezes tinhão succedido aos seus primeiros triumhpos, filhos da sorpreza e da felonia.O exercito alliado, composto em grande parte de homens que na vespera havião abandonado a enxada ou a lima, a penna ou o pincel, as lides do commercio ou os trabalhos do gabinete, e que, reunidos ás pressas em batalhões, sem disciplina nem instrução, marcharão sobre o inimigo de que estavão separados por centenares de leguas, havia esmagado 3,000 Paraguayos em Jatahy, aprisionado 5,000 em Uruguayana e enxotado da Confederação argentina as numerosas phalanges de Resquin, emquanto a esquadra brazileira escrevia nos fastos heroicos da humanidade essa pagina esplendente, que se chama a batalha naval de Riachuelo.Deixando mais tarde os acampamentos da Lagôa brava e da Tala-Corá, onde demasiadamente se demorará, viera elle afinal fincar as suas tendas na margem esquerda do rio Paraná, em frente ao Passo da Patria, quartel-general de Lopes, e ao alcance de artilharia do Itapirú, fortim erguido na ribanceira opposta pelo pai do dictador.Sahindo apressadamente do territorio argentino, o exercito paraguayo abandonára a offensiva audaciosa com que começára a luta, e que lhe dera tão amargos fructos, para collocar-se francamente na defensiva.Desde então começarão as retiradas; retiradas seguidas de longas paradas em pontos protegidos por obstaculos naturaes, fortificados pela arte, e entremeiadas de ataques bruscos, de sortidas e sorprezas mais ou menos felizes, porém, sempre vigorosa e valentemente executadas. Terrivel systema, capaz de eternisar a guerra por maiores que sejão os recursos, o valor-e a superuoridade numerica dos adversarios, quando fôr energicamente dirigido e posto em pratica com abnegação e coragem. E Lopes deu provas de uma energia inquebrantavel; seu exercito tinha o valor e a disciplina que levarão o soldado á morte certa sem cuidados, sem murmurios, sem hesitação; seu povo possuia bastante abnegação para, em obediencia a uma simples ordem, abandonar tranquilamente o lar, destruir as searas affrontar a fome e fugir do contacto de um inimigo que lhe offerecia liberdade e protecção, deixando-lhe sómente campos talados, arvores cuidadosamente despidas de fructos, e a agua de seus brejos, onde saciando-se a sede muitas vezes se bebia a morte.Além disso, o paiz, cortado de rios, coberto de pantanos e de tremedaes sem fundo, sobretudo na região por onde podia ser mais facilmente atacado, erriçado de mattas tropicaes, quasi sem estradas e de seculos vedado ao estrangeiro, estava talhado para taes operações.Lopes comprehendeu tudo isto; tarde para triumphar, se triumphar podia, mas ainda em tempo de paralysar durante annos os esforços de tres povos contra elle colligados.Tendo o exercito de Resquin transposto o Paraná, o dictador reunio-o ás suas outras forças, e postou-o na margem direita desse rio collosal, interpondo assim um fosso enorme entre os seus canhões e as bayonetas da alliança.Fôra executada a primeira retirada ia ter lugar a primeira parada.Primeira retirada, primeira parada, que devião ser seguidas de outras muitas, durante quatro annos, através de todo o territorio paraguayo, desde o Passo da Patria até ao Aquidaban, e que constituem outras tantas peripecias da epopéa da defesa, epopéa brilhante, se o seu principal protogonista não alliasse a uma indomavel tenacidade a fereza do tigre; se os outros personagens, grandes ou pequenos, não deixasem transparaecer, mesmo nos seus feitos mais notaveis, antes a obediencia passiva do escravo que morre porque o senhor lho ordena, do que o enthusiasmo viril do cidadão que por impulso proprio á patria se sacrifica.Fazendo alto na margem direita do Paraná, o execrito paraguayo esperava o inimigo protegido por um tremendo obstaculo que os alliados devião transpor, se as nações que representavão não se contentassem, como não se contentavão, em repellir a invasão que tão brutalmente lhes fôra levada.A expulsão de Lopes das livres terras da America era para ellas não só questão de ponto de honra, mas garantia de um futuro tranquilo e desassombrado. Derrocar de uma vez o fatal sisteema implantado por Francia no Paraguay, e que fazia do povo dessa republica um grande exercito, feroz e disciplinado até o automatismo, afiada espada sempre apontada aos peitos dos vizinhos, tornára-se para ellas uma necessidade indeclinavel, se querião afazer os braços de seus filhos antes ao serviço do arado ou aos trabalhos da industria, do que ao manejo da lança e aos exercicios da artilharia, se ambicionavão vel-os a labutar nas officinas e herdades, e não agglomerados nas fronteiras, de espingarda ao hombro e de patrona á cinta.Atravessar, porém, um grande rio, guardado por um exercito numeroso e valente, tendo-se de penetrar em regiões desconhecidas e mysteriosas, é sempre uma operação arriscadissima. Era, entretanto, preciso executal-a, e quanto antes.O tempo necessario para preparal-a já parecia por demais longo ás nações alliadas, que, ardendo na febre da vingança, pedião em altos brados prompta e completa desforra dos insultos recebidos.Havião entregue aos seus generaes o mais puro de seu sangue, posto á sua disposição todos os seus thesouros; nem hesitavão em comrpometter o futuro, nem as assombrava a miseria e o luto. - Vingai-nos, dizião; e vingai-nos já.Mas a responsabilidade dos generaes era immensa; as febres populares dissipão-se; a reflexão vem depressa quando a despertão o pranto das mãis, os gemidos dos orphãos e a aspera voz do fisco a reclamar a maior parte do producto de afanoso labor.Era preciso atravessar o Paraná; perseguir a fera no seu antro: mas os que estavão á testa do exercito devião assegurar, tanto quanto possivel, um exito feliz a essa perigosa operação, para que mais tarde não se lhes pedisse severa conta do sangue inutilmente derramado, dos recursos esbanjados por falta de tino e de prudencia.Entretanto, a impaciencia que lavrava no animo dos povos alliados trabalhava tambem o espirito de seus exercitos: cumpria fazer-se alguma cousa; tiral-os dainacção em que havião cahido; do contrario se crearia talvez o desanimo, ou pelo menos se adormeceria o nobre afan, a sêde de combates de que estavão animados.Foi, cremos, principalmente sob a pressão dessas considerações que o general em chefe dos exercitos alliados accedeu ao plano apresentado em conselho pelo então major Dr. José Carlos de Carvalho, chefe da Commissão de Engenheiros do exercito brazileiro. Esse distincto official, que mais tarde veio a succumbir no serviço do paiz, propunha que fosse occupada a ilha, ou antes o banco, que na vasante o Paraná deixa a descoberto em frente ao Itapirú.Essa idéa fôra muito impugnada. Fizera-se notar que a occupação da ilha não traria vantagens e sujeitaria as forças que nella terião de permanecer ao fogo do inimigo e a penosos sacrificios. De posse della sem duvida de mais perto se poderia bombardear o Itapirú; porém este fortim mais facilmente seria destruido pelos pesados canhões dos encouraçados do que pela pequena artilharia do exercito. Occupada a ilha facilitava-se a passagem do Paraná? Directamente, de certo que não. Indirectamente, talvez que sim; servindo essa occupação para illudir os Paraguayos em frente á ilha, no ponto mais guardado da margem paraguaya, e sob o fogo dos canhões das suas fortificações.Quer porém interviessem decisivamente, como cremos, as considerações de ordem moral acima apontadas, quer não, o que é facto é que o plano de occupar-se a ilha foi abraçado pelo general em chefe.Na noite do dia 5 de Abril algumas canôas guarnecidas por praças do exercito, e conduzindo a parte do 3º batalhão de infantaria brazileira, acompanhávão um vaporzinho qem que ião o chefe e outros membros da commissão de engenheiros, dirigindo-se da margem correntina para a ilha, onde sem novidade chegárão.Chefe e membros da commissão de engenheiros, officiaes e praças do 3º de infantaria em pouco tempo a percorrêrão.Estava desertam e seu solo completamente arenoso prestava-se a  que em poucas horas nella se erguessem fortificações passageiras.Feito o reconhecimento, regressou a expedição.No dia seguinte (6 de Abril) reinava notavel animação nos arraiaes do exercito brazileiro. Sabia-se já que se ia occupar a ilha naquelle mesmo dia, e esse acto de franca offensiva exaltava os espiritos.Na beira do rio batião-se os ultimos pregos das jangadas que devião servir ao transporte, nos acampamentos dos corpos dava-se a ultima de mão aos cestões e salsichões, que se estavão preparando havia dias; na quartel-mestrança recebião-se milhares de saccos entregues pelos fornecedores, e na commissão de engenheiros reunião-se pás, enxadas e picaretas.A tarde estava tudo prompto, e em jangadas, canôas e pequenos vapores forão embarcados cestões, saccos, salsichões, utensilios de sapa, munições de boca e de fogo, 4 canhões e outros tantos morteiros; os primeiros, pertencentes á primeira bateria do 1º batalhão de artilharia a pé, sob o commando do capitão Francisco Antonio de Moura, os segundos, constituindo uma bateria especial, sob o commando do capitão Antonio Tiburcio Ferreira de Souza.Depois chegou a vez de embarcarem-se o 14º de infantaria, formado em grande parte por guardas nacionaes do municipio neutro e commandado pelo major Joze Martini/ o 7º de voluntarios, organisado em S. Paulo e tenente-coronel Francisco Joaquim Pinto Pacca; um contigente do batalhão de engenheiros, sob o commando do capitão Brazilio de Amorim Bezerra.O embarque de todo esse pessoal, novecentos homens, e sobretudo de tão pesado material, consummio toda a tarde e os primeiros momentos da noite.Concluio elle, jangadas e canôas, a reboque dos pequenos vapores, puzerão-se a caminho para a ilha, e a ella aportárão já a hora avançada, sem terem sido incommodados pelo inimigo, a quem de certo não havião escapado os preparativos da expedição, mas que ignorava o seu destino.A ilha, como já dissemos, é um simples banco de arêa, completamente submergido nas grandes cheias do Paraná. Tem uma fórma um tanto oval e o seu maior diametro fica paralello ás margens do rio.Esta muito mais proxima do territorio paraguayo, a que pertence, de que do correntino: mas é ainda separada daquelle por um canal assás largo e, como depois se soube, bastante profundo.Quando nella desembarcou a expedição estava em grande parte coberta de alta e espessa macega. Dominava-a o fortim de Itapirí, a alcance de um tiro de carabina.A bateria desse fortim, e as que os Paraguayos collocassem na margem do rio, poderião facilmente varrel-a.A posição seria, pois, insustentavel, se os occupantes não tratassem logo, na mesma noite de seu desembarque, de levantar seguras trincheiras, que os abrigassem na manhã seguinte das balas, que, era de esperar, choverião sobre eles.Foi esse o primeiro cuidado do tenente-coronel João Carlos de Willagran Cabrita, commandante da força expedicionaria.Com uma actividade digna dos maiores ecomios traçou logo a linha das trincheiras e distribuio o trabalho entre os seus subordinados, que com ardor puzerão mãos á obra.Os cestões e os salsichões estavão preparados; não faltava arêa para encher os saccos; sobravão enxadas e pás para cavar um terreno pouco consistente; os braços erão robustos e diligentes. Estes preparão o fosso, aquelles enchem os saccos outros empilhão e collocão cestões e salsichões. Durante toda a noite esses novecentos homens trabalhárão sem cessar; mas quando o dia surgio uma forte linha de trincheiras, guarnecida por oito bocas de fogo, os protegia da artilharia inimiga, estavão desde então solidamente estabelecidos em um pedaço do solo paraguayo.As trincheiras erão duas, mas formavão uma unica linha defensiva, desenvolvida pouco mais ou menos no sentido longitudinal da ilha. A da direita era um pouco obliqua á direcção das margens do rio. Mais approximada na sua extrema direita da margem correntina do que da paraguaya, formava depois na esquerda um angulo obtuso, cujo vertice era dirigido para o Itapirú. A parte dessa trincheira que, vindo da direita, precedia o angulo, abrigava o 7º de voluntarios e o 14º de infantaria; a parte que succedia ao angulo estava guarnecida por dous canhões. No prolongamento dessa parte artilhada, em uma direcção parallela ás margens do rio, erguia-se a trincheira da esquerda, mais cuidadosamente feita do que a da direita, e guarnecida por dous canhões e quatro morteiros. A trincheira da direita não chegava ao rio; havia ahi um pequeno espaço limpo de fortificação por onde se podia passar com facilidade. Entre a trinchieira da direita e a da esquerda ficava também uma abertura, no centro da qual foi plantado o mastro da bandeira; entre a trincheira da esquerda e o rio permanecia um extenso tracto de terreno sem nenhuma obra de arte, offerecendo portanto a maxima facilidade a quem quizesse contornar a fortificação e entrar nella por um flanco.Desta tão succinta descripção vê-se que, se essas trincheiras abrigavão a guarnição dos canhões inimigos, mal a resguardarião se ella fosse assaltada.Mas não se temia um assalto: de dia seria elle impossivel; á noite deveria ser considerado altamente temerario; pois quando mesmo os assaltantes conseguissem tomar a ilha, serião despedaçados pela metralha dos grossos canhões da esquadra.Começava-se a guerra; não se sabia até que ponto de audacia, mesmo de loucura, chegarião as aggressões paraguayas e podia-se pensar assim. Mais tarde, Cabrita não confiaria nesse raciocinio: a esquadra guardaria a retaguarda da fortificação, e esta formaria um recinto fechado.No dia 7 pela manhã virão os Paraguayos, naturalmente com o pasmo, o pavilhão brazileiro hasteado na ilha.O Itapirú abrio logo fogo; a resposta não se fez esperar.Começou um combate de canhão e de que um ou outro tiro de carabina. Nessa luta realmente improficua de lado a lado, ora vigorosa, ora fracamente sustentada, escoárão-se os dias 7, 8 e 9, e assim se escoarião provavelmente todos os que lhes succedessem, se Lópes não fosse o director supremo do exercito paraguayo.Era Lopez um general excepcionalissimo. Fugindo pessoalmente do perigo, cauteloso da propria individualiudade até o ridiculo, só lhe aprazião, entretanto, as operações arriscadas.Não o intimava o plano mais audaz, comtanto que outros que não elle o executassem. Cheio de estulta vaidade, desprezava os mais positivos principios da arte militar. Se uma operação tinha dez probabilidades a favor e noventa contra por isso mesmo a preferia; e dotado de um profundo desprezo pela vida dos homens que derramavão seu sangue para satisfazer-lhe a ambição, empenhava-os em tentativas arriscadissimas, mandando-os á morte com implacavel serenidade.O coronel Dias, seu favorito então, lhe suscitou a idéa de expellir da ilha os Brazileiros, tomando-lhes os primeiros canhões que nessa guerra havião rolado sobre o solo paraguayo.Se tivessem bom exito, esse golpe desmoralisaria o exervito alliado, se corresse mal, perder-se-hião algumas centenas de vidas, cousa para Lopes de minima importancia.A idéa era atrevida, por isso mesmo agradou; e entre o dictador, Mme. Linch e o coronel Dias foi logo concertado o plano da operação.Mil e duzentos homens, escolhidos entre as melhores praças do exercito paraguayo, serião divididos em tres columnas de 400 homens cada uma.O commando da primeira caberia ao major Romero, homem astuto e refalsado.Essa columna embarcar-se-hia em canôas um pouco acima da ilha, e, deixando-se levar pela correnteza, a favor das sombras da noute a deveria alcançar, desembarcar sem ser presentida, atacar a trinhceira, tomal-a de sorpreza, aproveitando-se da estupefacção de seus defensores.As outras duas partirião uma após outra do ponto mais vizinho da ilha, e ganhal-a-hião a força de remos, logo que a primeira tivesse desembarcado: constituião as reservas, e devião decidir da victoria, caso esta fosse disputada.Na noite do dia 8 estava tudo preparado para a realização desse plano.Grande numero de canoas cercadas de agua-pés amarrados ás bordas, para occultar-lhes as fórmas sob uma capa de verdura, esperavão os soldados que devião transportar. Estes estavão reunidos na margem, armados e municiados.Ia dar-se a ordem de embarcar, quando ouvio-se tropel de cavallos.Pouco depois estacou em frente da tropa uma amazona montada em soberbo ginete, tendo a seu lado um menino e atrás um numeroso estado maior.Se a noite não fosse tão escura, ver-se-hia que essa amazona era uma mulher de trinta annos, d e porte elevado e de fórmas amplas e acentuadas. Bastos cabellos castanhos, quasi louros, emoldurávão-lhe a testa elevada e lisa. Suas feições regulares podião passar por bellas, se já não estivessem como que empastadas por uma camada demasiadamente abundante de tecido adiposo, que alterava a pureza das linhas. Seus olhos azues, com reflexos amarellados quando a ira os accendia, tinhão o brilho incommodo e frio do aço polido, se ella intencionalmente os não ameigava. Era de certo pujante a natureza daquella mulher. Brunehaut e Fredegonda forão sem duvida assim. Naquella fronte que sabia vergar-se com a mais perfeita humildade, erguer-se com soberba imperial, e illuminar-se de uma aureola seraphica, conforme as necessidades de momento, assentava bem a corôa que cingirão aquellas duas rainhas francas. Como ellas ambiciosa, hypocrita, intelligente, perversa e lasciva, era capaz de passar ainda palpitante de volupia da mysteriosa recamara votada a Venus ao severo gabinete do conselho, onde, inspirada pela sêde do poder, ninguem se mostrava mais calmo, mais friamente calculista, mais habil em forjar intrigas, em formular planos, em preparar vingança.Essa amazona era Mme. Linch, a amazia de Lopes, o máo genio do Paraguay, apanhada pelo dictador nos prostibulos de Pariz, para vir com seus pés, que parecião destinados somente a levantar o pó das bodegas da grande capital, pisar sobre a cabeça de um povo americano, cujas donzellas prostituio, cujas matronas chicoteou, cujos homens fez matar ou envileceu sem dó nem compaixão: sonhará com um imperio para si e para seu amante, e queria alcançar o throno mesmo passando por cima de montões de cadaveres!Mme. Linch vinha animar os soldados e representar uma scena de comedia. A esses pobres guaranys, que ella tratára sempre com o maximo desdem, começou a distribuir charutos e sorrisos. Diz-lhes que se vão cobrir de gloria expellindo do seio da patria os Brazileiros, que os querem levar captivos as longinquas terras, roubando-lhes os filhos e as mulheres. Promette-lhes grandes premios, assegurando-lhes ao mesmo tempo ser de facilima execução a empreza que vão tentar: tudo está previsto e preparado para dar-lhes esplendida e pouco custosa victoria. Arrouba se, excita-os, e termina declarando que traz-lhes seu mais estremecido filho, menino de 10 annos, para acompanhal-os em tão gloriosa expedição. Os pobres soldados chorão enternecidos, vendo essa mãi, essa estrangeira, mandar com elles ao combate seu filho mais querido, e jurão morrer ou voltar riumphantes. Quanto ao menino, esse não partirá; não o querem os soldados, nem Romero consente. O menino chora, quer combater pela causa da patria: Mme Linch apoia-o, insiste, irrita-se; mas Romero não cede, e, como estava combinado, vence afinal.Toda essa scena fôra magistralmente representada. Os soldados ficarão convencidos que se devem deixar matar, não só por obediencia, mas também por amor dessa heroica mulher e desse filhote de tigre, que chora porque não o querem deixar confundir com o delles o seu precioso sangue.São tres horas da manhã: é preciso partir.Enchem-se as canôas e arrancão da margem. Com algumas remadas alcanção o fio da corrente. Recolhem-se os remos, e ahi vão ellas na escuridão da noite caminhando unicamente impellidas pela correnteza. Só o piloto tem a cabeça fóra da borda; os outros agachão-se no fundo.A esse tempo, na margem correntina, dorme o exercito alliado a somno solto: unicamente as sentinellas e rondas estão alerta, como de tempos a tempos o annuncião as pancadas seccas da bandoleira sobre a espingarda e o tropear abafado e lento de dous ou tres cavallos, que se parão aqui ou alli ao grito de-quem vem lá?Na esquadra, cujos vasos estão todos distantes da ilha, reina profundo socego.Na mesma ilha tudo revela a maior tranquilidade. Na vespera o Itapirú, em vez de cessar o seu fogo, como de costume, ao pôr do sol, o prolongará até as nove horas. Mas depois callára-se. Quasi toda a guarnição da ilha dorme por detrás das trincheiras.Este sonha com a mãi a abraçal-o lavada em lagrimas de alegria no dia do regresso; aquelle com a noiva, que lá ficou na patria, a offerecer ao seu primeiro beijo a fronte coberta de pudico rubor. Quantos sonhos fagueiros não acodem nestas noties mal dormidas, em frente do inimigo, sob a abobada celeste, o corpo estendido sobre o chão molhado pelo rocio, a cabeça apoiada na moxilla!Dormem e sonhão os defensores da ilha, e aquella massa negra que boia sobre o rio, approximando-se delles cada vez mais, traz-lhes talvez a morte. E ninguem a pressente, a traiçoeira!Entretanto, fóra da trincheira, uma linha de vedetas borda a ilha em frente á margem paraguaya. Vigião ellas? Sondão, como era de seu dever, com o olhar attento e perspicaz a superficie das aguas, já cobertas de alguns tenues vapores, que pesadamente se vão leevantando com a approximação da madrugada? É licita a duvida. A noite está a findar; o frio da manhã começa a fazer-se sentir; murmura monotonamente o rio, lambendo as margens da ilha: tudo está tão tranquillo!O que é verdade é, que a massa negra se avizinhava sempre, e ninguem ainda soltou o grito de alarma.Se alguem a viô, tomon-a de certo por uma dessas ilhotas trançadas de verdura, que o rio quando engrossa arranca ás suas margens.Por entre as sombras da noite que ainda envolvem em seu crepe negro aguas, florestas e terras, com effeito difficilmente se poderião distinguir as canôas paraguayas, artificiosamente cercadas de verdura e agrupadas, destas ilhotas que ás dezenas, durante os dias e as noite anteriores, havião passado por junto do banco.Nenhuma remada as denuncia; nenhuma voz as atraiçoa; vêm vagarosa, mas incessantemente chegando-se. Já distão poucas braças da ilha. -Sentinella, álerta! É tempo ainda; dispara a tua espingarda; acorda teus camaradas, que descansão confiados na tua vigiliancia. -Mas, as sentinellas dormem, ou estão illudidas, e a massa negra das canôas paraguayas se encostou à ilha.Como se fosse uma jaula repentinamente aberta, com pulos de panthera saltão della para a ilha 400 homens. Algumas vedetas são mortas, antes talvez de terem despertado; outras lutarão a ferro frio: algumas; algumas buscão as trincheiras, e um immenso grito de triumpho Vivão os Paraguayos! seguido de feroz vozeria, atrôa os ares. Mas, uma fita de fogo orlou a crista das trincheiras: a valente guarnição estava a postos, e acolhia o inimigo com uma descarga cerrada. A essa descarga succedeu um fogo por filas admiravelmente sustentado: não se diria que por detrás daquelles parapeitos estavão recrutas, que pela primeira vez entravão em combate e que havião despertado quasi sentido o ferro do inimigo. Tanta segurança, serenidade e precisão revelava aquelle fogo que parecia executado em parada por tropas veteranas e adestradas.Felizmente foi sobre a trincheira da direita, pela frente della, que convergirão os esforços dos Paraguayos; quer porque a macega não lhes tivesse deixado ver quando era facil penetrar pelo centro, pela extrema direita e sobretudo pela extrema esquerda, contornando a fortificação; quer porque não se pudessem guiar bem na escuridão da noite. Comprehendendo os lados fracos de sua posição, Cabrita, sempre sereno, apenas foi sentido o inimigo, mandou o valente capitão Tiburcio defender o espaço aberto da extrema esquerda, confiou o centro ao intrepido tenente Eudoro Emiliano de Carvalho e dirigio-se para a direita, onde batião-se encarniçadamente o 7º de voluntários e o 14º de infantaria, dirigidos por seus distinctos chefes.Repellidos das trincheiras os mais audazes Paraguayos, que no primeiro impeto a ião galgando, debalde insistem os outros, pretendendo romper por aquella chuva de balas que os dezima.Foi reforçada a primeira com a segunda columna: sobra-lhes valor e disciplina; mas os grupos que formão cambaleão sob a fuzilaria e alguns tiros de metralha, que sobre elles fez disparar o bravo capitão Moura.Não tardão a rarear-se: cahem os homens como espigas ceifadas por destros lavradores.Porém não fogem, os bravos; deitão-se na macega e mesmo deitados fazem fogo sobre as trincheiras: não mais esperando tomal-as, querem ao menos vender caro as vidas.Aos primeiros tiros disparados na ilha acordarão os exercitos alliados: erão gritos de sinistra alegria, como devem soltar cannibaes prestes a devorar em horrido festim as carnes ainda quentes do inimigo vencido. Os batalhões formárão-se immediatamente, sem saberem no primeiro momento onde era o combate; mas a direcção de onde vinhão os tiros e a vozeria demonstrou logo que a luta se travára na ilha.Pouco a pouco a margem esquerda do rio ficou coberta de espectadores. O mesmo certamente aconteceu na direita; e assim quatro exercitos, debruçados sobre o largo Paraná, assistião, testemunhas offegantes, a esse ingente duello, que tinha por theatro um banco de arêa, ergui lo alguns palmos sobre o nivel das aguas. Solemne partida, jogada de um lado pela civilisação e a liberdade, servidas pela dedicação; do outro pela tyrannia e a ignorancia, apoiadas na mais completa obediencia de que o mundo tem memoria!Dentre os alliados, como de razão, os mais anciosos erão os Brazileiros; pois Brazileiros erão os que naquelle momento batião-se pela honra da alliança.Um batalhão de infantaria dormia todas as noites na margem do Paraná para ser transportado á ilha, caso a guarnição desta carecesse de socorro; nessa noite coubera ao 12 esse serviço.Osorio, cuja impaciencia era extrema, quiz fazel-o partir: era impossivel; suas ordens a esse respeito não havião sido cumpridas; o batalhãi estava prompto, mas seis canôas sem remos não podião transportal-o.Como batião forte todos os corações; como o olhar se aguçava debalde, para descortinar os incidentes da lucta? O que se percebia era, que se valente fôra o ataque, valente também era a defesa. Ardia em fogo a ilha; a fuzilaria incessante illuminava-a de mil relampagos a um tempo. Ouvia-se sempre a grita dos Paraguayos, mas respondião-lhe as nossas cornetas tocando sem cessar a fogo. Ninguém podia prever os resultados do combate, tão bem ferido parecia elle por um e outro lado.Os espectadores quasi não respiravão: a anciedade tinha chegado ao seu auge.De subito um raio de sol rompendo as trevas da noite e as brumas da manhã, que cercavão a ilha, bateu em cheio sobre a parte superior da haste da bandeira; um brado unisono sahio de todos os peitos: lá estava flammejante o pavilhão auri-verde, altivamente desfraldado ás brisas da madrugada!A luz desceu depressa e veio illuminar a ilha. Soou o hymno nacional, e todos virão distinctamente a guarnição saltar por cima das trincheiras e carregar á bayoneta os Paraguayos, que fugião espavoridos. A victoria era certa - Gloria á guarnição da ilha! gloria aos palatinos da patria, da liberdade e da civilisação!Mas o dia 10 de Abril, que surgia cheio de fulgores, devia ainda marcar a data de outros nobres feitos.O Henrique Martins, pequena canhoeira de madeira, fazia parte da vanguarda da esquadra brazileira. Seu commandante, o 1º tenente Jeronymo Francisco Gonçalves, vendo a ilha atacadam mandou tocar a póstos, fez acender as caldeiras e dirigio-se ao commandante da vanguarda para participar-lhe que a ilha fôra assaltada e pedir ordem para soccorrel-a. Sem ouvir as ponderações que lhe erão feitas relativas á necessidade de intervenção superior, tomou a responsabilidade sobre si, e seguido do Greenalgh, commandado pelo tenente Marques Guimarães, a todo vapor caminhou para a ilha, chegando a tempo de metralhar pelo flanco os Paraguayos, já completamente desbaratados.A terceira columna paraguaya, chegada mais tarde do que as outras, ainda não tinha desembarcado toda, ou teve tempo de reembarcar-se em parte, apezar de Cabrita ter mandado, quando a derrota se pronunciou, cortar com machadinhas os cabos que prendião as canôas á ilha.O canal entre a ilha e o Itapirú, por onde se escapavão os Paraguayos fugitivos, era completamente desconhecido e estava defendido por canhões de 68. O commandante do Henrique Martins não hesita; enfia por elle, e lança a sua canhoneira sobre a flotilha de canôas paraguayas. Com a prôa mette umas a pique; com as rodas levanta outras e as emborca, enquanto a marinhagem de revolver e carabina em punho mata-lhes os tripolantes, que procurão fugir a nado.Os canhões paraguayos atirão com verdadeiro frenezi sobre a audaz canhoneira que lhes passa a tiro de pistola. A canhoneira responde-lhes metralhando os que da margem lhe fazem fogo. Percorre lentamente o canal, limpa-o de inimigos, e surge ovante do outro lado da ilha. Estava consummada a victoria. Então o bravo Gonçalves aproou para o navio chefe da esquadra brazileira. Chegando á falla, participou ao almirante Tamandaré, que os Paraguayos havião sido completamente esmagados, e pedio-lhe licença para encalhar, pois a sua canhoneira, tendo sido atravessada de lado a lado por balas de 68, tinha os quarteis de prôa e pôpa inundados, e estava prestes a sossobrar. Felizmente ainda em tempo encalhou: mais alguns minutos de demora e o Henrique Martins se afundaria nas aguas em que se cobrira de gloria!Dos 1,200 homens que atácarão a ilha rarissimos de certo conseguirão voltar ao exército de onde havião partido cheios de confiança. 649 cadáveres de Paraguayos alastravão a ilha. Canoas cheias de mortos forão apanhadas pela esquadra, bem como alguns nadadores feridos ou não, que, vendo-se cortados pelo Henrique Martins, dirigirão-se para os navios brasileiros.Na ilha cahirão prisioneiros 62 paraguayos, dos quaes só 16 não estavão feridos: entre estes figurava o major Romero, commandante da 1ª columna de ataque.Oitocentas espingardas, grande numero de pistolas e sabres de cavallaria pertencentes aos Paraguayos, forão apanhadas no theatro da acção: 39 canoas ficácrão em poder da guarnição da ilha.O enthusiasmo que esse combate despertou não morreu no ambito do acampamento brazileiro: Argentinos e Orientaes, esquecendo velhas e entranhadas rivalidades, corrêrão a felicitar os officiaes e chefes brazileiros, não cessando de elogiar calorosamente o bizarro comportamento da guarnição da ilha.Infelizmente essa aspera lição inflingida a Lopes custou aos Brazileiros alguns sacrificios; poucos, é verdade, em relação á maguitude dos resultados colhidos, mas ainda assim dolorosos.A briosa guarnição da ilha teve 149 homens fóra de combate, 49 mortos e 100 feridos.............................................................Terminado o combate, Cabrita recolheu-se a uma chata que estava à sombra da ilha e que servia de deposito: ia tomar uma refeição e escrever a sua parte.Estavão com elle o alferes Woolf o tenente Carneiro da Cunha e o capitão Sampaio, seu amigo, que de terra o fôra felicitar. Os Paraguayos, enfurecidos pela derrota, bombardeavão a ilha com furia desusada. O rio tinha enchido, a chata se elevara com as aguas e mais exposta ficára. Uma bomba lançada do Itapirú, e dirigida pela mão certeira da fatalidade, arrebenta entre Carneiro da Cunha, Sampaio, Woolf e Cabrita, que como Nelson succumbe gloriosamente, findo o combate, na hora do triumpho, haptizando com o seu sangue o desconhecido banco por seu valor illustrado. Carneiro da Cunha e Woolf são gravemente feridos; Sampaio cahe redondamente morto.Tristissimo epilogo de tão vibrante victoria!______________________________ O combate da ilha do Cabrita, que acabamos de narrar, omittindo muitos feitos do mais subido quilate, não foi sem duvida um desses acontecimentos grandiosos que decidem do exito de uma campanha.Se Lopes não tivesse imprudentemente mandado atacar a ilha, a occupação desta não teria dado em resultado senão incommodos á sua guarnição.Se, aceita a idéa do ataque, fosse este conduzido por outro modo -: pela retaguarda, ou mesmo pelos flancos largamente abertos da fortificação - quem sabe o que terião de soffrer seus defensores? Na peior hypothese os canhões da esquadra brazileira os vingarião, é certo; mas nem por isso deixaria o exercito de ter sido victima de um golpe doloroso.Como as cousas se passárão, o ataque da ilha teve importantissimas consequencias. Perdeu o inimigo mil e tantas praças escolhidas. As circumstancias que acompanhárão o combate, dando-lhe o mais vivo realce, superexcitarão o exercito alliado, e incontestavelmente concorrêrão para apressar a passagem do Paraná, effectuada seus dias depois com o maior denodo, com maxima confiança e com o mais feliz exito. Dr. Pinheiro Guimarães.
  • GUERRA DO PARAGUAI - IMPÉRIO DO BRASIL. VICTOR MEIRELLES (1832-1903) ASSALTO E OCUPAÇÃO DE CURUZÚ. MUITO RARA LITHOGRAFIA BASEADA EM ÓLEO. A ESQUADRA METRALHANDO O INIMIGO QUE FOGE PARA CORUPAITY PERSEGUIDO PELA CAVALARIA RIO GRANDENSE. MOSTRA O BATALHÃO DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA  E O TENENTE CORONEL ASTROGILDO O PRIMEIRO QUE DE LANÇA EM PUNHO CONTORNOU A TRINCHEIRA INIMIGA E NELA PENETROU A CAVALO. FOI NESSA BATALHA QUE PERECEU E FOI IMOTALIZADO POR SUA BRAVURA O MARINHEIRO MARCÍLIO DIAS.  LITÓGRAFO HUASCAR, EDIÇÃO DE FÍGARO, 45 X 60 CM (SEM CONSIDERAR O TAMANHO DA MOLDURA. COM A MOLDURA TEM 78 X 63 CM. ESTA LITHOGRAFIA FAZ PARTE  DA COLEÇÃO 'QUADROS HISTORICOS DA GUERRA DO PARAGUAY' ´PRODUZIDA NO INICIO DA DÉCADA DE 1870 FOI A QUARTA DE UM TOTAL DE NOVE QUE COMPUSERAM A COLEÇÃO.. A BATALHA DE CURUZU FOI UM CONFLITO OCORRIDO ENTRE OS DIAS 1 E 3 DE SETEMBRO DE 1866, NO CONTEXTO DA GUERRA DO PARAGUAI. APÓS A PRIMEIRA BATALHA DE TUIUTI, VENCIDA PELOS ALIADOS EM 24 DE MAIO DE 1866, O COMANDANTE MITRE APROVEITOU AS RESERVAS DE DEZ MIL HOMENS TRAZIDOS POR MANUEL MARQUES DE SOUSA, VISCONDE DE PORTO ALEGRE E DECIDIU ATACAR AS BATERIAS DO FORTE DE CURUZU E DO FORTE DE CURUPAITI, QUE GUARNECIAM A DIREITA DA POSIÇÃO DE HUMAITÁ, ÀS MARGENS DO RIO PARAGUAI. NO DIA 1º DE SETEMBRO, AS 7:30 DA MANHÃ A ESQUADRA BRASILEIRA, COM OS ENCOURAÇADOS BAHIA, BARROSO, LIMA BARROS, RIO DE JANEIRO E TAMANDARÉ NA VANGUARDA, FRENTE AO FORTE DE CURUZU, MAIS A CANHOEIRA MAGÉ, FRENTE À ILHA DO PALMAR, JUNTO COM OS NAVIOS DE MADEIRA GREENHALGH, BEBERIBE, BELMONTE, ARAGUARI, IPIRANGA, PARNAÍBA E IVAÍ. O TIROTEIO ENTRE O FORTE E OS NAVIOS DUROU 4 HORAS. ENQUANTO ISSO OS NAVIOS DE MADEIRA DESEMBARCAVAM 800 SOLDADOS NO CHACO, PARA DESTRUÍREM A BASE DE ONDE OS PARAGUAIOS DISPARAVAM BRULOTES E TORPEDOS CONTRA OS NAVIOS BRASILEIROS. COM O CAIR DA NOITE O BOMBARDEIRO FOI SUSPENSO.NOTA: ASSIM DESCREVEU O EMITENTE DR. FERREIRA DE MENEZES ( JOSÉ FERREIRA DE MENEZES 1845-1881, RIO DE JANEIRO, ADVOGADO, ABOLICIONISTA, JORNALISTA, ESCRITOR E DRAMATURGO) SOBRE OS EVENTOS HAVIDOS NO CERCO E TOMADA DE CURUZU PELAS TROPAS ALIADAS CAPITANEADAS PELO EXÉRCITO IMPERIAL BRASILEIRO NO TEXTO QUE ACOMPANHAVA A EXPLICAÇÃO DESTA LITHOGRAFIA: Ainda nos ares se enovelava o fumo dos fataes torpedos que tão desastrosamente submergiam o encouraçado - Rio de Janeiro - e com elle o bravo 1.º tenente Silvado, o 2.º tenente Coelho e sessenta e duas praças da guarnição; e já doforte Curuzú rompia incessante fogo de artilharia e fuzilaria contra o 2.º corpo do nosso exercito que, ao mando do general Porto Alegre e por entre macegas em chamas, ia ousado tomar posição em frente ao inimigo e ahi, a fé firme, aguardar o dia seguinte, 3 de Setembrp, em que a historia tinha de registrar mais um feito brilhante das armas brazileiras.A noite decorreu morosa e fria como soem correr, em taes circumstancias, as horas plenas de anciedade e perigos.E que tremendas horas aquellas! De um lado a vida, as honras, a victoria: de outro a derrota, a vergonha e a morte! De um lado os risos, os vivas e os hymnos: de outro as lamentações, os gemidos e as lagrimas! A esperança e a incerteza, o calculo e a duvida, o sonho e a realidade!Com que violencia não pulsavão os corações, com que anciedade não offegavão os peitos!Em balde alongavão-se os olhares pelo espaço: tudo era trevas - trevas da noite, trevas do futuro. Os successos, como os horisontes, erão impenetraveis. Ao olhar humano nada era dado devassar.Os 8,300 homens, de que se compunha o 2.º corpo do exercito, alli estavam em frente do forte Curuzú, como, outrora, o gladiador romano em face do contrario antes do signal dado para o começo da luta.No meio desses milhares de cabeças uma havia, mais que qualquer outra, que velava e meditava: era a do chefe. Sobre o aguerrido general pesava immensa responsabilidade. A Historia e a Patria o esguardavão immoveis e silenciosas como o infinito.Uma - a Patria, confiára-lhe oito mil filhos e a dignidade de sua bandeira; outra, - a História, apontava-lhe o passado, desenrolava-lhe ante os olhos as paginas dos feitos de Moron, que, não lhe era mais dado desmentil-os.Quem pudesse nessa noite memoravel devassar o que se passava no espirito do velho guerreiro - que episodio sublime não escreveria na epopeia do heróe!Que de projetctos, que de triumphos, que de sonhos não nascião e esvahião-se naquelle cerebro como luminosas scentelhas electricas que fulgem e fogem em um céo, ermo de estrellas, em noite de caliginosa tempestade!Quantas vezes não caminharia elle prompo, cheio de coragem como quem se apressava a colher os virentes louros que lhe estendia o anjo das victorias; e quantas tambem não pararia irresoluto, vacilante, como quem deante de si via erguer-se fatidica a mão do exterminio! Quantas vezes não escutaria enlevado os hymnos do vencedor, e quantas tambem, cheio de consternação, não ouviria as lamentações do vencido!Cada hora, cada minuto, cada instante era para elle um dia, um anno, uma vida inteira!O passo tardo, pesado e surdo da sentinella, o tinir da arma annunciando - alerta, - o ciciar do vento entre a folhagem, e o lugubre piar da ave nocturna, tudo emfim, era para entibiar animo o mais resoluto e desilludir esperanças as mais bem nascidas. No entanto, o veterano da Independência, que, dispensando-se dos gozos da reforma que no lar querido fruia cheio de doçura, empunhára de novo a velha espada para com ella vingar os brios da patria, alli estava de pé, calmo, firme, em seu posto de honra como quem, conscienciosamente cumpria o seu dever.A noite avançava, fria e serena como a fatalidade. Escoavão-se as horas, e o dia do porvir aproximava-se cada vez mais.Se o exercito brazileiro velava, tambem mais tranquilla não descançava a guarnição do forte. Os inimigos que, no correr do dia, sustentarão vivissimo e inimterrompido fogo com os nossos, occupavão-se, durante a noite, em reunir elementos de deffesa e destruição.Não menos corajosos e intrepidos que os nossos soldados, os paraguayos supprião o patriotismo que inspira a liberdade, pela obediencia que impõe o servilismo.O forte Curuzú, guardado por 3,000 homens, era um reducto digno de respeito não só pela sua construcção solida e feita sob todos os preceitos da architectura militar, como tambem pela avantajada posição em que se achava colocado e pelas ires bocas de fogo que o deffendião por todos os lados.A guarnição do forte era, em geral, composta de gente escolhida, dextra e de ha muito tempo descançada, o commandante não era destituido de valentia e nem de todo ignorante na difficil arte da guerra.Melhor estréa não podia, pois, fazer o 2.º corpo do nosso exercito. Em seu primeiro combate não se ia haver com destroçados pelotões e gente bisonha, não tinha de atacar nenhum desmantellado reducto nem escalar muradas de improviso: ao contrario, deante de si tinhão os estreantes muralhas solidas, e um forte respeitavel guarnecido por soldados aguerridos e bem disciplinados.Dizia-se geralmente, mas era uma calumnia e calumnia - que em vez de desmerecer o exercito inimigo só servia para amesquinhar as nossas victorias - que os batalhões do exercito de Lopes erão compostos de mulheres, velhos e crianças, nús e esfaimados! Não era exacto: e nem podia sel-o pois que uma nação, qualquer que seja, não póde exclusivamente compôr-se desses tres elementos, e nem o dictador do Paraguay seria tão estulto que a taes mãos, entregasse uma causa que era, como foi para elle, de vida e morte.A população da capital do imperio teve muitas vezes occasião de vêr os prisioneiros, que de lá vinhão; não erão Hercules, é certo, mas muito menos pigmeus; não desmerecião ao lado dos nossos soldados senão quanto ao garbo e uma certa vivacidade de movimentos que tem todo aquelle que não é obriigado a simular o que sente. Um povo livre sempre tem mais vida, mais emthusiasmo, que um povo escravisado e subjeito á disciplina tyranica do despotismo.Os soldados paraguayos erão, na maior parte, moços, corpulentos e robustos; avançavão com coragem, batião-se com denodo e morrião com heroismo. Se erão ou não inspirados pelo fanatismo é o que não podemos affirmar; mas que se dedicavão cegamente á causa que deffendião demonstrarão-no elles por tantas vezes quantas se empenharão nas renhidas e cruentas batalhas nas quaes, posto que para gloria nossa sahissem quasi sempre vencidos, derão exemplos de não vulgar heroismo e coragem.IIA noite do dia 2 de Setembro foi cheia de perigos e trabalhos; o corpo provisorio dengenheiros, sob o commando e direcção do major Rutino Eneas Galvão, occupou-se afanosa mente levantar trincheiras para abrigo do exercito.Eis como a parte do major Rufino, dirigida ao então ministro da guerra Angelo Muniz da Silva Ferraz, descreve esse feito do brioso corpo dengenheiros do qual era elle tão dignno chefe.Em virtude da ordem de S. Ex. o Sr. general em chefe, marchei para a frente afim de reconhecer as posições do inimigo, indo commigo o capitão destado maior de 1.ª classe Julio Anacleto Falcão da Frota, membro desta commissão, e excercendo interinamento o lugar de secretario-militar, que havia-se offerecido para esse serviço.O commandante do batalhão 11.º de linha, que ia na frente, destacou-se - logo que avistamos a bandeira do inimigo - uma guerrilha, trocando-se em seguida tiros entre ella e o inimigo; porém dentro em pouco dirigio-nos este tiros de metralha, resultando diversos ferimentos, sendo alguns graves.Nossa posição era má, porque a brigada achava-se estendida epal estreita picada pela qual enfiava o inimigo seus tiros.Aquele batalhão e o 8.º de voluntarios da patria, sahirão da picada e estabelecerão-se para a direita em uma garganta que depois vio-se que dava em um campestre.Logo que chegou o batalhão provisorio de engenheiros tratei de levantar com o referido capitão Frota uma trincheira que, cortando a picada, impedisse que o inimigo nos surprehendesse.Ás 4/2 horas da tarde, quando S. Ex. o Sr. general em chefe dirigio-se a esse lugar dei-lhe parte do occorrido, e recebendo ordem do mesmo Exm. Sr ás 7  horas da noite para escolher uma posição, afim de nella construir um espaldão para assestar nossa artilharia, marchei pelas 8 horas com os outros membros da commissão, que tinhão-se apresentado ao mesmo Exm. Sr. logo que desembarcarão, segundo foi-lhes determinado, sendo a commissão na escolha desse ponto muito auxiliada pelo incansavel tenente-coronel Astrogildo Pereira da Costa.Ficamos a nossa posição além dos piquetes avançados, pedi um batalhão de infanteria para proteger os trabalhos de engenharia, aos aques dei começo antes das 10 horas da noite; e pouco depois das 4 horas da madrugada achando-se prompto o espaldão, constando de cinco canhoneiras, entreguei-as ao commandante do batalhão 36º de voluntarios da patria, que esteve de protecção aos trabalhos, mandando retirar o batalhão provisorio de engenheiros, que muito trabalhou.Durante a noite o inimigo lançou fogo em diversos pontos ao redor do nosso acampamento que esteve ameaçado de ser devorado pelas chammas, se o vento fresco que soprava não tivesse rondado e se não nos tivessemos esforçado em mandar extinguir o fogo em frente ao lugar onde a commissão levantava o espaldão.Nesse serviço estiverão sempre commigo os capitães Francisco Xavier Lopes de Araujo, Francisco Antonio Pimenta Bueno e Antonio Villela de Castro Tavares; o primeiro do corpo de engenheiros e os dous ultimos do estado-maior de 1ª classe, bem como o 1º tenente de engenheiros Vicente Pereira Dias e o 1º tenente de artilharia José Arthur de Murinelly, todos membros desta commissão, que não se esquecerão um só momento de seus deveres, e trabalharão durante a noite com muita dedicação.IIIRaiou emfim a desejada aurora.O dia 3 de Setembro de 1866 surgio do cháos do porvir, e o futuro, até então incerto e duvidoso, começou a desenhar-se nos horizontes da vida.O toque da alvorada resôou sonoro pelas campinas e florestas. A soldadesca ergueo-se lesta, tocou-se a postos, unirão se as companhias e formarão-se os batalhões.Ás frescas brisas desfraldarão-se os auri-verdes pendões, alegres hymnos saudarão o novo dia e os guerreiros beberão a largos haustos as auras matinaes.Ás 6 horas o inimigo ropmpeu vivissimo fogo de artilharia contra as nossas improvisadas fortificações; a esquadra, do rio, e o exercito, de terra, acudirão promptos a responder ao cumprimento da manhã.O canhoneio, de parte a parte, nada houvera a invejar. O forte Curuzú atirava com rapidez e certeza, a esquadra respondia com vigor, e as baterias de terra fazião-lhe honra.Apoz uma boa hora de metralhada, o general Porto Alegre enviou aviso ao almirante Tamandaré que fizesse cessar o fogo da esquadra.Ia-se começar o assalto.Separada a divisão de infateria em duas columnas, foi entregue o commando da que devia operar pela direita ao brigadeiro Alexandre Manoel Albino de Caravalho e pela esquerda ao brigadeiro Joaquim José Gonçalves Fontes.Duzentos homens a cavallo, sob o commando do major Vasco Pereira da Costa marchavão na rectaguarda, para obstar qualquer movimento de flanco que, porventura, o inimigo quizesse emprehender.Os clavineiros e lanceiros da 3ª divisão que, por falta de cavallos marchavão a pé, commandados pelo coronel Manoel Lucas de Lima, servião de reserva e devião acudir aos pontos que, pelas circumstancias do combate, exigiessem promptos soccorros.Guardava a rectaguarda uma força de cavallaria da guarda nacional do Rio Grande do Sul.Emquanto se punha o exercito nessa ordem, as baterias do nosso espaldão continuavão a sustentar fogo de artilharia com o forte inimigo, que já então havia soffrido algumas avarias produzidas pelos tiros da esquadra.Assim disposto o 2º corpo do exercito, em linha de tabalha, marchou para o reducto. A guarnição paraguaya vendo avançar as nossas hostes redobrou de actividade enviando contra ellas repetidas cargas de artilharia e fuzilaria.Por algum tempo marcharam os nossos homens com a lentidão e regularidade que em taes casos requer a prudencia e o sangue frio; até que chegado o preciso momento, á voz de seus commandantes, galgarão rapidos o espaço que os separava das muralhas inimigas.A vaga irada que do seio do oceano se ergue em noite de tempestade, e que espumante e bramidora, elevando-se a prodigiosa altura, desaba sobre o costado de um navio fazendo-o em mil pedaços, não é nem mais imponente, nem mais medonha do que foi aquella mole de corpos humanos precipitando-se contra o inexpugnavel reducto.Ao vêr-se, de longe, esse exercito avançando com tão vertiginosa rapidez, acreditar-se-hia que um descomunal pampeiro levantado do solo enormissima tromba de areias ia suffocar, sob espessas camadas, aquella fracção do territorio paraguayo.Espetaculo mais horrido-sublime não se offereceria, por certo, aos olhos de quem nesse momento contemplasse o combate que ia dar-se entre aquella mole humana e as rigidas muralhas de Curuzú.Ao approximar do reducto, o general Porto-Alegre ordenou que cessasse o fogo da nossa artilharia e immediatamente mandou tocar a avançar a marche-marche.Possuidos do mais patriotico ardor e inexcedivel coragem, os nossos soldados lançárão-se ao forte como um bando de esfaimados leões contra um rebanho de bufalos selvagens.Recebidos a ponta de lança, a golpes de machado, a carga de baioneta e de fuzilaria á queima-roupa, a nossa gente cahia, morta e ferida, como basta messe ao roçagar de cegadora fouce.Cabeças sem corpos, corpos sem cabeça, braços, pernas, troncos mutilados epalhavão-se no solo como fructos maduros ao sacudir do tronco por mão robusta e fera.Os batalhões de voluntarios da patria 29º da Bahia e 34º do Pará forão os primeiros que tocarão as trincheiras. Rapidos vadearão os fossos. Servindo as costas de uns de escadas para outros, com denodado valor, galgarão os parapeitos, e antes de recobrados da maxima impressão já os paraguayos cahião crivados pelas nossas baionetas.Ao capitão Marcolino, homem preto e natural da Bahia, coube a gloria de ser o primeiro assaltante que pisou dentro do forte.O tenente-coronel Astrogildo, do Rio Grande do SUl, de lança em punho, contornando a trincheira inimiga até encontrar a entrada do forte, penetrou nelle, só, a cavallo. raio de morte, seu armado braço, possante e adextrado, cahio sobre a guarnição paraguaya como o anjo do exterminio. As patas de seu brioso corcel esmagavão cabeças que a invencivel lança abatia vencidas.Batidos por todos os lados, os inimigos tratavão de saltar-se, abandonando o forte e fugindo em magotes desordenada e desesperadamente.O brigadeiro Fontes vendo-os fugir, lançou-se-lhes ao encalço com um troço de bravos que tão longe levarão com elle a ousadia, que chegaram até a vista das trincheiras de Curupaity, donde retrocederão, em numero de cem, exaustos de forças e munições.O tenente-coronel Lima e Silva honrou o nome que tão dignamente usa; o major Lopes, commandante do 11º de linha e tenente-coronel José Antonio Corrêa da Camara fizerão prodigios de valor.Ao penetrarem os batalhões no forte cahio mortalmente ferido o intrepido 1º tenente Vicente Pereira Dias e pouco depois foi tambem ferido gravemente o capitão Francisco Antonio Pimenta Bueno, ambos officiaes dengenheiros que, além dos pesados trabalhos que durante a noite supportarão levantando o espaldão, distinguirão-se nobremente no ataque, avançando na vanguarda tão denodadamente que com seu sangue baptisarão aquelles feitos.Ao lado do visconde de Porto Alegre cahio morto um dos seus officiaes, o que não impedio que o indomito general proseguisse ávante, sendo sempre o primeiro a correr aos lugares onde mais empenhada e decisiva se monstrava a luta.Em hora e meia o forte de Curuzú, reputado quasi como inexpugnavel e no qual Lopez tanto baseava o seu plano de defeza, foi assaltado e tomado pelo 2º corpo do nosso exercito, cujo commandante em chefe se mostrou nesse dia em tudo digno da reputação que de ha muito gozava, e não menos dos bravos que assim soubera conduzir á victoria.Para comprovar o denodo e a valentia com que foi dirigida e executada esta cção, basta dizer-se que em tão curto espaço de tempo tivemos perto de 1,000 homens fóra de combate.É indiscriptivel a valentia com que os nossos atacarão o forte de Curuzú; desde o general em chefe, diz um correspondente de Buenos-Ayres, ao ultimo soldado, não houve quem não quizesse ser o mais bravo nesse dia. Os commandantes de divisão e de brigada, que a principio tratarão de enthusiasmar as tropas, tiverão de empenhar-se depois em conter seu excessivo ardor, o que fez com que o assalto fosse dado com tanta precisão como efficacia.As perdas do inimigo forão avultadas. Mais de 800 paraguayos ficarão sem vida, contando-se no numero destes o major Avalos que commandava o forte.As peças tomadas forão em numero de 13, sendo: uma de 68, duas de 32, quatro de ferro de 12, uma longa de bronze de 9 e cinco de bronze de 4 a 12.Além da bandeira que tremulava na bateria cahirão mais duas em poder dos nossos, bem como muito armamento e munições.IVCuruzú estava emfim vencido; esse baluarte que por tanto tempo se oppuzera ao proseguimento da guerra estava desfeito. Ao general Porto Alegre cabia essa não pequena gloria.A tomada de Curuzú, diz o supracitado correspondente, póde-se considerar com um dos feitos mais completos da guerra do Paraguay, porque com ella se conseguirão todos os fins que se tinhão em vista.O primeiro era, - tomando um ponto na costa do rio Paraguay, sobre o flanco do exercito inimigo - tirar-lhe o forte apoio do rio para a sua direita; o segundo fazer com que o nosso 2º corpo de exercito, vindo collocar-se á esquerda do 1º, ligasse a esquadra ao campo dos alliados, formando assim uma linha offensiva muito superior a toda a frente do inimigo; o terceiro era apossar-se da primeira fortificação do littoral do Paraguay, que, demorando a meia legua de Curupaity, servisse de base de operações para o ataque que se levasse contra aquelle forte.Tudo isso foi plenamente alcançado, e além do prejuizo material causado ao inimigo, o facto de perder elle a sua primeira trincheira com toda a artilharia leva-lhe muita desmoralisação á defesa de suas linhas.Tão importante e tão gloriosa como foi essa acção para as armas brazileiras, seus effeitos sobem de ponto se se considerar a continuação necesaria que ia ter.E assim foi; no dia 4 o general Polydoro, commandante do 1.º corpo do exercito, chegou a Curuzú para felicitar o visconde de Porto Alegre pela brilhante victoria que acabava de alcançar e ao mesmo tempo combinar o andamento das operações contra as linhas inimidas.A 7, o 2.º corpo do exercito, tendo protegido seu flanco direito com trincheiras na previsão de algum ataque que o inimigo podesse trazer-lhe com forças superiores, tinha collocado suas avançadas em frente do Curupaity, começando, por agua, o bombardeamento da esquadra.Nesse mesmo dia o general Mitre teve uma conferencia com o Sr. Conselheiro Octaviano, ministro plenipotenciario do Brazil, e os viscondes de Porto Alegre e Tamandaré.A 13 embarcou em Itapirú o general Mitre com o exercito argentino de 4,000 homens e seis batalhões brazileiros, commandados pelo coronel Paranhos, e incorprando-se ao 2.º corpo do nosso exercito formou um pé de 16,000 homens.Tudo parecia predisposto para um proximo e decisivo ataque, mas assim não aconteceu. Sempre que o general Mitre assumia o commando em chefe das tropas as delongas e adiamentos deixavão a campanha cahir em completa inacção.Passaram-se dias e dias, até que a 18 de Setembro os generaes Flores e Polydoro, receberam ordem de Mitre para atacarem Tuyuty, dispondo se elle por sua parte a atacar mais tarde Curupaity. Era justamente o contrario do que havião em conferencia de generaes combinado!Dessa inexplicavel modificação de plano feita por Mitre resultou o revez que soffrerão as armas aliadas em Curupaity.Adiado por muito tempo o ataque a essa fortificação, assentou-se afinal em effectuar-se no dia 17 de Setembro, o que não permittio a chuva que nesse dia cahio em torrentes.Depois de novos reconhecimentos determinou-se o dia 22 desse mesmo mez para dar-se o ataque diffinitivo a Curupaity.Logo pela manhã, aproveitando o tempo claro e fresco que fazia, os navios Brazil, Barroso, Bahia, Tamandaré, Belmonte, Parahyba e Henrique Martins, 2 bombardeiras e 2 morteiros em chatas romperão fogo do rio, que durou por muito tempo, sem porem se reconhecer o resultado em razão de uma espessa mata que se interpunha entre a esquadra e o forte.Dispunha Curupaity de 56 bocas de fogo, sendo algumas de 68 a 32 e outras de 12, 6 e 4; dous reductos nas extremidades da linha cruzavão com efficacia seus fogos; esses reductos erão deffendidos por um fosso largo e profundo.A pequena distancia desses fosses havião abatizes; á esquerda um matagal e á direita um enorme pantano.Apenas começou por agua o bombardeamento, o exercito de terra, formou-se em quatro columnas, sendo a da esquerda commandada pelo brigadeiro Gonçalves Fontes, a do centro pelo brigadeiro Albino de Carvalho, e as outras duas columnas, que erão argentinas, sob o commando do general Paunero. A primeira columna atacaria a extrema esquerda do bluarte e a segunda ficar lhe-ia de protecção.Ás 8 horas e meia mandou-se avisar a esquadra, que tomou nova posição proseguindo no fogo ao qual respondia o forte com energia e violencia.Avançou então o corpo do exercito, atacando a columna esquerda o flanco direito do entrincheiramento inimigo, ao passo que a segunda columna atacava o flanco esquerdo. Uma columna de infantaria argentina, apoiada por outra de reserva, batia o centro.Intrepido e arrojado foi o assalto, tenaz a resistencia; as columnas de ataque erão recebidas com rigoroso fogo tanto de bombas de grande calibre como da infantaria, que guarnecia os parapeitos do entrincheiramento; ellas porém investião com grande valor e em pouycos momentos cahio em seu poder a primeira linha do entrincheiramento inimigo, que consistia em um fosse de 12 palmos de largo e 10 de profundidade, guarnecido de artilharia de campanha, sendo esta retirada immediatamente para nossa rectaguarda.Ás 11 horas o almirante deu ordem para se romperem as estacadas, afim dos encouraçados Brazil, Barroso e Tamandaré baterem as trincehiras paraguayas o que não conseguirão efficazmente em consequencia da grande altura das trincheiras.Não podião atirar por elevação porque desse modo offenderião gravemente o nosso exercito; alguns tiros, que tentarão, produziram alguns estragos em nossas fileiras.Os garibaldinos de S. Fidelis, que estavam no Chaco, causarão grande damno ás baterias paraguayas das barrancas.Passando a estacada a esquadra teve de cessar fogo.Depois de occupada a primeira linha inimiga, esbarrarão os nossos com o mais forte entrincheiramento de Curupaity.Era elle de primeira ordem; constava de uma enormissima muralha, ligada pelas extremidades aos baluartes, e tanto estes como aquellas, guarnecidas de artilharia de grosso calibre; tudo circundado por um fosso de 27 palmos de largura e 18 de profundidade.A vista dessa formidavel fortificação longe de intimidar os nossos - a artilahria que sem cessar vomitava sobre elles chuva de balas, em vez de fazel-os recuar, parecia que mais os animava e attrahia ao renhido e sanguinolento assalto.Possuidos do maior enthusiasmo, inspirados pelo anjo das victorias avançarão os nossos bravos áquele fortissimo entrincheiramento com tanto denodo, firmeza e audacia que o teriam levado de vencida se obstaculos imprevistos não se oppuzessem á realização de tão arrojado quão glorioso feito. Um grande banhado, insuperavel por meio de abatizes embargou os passos áquelles intrepidos soldados.Em presença de tantas barreiras, quer naturaes quer levantadas pela mão do homem, impossivel era levar assim de assalto tão grande e tão potente baluarde, no qual o inimigo havia concentrado a melhor e maior parte de suas avultadas forças.Quarenta bravos das nossas fileiras conseguindo, apesar de tamanha e tão victoriosa resistencia, penetrar no forte, apoderarão-se de quatro bocas de fogo; mas, victimas illustre de tão ousado quão pratiotico arrojo, succumbiram na luta que travarão braço a braço contra massas compactas de inimigos, que sobre elles cahirão como uma torrente impetuosa sobre relvados campos, que tudo esphacela e esmaga sob sua espumante e indomita passagem.Era impossível ir mais longe e combater-se por mais tempo: mandava a prudencia e o criterio que se recuasse em regra para não perder-se todo o exercito, que ainda sob tantos revezes se mostrava animado e disposto a manter-se firme por muito tempo ainda.Tocando-se então a retirada, operou-se ella na melhor ordem possivel, carregando-se não só os feridos como os mortos, sem ousar o inimigo sahir de suas linhas e perseguir-nos.Emquanto se sustentava o assalto de Curupaity, o general Flores, com a sua cavallaria, pela esquadra do entrincheiramento de Riojas, internava-se tão ousadamente que chegou até aos hospitaes do inimigo, a uma legua de distancia de seu entrincheiramento. Ahi encontrando um piquete paraguayo bateu-o completamente. Sabendo, porém, do que se passava em  Curupaity, retirou-se para evitar que fosse cortada a sua rectaguarda.O general commandante do 1º corpo do exercito também não perdia o seu tempo; durante o dia bombardeava com suas forças o inimigo, conservando-se sempre promtpo a atacal-o vigorosamente caso para isso se lhe deparasse oppurtunidade.O ataque de Curupaity foi uma operação malograda, é certo: mas não mariou o brilho das nossas armas; antes pelo contrario, deu occasião a que mais uma vez dessesm os nossos bravos soldados uma das bellas provas, que na campanha do Paraguay exibirão, de muita constancia, valor e disciplina. Batendo-se contra aquellas formidaveis trincheiras patentearão ao mundo que sabem desprezar a morte quando se trata da honra da patria.O feito de 22 de Setembro posto que não lograsse o almejado fim, deve ser comtudo reputado, como reconhecimento militar a viva força, um dos mais brilhantes das armas brasileiras. Não foi certo vencer-mos, mas não fomos vencidos!A retirada operou-se com summa felicidade. Não perdemos um palmo do terreno conquistado ao inimigo, nem ficaram prejudicadas as posições anteriores tomadas.Foi um combate renhido e sangrento como poucos contão as armas da memoravel campanha do Paraguay. Tivemos do 2º corpo do nosso exercito 1,900 homens fóra de combate, sendo mortos 34 officiaes e 344 praças de pret, feridos 119 officiaes, 1,261 praças de pret, contusas 48 officiaes e 94 praças de pret.A força argetina contou mais de 1,500 homens fóra de combate, entre mortos e feridos; notando-se entre estes o coronel Rivas e no numero daquelles os coroneis Cuarlan, Dias e Reneti.As perdas do inimigo não forão somenos; avalia-se em cerca de 2,000 homens cahidos entre os que receberão leves e graves ferimentos ou a morte.VO desastre de Curupaity entristeceu o 2º corpo do exercito que tão brilhantemente estreara na tomada de Curuzú, mas o animo patriotico do bravo general Porto-Alegre em nada arrefeceu com tal successo, ainda que no intimo dalma lhe sangrasse dolorosamente ver assim voltar a Curuzú os companheiros da gloriosa jornada de 3 de Setembro.De volta ao campo desta brilhante e immorredoura victoria, dirigio elle a seu exercito esta proclmação, em que cada linha transparece o nobre enthusiasmo e o amor da patria que se aninhavam naquelle peito de verdadeiro soldado e cidadão.Soldados! Reconhecer e tomar, se fosse possivel, a posição de Curupaity foi o nosso empenho na jornada de 22 de Setembro.O estandarte brazileiro não tremulou nos muros daquelle forte, mas ainda assim bem merecestes da patria, que solicita vos contempla.Cincoenta e oito bocas de fogo, convenientemente collocadas e 13,000 homens de infantaria arremeçavão-nos abobadas de balas.Os insuperaveis fossos, revestidos com os accessorios que a arte ensina, davão animo aos escravisados soldados do tyranno Lopez. Sobre essa posição assim artilhada, investistes com denodo.Ao vosso lado pelejavão os valentes argentinos; elles e vós cumprirão com admiravel intrepidez o sacrificio que a patria exige, que a honra ordena e a liberdade espera.Muitos dos nossos conterraneos encontrarão morte gloriosa sobre as ultimas baterias inimigas! Honra a esses bravos, cuja memoria jámais perecerá.O vacuo de vossas fileiras attesta com eloquencia irrespondivel quão mortifera foi a peleja, e o vosso denodo conteve o inimigo em suas posições, observando admirado a mais tranquila das retiradas. Quatros horas tinha durado o combate.Soldados! Ainda quando o movimento do dia 22 podesse ser considerado um - revez para as armas aliadas - elle retemperou os nossos animos sem diminuir o brilho das nossas armas. Os bravos que tomarão parte naquelle glorioso combate podem com arrogante altivez dizer ao mundo: - em Curupaity ficou ilesa é certo, mas nem por isso deixou a infelicidade do successo de influir fatalmente no proseguimento da campanha e no animo do exercito que, por tibieza de alguns generaes-shefes, cahio de novo em profunda apathia; ficando o 2º corpo acampado em Curuzú, reduzido á simples deffensiva.A honra da bandeira nacional ficou ilesa é certo, mas nem por isso deixou a infelicidade do sucesso de influir fatalmente no prosseguimento da campanha e no animo do exercito que, por tibieza de alguns generaes-chefes, cahio de novo em profunda apathia; ficando o 2º corpo acampado em Curuzú, reduzido á simples deffensiva.Os paraguayos reconquistando a perdida coragem, levantarão entre Humaitá e Curupaity novas fortificações guarnecidas de desoito peças de 68 e 32, e cheios de audácia passando da deffensiva á offensiva, atacarão as avançadas do 2º corpo com um tiroteio vivissimo e, posto que repellidos galhardamente, nem por isso deixarão de dissimar aquelle corpo de modo que, em fins de Outubro, achava-se reduzido a 7,000 homens.Obrigado a permanecer inactivo o general Porto Alegre desgostava-se de dia para dia profundamente.A divergencia manifesta de que ha muito existia entre os generaes de terra e mar, concorria ainda mais para a resolução a que Porto Alegre parecia inclinar-se de abandonar a campanha.Nomeado, por decreto de 10 de Outubro de 1866, commandante em chefe das forças imperiaes na guerra contra o Paraguay, partio o venerando Marquez de Caxias da côrte a 29 daquelle mesmo mez e chegou a Corrientes a 16 de Novembro, donde immediatamente participou aos viscondes de Porto Alegre e Tamandaré ali achar-se presente.O commandante do 2º corpo do exercito e o almirante da esquadra, respondendo ao officio daquella participação, communicarão igualmente ao novo general em chefe das nossas tropas que desejavam retirar-se para o imperio. Esta resolução porém deixou de ser diffinitiva da parte de Porto-Alegre, pois continando a permanecer no commando só a 26 de Fevereiro do anno seguinte o passou ao general Argollo para gozar apenas um mez de licença, que posteriormente pedira para ir ao Rio Grande do Sul.Velho camarada do Marquez de Caxias, o Visconde de Porto-Alegre não pôde resistir as suas instancias. O illustre commandante em chefe das nossas forças apreciava bastante o caracter, a valentia e a disciplina do antigo companheiro das suas primeiras lidas de guerra, para que pudesse prescindir de tão valioso concurso. Por isso, concordando com a voluntaria retirada do almirante da armada, por fórma alguma annuio a outro tanto com respeito ao commandante do 2º corpo.Entrado no gozo da curta licença que apenas, e a muito custo, lhe fôra concedida, apressou-se o heroe da jornada de 3 de Setembro em partir para o lugar de seu berço, onde cheias de saudade aguardavão esposa e filhas, que tanto o estremeciam.Escravo da disciplina não ultrapassou Porto-Alegre o tempo concedido para abraçar os seus, a 2 de Março, já de novo assumia o commando dos bravos companheiros de Curuzú, onde, logo no dia seguinte, teve occasião de auxiliar efficazmente o bombardeio da esquadra contra Curupaity.Permaneceu ainda o 2ºcorpo do exercito em Curuzú, por mais tres longos mezes, não de todo inactivo, mas sem ensejo de particar nenhum feito condigno daquelle que o empossara desa fortificação.A 29 de Maio, uima enchente assoberbou o rio Paraguay tão desmesuradamente como não havia exemplo nem memoria em mais de sessenta annos. As aguas innundarão o acampamento do 2º corpo por tal modo que as peças de artilharia ficarão submergidas.Zeloso e disvelado acudio o Sr. Marquez de Caxias em auxilio dos innundados, e reconhecendo a necessidade de quanto antes tiral-os de tão embaraçosa posição, resolveo remover desse ponto o 2º corpo do exercito, deixando apenas a guarnição necessaria para manter a posse da fortificação.Como essa retirada não podia ser feita sem que as tropas paraguayas a embaraçassem fortemente, ordenou o illustre general em chefe um simulado ataque a Curupaity, que servisse de roconhecimento do estado dessa fortificação com a enchente, e que ao mesmo tempo, para ali atrahindo toda a attenção do inimigo, protegesse a nossa retirada.A esquadra seguindo immediatamente até Curupaity começou um energico bombardeio que durou das 3 as 6 horas da tarde, lançando no correr desse tempo mais de 600 bombas, e recebemdo em troca umas 100 que apenas os contrarios puderão enviar, sem nos causar graves prejuízos.Ficando 1,500 homens e 13 peças de guarnição a Curuzú, embarcou o resto do 2º corpo, e com feliz successop acampou em numero de 4,500 homens no Passo da Patria.Ahi, nesse memoravel theatro de um dos mais arrojados feitos do legendario Osorio, aguardou o visconde de Porto-Alegre novos e viventes louros a que o seu patriotismo e bravura tinham ainda direito.F. Ferreira
  • J.L. FORAIN AQUAFORTISTE CATALOGUE RAISONÉE  DA OBRA GRAVADA DO ARTISTA COM UMA ÁGUA-FORTE ORIGINAL. IMPRESSO EM PARIS POR H. FLOURY EM 1912. 2 VOLUMES  27CM X 21CM. NOTAS EXPLICATIVAS NO VOLUME 1 POR J. GUÉRIN. ESTA OBRA TEVE TIRAGEM DE 300 EXEMPLARES, NUMERADOS NO PRELO, SENDO QUE 250 FORAM COLOCADOS À VENDA. ESTE EXEMPLAR É O Nº 39. IMPRESSÃO DE LEON MAROTTE. REFERÊNCIA DA LIBRARY OF CONGRESS ONLINE CATALOG. INCLUI INDICE. EX-LIBRES DO ARTISTA. BIOGRAFIA DE J. L. FORAINnota:Forain nasceu em Reims , Marne, mas aos oito anos, sua família se mudou para Paris . Ele começou sua carreira trabalhando como caricaturista para vários jornais de Paris, incluindo Le Monde Parisien e Le rire satirique . Querendo expandir seus horizontes, ele se matriculou na École des Beaux Arts , estudando com Jean-Léon Gérôme, bem como com outro escultor/pintor, Jean-Baptiste Carpeaux .Seguidor e protegido de Degas, Forain se juntou ao círculo impressionista a tempo de participar da quarta exposição independente em 1879; ele participou de quatro das oito Exposições Impressionistas (1879, 1880, 1881 e 1886). Influenciado pelas teorias impressionistas sobre luz e cor, ele retratou cenas da vida cotidiana: suas aquarelas, pastéis e pinturas focavam em entretenimentos populares parisienses e temas da modernidade  a pista de corrida, o balé, a ópera cômica e cafés movimentados. Em 1931, pouco antes de sua morte, ele foi feito membro da Royal Academy of Arts em Londres . Ele foi um dos artistas mais famosos e reverenciados da França durante seu tempo. Ele era, talvez, mais respeitado por seus numerosos desenhos que narravam e comentavam a vida da cidade parisiense no final do século XIX. Seguidores e admiradores do trabalho de Forain incluíam Henri de Toulouse-Lautrec . Em 22 de janeiro de 2020, duas obras de Jean-Louis Forain que foram encontradas no estoque de Gurlitt em Munique, escondidas pelo filho de um dos negociantes de arte de Hitler , Hildebrand Gurlitt , foram devolvidas aos herdeiros do colecionador de arte judeu Armand Dorville .

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